O BEIJO DA TERRA

O BEIJO DA TERRA
Quando eu morrer quero virar flor. Renascer num canto de mato, ou com sorte imerecida, perto de riacho ou filete d'água para me dar melhor sustento e me deixar bonita.
Já avisei à familia e amigos que me poupem da fogueira; a época da Inquisição nos séculos se perdeu, e eu tenho mais estilo de fada bobalhona que de bruxa ou feiticeira.
Aliás, todo feitiço que tento, com perfume e batom, nunca dá certo mesmo...
Não quero ir para o céu em vapor; se é que para lá é que vou. Creio que antes,permanecerei num grande salão repleto de gente querendo escalar os montes proibidos de uma dimensão paralela.
Com a morte se brinca para poder viver alegre, sem nela pensar fundo, como tantas outras coisas que ao se pensar dói. Mesmo na carne dói, porque cria doença; algumas que nem se sabe existir, mas a cabeça, nos seus porões sabe.
 . Ouviu não se sabe onde, ou leu em algum lugar, e guardou. E o bicho de pé que atazanou a criança do vizinho se muda com mala e cuia para o seu dedo mindinho e lá faz residência.
Moléstia não é assunto porque a palavra contamina. Ainda mais esses males modernos, sedutores com prefixos e gregos, cujos sintomas já vem diagnosticados e com receita dada por qualquer azarado dela acometido.
Eu, que com a vida danço e rio, pensamento triste comigo guardo, 
mas quando a morte ronda, imagino logo a flor que serei. Talvez esse desejo explique o meu amor pelas minhocas que a todos enoja. Minhoca é bicho bom; não morde, não pica, não envenena, só engorda e fura a terra, traz fertilidade e espanta praga que deixa a planta minguada; nas suas trilhas as raízes se espalham até quase explodirem de prazer.
O fogo traz calor e luz, e dizem que é rápido no consumir corpo de homem. Mas nessas horas a partida é triste. Despedida é coisa lenta, com tempo para o último abraço, ir, voltar e abraçar de novo. E dizer o que nunca se disse, e abraçar de novo, para a lembrança quase perdida no tempo consumido, e abraçar de novo, até esgotar o toque.
Assim dá certo o adeus, que não é um simples até logo, é adeus mesmo, porque o reencontro ninguém sabe se acontece, e desses campos não se retorna para contar o ocorrido convicto e certeiro.
Se transformar em flor é destino melhor que outro qualquer.
Lá no chão calado vai se ficando, e de repente, a sementinha chega no bico de um passarinho para brotar você, que um dia já foi gente e não virou fumaça.
Terezinha Oliveira



Hoje o céu desceu em beijo à terra
Hoje acordei com os sinos a tanger
Um manto de cristal e fino orvalho
Ajudou mais uma flor a nascer

Cada gota prende um suspiro
Descem do celeste em doces canções
A terra prende-me o sonho
Em manto de contradições

O Sol proclama a majestade nos céus
Achei uma verdade entre as pedras
As palavras silenciosas de um coração
Preso em nuvem de quimeras

Ma hoje não vou falar das hortênsias
Do seu mais puro sorriso azul
Da brisa que transporta as pétalas
Para uma lagoa nas terras do sul

Hoje vou falar de um bruxo
Do julgamento dos seus fracassos
Das marcas deixadas no pó
Dos seus errantes passos

Bebi na fonte dos meus desejos
Embriaguei-me na minha solidão
Domei tempestades, cavalguei ondas
Domei o vento com gesto de mão

Subi com o olhar o voo dos pássaros
Construí no céu uma torre de nuvens brancas
Andei sobre o Mar com os pés nús
Dei cor aos anseios, tornei real a esperança

Fiz alquimia com as palavras
Dancei com a vontade da terra
Desci em silencioso Rio de mágoas
Dei paz a muita alma em guerra

Mas tenho a pressa do vento
Percorro o caminho solitário da verdade
Parei o tempo de um coração imenso
Esperei a aurora…Partilhei a serenidade…


                        O PROFETA

Fonte:http://profeciaeterna.blogspot.com.br/

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