MÃOS DADAS - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


Mãos Dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.


(Poema , publicado em Antologia Poética – 12a edição – Rio de Janeiro: José Olympio, 1978, p. 108)