AMOR INCONDICIONAL - MESTRE PÓRTIA

 

 
Amor Incondicional
 
Para Krishna, a Suprema Personalidade de Deus
 
                Não é possível mensurar o Amor que não se condiciona a particularidades do tempo ou do espaço ou a escolhas ou preferências carregadas de intenções específicas à mente de cada um. Muitos são os que dizem que amam, porém, na verdade, poucos são os que de fato compreendem o que é o Amor. Além do que, dentre os que pensam entendê-lo, ainda menor é o número de almas que, enquanto vivem nas esferas da materialidade, sabem identificá-lo com precisão. Por esse motivo, as pessoas que se acham perturbadas por falta de sentimentos mais profundos, que possam reciprocar com outros que também desejam amar, se sentem tão carentes e destituídas da compreensão alheia. Enfim, poucos são os que pretendem adquirir o tipo de compreensão que pode levá-los a cultivar o que estou aqui me referindo como Amor.
                Uso a inicial maiúscula propositalmente, porque existe muita confusão em torno de tal palavra, e quero deixar claro que o que estou aqui abordando nada tem a ver com a troca de emoções e o compartilhamento de valores, ações e atitudes que exige dos outros aquilo que só mesmo na intimidade de cada um pode-se encontrar. Com isso quero dizer que Amar de verdade não tem relação com o conjunto de interações que em geral a alma que está condicionada a materialidade costuma associar ao amor. Inúmeros são os que querem encontrar no outro o que os complete, sem estarem plenamente satisfeitos com eles mesmos e, portanto, incompletos. Se a contraparte também deseja o mesmo, é bem provável que ambos os lados se desiludam reciprocamente, afinal a incompletude continua a existir dentro de cada um.
Para que alguém se faça pleno e satisfeito consigo mesmo não há necessidade de que este alguém exija de outras pessoas o que lhe parece faltar, porque tudo o que se precisa para que se viva em paz e harmonia, com saúde e felicidade, está dentro de toda pessoa. Só quem descobre o caminho de se preencher poderá enfim viver feliz ao lado de outro alguém que também esteja pleno e satisfeito consigo mesmo. A união pacífica e perfeita entre os dois lados de um casal só existe a partir da liberdade que ambos se deem, reciprocando afeição e cumplicidade, independente das circunstancias, de maneira incondicional. O sentimento que desta forma pode ser cultivado é amor, mas o ápice da experiência amorosa só pode ser vivenciado quando a alma realiza a si mesma na sua relação com Deus.
Assim como se abordou acima, a união e a afeição recíprocas só podem ser experimentadas por aqueles que encontraram as soluções íntimas que lhes façam plenos e satisfeitos consigo mesmos. O Supremo Senhor é autosatisfeito e, portanto, a pessoa humana quando se autosatisfaz pode se relacionar com Ele de uma maneira perfeita. Relacionando-se com o Senhor se reconhece o que é verdadeiramente o Amor Incondicional, que não tem começo nem fim. Sentimento eterno, sempre existente, que não será jamais compreendido por quem ainda continua buscando nos outros as soluções para os seus problemas. Amar a Deus é algo incompreensível para aqueles que ainda amam a materialidade da existência, e, por amarem-na, acreditam que podem ser felizes apenas através de conquistas materiais temporárias e não permanentes. Afinal, dentre tais pessoas existem até mesmo aquelas que nem ao menos acreditam que Ele existe, e vivem embrenhadas nas obscuras teias que as arrastam em direção contrária à da Luz Superior.
Tais almas, infelizmente, não encontrarão lenitivo duradouro para suas angústias, e, mesmo que provisoriamente consigam se sentir satisfeitos em alguns momentos de suas vidas, em outros lapsos do tempo e do espaço que as contém, certamente haverão de se amargurar por outro motivo, que lhes escapa ao controle mais direto. Viver e Amar e incondicionalmente ser Amado, como parte da essência do que é o amor e, portanto, me refiro aqui ao aspecto do Amor (com inicial maiúscula) que alguém pode encontrar durante a experiência humana, não se faz possível para quem está desejoso de desfrutar da matéria e de suas particularidades. A reciprocidade que nos satisfaz até um ponto em que é impossível descrever para os raciocínios através de palavras, sejam elas escritas ou faladas, só existe na eterna relação com a Fonte do Supremo Amor. E o sentimento que brota dentro do ser, que enfim descobre o que é Amar, não pode ser sentido por quem ainda se ocupa com buscar ao amor através das interações com a pessoa humana condicionada do campo da existência material.
Mesmo que haja alto grau de cumplicidade e reciprocidade incondicional entre os membros de um casal humano, o sentimento que existirá entre eles não se compara ao que brota no íntimo do ser que se relaciona com Deus e o Ama com intensidade. Nem mesmo a mais pura relação que se faça entre duas ou mais pessoas, por mais sincera e perfeita que pareça ser, jamais se assemelhará ao que se sente dentro de tal Suprema Relação que estou mencionando. E ela somente será alcançada quando o Senhor, através de Sua Misericórdia e Absoluta Perfeição, engolfar àquele que o ama com o Seu Amor. Então e só então, a alma que se permitiu engolfar saberá reconhecer o que é o Amor, e reconhecendo-o e experimentando de sua doçura e do estado de Bem-aventurança e Divina Graça, entenderá do que se trata o amor (com inicial minúscula). Deste ponto em diante, ela não mais se prenderá pelas conveniências que fazem com que as outras pessoas busquem por relações provisórias e por esporádicas e limitadas expressões do Verdadeiro Amor, que sabe reciprocar com Aquele que a faz Amar.
 
                                     Mestra Pórtia (19/09/2013)
 
Conteúdo obtido por sintonização através de Valéria Moraes Ornellas, Sacerdotisa da Ordem de Zadkiel e co-fundadora da Editora Sétimo Raio, Rio de Janeiro – RJ, e originalmente publicado em http://shamballaeagrandefraternidadebranca.blogspot.com.br. Se desejar divulgar este texto, favor citar devidamente a autoria e a fonte original da publicação.
 
Ordem de Zadkiel