A ARTE DO TOTEM : BRASÕES ETNICOS DA AMÉRICA


Clássicos de culturas indígenas, os totens de madeira
são típicos do Canadá


Brasões da América 




  
Os totens representam uma das mais características formas de arte plástica desenvolvida pelos aborígines que habitavam a costa noroeste do Canadá e o litoral do Alasca, nos Estados Unidos. Para os indígenas essas produções tinham enorme importância, pois nelas eles localizavam seus símbolos de realização material e definiam seu status. Porém, seus escultores não podem ser considerados artistas tal como hoje entendemos esse vocábulo, já que a eles não era permitido dar asas à fantasia e à imaginação criadora. Na verdade, os escultores não tinham o direito de escolher outro suporte para seu trabalho a não ser o cedro, nem o local da aldeia onde seria erguido o totem, muito menos a quantidade ou as figuras que teriam de executar. E isto porque a empreitada não era movida por natureza estética, mas obra puramente utilitária. Tendo sua confecção regulada por cânones rígidos, o totem preenchia uma função social, vindo a ser o principal veiculo de um sistema de heráldica que em pouco tempo atingiria proporções tais que chegaria a constituir-se em elemento decisivo para o sistema de vida dos indígenas, no qual introduziu modificações estruturais.
  
Os totens – cujas representações figurativas são realizadas em troncos de arvores – não constituem, como muito acreditam, representações de deuses pagãos ou de fetiches, e muito menos simbolizam os ancestrais do clã. O significado espiritual que deles emana é puramente secundário. Nunca qualquer totem foi alvo de veneração ou de reverencia em si mesmo. Na verdade, os totens são símbolos de propriedade ou marcas de identidade, e as figuras ilustram acontecimentos históricos, verdadeiros ou imaginários. Como verdadeiros símbolos de heráldica, os totens converteram-se em emblemas exclusivos de determinadas famílias, passados de pai para filho. Quando um novo símbolo totêmico era introduzido, sua origem e seu significado obedeciam a um estereotipo que na verdade não chegava a convencer a ninguém. A historia do novo símbolo nunca foge a um padrão, como, por exemplo: ``Um homem chamado Sapo Pequeno passava fome com sua família à beira de um rio. Certo dia do meio das águas surge um monstro – Olhos Grandes, portador de face humana. Com a ajuda de seus familiares, Sapo Pequeno corta o monstro em duas partes e arrasta para a terra a metade superior do corpo. Depois o herói oferece uma festa a seu povo e adota Olhos Grandes como símbolo, que é finalmente representado por um grande rosto que encima um corpo sem pernas``.

Não se sabe ao certo o que motivou o grande movimento artístico dos povos da costa noroeste do continente americano.  Acredita-se que elementos culturais oriundos do Pacifico Sul foram introduzidos nas tribos. Nos postes totêmicos misturam-se figuras estilizadas de homens e animais
Para os membros da comunidade de Sapo Pequeno esta historia é irrelevante. O que realmente importa é a festa, na qual ele distribui presentes que por sua vez conferirão credibilidade ao emblema. Sem esse tipo de comportamento e consagração nenhum emblema poderia sobreviver, já que estaria despojado de reconhecimento social.
Os símbolos totêmicos mais utilizados na costa do Pacifico – do Alasca até o estreito da Geórgia – são o corvo, o lobo, o urso-pardo, a baleia e a águia, animais que de modo algum existiam para os povos da região em forma de deuses. Além desses animais, foram ainda incorporados à heráldica primitiva o sapo, o castor, o cabrito-montês, o tubarão, o hipoglosso, a coruja e a estrela-do-mar. O restante dos temas provinha das tradições da região, da flora e de fenômenos naturais como o arco-iris, as geleiras, terremotos, etc. Às vezes o mesmo emblema podia aparecer no brasão de duas famílias, como aconteceu com o lírio-d`água e o cardo entre o povo Haida. E com a chegada do europeu ao continente americano novos elementos foram absorvidos, tais como o cão doméstico, a paliçada e anjos, entre outros.
Antes de surgir o poste totêmico isolado, cuja produção atinge o auge nos séculos XVIII e XIX, os nativos plantavam seus emblemas na frente de suas casas, sobre os túmulos, quer em material esculpido, quer sob a forma de pinturas. As aldeias indígenas dispunham-se numa fieira de casas à beira da costa ou margeando rios e lagos. Na verdade, apenas o povo Tsimsyan e suas subnacões Niskae e Gitksan – as duas ultimas plantadas ao longo dos rios Nass e Skeena – levaram o poste totêmico para longe do mar. Os postes eram plantados em frente das casas de seus possuidores. E, como cada família contava com seu emblema, paralelamente à fila de casas estendia-se uma linha irregular de postes coloridos, muitos encimados por esculturas de aves, mamíferos ou pessoas. E quando por alguma razão desconhecida a casa não tinha seu poste, o proprietário pintava seu emblema na fachada ou o esculpia no portal de entrada.
Até recentemente podia-se admirar essa bela paisagem de postes e casas na nação Haida das Ilhas da Rainha Carlota e nas ilhas Príncipe de Gales, nos povos que habitam o rio Nass, nas tribos do rio Skeena, no povo Tlingit do sul do Alasca. Em outras regiões eles praticamente desapareceram ou são construções novas onde se verifica acentuada concentração de elementos da cultura ocidental. Porém, nos Parques Nacionais de Sitka, de Bight e de Saxman, no Alasca, conseguiu-se reunir grande quantidade de totens das mais variadas épocas e culturas.
Uma vez erguidos, os totens permaneciam de pé tantos anos quantos a natureza permitisse. Em frente a algumas casas às vezes podiam ser vistos dois ou três totens, todos pertencendo à mesma família, mas erguidos em tempos diferentes, em memória a chefes desaparecidos. Com o passar dos anos alguns postes inclinavam-se, e quando caiam eram deixados no mesmo lugar, a apodrecerem, ou consumidos como lenha. Nunca se soube de um totem que tenha sofrido reparo ou haja mudado de seu lugar de origem. Os totens do povo Haida habitante das ilhas da Rainha Carlota, no Canadá, ou do Alasca e os do povo Niskae, do rio Nass, caíram e decompuseram-se, sobrando uns poucos que foram transplantados para museus. Alguns dos totens dos Tlingit, na costa do Alasca, foram retirados dos seus sítios primitivos e levados para Katchikan, Sitka e outras modernas cidades, onde estão preservados com tintas e vernizes especiais.
A única coleção de totens praticamente intacta é a da tribo Gitksan, no rio Skeena, na parte nordeste da Columbia Britânica. Là se encontram ao todo cem totens que se distribuem pelos oito vilarejos tribais. Os imperativos do progresso e o choque cuktural fizeram com que a maior parte dos nativos abandonassem suas aldeias e procurasse os grandes centros. Os antigos vilarejos ficaram ao abandono, as casas de madeira apodreceram e ruíram  e a tradição dos totens perdeu-se juntamente com as outras tradições nativas. Ainda restam alguns em completo estado de decadência, e outros foram destruídos pelos nativos que, na ânsia de atingirem o  mesmo grau de civilização do homem branco, procuraram esquecer  e apagar suas raízes culturais. Assim, a arte da escultura de totens pertence irremediavelmente ao passado.
Seria um erro creditar a esse tipo de arte muitos séculos de existência. Na verdade seu nascimento, apogeu e morte se deram em menos de um século, mais precisamente de 1840 até cerca de 1880. Para os Haida e os Niskae, porém, a produção cessou de todo pouco depois de 1880, sobrevivendo em outras regiões  até os idos de 1900. E os vinte primeiros anos do século XX ainda viram ser erguidos alguns postes de características artísticas sofríveis pelo povo Kitksan.
Nenhum totem dos preservados poderia ser vàrias vezes centenário por um motivo muito simples<uma arvore cortada, esculpida  e erguida em plena natureza sem técnicas de preservação não consegue resistir por muito tempo. Por estar enterrada no solo, a base dos totens facilmente se degrada, e seu peso aliado aos ventos faz com que ele não consiga ficar de pè por mais de cinquenta anos, principalmente se plantada no litoral, onde a humidade é intensa e o solo altamente corrosivo. Na região dos rios, onde o clima é mais seco e o solo arenoso, os mais velhos totens duram no maximo oitenta anos. E são justamente dessa idade os mais antigos exemplares conservados atualmente em Sitka. Um exame minucioso dos vários totens da região do alto skeena demonstrou que a arte da escultura de totens se desenvolveu somente após 1840. E num curto período de intenso movimento conheceu de duas a três fases e estilos. A produção do povo Kwakiutl, da baìa de Alert, na Colùmbia Britânica, teve inicio somente em 1895.
O desenvolvimento deste tipo de heráldica indígena na costa norte do Pacifico coincide com o período áureo da pintura e da escultura, que serviram ao totem, sendo como este ultimo uma explosão criativa inédita na historia da arte dos aborígines locais. Atè hoje nenhum arqueólogo descobriu um objeto que lembrasse a configuração do totem, nem mesmo em miniatura. As esculturas em pedra ou marfim e as gravações rupestres encontradas nos diversos pontos do Canadá e do Alasca são de feição completamente diversa, não lembrando ou insinuando o poste totêmico. Pouco tëm a ver com a arte altamente estilizada produzida pelos Haida, os Tsimsyan, os Tlingit e os  Niskae.
A geração em entalhadores que trabalharam de 1860 a 1880 è reconhecida pelos aborigines como tendo sido a melhor. O levantamento da arte desse período pöde fornecer inclusive os nomes dos principais escultores e a autoria de diversos trabalhos. O mestre dessa arte no povo Haida foi um Edenshaw. Das três gerações de Edenshaw – o nome entre esses indígenas é hereditário –, o melhor de todos foi o que trabalhou no período de 1840 a 1880, destacando-se na arte da escultura do totem e na construção de canoas.
No começo do século passado pöde-se recolher depoimentos de anciãos da tribo Tsimsyan que ainda se lembravam dos tempos em que sua sociedade não era totêmica, praticamente não possuía emblemas ou insígnias e não observava a pratica do casamento exogämico, característica principal da organização social totêmica. Não se sabe se esses dois tipos de engrenagem social existiram em alguma tribo antes do estabelecimento dos russos no extremo norte do continente americano no final do século XVII. Tudo o que se sabe é que depois dessa época a sociedade totêmica se alastrou rapidamente entre os povos aborígines do Canadá e do Alasca.
Entre os registros e crônicas de exploradores e navegadores que se embrenharam pelo território norte-americano durante o período de 1775 a 1880 destaca-se o de Jacinto Caamano, datado de 1792. Ele fornece em seu diário minuciosas descrições de canoas, costumes, canções, danças, màscaras e adereços de cabeça de todas as nações que compunham o povo Haida. Se houvesse naquela época algum totem, certamente o objeto não teria escapado à fina percepção de Caamano. Sua descrição da aldeia Kyusta, onde em 1880 seriam encontrados belos totens, não menciona sequer um destes postes que enfeitariam anos depois a frente de todas as casas. No entanto, no mesmo diário estão mencionadas habitações cujas entradas são ornamentadas por portais rusticamente entalhados e fachadas decoradas por pinturas.
Outros exploradores da época já fazem referëncia a uma arte de entalhe mais desenvolvida. Um deles, por exemplo, chegou a desenhar o interior de uma casa de chefe na ilha de Vancouver, e assim descreveu seus ornamentos> `Os pilares laterais da casa sustentam traves esculpidas com faces humanas estilizadas, animais e seres fantásticos.` Outros depoimentos atestam o avanço da arte do entalhe em traves e pilares, mas o primeiro que menciona postes destacados da estrutura da casa é o do Capitão Joseph Ingraham, em 1792. `Dois postes guardavam a entrada da aldeia/ tinham treze metros de altura e mostravam curiosos entalhes representando homens e sapos.`
De todos os depoimentos escritos fica-se sabendo que a arte estilizada que surgiria na costa ocidental já existia na vizinhança  da atual fronteira Canadá-Alasca. Porém, essas manifestações ficaram muito restritas a uma área especifica e não sofreram divulgação. Mas teriam elas brotado espontaneamente no seio deste povo ou são produto de um intercämbio cultural? Ao que tudo indica essa arte foi influenciada por elementos alienígenas, muito embora não se possa precisar de onde vieram e quando chegaram aos povos americanos. Certos elementos artísticos, como a própria cultura, parecem obedecer a um padrão asiático. As padronagens têxteis dos Chilkat, por exemplo, são muito parecidas com as apresentadas nos tecidos dos Ainus do Japão. Além do mais, esses povos americanos da costa ocidental não são os únicos a terem erguidos marcos esculpidos ou totens. Estes também são encontrados em várias formas no Japão, na Coréia e no Pacifico Sul. Alguns postes neo-zelandeses são tão semelhantes aos totens encontrados no rio Nass, que, colocados lado a lado, às vezes é difícil distingui-los. Alguns estudiosos acreditam que os havaianos e outros povos do Pacìfico Sul são os grandes responsáveis pelo desenvolvimento dessa arte na América, sobretudo por já se ter descoberto na Columbia Britânica e no Alasca material por eles esculpidos.
 Tenha ou não havido entercämbio cultural com outros povos, a arte totêmica revelou-se altamente original. A grande mestria na arte da estilização demonstrada pelos povos americanos construtores de totens confirma o alto grau de desenvolvimento cultural que atingiram em um limitado momento e que não tem paralelo em nenhuma outra civilização da costa americana do Pacìfico Norte.



Os animais escolhidos são os mais representativos da fauna local.
Acredita-se que a águia foi uma aquisição espúria, copiada das armas imperiais russas
A arte da construção de totens mal durou um século, mas conseguiu-se preservar algumas dezenas de totens originais. Geralmente os totens apresentam os mesmos elementos figurativos

A arte de construção de totens mal durou um século, mas conseguiu preservar algumas dezenas de totens originais. Geralmente os totens apresentam os mesmos elementos figurativos.

Fonte:http://www.areliquia.com.br/150brasao.html

VÍDEO SOBRE OS TÓTENS CANADENSES-BASTA CLICAR NO LINK ABAIXO-PROGRAMA AMAURY JR


OUTROS VÍDEOS

América Um continente repleto de Mistérios - o significado dos Totens





 


TOTENS E O INUKSHUK


Os totens fizeram parte da minha infância.Lembro que tinha um "forte apache" enorme (quem tem idade para lembrar disso?).No kit tinha várias tendas indígenas, daquelas de indios da américa do norte e muitos totens.Lembro que meu brinquedinho favorito era de madeira mesmo.Nada de plástico como eles passaram a ser depois de alguns anos.Até o cheiro da madeira ficou registrado na minha memória...

Bem, o fato é que os totens sempre foram peças intrigantes para mim mas nunca me preocupei em procurar o significado real deles.Como estamos com a meta estabelecida para viver em BC, resolvi pesquisar um pouco sobre os totens.

Por acaso alguém sabe o que significa os Inukshuk?Aquele símbolo tão famoso nas olimpíadas de inverno de 2010?


Inukshuk de English Bay, Vancouver

Os Inuksuit, plural de Inukshuk (digo "os"  porque não existe somente o de Vancouver) significam também a amizade e são hoje um dos maiores símbolos do Canadá,sendo usados a nível oficial em homenagem a mais antiga cultura indígena do país: os inuit.

Os Inuksuits eram usados como ponto de referência para os viajantes, navegadores, local de pesca, caça e veneração.

As explicações sobre totens não me satisfizeram muito não, mas quem tiver mais informações, por favor, me manda!Abaixo trancrevi um artigo que fala de uma forma mais clara sobre o significado deles!


Para investigar os segredos dos totens é preciso fazer uma longa viagem no tempo.Segundo os estudiosos, eles existem desde a Pré-História e foram usados em vários lugares do mundo. O totem pode ser a figura de um animal, de uma planta,  de uma pessoa ou mesmo de um objeto. Quando um homem caçava um animal,
por exemplo, às vezes colocava a pele em frente  à caverna onde morava  com a família, para mostrar seu poder e pedir proteção das forças da natureza. Assim, ele criava um totem. Os totens mais famosos são esculturas de madeira feitas por tribos indígenas dos Estados Unidos e do Canadá. Para alguns povos
eles eram como guardiões  ou protetores. Outros grupos faziam essas esculturas para contar histórias sobre a sua gente ou festejar fatos importantes.Como essas pessoas ainda não conheciam  a escrita, encontraram  nos totens um jeito de registrar o que acontecia.Provavelmente é por isso que alguns parecem trazer várias imagens em seqüência, como se fossem símbolos empilhados.Até hoje os estudiosos tentam decifrar esses símbolos misteriosos, que são como livros e têm muitas histórias para contar!

VOCÊ SABIA QUE...
◗ A palavra totem vem do termo
indígena ototeman e significa
parentes como irmãos?
◗ Na Idade Média, os nobres
usavam brasões com figuras 
de leões e águias, que eram 
como um tipo de totem?
◗ Os maiori, da Nova Zelândia, 
os maias, da América Central, 
e povos do Zimbábue também
faziam totens em forma de torre?
◗ Os totens do povo haida, do
Canadá, são esculturas com
mais de 50 metros de altura?
Fonte:http://canadaemcalda.blogspot.com.br/