terça-feira, 12 de março de 2013

XINGU : O PARQUE NACIONAL INDÍGENA DO XINGU

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Índios tocando a flauta uruá
no pátio da aldeia camaiurá,
no Parque Indígena do Xingu








O Parque Indígena do Xingu (antigo Parque Nacional Indígena do Xingu) foi criado em 1961 pelo então presidente brasileiro Jânio Quadros, tendo sido a primeira terra indígena homologada pelo governo federal. Seus principais idealizadores foram os irmãos Villas Bôas, mas quem redigiu o projeto foi o antropólogo e então funcionário do Serviço de Proteção ao Índio, Darcy Ribeiro.
A área do parque, que conta com mais de 27 000 quilômetros quadrados (aproximadamente 2 800 000 hectares, incluindo as terras indígenas Batovi e Wawi), está situado ao norte do estado de Mato Grosso, numa zona de transição florística entre o Planalto Central e a Floresta Amazônica. A região, toda ela plana, onde predominam as matas altas entremeadas de cerrados e campos, é cortada pelos formadores do Rio Xingu e pelos seus primeiros afluentes da direita e da esquerda. Os cursos formadores são os rios Kuluene, Tanguro, Kurisevo e Ronuro - o Kuluene assume o nome de Xingu a partir da desembocadura do Ronuro, no local conhecido pelos indígenas como Mÿrená (Morená). Os afluentes são os rios Suiá Miçu, Maritsauá Miçu, Auaiá Miçu, Uaiá Miçu e o Jarina, próximo da cachoeira de Von Martius.

Ficheiro:Localização PIX.jpg
Localização do Parque Indígena
do Xingu no Brasil

Atualmente, vivem, na área do Xingu, aproximadamente, 5 500 índios de quatorze etnias diferentes pertencentes aos quatro grandes troncos linguísticos indígenas do Brasil: caribe, aruaque, tupi e macro-jê. Centros de estudo, inclusive a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, consideram essa área como sendo o mais belo mosaico linguístico puro do país. As tribos que vivem na região são: cuicuros, calapalos, nauquás, matipus, icpengues (todos de tronco linguístico caribe), meinacos, uaurás, iaualapitis (tronco linguístico aruaque), auetis, camaiurás, jurunas, caiabis (tronco linguístico tupi), trumais (língua isolada), suiás (tronco linguístico macro-jê); já tendo ainda morado na área do parque os panarás (kreen-akarore), os menbengokrês (caiapós) e tapaiunas (beiço-de-pau). Criado o Parque Nacional do Xingu, posteriormente denominado Parque Indígena do Xingu, em 1961, Orlando Villas-Bôas foi nomeado seu administrador-geral. No exercício dessa função, pôde melhorar a assistência aos índios, garantir a preservação da fauna e da flora da região e reaparelhar os postos de assistência. Ainda como administrador do parque, Orlando Villas-Bôas favoreceu a realização de estudos de etnologia, etnografia e linguística a pesquisadores não apenas nacionais como de universidades estrangeiras. Autorizando, ainda, a filmagem documentária da vida dos índios, deu margem a um valioso acervo audiovisual. A épica empreitada dos irmãos Villas-Bôas é um dos mais importantes e polêmicos episódios da antropologia brasileira e da história indígena. A concepção do Parque Indígena do Xingu, os custos para sua implementação e suas drásticas consequências, o constante ataque de madeireiros e latifundiários e as políticas indigenistas do estado brasileiro são temas importantes para a reflexão sobre o significado de toda esta experiência.

O Parque Indígena do Xingu é considerado a maior e uma das mais famosas reservas do gênero no mundo. Criado em 1961, durante o governo de Jânio Quadros, foi resultado de vários anos de trabalho e luta política, envolvendo os irmãos Villas-Bôas, ao lado de personalidades como o Marechal Rondon, Darcy Ribeiro, Noel Nutels, Café Filho e muitos outros.
Em mais de meio século de existência, o Xingu passou por diversas mudanças que coincidem com a história da questão indígena nas últimas décadas. No início, a filosofia aplicada pelos Villas-Bôas visava a proteger o índio do contato com a cultura dos grandes centros urbanos. Na época, por exemplo, não era permitido nem usar chinelos ou andar de bicicleta, para que nada mudasse no cotidiano da comunidade.
A criação do parque foi uma das consequências da Expedição Roncador-Xingu e da chamada "Marcha para o Oeste", movimento planejado sob o governo de Getúlio Vargas para conquistar e desbravar o coração do Brasil. Iniciada em 1943, o desbravamento adentrou a região central do Brasil, desvendou o sul da Amazônia e travou contato com diversas etnias indígenas ainda desconhecidas.
A liderança dos irmãos Villas-Bôas transformou o caráter militarista da Marcha para o Oeste. Baseada na filosofia do Marechal Rondon de "morrer se preciso for, matar nunca", o que seria meramente uma missão potencialmente violenta, tornou-se uma expedição de contato, pacificação e respeito para com os diversos povos indígenas da região centro-oeste brasileira. Um trabalho reconhecido em todo mundo como um dos mais importantes para a preservação da diversidade humana.


Aldeia camaiurá no Parque
Indígena do Xingu


Ligações externas


Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Indigena_do_Xingu

O Parque Indígena do Xingu engloba, em sua porção sul, a área cultural conhecida como alto Xingu, formada pelos povos Aweti, Kalapalo, Kamaiurá, Kuikuro, Matipu, Mehinako, Nahukuá, Naruvotu, Trumai, Wauja e Yawalapiti . A despeito de sua variedade linguística, esses povos caracterizam-se por uma grande similaridade no seu modo de vida e visão de mundo. Estão ainda articulados em uma rede de trocas especializadas, casamentos e rituais inter-aldeões. Entretanto, cada um desses grupos faz questão de cultivar sua identidade étnica e, se o intercâmbio cerimonial e econômico celebra a sociedade alto-xinguana, promove também a celebração de suas diferenças.

Os povos Ikpeng, Kaiabi, Kĩsêdjê, Tapayuna e Yudja não fazem parte do complexo cultural alto-xinguano e são bastante heterogêneos culturalmente. Foram integrados aos limites da área demarcada por razões de ordem administrativa, em alguns casos implicando o deslocamento de suas aldeias.

As 16 etnias que habitam o Parque: Aweti, Ikpeng, Kaiabi, Kalapalo, Kamaiurá, Kĩsêdjê, Kuikuro, Matipu, Mehinako, Nahukuá, Naruvotu, Wauja, Tapayuna, Trumai, Yudja, Yawalapiti.
Línguas: Kamaiurá e Kaiabi (família Tupi-Guarani, tronco Tupí); Yudja (família Juruna, tronco Tupí); Aweti (família Aweti, tronco Tupi); Mehinako, Wauja e Yawalapiti (família Aruák); Kalapalo, Ikpeng, Kuikuro, Matipu, Nahukwá e Naruvotu (família Karíb); Kĩsêdjê e Tapayuna (família Jê, tronco Macro-Jê); Trumai (língua isolada).
Há, contudo, casamentos frequentes entre esses grupos, que acarretam uma maior articulação entre eles.
Um movimento recente vem ainda fazendo convergir todos os povos do Parque em nome de interesses comuns. As organizações indígenas (sobretudo a Associação Terra Indígena do Xingu) têm se estabelecido como um importante meio de interlocução com a sociedade nacional e fomento de projetos de educação, alternativas econômicas e proteção do território.
Este verbete constitui uma introdução geral ao Parque e ao alto Xingu, complementando o conjunto de textos que tratam de cada povo especificamente.

Fonte:http://pib.socioambiental.org/pt/povo/xingu

Pôr-do-sol no rio Xingu
Barco rumo ao pôr-do-sol no rio Xingu.

O Parque Indígena do Xingu é considerada a maior e uma das mais famosas reservas do gênero no mundo. Criado em 1961, durante o governo de Jânio Quadros, foi resultado de vários anos de trabalho e luta política, envolvendo os irmãos Villas Bôas, ao lado de personalidades como Marechal Rondon, Darcy Ribeiro, Noel Nutels, Café Filho e muitos outros.
Localizado ao norte do Mato Grosso, numa área com cerca de 30 mil quilômetros quadrados, seu território abriga mais de uma dezena de etnias, entre elas: Waurá, Kayabi, Ikpeng, Yudja, Trumai, Suiá, Matipu, Nahukwa, Kamaiurás, Yawalapitis, Mehinakos, Kalapalos, Aweti, Kuikuro.

Ameaças

Mapa do desmatamento na região do rio Xingu até 2007 (fonte: Yikatuxingu.org.br)
Mapa do desmatamento na região do rio Xingu até 2007, clique a imagem para ver mapa completo (fonte: Yikatuxingu.org.br)

Em mais de meio século de existência, o Xingu passou por diversas mudanças que coincidem com a história da questão indígena nas últimas décadas. No início, a filosofia aplicada pelos Villas Bôas visava proteger o índio do contato com a cultura dos grandes centros urbanos. Na época, por exemplo, não era permitido nem usar chinelos ou andar de bicicleta, para que nada mudasse no cotidiano tribal.
Desde o fim da década de 1970, esta situação começou a mudar. Apesar de pescadores, garimpeiros e fazendeiros sempre terem invadido a área do Parque, foi nesta ápoca que as primeiras invasões predatórias regulares ao território do Xingu começaram a acontecer.
Segundo o Instituto Socio-Ambiental: “ao final dos anos 90, as queimadas em fazendas pecuárias localizadas a nordeste do Parque ameaçavam atingi-lo e o avanço das madeireiras instaladas a oeste começou a chegar perto dos limites físicos definidos pela demarcação”.
Como de desenvolvimento da agropecuária em torno do Parque trouxe outro perigo: a poluição das nascentes dos rios que abastecem as comunidades locais. Como afirma o ISA, “fortaleceu-se entre os moradores da região a percepção de que está a caminho um incômodo ‘abraço’: o Parque vem sendo cercado pelo processo de ocupação de seu entorno e já se evidencia como uma ‘ilha’ de florestas em meio ao pasto e a monocultura”.
Atualmente, no entanto, a maior ameaça ao estilo de vida, cultura e sobrevivência das comunidades xinguanas são os grandes projetos de infra-estrutura, em especial as obras da usina de Belo Monte.

Sobre o Parque Indígena do Xingu:


16 etnias habitam o parque: Aweti, Ikpeng, Kaiabi, Kalapalo, Kamaiurá, Kĩsêdjê, Kuikuro, Matipu, Mehinako, Nahukuá, Naruvotu, Wauja, Tapayuna, Trumai, Yudja, Yawalapiti.
Línguas: Kamaiurá e Kaiabi (família Tupi-Guarani, tronco Tupí); Yudja (família Juruna, tronco Tupí); Aweti (família Aweti, tronco Tupi); Mehinako, Wauja e Yawalapiti (família Aruák); Kalapalo, Ikpeng, Kuikuro, Matipu, Nahukwá e Naruvotu (família Karíb); Kĩsêdjê e Tapayuna (família Jê, tronco Macro-Jê); Trumai (língua isolada).
Área - 2.642.003 hectares, englobando os municípios de Canarana, Paranatinga, São Félix do Araguaia, São José do Xingu, Gaúcha do Norte, Feliz Natal, Querência, União do Sul, Nova Ubiratã e Marcelândia (todos em Mato Grosso).
Principais rios: Von den Stein, Jatobá, Ronuro, Batovi, Kurisevo e Kuluene. Este último, junto com Batovi-Ronuro, são os principais formadores do rio Xingu.
Datas: A demarcação administrativa do Parque foi homologada em 1961.

Fonte:http://www.brasiloeste.com.br/especiais/parque-indigena-do-xingu/


Parque Indígena do Xingu é referência de diversidade ambiental e cultural

O mapa mostra a área original do Parque do Xingu (rosa e laranja) e a área atual (listras verdes) (Foto: Divulgação)O mapa mostra a área original do Parque do Xingu (rosa e laranja) e a área atual (listras verdes)
(Foto: Divulgação)


criação do Parque Nacional do Xingu, hoje Parque Indígena do Xingu, em 1961, marca um momento importante da história do Brasil, que a Rede Globo em parceria com a O2 Filmes vai apresentar na microssérie Xingu, a partir de 25 de dezembro. Com direção de núcleo de Guel Arraes e direção de Cao Hamburguer, a trama mostra a aventura dos irmãos Claudio, Orlando e Leonardo Villas Bôas responsáveis pela criação do parque. No elenco, João Miguel, Felipe Camargo e Caio Blat. A atriz Maria Flor também está no elenco, interpretando Marina Villas Bôas.
Atualmente, o Parque Indígena do Xingu (PIX), no Mato Grosso, é uma forte referência de diversidade ambiental e cultural para o país. Encravado em uma zona de transição entre o Cerrado e a Floresta Amazônica, os dois maiores biomas brasileiros, o parque carrega em sua história uma discussão sobre a extensão dos seus limites, que durou quase dez anos.
Suas fronteiras foram definidas originalmente pelos indigenistas Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Bôas, além de Darcy Ribeiro e Noel Nutels, dentre outros. O primeiro anteprojeto de Lei que criava o Parque do Xingu foi redigido com uma área de 205.750 quilômetros quadrados entre os estados do Mato Grosso e Pará – área maior que a Bélgica, por exemplo, cuja superfície total de 30.528 quilômetros quadrados.
André Villas-Bôas (Foto: Divulgação/Claudio Tavares/ISA)André Villas Bôas em evento sobre o Parque do
Xingu (Foto: Divulgação/Claudio Tavares/ISA)
No entanto, quando finalmente foi criado, o parque estava limitado a 26.420 quilômetros quadrados. “As primeiras propostas eram de uma área muito maior, tentavam marcar a área nos limites já conhecidos na época”, explica André Villas Bôas, filho do Orlando e coordenador do Programa Xingu do Instituto Socioambiental (ISA). “Mas a perspectiva política e jurídica da época era de que os índios iam se miscigenar, de que iam se misturar neste pirão étnico que é o povo brasileiro. Então não se via necessidade de separá-los. O Parque do Xingu veio para quebrar esse paradigma.”
Outra particularidade é que o Parque do Xingu foi criado como um híbrido: uma área de proteção para as populações indígenas, mas também para o ecossistema. “O Parque do Xingu, inicialmente, pegou emprestada a estrutura dos parques nacionais. Deixou de ser parque nacional para ser parque indígena justamente para evitar a confusão com as unidades de conservação”, ressalta Villas Bôas.

Conheça um pouco mais sobre o Parque Indígena do Xingu:

Clima: estação chuvosa de novembro a abril e período de seca nos meses restantes;
Principais rios: Batovi, Jatobá, Kuluene, Kurisevo ,Ronuro, Von den Stein e Xingu;
Etnias indígenas: Aweti, Ikpeng, Kaiabi, Kalapalo, Kamaiurá, Kísêdjê, Kuikuro, Matipu, Mehinako, Nahukuá, Naruvotu, Wauja, Tapayuna, Trumai, Yudja e Yawalapiti;
Atividades econômicas: caça, coleta de recursos naturais, lavoura de subsistência e pesca.
Para mais informações, baixe o Almanaque Parque do Xingu 50 Anos, elaborado e lançado pelo Instituto Socioambiental (ISA) em 2011 para comemorar o aniversário do parque
Infográfico mostra curiosidades reais sobre a expedição retratada em microssérie Tv globo
Infográfico mostra curiosidades reais sobre a expedição retratada na microssérie Xingu (Foto: Reprodução)


Fonte:http://redeglobo.globo.com/globoecologia/noticia/2012/12/e

Demarcação do Parque Indígena do Xingu em MT completa 50 anos

 

Parque abriga 5,5 mil habitantes, remanescentes de 16 etnias.
Índios conservam hábitos e costumes de gerações em gerações.

 
 
Um parque repleto de misticidade e onde os costumes e as tradições são passados de pais para filhos . Assim é a maior reserva indígena do Brasil, o Parque Nacional do Xingu, localizado em Mato Grosso e que abriga cerca de 5,5 mil habitantes, remanescentes de 16 etnias que conservam seus rituais mesmo diante da interferência do homem. Os hábitos, histórias e depoimentos de um povo que tem na natureza o suporte para sobreviver são o cenário de uma série de reportagens que começaram a ser exibidas esta semana pela TV Centro América em Mato Grosso.
Há 50 anos as terras do território foram delimitadas para criação do parque. Quem conhece o Parque Nacional, que tem mais de dois milhões e meio de hectares, logo se encanta com a beleza e exuberância.

O cacique Kotoc Kamayurá, da tribo dos Kamayurás, diz que é preciso viver em sintonia com o meio ambiente, pois é dele que se subtrai tudo aquilo necessário para a vida no Parque. "A terra indígena é o nosso pulmão. Por isso a nossa briga para não desmatar mais", lembrou.
A vida de quem mora no Xingu começa logo cedo. Afinal, garantir alimento para toda a comunidade não se mostra tarefa fácil. No rio, pescadores saem ainda na madrugada em busca do peixe que no dia matará a fome de cenenas de indígenas. Enquanto isso, mulheres dedicam-se ao preparo do beiju, um alimento feito a partir da farinha de mandioca.

"A gente sai às 5h da manhã para pescar do outro lado [do rio]. Tem tucunaré, pintado. Volta carregado", pontuou o pescador Takumã Kamayurá. O pescado, ao lado do beiju, são alimentos considerados essenciais pelos indígenas.

As mulheres, encarregadas de preparar o alimento para o restante da tribo, mostram que mais que entender do preparo, é preciso ter mãos habilidosas para conduzir o ritual. Ao redor da fogueira, filhas, mães e avós unem-se em um ritual que é transmitido de geração em geração.
A índia mais velha entoa cantos como numa prece aos espíritos. A reza é para que o alimento seja abençoado. "A mulher prepara o beiju e traz para os homens. Faz parte dos costumes", lembrou o cacique Aritana Yawialappiti, da tribo dos Yawialappitis.

Além do beiju, a mandioca também dá o sabor para uma bebida consumida no parque. É o kaui, que para os indígenas serve como fonte de energia para lidar com a rotina diária.


Fone:http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2011/08/