A GESTALT-TERAPIA DE FREDERICK PERLS



A Gestalt-Terapia e Frederick Perls

 Escrito por: Lorenna e Silva Mendes Barradas | Publicado em: 01 de Abril de 2013


Breve Histórico

Frederick S. Perls nasceu em Berlim, Alemanha, no ano de 1893. Era filho de pais judeus e vivia num ambiente familiar pouco estruturado, no qual sua mãe era agredida por seu pai. A relação com sua mãe também não era boa, pois a mesma o agredia fisicamente (VELÁSQUEZ, 2001).



Perls se achava a ovelha negra da família. Perdeu 2 anos de escola em reprovações pelas quais foi expulso da mesma. Anos depois se formou como médico e logo depois especializou-se em psiquiatria. Serviu como médico no exército e, posteriormente, trabalhou com Kurt Goldstein no instituto de soldados com lesões cerebrais. Através dessa experiência pode compreender a importância de considerar o organismo como um todo e não como aglomerado de partes funcionando independentemente das outras (FADIMAN e FRAGER, 1986).
Para Fadiman e Frager (1986), das principais correntes intelectuais que influenciaram Perls, a psicanálise foi a mais influente. Após anos de espera, ao encontrar-se com Freud, decepcionou-se com o encontro, pois o mesmo durou apenas quatro minutos e não ofereceu oportunidades para discussão de suas ideias.
Perls, após muitos anos, rompeu com o movimento psicanalítico por discordar de vários aspectos pregados por Freud. Se contrapôs, por exemplo, no sentido de que, para ele, Freud desconsiderava a visão holística do homem. Ainda, Perls acreditava que o material óbvio era o elemento crucial para a compreensão e trabalho do conflito intrapsíquico mais que o material profundamente reprimido. Dava ênfase também ao exame da pessoa no presente mais do que a investigações sobre o seu passado. Ou seja, o como a pessoa se comporta no momento é mais importante que o porque ela se comporta assim. Os instintos e libido de Freud foram substituídos por miríades de necessidades que surgem quando o equilíbrio do organismo é perturbado, sendo então o propósito da Gestalt a análise do todo, da soma das interações e interdependências das partes, uma vez que a análise das partes nunca pode proporcionar uma compreensão do todo (FADIMAN e FRAGER, 1986).

Principais Conceitos

Organismo Como um Todo

Para Perls (1977)o homem é um organismo unificado, não podendo ser admitida a divisão entre mente e corpo, reconhecendo que os pensamentos e ações são feitos da mesma matéria, sendo as ações físicas inter-relacionadas às ações mentais.
Segundo Fadiman e Frager (1986), o homem é um ser que deve ser visto por completo, como um todo vivendo em seu campo único de atividades e não como a soma de suas partes em funcionamento independente. Esse campo, para Perls (1977), é um o ambiente em que se dão as interações e relações entre o indivíduo e o meio. O meio não cria o indivíduo nem este cria o meio. Ou seja, organismo e meio se mantém numa relação de reciprocidade. O contato entre o indivíduo e o meio ocorre através da fronteira de contato. Nela os eventos psicológicos têm lugar. Os pensamentos, ações, comportamentos e emoções são o modo de experiência e de encontro com os eventos desse meio (PERLS, data). Para Fadiman e Frager (1986), o limite de contato saudável é aquele que permite o contato e posteriormente, o afastamento, ou seja, que é fluido. O contato constitui então a formação de uma Gestalt e o afastamento, o fechamento de uma.
Durante esse contato com o meio, o ritmo de contato e afastamento vai sendo ditado por uma hierarquia de necessidades. Esta se refere ao nível de preferência de necessidades de um indivíduo (PERLS, 1977). Por sua vez, a hierarquia de necessidades vai sendo guiada por gestalts dominantes. Entende-se por gestalt dominante algo que é objeto de desejo de um indivíduo e que se encontra no topo da sua hierarquia de necessidades. Quando esta é satisfeita, a Gestalt se fecha. Quando não satisfeita, se torna uma Gestalt inacabada (PERLS, 1977).Gestalt inacabadase caracteriza pela não satisfação de uma necessidade dominante, pelo bloqueio ou interrupção da energia para realização da mesma, o evento fica inacabado. Fisicamente e psicologicamente a situação inacabada continua a pressionar por fechamento e a pessoa não consegue apreciar as satisfações potenciais no presente (GINGER, 1995). Dessa forma, cada vez que as necessidades no topo da hierarquia vão sendo satisfeitas, as que se encontravam logo abaixo se tornam primeiras. Portanto, está sempre em mudança.
Este é o processo pelo qual o organismo mantém seu equilíbrio, o processo de homeostase. Para a Gestalt, enquanto as necessidades de um indivíduo são muitas e não realizadas, elas perturbam o equilíbrio deste e o processo de homeostase perdura. Quando realizadas as necessidades, a homeostase se estabelece.

Figura e Fundo

Para Yontef (1988), o processo de formação de figura-fundo é dinâmico. A figura depende do fundo sobre o qual aparece. O fundo, então, serve como uma estrutura ou moldura em que a figura está enquadrada ou suspensa e, por conseguinte, determina esta figura. A figura sugere algo que está em evidência na hierarquia de necessidades, ou seja, é a necessidade dominante do sujeito. Quando satisfeita, se torna fundo, para posteriormente surgir uma nova figura.

Aqui e Agora

Para Perls (1977), aqui e agora é o momento presente. O presente é a única possibilidade, a única realidade possível. O comportamento é uma função do campo e não depende nem do passado, nem do futuro, mas do presente. O futuro são expectativas, objetivos e metas que dirigem as escolhas de hoje e que poderão ou não se concretizar. O futuro inspira o presente. Para Fadiman e Frager (1986), o como é mais importante que o porque. Segundo os autores, Perls admitia ser o determinante causal irrelevante para qualquer compreensão da ação, pois existem múltiplas explicações e cada uma nos distanciam mais e mais da compreensão do ato em si.

Intencionalidade do Ato

Para Ribeiro (1985), a consciência não é um depósito, passivo de acúmulos, mas sim ativa, que dá sentido às coisas e sempre visa algo. Assim, o indivíduo toma consciência de suas vivências e posteriormente passa à ação, pois todo ato psíquico é intenção. Ou seja, a intencionalidade da consciência implica em um passar à ação após a conscientização. Dessa forma, surge a intencionalidade do ato, na qual estão presentes vontade e liberdade.

Ciclo de Contato-Retração

Para Ginger (1995), o homem está inserido em um processo denominado de Ciclo de contato-retração. É também conhecido por ciclo de satisfação das necessidades, ciclo de autorregulação organísmica ou ciclo da Gestalt, dentre outros.É nesse ciclo que o homem satisfaz suas necessidades dominantes e dá lugar às outras, por meio de uma hierarquia de necessidades. É onde ocorre a formação e posterior dissolução de “Gestalts” e, depois desta, o organismo recupera a homeostase. Pode ser subdividido em etapas, as quais são necessárias para localização de possíveis perturbações. São elas o pré-contato, o contato, o contato pleno e o pós-contato.
O pré-contato é a primeira fase do ciclo na qual predominam as sensações e percepções. O estímulo do meio gera no indivíduo uma excitação que se tornará a figura que solicita seu interesse. O contato é a segunda etapa do ciclo e constitui a fase ativa dele. É a etapa em que o organismo enfrenta o meio e que o objeto desejado se tornará figura, tornando-se fundo a excitação anterior presente no corpo. O contato pleno é a terceira fase do ciclo de contato-retração na qual ocorre a abertura da fronteira de contato. Existe aí uma troca saudável, na qual organismo e meio são indiferenciados. A ação é unificada no aqui e agora. O pós-contato ou retração é a fase final do ciclo de contato-retração. Nessa fase ocorre a assimilação/digestão das experiências que as fazem sair do aqui e agora e irem para a dimensão histórica pertencente a cada um de nós. Esse movimento favorece o crescimento do indivíduo. Ocorre assim o fechamento da Gestalt e o sujeito fica então disponível para outra ação.

Mecanismos ou Obstáculos de Evitação do Contato

Segundo Ginger (1995), resistências ou mecanismos de evitação do contato são perturbações na fronteira de contato, de origem interna ou externa ao sujeito, que não permitem o contato saudável com o meio. Podem ser saudáveis ou patológicos, dependendo de sua intensidade, maleabilidade e o momento em que surgem. As principais resistências são: confluência, introjeção, projeção, retroflexão, deflexão e proflexão.
A confluência é um estado de não-contato ou de fusão por ausência da fronteira de contato. Essa confluência impede romper qualquer equilíbrio conquistado e qualquer ação responsável, ou seja, ela impede qualquer confronto e qualquer contato verdadeiro. Sua ruptura acarreta ansiedade e sensação de culpa. A introjeçãoconsiste em “engolir inteiras” as ideias, hábitos ou princípios a nós ensinados. Ela é a base da educação das crianças que aprendem os “você deve”, “é preciso” sem assimilações. Ela se diferencia da assimilação, pela falta de reflexão e “digestão” das ideias que este mecanismo proporciona. A projeção é a tendência de atribuir ao meio a responsabilidade por aquilo que tem origem no self. É a atribuição ao outro daquilo que acontece em nosso interior.A retroflexão consiste em voltar contra si mesmo a energia mobilizada. É fazer a si aquilo que gostaria de fazer aos outros ou que os outros o fizessem. Isso se aplica tanto a coisas boas como ruins, ou seja, eu dirijo a mim agressões que gostaria de fazer a outros ou ainda dirijo a mim elogios que gostaria que outros me fizessem. Quando saudável, a retroflexão demostra maturidade e auto-controle diante das convenções sociais. Se torna patológica quando a inibição resulta em masoquismo ou narcisismo. A deflexãoé o próprio desvio do contato direto ou desvio da energia do objeto de desejo. A pessoa nunca adere à situação, sempre falando de outras coisas, independente do meio, para evitar envolvimento com o contato. A proflexãoconsiste em fazer ao outro aquilo que gostaríamos que fizessem a nós. É uma mistura de projeção e retroflexão, pois, tanto nos dirigimos ao meio, quanto a nós mesmos.

Referências:

FADIMAN, J.; FRAGER R.. Teorias da Personalidade. Ed. Harbra, São Paulo, 1986.
GINGER, S.; GINGER A.. Gestalt, uma terapia do contato, 2 Edição, Ed. Summus, São Paulo, 1995.
PERLS, F.. A Abordagem Gestáltica e Testemunha Ocular da Terapia, 2 Edição, Ed. LTC, Rio de Janeiro, 1977.
RIBEIRO, J. P.. Gestalt-Terapia: Refazendo um caminho. 3 edição, Ed: Summus, São Paulo, 1985.
YONTEF G. M.. Processo, Diálogo e Awareness. Ensaios em Gestalt-Terapia. Ed. Summus, São Paulo, 1988.
VELASQUEZ, L. F.. Terapia Gestáltica de Friedrich Solomon Perls. Fundamentación Fenomenológica Existencial. Rev. Psicología desde el Caribe, num. 007, Colombia, 2011. Disponível em: <http://redalyc.uaemex.mx/pdf/213/21300711.pdf> Acessado em 14/05/2012.



Pressupostos Filosóficos da Gestalt-Terapia

A Gestalt-terapia é uma abordagem psicológica que teve influência de várias correntes filosóficas. As mais importantes dessas correntes são o humanismo, o existencialismo e a fenomenologia. Para Ribeiro (1985), o homem, enxergado nesta tríplice visão, se torna inteligível e os modos de abordá-lo se tornam mais eficazes.

A Gestalt Terapia e o Humanismo

Para Ribeiro (1985), no humanismo, o homem é o centro do mundo e da existência. Heidegger (apud Ribeiro, 1985), afirma que o homem é o centro das coisas porque só o homem existe, as coisas são, pois só ele tem maneiras características de se fazer e de se realizar.
Para Monteiro em seu artigo, os valores humanistas abarcam a “consideração da ‘dignidade individual, liberdade interior e criatividade’, em que cada homem possui um imenso potencial criador”.
Oliveira, em seu artigo, também afirma que o humanismo considera o homem como centro de todas as coisas. Acrescenta ainda que ele exalta as potencialidades do homem, valoriza o homem como um ser em busca de si mesmo e de seu desenvolvimento e que, para o humanismo, o valor do homem é infindável.
Ou seja, a filosofia humanista preocupa-se com a valorização do ser humano, lida com o que de positivo tem a pessoa, com seu potencial de vida. O homem é, assim, o centro, com valor positivo capaz de se auto gerir e regular-se (RIBEIRO, 1985).

A Gestalt Terapia e o Existencialismo

O existencialismo tem como mote principal a existência humana (Monteiro). Ribeiro (1985) afirma em seu livro que essa existência é uma grande interrogação e ela que vai além da relação entre ato humano e intenção, pois para o existencialismo, todo ato psíquico é intenção.
Essa intencionalidade é própria da consciência, pois ela não é um depósito morto de objetos e imagens. A consciência é ativa, viva e livre, cabendo a ela dar sentido às coisas. Husserl (apud Ribeiro, 1985) já dizia que toda consciência é consciência de alguma coisa. Essa intencionalidade da consciência implica num passar a ação após uma conscientização e isso requer vontade e liberdade.
Por sua vez, nessa existência, por ser provido de vontade e liberdade, o homem é o único responsável por tomar suas próprias decisões, sendo então o “culpado” pelas consequências indesejáveis que estavam fora da sabedoria antes de se transformar em ações (MONTEIRO).
O homem escolhe o que projeta ser, usando de sua liberdade. E os seus valores serão criados através da escolha por ele feita, escolha da qual não há como fugir, pois mesmo a recusa em não escolher já é uma escolha”. (SARTRE, apud MARQUES).
Marques afirma ainda que a liberdade, no existencialismo, permite ao sujeito encaminhar/projetar o que será de sua vida, sendo ele mesmo responsável por seus atos.
O projeto é um conceito fundamental no existencialismo. Para ele, o homem é o único ser que pode se projetar a si mesmo. Ou seja, o homem é um ser se fazendo. Nesse sentido, o homem nada mais é do que aquilo que ele deseja ser, do que aquilo que ele projeta ser. Projeto e escolha estão diretamente ligados à noção de liberdade. É sendo livre que ele escolhe o que será e consequentemente é o responsável por tudo que faz. Sua essência surge como resultante de seus atos. (RIBEIRO, 1985).
Para Ribeiro, o homem é visto como um ser concreto com vontade e liberdade pessoais, consciente, responsável, particularizado, singularizado no seu modo de ser e agir, concebendo-se como único no universo e individualizando-se a partir do encontro verdadeiro com sua subjetividade e sua singularidade.

A Gestalt Terapia e a Fenomenologia

A palavra Fenômeno, do grego significa manifestar-se, aparecer. Pode ser definido como aquilo que aparece ou a aparência da coisa. Husserl a definia como a ciência descritiva das essências da consciência e seus atos. Passa a ser assim o estudo da constituição do mundo na consciência. (RIBEIRO, 1985).
Para Silva, Lopes e Diniz, tal abordagem filosófica mostra que o mundo é o fenômeno, é o que se mostra, porém precisa ser desvelado. Desvelar o fenômeno significa chegar àquilo que a coisa é. O fundamental nesta corrente está na descrição. A descrição fenomenológica é fundamental, porque o nosso olhar habitual não nos permite evidenciar o fenômeno em si mesmo.
Nesse sentido, o fenômeno não pode ser considerado independentemente das experiências concretas de cada sujeito. O fenômeno não chega a nós independente de nós, ou seja, a interpretação do fenômeno é e pode ser diversa, pois existe em todo fenômeno um sentido relacional entre a coisa em si e a sua percepção por parte de outro. Ou seja, a coisa em si não é percebida em si identicamente de pessoa para pessoa, apesar de o fenômeno em si ser ele próprio. (RIBEIRO, 1985)
Ribeiro, portanto, afirma que o fenômeno busca captar a essência mesma das coisas. Essa essência mesma das coisas busca descrever a experiência assim como ela acontece e se processa. Para Husserl (apud RIBEIRO, 1985), para isso acontecer é preciso colocar a realidade entre parênteses, suspendendo todo e qualquer juízo, não negando, nem afirmando, mas sim abandonando-se a compreensão. Dessa forma, conseguimos chegar às coisas mesmas, assim como são, como se apresentam. Silva, Lopes e Diniz, em seu artigo afirmam que essa foi a direção primeira que Husserl deu à fenomenologia, a de ir às coisas mesmas. É a chamada redução fenomenológica.
A redução fenomenológica é a busca do significado que é a chegada da totalidade á minha consciência. É a totalidade que contem o significado e que é feita de momentos fenomenológicos como sensação percepção intuição introversão. (RIBEIRO, 1985).
Segundo Husserl (apud GALEFFI), a redução fenomenológica proporciona o “retorno à consciência”. Assim, os objetos se revelam na sua constituição, retornando à consciência, como correlatos da consciência. Esse retorno pressupõe a redução fenomenológica.

Gestalt

Como dito anteriormente, a Gestalt terapia sofreu influências das correntes filosóficas do humanismo, existencialismo e fenomenologia. Suas contribuições estão presentes nos conceitos gerais da Gestalt como os de Homeostase, doutrina holística, as partes e o todo, o aqui e agora, dentre tantos.
Na Gestalt terapia, o homem é visto como um ser que pode se auto gerir, de se auto realizar, assim como no humanismo. Tal conceito de Rogers recebe a denominação de auto-regulação organísmica. Esta força direciona o indivíduo o tempo inteiro em direção à maturidade e à independência (MONTEIRO). O tempo todo o ser humano busca essa direção, juntamente com um equilíbrio que o mantenha em harmonia com o seu ambiente. Esse processo é chamado de homeostase. Para a Gestalt, enquanto as necessidades de um indivíduo são muitas e não realizadas, elas perturbam o equilíbrio deste e o processo de homeostase perdura. Quando realizadas nossas necessidades, a homeostase se estabelece. (PERLS, 1981). O conceito de homeostase está bastante relacionado ao de figura e fundo. Este é um processo dinâmico. Na subjetividade da percepção, para o indivíduo, a figura sugere algo que está em evidência na hierarquia de necessidades, ou seja, é a necessidade dominante do sujeito. Quando satisfeita, se torna fundo, para posteriormente surgir uma nova figura (PERLS, 1981).
A Gestalt concebe também um homem como um organismo unificado, não admitindo a divisão entre mente e corpo. Reconhece que os pensamentos e ações são feitas da mesma matéria, sendo as ações físicas inter-relacionadas às ações mentais. É o conceito de doutrina holística. (PERLS, 1981). A fenomenologia relaciona-se com esta visão holística, considerando a pessoa “numa totalidade, em que mente, corpo e espírito formam o ser total. Tais “partes” são capazes de afetar o todo, assim como o “todo” afeta as partes”. (MONTEIRO).
Outra contribuição da fenomenologia é o conceito de aqui e agora da Gestalt. Ele significa o momento presente. O presente é a única possibilidade, a única realidade possível. O comportamento é uma função do campo e não depende do passado. (PERLS, 1981). Para Monteiro o aqui e agora se refere à fenomenologia, pois “todas as emoções e sentimentos do cliente, embora vivenciados no passado, podem ser recuperados e (re) experienciados, sendo este um dos objetivos da psicoterapia: ajudar o cliente a tomar consciência e resolver o fenômeno em questão que está trazendo impacto em sua vida”.
Essas contribuições, dentre tantas outras, influenciaram na visão de homem atual da abordagem Gestáltica e visam principalmente ajudar no processo da terapia.



Referências:

CASTAÑON. Psicologia humanista: a história de um dilema epistemológico. Disponível em: <http://www.fafich.ufmg.br/~memorandum/a12/castanon01> Acessado em 24/04/2012.
GALEFFI, D. A. O que é isto? – Afenomenologia de Hurssel. Disponível em:
<http://www.uefs.br/nef/dante5.pdf> Acessado em 24/04/2012.
MARQUES, I. H. Sartre e o Existencialismo. Disponível em:
<http://www.ufsj.edu.br/portal-repositorio/File/revistalable/numero1/ilda9.pdf> Acessado em 24/04/2012.
MONTEIRO, M.N.. O (Ser) Terapeuta Humanista-Existencial e sua Postura na
Picoterapia Infantil. Disponível em: <http://www.sereexistir.com/docs/natacha/artigo_postura.pdf> Acessado em 23/04/2012.
RIBEIRO, J. P.. Gestalt-Terapia: Refazendo um caminho. Ed: Summus editorial, São Paulo-SP, 1985.
SILVA, J. M. de O. e.; LOPES, R. L. M.; DINIZ, N. M. F.. Fenomenologia. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/reben/v61n2/a18v61n2.pdf> Acessado em 24/04/2012.
OLIVEIRA I. A.. Reflexões sobre a filosofia humanista como fundamento da psicoterapia humanista.Disponível em: <http://institutohumanista.com.br/artigo_iolanda.pdf> Acessado em 24/04/2012.
O Ser Humano na Visão Humanista Existencial. Disponível em: <http://www.sereexistir.com/docs/zelda/o_ser_humano_na_visao_humanista_existencial.pdf> Acessado em 23/04/2012.
PERLS, F. A Abordagem Gestáltica. Testemunha ocular da terapia. Ed: LTC, Rio de Janeiro, 1981.



Referências:

FADIMAN, J.; FRAGER R.. Teorias da Personalidade. Ed. Harbra, São Paulo, 1986.
GINGER, S.; GINGER A.. Gestalt, uma terapia do contato, 2 Edição, Ed. Summus, São Paulo, 1995.
PERLS, F.. A Abordagem Gestáltica e Testemunha Ocular da Terapia, 2 Edição, Ed. LTC, Rio de Janeiro, 1977.
RIBEIRO, J. P.. Gestalt-Terapia: Refazendo um caminho. 3 edição, Ed: Summus, São Paulo, 1985.
YONTEF G. M.. Processo, Diálogo e Awareness. Ensaios em Gestalt-Terapia. Ed. Summus, São Paulo, 1988.
VELASQUEZ, L. F.. Terapia Gestáltica de Friedrich Solomon Perls. Fundamentación Fenomenológica Existencial. Rev. Psicología desde el Caribe, num. 007, Colombia, 2011. Disponível em: <http://redalyc.uaemex.mx/pdf/213/21300711.pdf> Acessado em 14/05/2012.

 
Escrito por: Lorenna e Silva Mendes Barradas

Fonte:
http://artigos.psicologado.com/abordagens/humanismo/a-gestalt-terapia-e-frederick-perls#ixzz2Re1NmckK

Gestalt - Fundadores

Max Wertheimer era um psicólogo de origem tcheca. Era músico. Inicialmente estudou Direito, mas optou pela Psicologia. Passou a parte inicial de sua vida acadêmica entre Praga, Berlim e Viena. Estudou Fenomenologia com Carl Stumpf, principal discípulo de Franz Brentano. No que foi acompanhado por W. Köhler e por Kurt Koffka. Juntos eles desenvolveram a Escola de Berlin de Psicologia da Gestalt, inspirada na Fenomenologia da tradição de Brentano, e que buscava desenvolver uma Psicologia de cunho fenomenológico.


Max WertheimerWertheimer e companheiros, estudaram fenomenologicamente a percepção, inspirados nos princípios de Brentano, em sua polêmica com a perspectiva elementarista de Wundt. Neste sentido, Wertheimer estabeleceu como princípio da nova escola a idéia de que: A tese básica da teoria gestáltica pode ser formulada assim:
Existem contextos em que o que está a acontecer no todo não pode ser deduzido das características das partes separadas, mas, ao contrário, o que acontece com uma parte do todo é, em casos claros, determinado pelas leis da estrutura interna de seu todo.
A eles veio a juntar-se o neuro psiquiatra Kurt Goldstein, que com eles compartilhou o desenvolvimento da Psicologia da Gestalt. Goldstein se destacou desenvolvendo a psicologia organísmica, uma perspectiva fenomenológica da psicologia, do ponto de vista da integração corpo-mente, o organismo. Desenvolvida a partir dos princípios da Psicologia da Gestalt. As concepções de Goldstein foram fundamentais para o desenvolvimento das idéias de Fritz Perls, e de Carl Rogers. Goldstein também se refugiou nos EUA, onde viveu e trabalhou até o fim de sua vida.
Wertheimer realizou, a partir de suas concepções fenomenológico gestálticas, estudos críticos de psicologia, da educação e da pedagogia. Perseguido pelos nazistas, em 1933, refugiou-se nos EUA, onde se juntou à New School of Social Research, lecionando até o fim de sua vida. Seu principal, livro, Productive Thinking, foi editado em 1945, após a sua morte em 1943. Teve uma grande influência sobre os psicólogos humanistas, fenomenológico existenciais norte americanos.
Kurt Koffka nasceu em Berlim em 1886. Foi um dos mais criativos fundadores da psicologia da Gestalt. Se interessou por ciência em filosofia freqüentando a University Of Berlin. Estudou psicologia do Carl Stumpf, obtendo Ph.D. em 1909. No ano seguinte começa a se unir a Wertheimer e Köhler, na University of Frankfurt.

 
Em 1911, Koffka aceitou uma posição na University of Giessen, onde permaneceu até 1924.
Após a primeira guerra mundial e percebendo que os psicólogos americanos estavam começando a tomar conhecimento da psicologia da Gestalt, escreveu um artigo para a revista americana Psychological Bulletin intitulado “Perception an introduction to the Gestalt-Theorie”, onde explicava os conceitos básicos e mostrava algumas pesquisas.
Este artigo teve sua importância, pois explicou aos psicólogos americanos seus conceitos básicos, porém os mesmos acreditaram que a psicologia da Gestalt trabalhava apenas com percepção e que não serviria para nenhuma outra área da psicologia. Tudo isso por causa da palavra “Perception” (percepção), que devido a uma interpretação um pouco deturpada, acabou gerando um enorme equivoco.
Em 1921, Koffka publicou The growth of the mind, um livro que falava a respeito do desenvolvimento infantil. Ele lecionou como professor visitante na Cornell University e na University of Wisconsin e, em 1927, foi indicado para lecionar na Smith College onde permaneceu até a morte, em 1941.
Koeler, Köhler
Köhler foi o porta-voz do movimento da Gestalt. Seus livros eram escritos com cuidado e precisão que acabaram se tornando os trabalhos-padrão da psicologia da Gestalt.
Nasceu na Estônia em 1887 e com cinco anos se mudou para o norte da Alemanha. Estudou em universidade em Tübinger, Bonn e Berlim, e doutorou-se orientado por Stumpf, na Universidade de Berlin, em 1909.
Köhler passou sete anos estudando o comportamento dos chimpanzés. Registrou o trabalho no clássico volume The mentality of the apes (1917), lançado na segunda edição em 1924. Por mais que achasse interessante trabalhar com os animais no início, em dois anos ele já havia se cansado de trabalhar com eles.
Em 1922 Köhler substitui Stumpf como professor de psicologia da Universidade de Berlim A provável razão para isso seria o livro Static and stacionary physycak gestalts (1920). Nele, Köhler sugere que a teoria da Gestalt consistia em uma lei geral da naturza que pode ser amplamente aplicada em todas as ciências.
Em 1929, publicou Gestalt Psychology, uma descrição completa do movimento da Gestalt.
Deixou a Alemanha nazista em 1935 por causa de divergências com o governo.
Depois de emigrar para os Estados Unidos Köhler lecionou na Swarthmore College, publicou diversos livros e editou a revista gestáltica Psychological Research. Em 1956, recebeu o Prêmio de Destaque pela Contribuição Científica da APA, órgão que, em 1959, elegeu-o seu presidente.
Köhler faleceu no ano de 1967.

Referências:

FONSECA, Afonso H Lisboa. Para uma história da psicologia e da psicoterapia fenomenlógico existencial -- dita humanista. Maceió: Pedang, 2006.

KIYAN, Ana Maria Mezzarana. E a gestalt emerge: vida e obra de Frederick Perls. Sao Paulo: Altana, 2001.

RODRIGUES, Hugo Elidio. Introdução a gestalt - terapia: conversando sobre os fundamentos da abordagem gestaltica. Petropolis: Vozes, 2000.

SCHULTZ, Duane P.; SCHULTZ, Sydney Ellen. História da psicologia moderna. 16ed. Sao Paulo: Cultrix, 2002
 
 
 
 
Gestalt - Terapia Explicada Frederick S Perls

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