quinta-feira, 22 de novembro de 2012

COMO INTERPRETAR UMA OBRA DE ARTE

 


Joan Miró
Como interpretar uma obra de arte
Deixou-me um leitor o seguinte desafio” Será um leigo capaz de aprender a interpretar uma obra de arte?”

O conceito de obra de arte é muito polémico e não há uma definição precisa.
Eu definiria obra de arte como sendo uma obra única, original e que perdura no tempo.
Para Pablo Picasso “ Arte não é a aplicação de uma regra de beleza, mas daquilo que o instinto e o cérebro podem conceber além de qualquer regra”.
Marcel Duchamp


Para Marcel Duchamp um dos mais influentes artistas da arte moderna, tudo pode ser arte desde que: 1º o artista afirme que aquilo é arte, 2º que um especialista confirme o acto, 3º que o local onde será exposto seja conhecido como local para expor obras de arte.
Temos o exemplo da roda de bicicleta e da lata de sopa campbel, que desinseridas do contexto para que foram criadas e colocadas num museu passam a usufruir do estatuto de obra de arte.

A arte contempla várias formas de expressão, uns exprimem-se através da música outros da dança outros da pintura.
Em cada uma destas formas de expressão há regras que são usadas pelos artistas de forma arbitrária.

A pintura obedece a determinados conceitos, conhecidos como conceitos estruturais da linguagem plástica, que aliados, à técnica e à criatividade produzem a obra.

A arte é para ser fruída e não entendida. Dizia Freud a propósito deste assunto” as maiores criações de arte são incompreensíveis e constituem verdadeiros enigmas. Esse estado de perplexidade intelectual pode ser condição necessária para a fruição da obra de arte.


René Magritte

O problema de interpretação de uma obra de arte não se põe com a pintura figurativa, essa todos julgam entender, a questão põe-se com mais evidência perante uma obra abstracta

Quando vamos a um concerto ninguém questiona se vamos saber ou não interpretar a obra, e contudo as notas musicais são o que há de mais abstracto.

No caso das artes visuais o fundamental é aprender a ver, contemplar e tentar apreender à sua maneira, para podermos ser receptores da mensagem do artista.
No caso da pintura moderna e contemporânea é preciso haver um entrosamento do espectador com a obra, é ir além da busca da beleza, é dar um salto no desconhecido, só assim veremos mais do que um jogo de linhas, formas e cores


Tapiés

Fonte:http://aprendemos-mikasmi.blogspot.com.br/2008/11/

COMO LER UMA OBRA DE ARTE?




COMO LER UMA OBRA DE ARTE
Sérgio Cunha


É possível ler uma obra de arte? Sim! Do mesmo jeito que aprendemos a ler, decodificar a linguagem verbal, ou seja, as letras, palavras, frases, etc, precisamos aprender a ler obras de Arte.



E como realizar a leitura de uma obra de Arte? É muito importante ressaltar que não existe um único caminho para a leitura de obras de Arte, mas ...





...durante essa leitura é importante levantar aspectos relacionados a:

Leitura Formal: observar os elementos que compõem, formam a obra de Arte, ou seja, os elementos expressivos, como a linha, a cor, o volume, a perspectiva.

Meninas a ler
Pablo Picasso


Leitura Interpretativa: este é um momento muito rico, em que não existe certo nem errado. Durante esta leitura é possível a cada espectador colocar o que pensa sobre a obra que está vendo, pois cada ser humano percebe, vê e sente uma obra de Arte de acordo com sua história de vida, com o que já sabe e conhece sobre arte.


Contextualização Histórica: localizar a obra no tempo histórico e no espaço, observando o tema, os significados, ou seja, os contextos em que foi criada, auxiliando na compensação e no significado da obra em questão.

Os Operários
Tarsila do Amaral



Quando apreciamos produções artísticas, esses aspectos acabam por interagir uns com os outros, pois a leitura de uma obra de arte é percebida, sentida e significada a partir de nossos conhecimentos, vivências e percepções. Ao fruir a produção artística da humanidade, estamos realizando um diálogo com o mundo.
"Vivência de vida"

Quanto mais estivermos em contato com obras de Arte, mais nos aprofundamos nessa linguagem e conseqüentemente em sua leitura, mais ampliamos nosso repertório, conhecimento e compreensão da produção de Arte da humanidade, quer seja em museus, galerias, exposições, ou até mesmo através de reproduções, pois em alguns casos a presença frente às originais não é possível.



Ler é atribuir significados a algum texto, no caso de obras artísticas, estamos falando de textos visuais, que são lidos a partir do momento que começamos a estabelecer relações entre as situações que nos são impostas pela nossa realidade e de nossa atuação frente a estas questões, na tentativa de compreendê-las e resolve-las. A leitura se torna real quando estabelecemos essas relações.

Fonte:http://assuntosdaana.blogspot.com.br/2010/03/

 

Em Arte, é preciso ensinar a ler textos sem palavras

Para explorar fotografias, pinturas, ilustrações e charges, é preciso saber a gramática própria que rege a linguagem visual e contextualizar as condições de produção de cada obra estudada


Textos não são só aqueles formados por palavras e frases, que se encadeiam para ganhar sentido. Os grafites nas ruas, os comerciais da TV e as pinturas em livros e obras de arte são formados por sinais que precisam ser decodificados, lidos, para serem compreendidos. Somados aos textos verbais, essas linguagens ajudam os alunos a interagir com o mundo e a se expressar melhor.

Mesmo assim, por muito tempo, o ensino de Arte praticamente desconsiderou a necessidade de trabalhar a leitura de imagens e outros gêneros próprios da disciplina, sejam eles visuais, sonoros, corporais e, claro, textuais (leia o quadro abaixo). Ainda hoje, a regra geral de boa parte das escolas é colocar os alunos para produzir sem que eles tenham um conhecimento adequado das obras artísticas. "Com essa ansiedade para pôr a mão na massa, surgem atividades sem nenhuma contextualização", diz Paola Zordan, professora da Licenciatura em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Da multiplicidade de gêneros presentes na disciplina, a leitura de imagens é a mais frequente.Fotografias, pinturas, desenhos e charges são expressões artísticas com características próprias, que precisam ser discutidas com a turma para que as obras sejam realmente lidas e não "adivinhadas" - a clássica atividade de mostrar um quadro e mandar, logo de cara, a pergunta "o que o artista quis dizer?" pouco acrescenta ao repertório artístico da turma
. Em vez disso, você deve procurar auxiliar cada aluno a desenvolver o chamado olhar cultural, em que conhecimentos estéticos, antropológicos, históricos e científicos estão a serviço de uma compreensão da obra de arte que vá além das aparências ou do simples "gostei" ou "não gostei".

Na prática da sala de aula, a leitura em Arte se dá em cinco etapas principais. A inicial é aquela em que se tem a percepção geral da obra, o resultado do trabalho do artista - é o que os especialistas denominam de aquecimento do olhar. Um mergulho mais profundo é realizado nas três fases seguintes - descrição (a desconstrução da imagem), análise (a investigação sobre os meios utilizados) e interpretação (hipóteses sobre o significado da obra, considerando a vida do artista e as condições em que a obra foi produzida, ou seja, as informações de contexto). Apenas depois de tudo isso é que o aluno realiza uma nova produção, inspirada pela obra lida - é o momento da releitura (atenção: não se trata de reprodução da obra), que pode ser mais bem desenvolvida com a ajuda de anotações e comentários.
Gêneros privilegiados em Arte 

Imagem  Realizadas com base em uma gramática característica - a visual -, utilizam formas, cores, volumes e texturas para construir um sentido.

Diferentemente dos textos verbais, que impõem uma forma de leitura - da esquerda para a direita, começando pelas primeiras palavras -, a leitura de uma obra visual é mais subjetiva e requer que o leitor use sua experiência, sua sensibilidade e seus recursos cognitivos para atribuir significados.

Texto verbal  Também presentes em Arte, devem estar, de algum modo, relacionados ao objeto cultural apreciado, já que seu estudo tem como objetivo principal promover a ampliação de repertório da turma e a intertextualidade, trazendo elementos como informações sobre a origem e a intencionalidade do artista. É um terreno fértil para explorar biografias e movimentos, resenhas de exposições, filmes e mostras, catálogos de museus e depoimentos.

Filme  Os que têm como tema a vida e a obra de algum artista também podem contribuir para que a classe compreenda melhor o percurso de criação e o contexto da produção. Atenção, porém, para filmes muito romanceados, que podem acabar mistificando o artista e reforçando rótulos, como o do gênio que cria obras por mágica.

Descrever, analisar, interpretar

Moça com Livro, de Almeida Júnior.

Na EMEF Guilherme de Almeida, a turma da 6ª série desenvolve as três etapas de leitura da obra Moça com Livro, de Almeida Júnior (1850-1899)
Interpretação  Hipóteses sobre o significado: a postura da menina remete a uma cena de lazer, seu ar pensativo ao marcar a página do livro pode indicar que ela leu um trecho que a fez devanear

Descrição  Indica o que é perceptível na imagem: a menina está deitada na grama, possivelmente em um parque ou jardim, usa camisa pouco abotoada, tem os olhos voltados para o alto e bochechas ruborizadas

Análise  Diz respeito aos aspectos formais da obra: a pintura é realista, a figura da menina ocupa o primeiro plano e tem cores claras, com exceção das bochechas e lábios, em contraste com o fundo escuro 

Fonte:http://revistaescola.abril.com.br/arte/

Surpresa na percepção de obras de arte

(fragmento de Teoria Estética)
Quando algo surpreendente ou sugestivo de alguma coisa que não podemos decifrar de imediato se interpõe diante de nós, atinge nossos sentidos na forma de um choque, de intensidade mais ou menos variada.
Algo que ocorre sempre quando estamos diante de uma obra de arte visual, por exemplo, uma pintura, uma vez que não podemos apreendê-la na totalidade absoluta, mas que excita nossa atenção, desafiando-nos a abarcá-la, ao menos em parte, através de nossa consideração sensível.
Sempre há esforço envolvido nisso, por menor que seja. A percepção de uma obra de arte visual não é algo cândido, mas sim que envolve de modo pré-determinado um certo grau de reação ou choque, necessário para haver de fato experiência.
Muitas outras coisas fazem isso. Na verdade, esse é o funcionamento normal da visão que temos de uma imagem qualquer, cuja visão, aliás, sempre se dá através de um percurso complexo.
E para além da ocorrência que experimentamos sempre alguma reação na percepção, e que uma imagem qualquer só pode ser vista à custa de uma exploração não inocente do olho sobre a superfície, uma obra de arte é, além disso, feita com o intuito de ser percebida, contemplada, experienciada, interpretada, de alguma forma.
Há em toda obra de arte legítima uma ânsia de comunicar algo, por mais inefável que seja. E para que um trabalho artístico comunique uma idéia qualquer, de forma a vir a se tornar compreensível, é necessário haver, em alguma medida, elaboração naquilo que é apresentado. Para que possa nos chamar a atenção e captar o interesse, é necessário que haja surpresa na percepção, cuja experiência disso ao final “nos recompense”.
Arnhein chamou isso de “desafio perceptivo”: “onde as pessoas se defrontam com uma situação exterior de tal modo que as suas capacidades de aprender, interpretar, elucidar, aperfeiçoar-se são mobilizadas”. Ele lembrou a “importância do desafio perceptivo” para nossas vidas e da necessidade de vencê-lo.
O que é necessário, segundo Arnheim, falando da obra de arte visual, “é a experiência de que, entre as coisas visíveis, haja algumas que possam, afinal de contas, ser compreendidas”.
A surpresa pode se dar até mesmo a partir do reconhecimento de um sentimento semelhante ao que já foi experienciado em uma ambientação diferente da que lhe era familiar. Isso pode ocorrer porque um sentimento jamais é exatamente igual a outro e novas idéias são sempre geradas, de acordo com novas associações de idéias provocadas por experiências de obras particulares.
Sempre resta algo de novo a descobrir em uma obra. Os seus sentidos e a capacidade de provocar em nós novas hipóteses são praticamente inesgotáveis; apesar de que podemos chegar a algumas crenças sobre alguns de seus efeitos, sendo isso inclusive o que irá nos ajudar na compreensão de outros efeitos possíveis.
Por exemplo, a semelhança com algo que já havíamos experienciado no passado, nos retratos de grupo de Manet, despertou nosso interesse, foi o que nos causou surpresa primeiramente, na fotografia de Sarah Jones.
Edouard Manet Na estufa, 1879 
Sarah Jones A sala de estar, 1997(Acima à direita)
 
Isso fez com que nos demorássemos mais tempo na percepção da série que a fotógrafa britânica fez no final da década de 90, incluídas na coleção da Tate Galley, buscando entender o que estas nos “comunicavam”. Podemos dizer que Manet, os retratos de grupo do pintor em que os personagens são figurados em momentos de absorção mental e alheamento, em meio a cenas familiares, é parte do significado, do que é transmitido ou do que representam essas obras.
O artista geralmente trabalha no sentido de evitar a repetição, pela repetição pura e simples, mas ele pode, no entanto, acrescentar isso também à sua estratégia. A referência a obras do passado, recombinadas de modo interessante, de modo a continuar chamando a nossa atenção e ganharem assim uma outra “vida”, é uma tática bem sucedida na história da arte. O que é uma forma de fazer crescer a “idéia” dessas obras, reinterpretando-as em contextos diferentes.
Fonte:http://www.revistabula.com/posts/arquivo/