A DEVOÇÃO É COMO UM REI QUE TEM DOIS AJUDANTES DE CAMPO CHAMADOS SABEDORIA E DESAPEGO - SATHYA SAI BABA




“A devoção é como um Rei que tem dois ajudantes de campo chamados Sabedoria (Jnana) e Desapego (Vairagya). Sem esses guarda-costas, a devoção nunca está protegida ou segura. A Devoção deve ser construída sobre a fundação da Sabedoria e deve florescer como Desapego pelo mundo. O homem de sabedoria (Jnani) é insensível aos sentimentos e emoções que agitam e é inabalável frente às tempestades de boa e má sorte (sthithaprajna). A pessoa que é desapegada (vairagi) é aquela que se livra das três gunas (ou atributos da mente). Um devoto é aquele que tem amor por todos os seres vivos. Bhakthi, Jnana e Vairagya são três picos da mesma Cordilheira dos Himalaias. Prema cria daya (compaixão), Vairagya induz dhama (tolerância) e Jnana (sabedoria) o conduz ao longo do caminho do dharma.”
              
                  Sathya Sai Baba














 
Om Namah Shivaya!





"Desenvolva sua devoção. A devoção é muito importante para a vida humana. O Senhor disse no Gita, 'Você se torna muito querido para mim, quando você me serve com um coração cheio de amor'. "

"A devoção suaviza a mente e a mantém receptiva às emoções mais elevadas e aos impulsos purificadores."

“O tipo mais comum de devoção usa as coisas do mundo sensorial para adorar o Senhor, tais como as flores. De onde estes artigos vieram? Você pôde manufaturá-los? Você criou estas flores? Não. Elas foram todas criadas pelo Senhor. Onde, então, está o sacrifício em oferecer ao Senhor as coisas que Ele mesmo criou? Tais oferendas não irão levá-lo muito longe em seu caminho espiritual. Mas oferecer ao Senhor as sagradas flores de seu coração, que não estão relacionadas ao mundo, e oferecê-las em amável adoração a Aquele que está sentado em seu coração, esta é a mais elevada forma de devoção. Essa é a devoção a que você deve aspirar.”

O CÂNTICO DEVOCIONAL (BHAJAN)

 
 
É na prática do cântico devocional que Sai Baba coloca mais ênfase, afirmando ser este o método mais adequado à pacificação da mente, na era atual. Ele diz:
"O canto devocional é um dos processos pelos quais você pode treinar a mente a se expandir na consciência eterna. Ensine a mente a se deleitar na glória e na majestade de Deus. Mantenha-na limpa de prazeres triviais e paixões. As canções devocionais induzem em você um desejo de experimentar a verdade, de perceber um relance da Beleza que é Deus, de provar a Bem-aventurança que é o Eu interior. Elas encorajam o homem a mergulhar em si mesmo e ser seu verdadeiro Eu."


MEDITAÇÃO

 
O stress do mundo moderno com todas as implicações que acarreta, tem empurrado as pessoas a buscar meios de equilíbrio. Manter o equilíbrio em meio ao caos é possível quando se tem uma mente eqüânime. Um dos métodos para se manter uma mente assim é a prática da meditação. A própria ciência já reconhece agora que as pessoas que meditam são mais felizes, adoecem menos e conseguem sair de situações de conflito mais rapidamente do que aquelas que não meditam. Mas o que é meditar? Sabiamente, Sathya Sai Baba nos faz esta bela comparação:

"A meditação é superior aos órgãos dos sentidos, enquanto a concentração lhes é subserviente. Eis um pequeno exemplo disso: numa roseira há folhas, espinhos, ramos e as próprias rosas. Em tal contexto, a habilidade de distinguir entre espinhos, folhas, ramos e rosas pode ser chamada concentração. Depois de olhar tudo, podemos identificar uma rosa. Uma vez que a tenha localizado, concentrando-se nela, você a pode colher sem tocar os espinhos. Uma vez colhida, não resta qualquer relação entre ela, de um lado, e espinhos, folhas e ramos, do outro. Esta separação da flor das demais partes que formam a planta é o que se pode chamar contemplação. Você tomará esta rosa e a ofertará a Deus. Após tê-la ofertado, a roseira com seus ramos, folhas e espinhos, sua mão ofertante, e mesmo a flor, já não existem. Esta oferenda, onde tudo o mais foi abstraído e só Deus existe, é chamada meditação."

Sathya Sai indica vários meios de meditação. Um deles é a chamada "Meditação na Luz", um exercício poderoso de autoconhecimento e de expansão e irradiação da nossa luz interna. A meditação "So Ham" (So - Deus; Ham - eu) também é aconselhada por Ele, como instrumento para acordarmos a nossa divindade inata. A prática denominada em sânscrito "Namasmarana" consiste na repetição de mantras sagrados e é, igualmente, um poderoso meio de acalmarmos a nossa mente. Palavras Dele sobre o Mantra OM:

"A constante repetição do OM e a intensa meditação sobre seu significado são recomendadas aos aspirantes que procuram o conhecimento do Morador Interno".

CÍRCULO DE ESTUDOS

O estudo em grupo, realizado de forma equilibrada, em que todos os participantes têm oportunidade de falar e todos exercitam a faculdade de escutar sem julgamento, é outra poderosa forma de ampliarmos nossa consciência. Sai Baba propõe o estudo das escrituras sagradas em conjunto, sejam elas os Vedas, a Bíblia, escritos budistas, o Alcorão etc.

"O estudo de livros sagrados e ouvir discursos religiosos são atividades realizadas com a intenção de desenvolver autocontrole e paz. Mas Eu não sou favorável à leitura indiscriminada de livros, por mais valiosos que eles sejam. Muita leitura tende a confundir a mente. Nutre a argumentação e o orgulho intelectual. Eu insisto em que se coloque em prática aquilo que se lê, se não tudo, ao menos uma coisa ou duas. Além disso, lembre-se que um livro é só uma placa de direção, um guia, um poste indicador de caminhos. Apenas ler não pode ser a conclusão da viagem: é apenas o primeiro passo. Leia por causa da prática, não por causa da leitura. Muitos livros em um quarto indicam que uma pessoa está sofrendo de doenças intelectuais, da mesma maneira que muitas latas, cápsulas e garrafas de remédios em um armário indicam que a pessoa está sofrendo de doença física." (Sai Baba)

REUNIÃO DEVOCIONAL

A Reunião Devocional é uma prática espiritual que consiste na lembrança ou recitação do Nome de Deus. Segundo Baba, este é o meio mais fácil de chegar a Deus na presente era (Kali Yuga).
Os cânticos dos Nomes de Deus são poderosos mantras capazes de purificar a mente e o corpo de cada indivíduo, bem como a atmosfera e o meio-ambiente em geral, neutralizando os efeitos poluentes por danos causados pelo homem ao seu meio.
Os diversos símbolos utilizados na cerimônia têm um profundo significado, cujo objetivo último, em suma, é facilitar a sintonia do devoto com o divino, ajudando-o a estabelecer uma conexão com a elevada energia que flui durante a reunião. Vejamos alguns desses símbolos:
  • O Altar e as imagens

As fotografias de Sathya Sai Baba nos ajudam a lembrar de que Sua Divina Presença está sempre conosco. As demais imagens ou fotos, se houver, representam as diversas formas em que Deus se manifesta para nos abençoar com o ensinamento de que só existe a unidade. Palavras de Sai: "Quando a essência de todas as religiões é idêntica, quando todas as escrituras proclamam a mesma verdade, quando a meta de todo esforço humano é única, onde está o fundamento para qualquer diferença? Os caminhos são variados, mas o destino é único e o mesmo."
  • O Incenso



É uma oferenda. Simboliza nossas tendências negativas e positivas, a dualidade da qual devemos nos desprender: assim como ele se liberta de sua substância material, transformando-a em fumaça perfumada que sobe livremente, em direção a Deus, nós também devemos nos libertar de nosso ego para que nossa essência divina possa se unir ao Absoluto. Está ligado ao sentido do olfato e seu perfume nos lembra de que tudo o que existe está impregnado com a fragrância da Divindade.
  • As flores
Também são oferendas. Simbolizam nossas ações e pensamentos, que devem ser sempre puros e dignos de serem oferecidos a Deus. Sai Baba nos diz que, na verdade, as flores devem exprimir o oferecimento da “flor de nossos corações”.
  • O Jyotir (a luz)
O fogo que arde na lamparina ou na vela durante toda a devoção tem um belo significado: o óleo representa os cinco sentidos; o pavio é a mente; a luz é o discernimento, que ilumina o caminho do buscador espiritual para Deus.
  • O Sino
Sathya Sai nos ensina que o som produzido pelo tilintar do sino eleva as vibrações do ambiente, afastando energias negativas. Além disso, o sino também simboliza o nosso desejo de ouvir apenas sons espirituais.
  • Os Mantras e Orações
 
 
São manifestações sonoras do poder de Deus e nos ajudam a manter nosso ser em sintonia com a energia Divina. Estão relacionados à fala e à audição. Durante a reunião são entoados os seguintes mantras: OM – É o som primordial, que criou o Universo e a tudo permeia (“No início era o Verbo e Este se fez Carne...”). Também é chamado de Pranava, ou seja, “aquele que é sempre novo”. É constituído por três letras, que simbolizam os três aspectos do Divino: A – U – M e quatro unidades de tempo: A – representa a Criação do Universo (Brahma) e o nosso estado de vigília; U – simboliza a Sustentação (Vishnu) e o estado de sonho; M – representa a Transformação (Shiva) e o estado de sono profundo, sem sonhos.

O silêncio que se segue, após a entoação desta sílaba, representa Brahman, o Absoluto, Uno-sem-segundo, o próprio Deus Imanente, com o qual harmonizamos todo o nosso Ser. É o chamado 4° estado, a Pura Consciência.

Mantra Gayatri – É um desdobramento do OM. Sai Baba diz que ele é, ao mesmo tempo, um mantra e uma oração. Conhecido como o Mantra dos Vedas ou Oração ao Sol, o Gayatri é, provavelmente, a oração mais antiga da humanidade. Consta do Rig Veda e é considerado como a própria essência do Vedas, as antigas escrituras sagradas da Índia, cujos ensinamentos Sai Baba afirma que pertencem a toda a humanidade e não apenas a um povo ou época em particular. Assim sendo, o Gayatri é uma prece universal adequada a todas as pessoas, sem distinção de sexo, raça, cor ou credo.

Recomendação de Sai Baba: “Lembrem-se: o Gayatri é um tesouro que devem guardar por toda a vida. Nunca o abandonem. Podem esquecer ou ignorar qualquer outro Mantra, mas devem recitar o Gayatri pelo menos três vezes ao dia. Ele os protegerá do mal onde quer que estejam, portanto, não o negligenciem.”

Loka Samasta Loka Sukino Bhavantu (que todos mundos sejam felizes e bem-aventurados) - verso-oração que pede que a felicidade se estabeleça em todos os níveis da existência.

Asatoma- “do irreal conduze-nos ao real, das trevas à luz, da morte à imortalidade” – verso-oração que resume aquele que deve ser o anseio máximo da alma humana: a realização da nossa identidade com Deus.

OM Shanti Shanti Santihi – é o mantra que pede Paz para os nossos três corpos: físico, mental e causal (espiritual).

OM SAI RAM – Saudação ao Deus que habita em cada um de nós e que é, ao mesmo tempo, nosso Divino Pai e Mãe (Sai = Mãe e Ram = Pai).
  • O Anjali Mudra (gesto de prece ou saudação)
Quando juntamos nossas mãos diante do peito para orar, reverenciar o Mestre ou saudar a um irmão, estamos manifestando nosso conhecimento intuitivo de que Deus habita em cada um de nós. As duas mãos simbolizam a polaridade do ser humano: positivo/negativo, racional/emocional. Este gesto representa o indivíduo equilibrado, integralmente empenhado na adoração ou saudação.
  • Os Bhajans (cânticos devocionais)
Os cânticos devocionais, ou bhajans (em sânscrito), que também constituem uma oferenda ao Deus único, são cantados, em sua maioria, da seguinte forma: um puxador canta cada frase, prestando um serviço aos devotos presentes. Estes, por sua vez, repetem-nas, fazendo sua parte nesse trabalho sagrado.

As canções devocionais, nas unidades Sai, procuram reverenciar as várias faces do Divino. Cantando para Jesus, Buda, Alá, Jeová, Krishna, Sai Baba, vamos desenvolvendo dentro de nós a consciência da Unidade: Deus é um só e permeia todas as religiões; Deus é um só, mas se manifesta de múltiplas maneiras, em inúmeras formas, para cada povo, cada cultura, cada momento da humanidade.
  • As palmas

Normalmente, os cânticos são acompanhados de palmas, principalmente quando são repetidos de forma mais rápida. Elas nos ajudam a manter o tato em harmonia com os demais sentidos, por isso é importante que seja mantido o ritmo correto.
  • O Arathi (ritual do fogo)
Este ritual é opcional. No Centro Sai, costumamos realizá-lo nas reuniões festivas. É o momento em que oferecemos nossos problemas, nossos medos, enfim, nosso ego, com todas as suas impurezas, para que seja eliminado pela Luz Divina, no ato simbólico de queima da cânfora.

A cânfora representa o ego e a chama o fogo do Conhecimento, que destrói a ignorância, permitindo que o indivíduo perceba sua unidade com Deus. Ao ser queimada, a cânfora não deixa resíduos, o que significa que, uma vez eliminada, a ignorância jamais retorna. Assim, nós ficamos livres de todo o sofrimento.
  • A Meditação
Terminados os cânticos, chega o momento de aquietarmos nossa mente, olhando para dentro de nós e fazendo a nossa entrega a Deus, sentindo-O dentro e não fora de nós. A meditação na luz é uma das técnicas que Sai Baba nos ensina, como meio de ampliar a consciência: olhamos para a chama da vela e, com os olhos internos, visualizamos a chama no nosso coração; vamos então ampliando-a gradualmente, até que a luz envolva todo o nosso ser, em seguida nosso círculo (família, irmãos de devoção, amigos), nossa cidade, etc., até visualizarmos todo o planeta iluminado.
  • O Vibhuti (cinza sagrada)

“A cinza que eu materializo é uma manifestação da Divindade simbolizando a natureza cósmica imortal e infinita de todas as formas de Deus. Vibhuti é um aviso para que vocês abandonem os desejos, as paixões, os apegos e as tentações e tornem-se puros em palavra, pensamento e ação. O Vibhuti tem o poder de curar, proteger e aumentar o esplendor espiritual do Ser.” (Sai Baba)

As cinzas nos lembram de que toda a matéria é perecível e limitada a uma forma e a uma duração. Portanto, não devemos nos apegar a nada, nem mesmo ao nosso corpo físico. O principal objetivo de todo ser humano deve ser reduzir seu ego a cinzas e reconhecer Aquele que é Eterno e que está além de todas as limitações.

Geralmente o vibhuti é passado nos três chakras (centros de energia) principais, localizados no ponto entre as sobrancelhas, na parte frontal da garganta e no centro do peito, na altura do coração, indicando que desejamos ter unidade entre pensamento, palavra e ação.

O vibhuti tem um grande poder curativo, podendo ser ingerido (diretamente ou diluído em água), ou aplicado sobre qualquer parte do corpo onde existam problemas.
  • A Prashada (dádiva)


Após as cerimônias festivas, compartilha-se a Prashada. É o alimento abençoado, oferecido a Deus e depois distribuído entre os participantes como dádiva. Nas unidades Sai costuma-se distribuir apenas alimentos vegetarianos, para darmos o exemplo e incentivarmos as pessoas a praticar o vegetarianismo, dieta recomendada por Sai Baba.

Fonte:http://saibabadivino.blogspot.com.br/p/devocao.html