A COMÉDIA HUMANA DE BALZAC - MONUMENTAL OBRA SOBRE A CONDIÇÃO HUMANA



"Quase toda a França aparece em A Comédia Humana pintada"


Casa em Passy, Busto de Balzac na entrada
do museu, Balzac por Rodin e Gabinete de Balzac
/ Fotos: IPM
Na Coleção L&PM POCKET, estão disponíveis
16 obras de Balzac.

A casa de Balzac em Paris


A “Maison de Balzac”, ou museu Balzac na foto acima, é um dos últimos vestígios daquilo que foi a cidade de Passy, antes de virar, em 1860, um bairro de Paris. Sua origem remonta do final do século XVIII e hoje o bairro de Passy tem o aspecto cosmopolita e agitado dos bairros que margeiam o Sena e a Île de La Cité. O museu Balzac foi adquirido pela prefeitura de Paris no começo do século XX e é a única residência de Honoré de Balzac que ainda está de pé. Ele foi morar lá em 1840 por questões estratégicas. Primeiro, porque era distante de Paris, ou seja, dos bairros onde estão o Boulevard Saint Germain, a região do Louvre e o centro financeiro da época, perto da Ópera. Segundo, porque era o lugar ideal para fugir dos credores, lembrando que naquele tempo os devedores podiam ser presos no momento em que fossem “protestados”. Nesta época, Balzac já se tornara uma celebridade, mas mesmo assim era pressionado por enormes dívidas acumuladas de seus negócios fracassados: uma coleção de clássicos para vender ao público, uma gráfica, uma tipografia, uma revista e um jornal. Trocando em miúdos, na década de 1840, ele devia o que hoje seria em torno de R$1.800.000,00. Esta dívida era com familiares, amantes e empresas em geral.

Atual Bairro Passy em Paris / Foto: Ivan Pinheiro Machado
Pois Balzac achou Passy um bom lugar para poder escrever sem a pressão daqueles para os quais devia. E, mais ainda, esta casa possuía três andares e estava construída em três planos. A entrada é pela Rue Raynouard e, três andares abaixo, há uma saída no primeiro piso, na rue Du Roc. Hoje, o museu ocupa todo o imóvel. Na época, Balzac alugava apenas o andar do meio e dispunha de duas saídas, em caso de emergência. Em 1847, ele abandonou Passy e mudou-se para rua Fortune, hoje rue Balzac, próxima ao Champs Elisée e ao arco do Triunfo, na expectativa de casar com a Condessa Eveline Hanska, o amor da sua vida (casa que foi comprada pelo barão Rotschild e demolida para a construção de outro imóvel). Neste museu, os fãs de Balzac encontrarão o mundo Balzaquiano que foi possível preservar. Lá está, intacto, o seu gabinete de trabalho, seus quadros, desenhos, retratos, esculturas, entre as quais o célebre busto esculpido por Rodin, mais fac-similes de seus livros, provas e todo o tipo de objeto que cercou e fez parte do mundo de Balzac e que foi possível ser recuperado para a posteridade. Embora famoso, demorou muito tempo para que ele fosse considerado o gênio que já imaginava ser na década de 30, quando criou a Comédia Humana. “Acho que tornei-me um gênio” escreveu à sua irmã imediatamente depois de conceber o projeto da Comédia. Assim, Paris foi negligente em relação a sua memória e muita coisa que fez parte da vida de Balzac desapareceu ou foi destruída por ser considerada “sem importância”. Demorou 50 anos para que percebessem que aquela cidade havia sido o “campo de batalha” do maior de todos os escritores franceses de todos os tempos.

Ivan Pinheiro Machado
http://www.lpm-blog.com.br/

Obras de A Comédia Humana de Balzac

Ficheiro:Balzac1901.jpg
Volumes d'A Comédia Humana, na edição
inglesa de 1901

Grandes obras

Ninguém, nem mesmo Shakespeare e Leonardo da Vinci, consegue criar exclusivamente obras-primas. Não é diferente com Balzac e as oitenta e oito narrativas de sua monumental A Comédia Humana. Otto Maria Carpeaux, a par de um julgamento bastante positivo do autor, não se furta de salientar que "grande parte de sua obra já envelheceu irremediavelmente, porque constituída de romances de mero divertimento, escritos às pressas para ganhar dinheiro" [1]. Provavelmente, estaria pensando em obras menores como Honorina e A Mulher de Trinta Anos (esta, imensamente popular até os dias de hoje). Ainda assim, poucos escritores possuem um resultado tão expressivo na relação entre quantidade e qualidade.
Uma lista contendo algumas das obras consideradas pela crítica como as mais bem realizadas, relevantes e/ou influentes inclui:
  • A Estalagem Vermelha (1831) - conto que é umas das primeiras obras que Balzac assinou com seu nome, daí seu clima ainda levemente gótico. Uma das teses do autor é que "na raiz de toda grande fortuna existe um crime" e aqui conta-se como o banqueiro Taillefer construiu a sua; assim, temos dois médicos que passam a noite numa taverna; um terceito hóspede traz consigo muito dinheiro e aparece morto; todas as provas são contra um dos amigos, que realmente teve a idéia de matá-lo, porém desistiu no último segundo; mesmo assim, aceita sua condenação à morte, pois se sente culpado; sua idéia do assassinato fora transmitida telepaticamente a Taillefer, o outro médico, que é o verdadeiro criminoso e se cala para ficar com a fortuna. Mas o conto não acaba aí: Balzac empregou uma técnica complexa e inovadora, onde a história é contada pela única pessoa que conhecia a trama, estando presentes, entre outros, Taillefer e seu futuro genro, que o desmacara intimamente graças a um pequeno detalhe. Daí, o dilema: é imoral aceitar riquezas sabidamente advindas de um ato criminoso?
  • A Menina dos Olhos de Ouro (1835) - esta noveleta é a terceira e última obra do subgrupo "História dos Treze", que também compreende Ferragus ou o Chefe dos Devoradores e A Duquesa de Langeais. Balzac, amante da literatura gótica e do romance histórico, acreditava em transmissão de pensamentos (que ainda não havia ganhado o nome definitivo de telepatia), ocultismo, fisiognomia e, praticamente, qualquer outra teoria pseudo-científica com a qual se deparasse. Além disso, tinha uma queda por sociedades secretas, que aparecem mais de uma vez na Comédia e que são resquícios do que produzia no início de sua carreira. A Sociedade dos Treze é formada por treze amigos que juraram ajudar uns aos outros sempre que houvesse necessidade. Aqui, o cínico e amoral dândi Henrique de Marsay, personagem donjuanesco caro a Balzac, persegue a misteriosa Paquita Valdés por uma Paris surreal, numa trama complexa, onde nada é muito claro e tudo é surpreendente. Balzac, como autoproclamado "historiador de costumes", não fugia dos tabus de sua época e, com a ousadia que chegou a lhe trazer muitos aborrecimentos, trata aqui do lesbianismo, um tema do qual foi virtualmente o pioneiro.
  • A Missa do Ateu (1836) - um dos contos mais apreciados de Balzac, escrito em uma única noite. O doutor Bianchon, personagem recorrente e a quem o próprio Balzac teria invocado em seu leito de morte, vê seu mestre, o cirurgião Desplein, entrar numa igreja e assistir contrito à missa e distribuir esmolas. Ora, Desplein é conhecido pelo seu ateísmo. Um ano depois, a mesma cena se repete. Curioso, Bianchon interpela-o e recebe uma resposta surpreendente, que coloca em dúvida diversos preceitos religiosos.
  • A Obra-Prima Ignorada (1832) - conto cuja ação se passa no século XVII e que, portanto, não tem ligação com o restante d'A Comédia Humana. Estamos aqui no terreno das artes plásticas, que Balzac tanto prezava. Mestre Frenhofer pinta sua tela, mas nunca se satisfaz com o resultado e põe-se a refazê-la obsessivamente, pois seu desejo é chegar à essência da arte. Contudo, essa sede de perfeição porá tudo a perder, inclusive sua sanidade. É o conceito de que "o pensamento mata o pensador", presente em diversas obras dos Estudos Filosóficos, além desta, como A Procura do Absoluto e A Pele de Onagro. Há suspeitas de que as idéias sobre pintura expostas na história são, na verdade, de Delacroix, grande amigo do autor. Para Paulo Rónai, "esta obra estranha (...) representa, com A MIssa do Ateu e A Paz Conjugal, o apogeu alcançado por Balzac no domínio do conto" [2].

Sótãos de Paris, por Gustave Caillebotte: A Pele de Onagro
  • A Pele de Onagro (1831) - este romance é sua obra mais importante entre aquelas do início da carreira, quando ainda escrevia sob a influência da literatura gótica. Em um clima de pesadelo, esta narrativa simbólica é a história de Rafael de Valentin, que vem a possuir uma pele de onagro. Essa pele misteriosa, cuja origem pode ser oriental, permite a satisfação de todos os desejos, porém vai diminuindo de tamanho, enquanto também diminui o tempo de vida de seu possuidor. Há vários pontos de contato entre Rafael e Balzac: ambos escreveram um tratado filosófico, o "Tratado da Vontade" (Balzac era adolescente), ambos moraram em sótãos enquanto passavam por privações e ambos tiveram de enfrentar encarniçados credores. Obra de transição ou aprendizado, há nela dois elementos díspares: a tentativa realista, que ficou em segundo plano, de pintar o retrato fiel de uma mulher manipuladora e a presença do fantástico, representada pelo objeto mágico, que acaba por se impor. Grande sucesso de público à época da publicação, o livro não foi bem visto pela crítica. Contudo, sua importância cresceu com o passar do tempo e hoje, relevando-se alguns defeitos de construção, é visto como sua primeira obra-prima.
  • A Prima Bette (1846) - romance que é uma das obras-primas definitivas do autor, pertence ao subgrupo "Os Parentes Pobres", do qual faz parte ainda O Primo Pons. Neste livro, a ressentida, pobre e solteirona Lisbeth Fischer, a personagem-título, vinga-se de maneira terrível de todas as humilhações verdadeiras e imagináveis que sofreu de seus parentes ricos. O trágico é que suas vítimas, várias sem nenhuma estatura moral, vêem nela um exemplo de desprendimento e lealdade. Outras grandes personagens são a calculista Valéria Marneffe, comparsa da Prima Bette e umas das maiores cortesãs criadas por Balzac; o decadente barão Hulot d'Ervy, presa do vício da libertinagem, que só faz aumentar à medida que envelhece; e o rico Barão Henrique Montes de Montejanos, único brasileiro a constar na galeria balzaquiana, com um nome que, aliás, de brasileiro tem muito pouco. Montejanos, apaixonado pela Senhora Marneffe, é por ela ludibriado com falsas promessas e reiteradas traições, até o momento em que reclama sua vingança. O horrível instrumento utilizado para isso está perfeitamente de acordo com pessoas originárias de país tão exótico e selvagem...
  • A Procura do Absoluto (1834) - o tema do "pensamento matando o pensador", isto é, uma idéia fixa que se apodera do personagem, perpassa várias obras da Comédia, mormente aquelas colocadas entre os Estudos Filosóficos, como A Obra-Prima Ignorada e Gambara. Já neste romance, o químico Baltasar Claes deseja descobrir a matéria mãe de todas as matérias e de tudo que há nos reinos animal, vegetal e mineral. Para isso, ele sacrifica sua família, fortuna, honra e saúde. Balzac estudou Química para escrever o livro, mas chegou a ser acusado de igualar essa ciência à alquimia. Esta crítica não se sustenta, contudo outra sim: apesar de Claes levar a família à bancarrota várias vezes, sua filha sempre consegue repor a fortuna, deixando-a até maior.

Saumur, onde se desenrola a ação de Eugênia Grandet, em obra de Henry Salomé
  • Eugênia Grandet (1833) - universalmente reconhecido como um dos melhores romances de Balzac e, ao mesmo tempo, um dos mais lidos pelo público, conta a história de Eugênia, típica provinciana filha de pai rico e, por isso, disputada por potenciais maridos. Um dia, chega seu primo; ambos se apaixonam, mas o rapaz é fraco e, aconselhado pelo tio, parte em busca de fortuna. Eugênia fica à espera, com a fria resignação de quem ama sem pedir nada em troca. O que, em outras mãos, seria apenas um romance sentimental, alarga-se enormemente pela ação de outros personagens, com destaque para o pai, enriquecido pelo comércio de vinhos, considerado um dos maiores avarentos da história da literatura.
  • Esplendores e Misérias das Cortesãs (1869) - a publicação deste romance se deu de forma bastante acidentada: o início da primeira parte ainda em 1838; o restante sucessivamente em 1843, 1844, 1846 e 1847. Todas as partes somente se juntaram em um único volume em 1869, quase vinte anos após a morte do autor. A composição é mais fragmentada que Ilusões Perdidas, da qual é continuação, desenvolvendo-se em quatro linhas, que correspondem às suas quatro partes: os amores de uma cortesã; os amores de um idoso; Luciano de Rubempré e sua segunda tentativa de conquistar Paris; e polícia versus bandidos. Temos aqui quase um "livro de ação", passado em galés e masmorras, com tipos vindos do submundo e seu linguajar característico, crimes horríveis, personagens cruéis e, sem dúvida, uma força extraordinária. A essa altura, Luciano já não é mais aquele poeta ingênuo da obra anterior: agora ele perdeu todo o pejo e usa sua beleza como moeda de troca; mas continua a mesma pessoa fraca, de fácil manipulação. Desta vez, ele se deixa enredar pelo misterioso Padre Carlos Herrera, cuja verdadeira identidade logo descobrimos ser o diabólico Vautrin. Essa que é uma das maiores e mais polêmicas criações de Balzac faz aqui sua derradeira aparição e recebe do autor uma surpreendente, porém lógica e irônica, vida futura. Por outro lado, a descrição dos momentos finais de Luciano é um dos mais belos e poderosos textos saídos da pena do autor.
  • História da Grandeza e da Decadência de César Birotteau (1837) - escrito em cerca de vinte dias, em troca de vinte mil francos, esta é uma das obras mais perfeitas e das que melhor ilustram o modo de Balzac fazer literatura. César Birotteau é um modesto perfumista, que se deixa levar pela ambição e acaba arruinado. A vingança engendrada por um antigo empregado, tendo por objeto a especulação imobiliária; a descrição do processo de falências; a fabricação de pomadas e elixires; embalagens, bulas, letras de câmbio, tudo isso faz do romance um verdadeiro tratado comercial, onde pouca coisa acontece, mas que prende a atenção até o fim. O retrato desse artista das essências, meio ingênuo, meio tolo, é tão convincente e humano, que o final deixa o leitor com uma ponta de tristeza e amargura.

Angoulême, cenário de parte de Ilusões Perdidas, em fotografia de 1872 de Louis Ducos du Hauron
  • Ilusões Perdidas (1843) - esta é a obra mais extensa de Balzac, principalmente quando levamos em conta sua continuação, também longa, Esplendores e Misérias das Cortesãs (na edição da nova Editora Globo, o conjunto soma mil e cem páginas). Para melhor entender como foi composta A Comédia Humana, basta lembrar que as partes deste livro foram publicadas em épocas diversas, a primeira em 1837 e a última somente em 1843. No entanto a primeira parte de Esplendores... começou a ser publicada já no final de 1838! Temos aqui a história de um dos maiores e mais emblemáticos personagens do autor, o belo poeta Luciano de Rubempré, que deseja sair da província sufocante para se tornar escritor famoso em Paris. Mas Luciano é fraco de caráter e se deixa influenciar por todos com quem trava conhecimento, desde o íntegro escritor Daniel d'Arthez até, principalmente, a rica fauna dos cínicos, amorais, gananciosos e canalhas que parecem predominar em uma Paris onde nada, nem uma minúscula nota no jornal, é inocente ou de graça. Outro personagem importante neste livro que contém tantos é David Séchard, cunhado de Luciano. David é impressor, daí Balzac nos conduzir a uma tipografia e nos mostrar as máquinas, os operários, as gírias empregadas, enfim, o processo completo. Depois David inventa um tipo de papel barato e cai nas garras de espertos concorrentes, que se associam para arruiná-lo. Para além das peripécias de Luciano e David, este romance, de tantas leituras possíveis, aponta a mesquinhez e a pobreza espiritual da província e pinta um retrato arrasador da nascente imprensa moderna, ambiente que Balzac dominava muito bem.
  • Melmoth Apaziguado (1835) - fantasia e realidade se misturam nesta novela baseada em Melmoth the Wanderer, romance gótico do escritor inglês Charles Robert Maturin, um dos preferidos de Balzac. Em tom humorístico, de início temos o retrato perfeitamente realista de um representante dessa profissão tão cara ao capitalismo: o caixa de banco, no caso o honesto porém pobre Castanier. Súbito, surge-lhe o errante diabo Melmoth e Castanier celebra com ele um contrato em que aceita vender sua alma em troca de onipotência. Mais tarde, transfere o contrato para outra pessoa, em troca de dinheiro; o novo possuidor também o vende e assim sucessivamente até que a transação passa a ser feita na própria Bolsa com valores cada vez menores. Nessa narrativa de fundo moral, o autor prenuncia, por conseguinte, uma das máximas de nossos dias: tudo é produto, tudo é mercadoria, tudo pode ser vendido, inclusive um pacto sobrenatural!
  • O Coronel Chabert (1832) - pequena novela onde o Coronel Chabert, dado por morto nas guerras napoleônicas, descobre que sua esposa herdou sua fortuna, casou-se pela segunda vez e agora o repele. Procura, então, um escritório de advocacia, palco de várias obras do autor. Temos aqui um drama judicial sombrio e pessimista, onde Balzac aproveita o que aprendeu em seus anos como escriturário de cartórios.

Castelo em Ferrara: O Elixir da Longa Vida
  • O Elixir da Longa Vida (1830) - presente em muitas antologias, este conto é típico do início da carreira do autor: ambiente exótico, atmosfera misteriosa, tema escabroso, violência física etc. A história trata de uma variante do "crime do mandarim", que Balzac citou em várias obras, como O Pai Goriot: se você pudesse matar um solitário mandarim perdido nos confins da China para ficar com sua fortuna, e não houvesse a menor possibilidade do crime ser descoberto jamais, você o faria? Aqui, conta-se que o rico pai de Don Juan (o famoso conquistador), estudioso de alquimia, descobriu um óleo que permite a ressurreição, desde que alguém banhe o cadáver logo em seguida à morte. Quando chega sua hora, pede ao filho que o faça, porém este, amante de festas e da boa vida, queda-se inerte e consegue espalhar o líquido apenas em um dos olhos que, apavorado, esmaga ao ver se mexer. Anos depois, eis Don Juan com mulher e filho, a quem sempre tratou muito bem. Um dia, chega sua hora e ele pede ao filho que lhe passe o óleo quando morrer. Será atendido? O final é totalmente bizarro, em clima de grã-guignol.
  • O Ilustre Gaudissart (1833) - um conto humorístico, introduz na literatura a figura do caixeiro-viajante, este subproduto dos novos tempos, tão importante nas décadas seguintes para a consolidação do capitalismo. O engraçado Gaudissart, muito querido por Balzac, possui uma eloqüência capaz de vender sorvete para esquimós. Um dia, porém, ao oferecer apólices de seguro em um recanto da província, depara-se com um morador esperto. Através de inúmeros mal-entendidos e palavras de duplo sentido, Gaudissart se vê do outro lado do balcão.

Entrada do Cemitério Père-Lachaise, cenário do final de O Pai Goriot
  • O Pai Goriot (1834) - foi neste romance, por muitos considerado sua maior obra-prima, que o autor empregou pela primeira vez a técnica do retorno de personagens. Grande parte da ação se passa na Pensão Vauquer, com sua curiosa tabuleta, onde lê a frase CASA VAUQUER - Pensão burguesa para os dois sexos e outros (Paulo Rónai chama-a "dístico imbecil" [3]). Nela, somos apresentados a algumas das maiores criações de Balzac: o próprio Pai Goriot, antigo comerciante que se deixa arruinar para que as filhas, que o exploram e desprezam, possam freqüentar as altas rodas; Eugênio de Rastignac, para muitos um alter ego do autor, jovem pobre e ambicioso da província que deseja enriquecer em Paris a qualquer custo; e Vautrin, ou Jacques Collin ou, ainda, o "Engana-a-Morte", personificação moderna do diabo, amoral, manipulador e sedutor, que terá uma longa e desnorteante trajetória por outras obras da Comédia. Mais que a história do personagem-título, contam-se aqui as transformações porque passa Rastignac, de interiorano ingênuo a cínico e inescrupuloso. O livro termina com uma cena que se tornou clássica: no cemitério Père-Lachaise, tendo Paris a seus pés, Rastignac "lançou àquela colméia sussurrante um olhar que parecia sugar-lhe antecipadamente o mel e proferiu esta frase suprema: --E agora, nós!" [4]. A cada reaparição, mais alto estará na escala social.
  • O Primo Pons (1847) - este romance compõe, com A Prima Bette, o subgrupo "Os Parentes Pobres". O Primo Pons é um velho e ingênuo músico que, em virtude de impenitente gula, é constantemente humilhado pelos parentes ricos, que ele visita todos os dias em busca de comida. Mas Pons possui outro vício: é inveterado colecionador de objetos de arte (como o próprio Balzac, aliás), que vão sendo amontoados em seu quarto. Quando ele cai doente e se descobre que essas obras valem uma fortuna, uma verdadeira legião de aves de rapina se mobiliza para depená-lo: a porteira Cibot, o comerciante Rémonencq, o joalheiro/agiota Elias Magus, o doutor Poulain, advogados, parentes etc. A única pessoa com quem ele pode contar é seu único amigo, o também velho e pobre músico Schmucke, impotente ante tal desequilíbrio de forças. O Primo Pons é uma das melhores e mais sombrias obras de Balzac, onde ele demonstra todo seu pessimismo em relação à humanidade. Essas pessoas em volta de Pons não sentem o menor remorso nem se conscientizam do crime que estão a praticar, independente de origem, classe social ou profissão. Todos se irmanam, se associam e se hostilizam, dependendo das circunstâncias, com o fito único de ficar com seu quinhão do testamento, da herança, enfim, da coleção do velho músico. No entanto, no meio de tanta baixeza, Balzac ainda encontra tempo para falar de duas novidades de seu tempo: a daguerreotipia e as ferrovias.

Issoudun: Um Conchego de Solteirão
  • Um Conchego de Solteirão (1841) - um dos principais romances do autor, conta-se aqui a história dos irmãos José e Felipe Bridau. O primeiro é pintor, tendo muito de Delacroix, segundo muitos pesquisadores. Já Felipe, militar posto em disponibilidade e inadaptado à paz, evolui para uma das criaturas mais monstruosas criadas por Balzac, apesar das inúmeras chances que tem de se regenerar. Tipicamente, o que está em jogo é uma herança, que Felipe deseja só para si, mas há também deliciosas descrições da vida provinciana, com suas fofocas, seus tipos mesquinhos, seus jogos cruéis e suas sociedades secretas, como os Cavalheiros da Malandragem. Na história, Felipe é o preferido da mãe, que releva seus atos abomináveis e não enxerga a genialidade e o bom coração do outro filho. Estudiosos vêem aí uma referência à biografia de Balzac, que mais de uma vez lembrou com amargura que sua própria mãe não não lhe dava o devido valor, colocando-o em segundo plano em relação a seus irmãos Laura e Henri. Estudiosos também não chegaram a um consenso sobre o título, pois não há solteirões no livro.

Castelo de L'Isle-Adam, cenário de Uma Estreia na Vida. Obra de Michel Barthélemy Ollivier
  • Uma Estreia na Vida (1842) - romance pouco conhecido, narra as desventuras do desagradável adolescente Oscar Husson em sua viagem de Paris a Presles e as consequências daí advindas, já que comete várias gafes. Acompanham-no vários personagens da galeria balzaquiana. Mais que uma estreia, essa obra de título simbólico narra a vida do jovem até o momento em que Balzac percebe que já não vale mais a pena: depois que ele assegura um casamento proveitoso para si, consegue uma sinecura no Estado e aprende a cultivar as amizades certas. Hoje "Oscar é um homem comum, manso, sem pretensões, modesto e sempre se mantendo, como o seu governo, num justo meio. Não causa nem inveja, nem desdém. É, enfim, o burguês moderno." [5]
  • Uma Paixão no Deserto (1830) - um dos mais perfeitos contos do autor, considerado por muitos o melhor dos que escreveu, esta obra-prima de apenas quatorze páginas (na edição da nova Editora Globo) se vale de subentendidos e reticências para contar uma história obscura que nos angustia e ao mesmo tempo nos atiça a curiosidade à medida que, num crescendo, atinge seu final. Como acontece com muitos de seus contos iniciais, esta história não tem ligação orgânica aparente com as outras obras da Comédia. Paulo Rónai especula que a identidade do protagonista, não revelada por Balzac, "poderia ter sido perfeitamente atribuída a um dos Treze, o General Montriveau, aprisionado, como sabemos, pelos selvagens da África. Seu caráter ardente e destemido até o predestinava a desempenhar o papel extraordinário do soldado provençal junto à pantera." [6]

 Plano geral

Esta é a relação das oitenta e oito obras que compõem A Comédia Humana, na ordem em que estão dispostas nos dezessete volumes da nova edição da Editora Globo, São Paulo, lançados entre 1989 e 1993:

Título no BrasilTítulo OriginalDivisãoSubdivisãoGrupo1a. EdiçãoVolume
Ao “Chat-qui-pelote”La Maison du “Chat-qui-pelote”Estudos de CostumesCenas da Vida Privada1829I
O Baile de SceauxLe Bal de SceauxEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1829I
Memórias de Duas Jovens EsposasMémoires de deux jeunes mariéesEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1841I
A BolsaLa BourseEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1832I
Modesta MignonModeste MignonEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1844I
Uma Estreia na VidaUn Début Dans la VieEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1842II
Alberto SavarusAlbert SavarusEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1842II
A VendetaLa VendettaEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1830II
Uma Dupla FamíliaUne Double FamilleEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1842II
A Paz ConjugalLa Paix du MénageEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1829II
A Falsa AmanteLa Fausse MaîtresseEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1842II
A Senhora FirmianiMadame FirmianiEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1832II
Estudo de MulherÉtude de femmeEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1830II
Uma Filha de EvaUne fille d'EveEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1838II
A MensagemLe MessageEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1832III
O RomeiralLa GrenadièreEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1832III
A Mulher AbandonadaLa Femme abandonnéeEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1832III
HonorinaHonorineEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1843III
BeatrizBéatrixEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1839III
GobseckGobseckEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1830III
A Mulher de Trinta AnosLa Femme de Trente AnsEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1842III
O Pai GoriotLe Père GoriotEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1834IV
O Coronel ChabertLe Colonel ChabertEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1832IV
A Missa do AteuLa Messe d'AthéeEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1836IV
A InterdiçãoL'InterdictionEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1836IV
O Contrato de CasamentoLe Contrat de MariageEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1835IV
Outro Estudo de MulherAutre étude de femmeEstudos de CostumesCenas da Vida Privada1842IV
Úrsula MirouëtUrsule MirouëtEstudos de CostumesCenas da Vida Provinciana1841V
Eugênia GrandetEugènie GrandetEstudos de CostumesCenas da Vida Provinciana1833V
PierrettePierretteEstudos de CostumesCenas da Vida ProvincianaOs Celibatários1839V
O Cura de ToursLe Curé de ToursEstudos de CostumesCenas da Vida ProvincianaOs Celibatários1832V
Um Conchego de SolteirãoLa RabouilleuseEstudos de CostumesCenas da Vida ProvincianaOs Celibatários1841VI
O Ilustre GaudissartL'Illustre GaudissartEstudos de CostumesCenas da Vida ProvincianaOs Parisienses na Província1833VI
A Musa do DepartamentoLa Muse du départementEstudos de CostumesCenas da Vida ProvincianaOs Parisienses na Província1844VI
A SolteironaLa Vieille FilleEstudos de CostumesCenas da Vida ProvincianaAs Rivalidades1836VI
O Gabinete das AntigüidadesLe Cabinet des AntiquesEstudos de CostumesCenas da Vida ProvincianaAs Rivalidades1837VI
Ilusões PerdidasIllusions PerduesEstudos de CostumesCenas da Vida Provinciana1843VII
FerragusFerragusEstudos de CostumesCenas da Vida ParisienseHistória dos Treze1833VIII
A Duquesa de LangeaisLa Duchesse de LangeaisEstudos de CostumesCenas da Vida ParisienseHistória dos Treze1834VIII
A Menina dos Olhos de OuroLa fille aux yeux d'orEstudos de CostumesCenas da Vida ParisienseHistória dos Treze1835VIII
História da Grandeza e da Decadência de César BirotteauHistoire de la Grandeur et de la Décadence de César BirotteauEstudos de CostumesCenas da Vida Parisiense1837VIII
A Casa NucingenLa Maison NucingenEstudos de CostumesCenas da Vida Parisiense1837VIII
Esplendores e Misérias das CortesãsSplendeurs et misères des courtisanesEstudos de CostumesCenas da Vida Parisiense1869IX
Os Segredos da Princesa de CadignanLes Secrets de la princesse de CadignanEstudos de CostumesCenas da Vida Parisiense1839IX
Facino CaneFacino CaneEstudos de CostumesCenas da Vida Parisiense1836IX
SarrasineSarrasineEstudos de CostumesCenas da Vida Parisiense1830IX
Pedro GrassouPierre GrassouEstudos de CostumesCenas da Vida Parisiense1839IX
A Prima BeteLa Cousine BetteEstudos de CostumesCenas da Vida ParisienseOs Parentes Pobres1846X
O Primo PonsLe Cousin PonsEstudos de CostumesCenas da Vida ParisienseOs Parentes Pobres1847X
Um Homem de NegóciosUn homme d’affairesEstudos de CostumesCenas da Vida Parisiense1845XI
Um Príncipe da BoêmiaUn prince de la bohèmeEstudos de CostumesCenas da Vida Parisiense1846XI
Gaudissart IIGaudissart IIEstudos de CostumesCenas da Vida Parisiense1844XI
Os FuncionáriosLes EmployésEstudos de CostumesCenas da Vida Parisiense1838XI
Os Comediantes sem o SaberemLes comédiens sans le savoirEstudos de CostumesCenas da Vida Parisiense1846XI
Os Pequenos BurguesesLes Petits BourgeoisEstudos de CostumesCenas da Vida Parisiense1854XI
O Avesso da História ContemporâneaL'Envers de l'histoire contemporaineEstudos de CostumesCenas da Vida Parisiense1848XI
Um Episódio do TerrorUn épisode sous la TerreurEstudos de CostumesCenas da Vida Política1831XII
Um Caso TenebrosoUne ténébreuse affaireEstudos de CostumesCenas da Vida Política1841XII
O Deputado de ArcisLe Député d'ArcisEstudos de CostumesCenas da Vida Política1854XII
Z. MarcasZ. MarcasEstudos de CostumesCenas da Vida Política1840XII
A Bretanha em 1799Les ChouansEstudos de CostumesCenas da Vida Militar1829XII
Uma Paixão no DesertoUne Passion dans le DésertEstudos de CostumesCenas da Vida Militar1830XII
Os CamponesesLes PaysansEstudos de CostumesCenas da Vida Rural1855XIII
O Médico RuralLe Médecin de CampagneEstudos de CostumesCenas da Vida Rural1833XIII
O Cura da AldeiaLe Curé de VillageEstudos de CostumesCenas da Vida Rural1841XIV
O Lírio do ValeLe Lys dans la valléeEstudos de CostumesCenas da Vida Rural1836XIV
A Pele de OnagroLa Peau de chagrinEstudos Filosóficos1831XV
Jesus Cristo em FlandresJésus-Christ en FlandreEstudos Filosóficos1831XV
Melmoth ApaziguadoMelmoth RéconciliéEstudos Filosóficos1835XV
Massimilla DoniMassimilla DoniEstudos Filosóficos1839XV
A Obra-Prima IgnoradaLe Chef-d'œuvre inconnuEstudos Filosóficos1832XV
GambaraGambaraEstudos Filosóficos1837XV
A Procura do AbsolutoLa Recherche de l'absoluEstudos Filosóficos1834XV
O Filho MalditoL'Enfant mauditEstudos Filosóficos1837XVI
As MaranasLes MaranaEstudos Filosóficos1832XVI
O ConscritoLe RéquisitionnaireEstudos Filosóficos1831XVI
"El Verdugo"El VerdugoEstudos Filosóficos1830XVI
Um Drama à Beira-MarUn drame au bord de la merEstudos Filosóficos1835XVI
Mestre CornéliusMaître CornéliusEstudos Filosóficos1831XVI
A Estalagem VermelhaL'Auberge rouge (livro)Estudos Filosóficos1831XVI
Sobre Catarina de MédicisSur Catherine de MédicisEstudos Filosóficos1843XVI
O Elixir da Longa VidaL'Élixir de longue vieEstudos Filosóficos1830XVI
Os ProscritosLes ProscritsEstudos Filosóficos1831XVI
AdeusAdieuEstudos Filosóficos1830XVI
Luís LambertLouis LambertEstudos Filosóficos1832XVII
SeráfitaSéraphîtaEstudos Filosóficos1834XVII
Fisiologia do CasamentoPhysiologie du mariageEstudos Analíticos1829XVII
Pequenas Misérias da Vida ConjugalPetites misères de la vie conjugaleEstudos Analíticos1846XVII

A edição mais antiga de 1954[7] continha ainda ensaios críticos introdutórios em cada volume, escritos por grandes críticos, filósofos e escritores famosos e traduzidos para o português. Esses ensaios foram, infelizmente, removidos na reedição acima mencionada. Em contrapartida, adicionou-se o famoso prefácio do autor, que a edição de 1954 não continha.
VolumeTítulo do ensaioAutorPágina
IA vida de BalzacPaulo Rónaixiii
IIBalzacHippolyte Tainexiii
IIIBalzacVictor Hugoix
IIIHonoré de BalzacThéodore de Banvillexv
VIBalzacAnatole Francexiii
VIBalzac, escritor universalFerdinand Baldenspergervi
VBalzacSainte-Beuvexiii
VIBalzac e o naturalismo no romanceTeófilo Bragaxiii
VIIBalzacÉmile Faguetxiii
VIIIChaudes-Aigues e BalzacÉmile Zolaxi
VIIIOs livros subterrâneos de BalzacStefan Zweigxxi
IXBalzacGeorg Brandesxi
XBalzac, uma análise marxistaV. Gribxxi
XIBalzac e os irmãos da consolaçãoMarcel Bouteron494
XISobre caracteres no romance e no dramaHugo von Hofmannsthalxiii
XIIBalzacPierre Millexiii
XIIIntrodução a BalzacRaymond Mortimerxxi
XIIIO método de BalzacRamon Fernandezxi
XIIIA humanidade vista por BalzacRonald de Carvalhoxxv
XIVO caso Lemoine num romance de BalzacMarcel Proustxi
XIVH. de BalzacNestor Victorxix
XVA influência de BalzacErnst Curtiusxiii
XVIBalzacBenedetto Crocexi
XVIElogia e sátira de BalzacPio Barojaxxiii
XVIIBalzacHenry Jamesxi


Referências

  1. CARPEAUX, Otto Maria, História da Literatura Ocidental, Vol. VI, pág. 1399, 2a. edição, revista e atualizada, 1982, Rio de Janeiro: Editorial Alhambra
  2. RÓNAI, Paulo, Balzac e A Comédia Humana, pág. 73, 3a. edição, 1993, São Paulo: Editora Globo
  3. RÓNAI, Paulo, op. cit., pág. 35
  4. BALZAC, Honoré de, O Pai Goriot, tradução de Gomes da Silveira, in A Comédia Humana, Vol. IV, pág. 235, orientação, introduções e notas de Paulo Rónai, nova edição, revista, 1989, São Paulo: Editora Globo
  5. BALZAC, Honoré de, Uma Estreia na Vida, tradução de Vidal de Oliveira, in op. cit., Vol. II, pág. 157
  6. RÓNAI, Paulo, introdução a Uma Paixão no Deserto in A Comédia Humana, Vol. XII, pág. 623, orientação, introduções e notas de Paulo Rónai, nova edição, revista, 1991, São Paulo: Editora Globo
  7. Honoré de Balzac. "A comédia humana." Org. Paulo Rónai. Porto Alegre: Editora Globo, 1954. Volume XVII
Fonte:http://pt.wikipedia.org/