JESUS CRISTO SEGUNDO RUDOLF STEINER


Este trabalho surgiu como necessidade de resposta a uma interrogação que no meu íntimo existia desde os tempos de menina e aluna de um colégio de freiras católicas, onde sempre ouvi dizer que Jesus Cristo era homem e era Deus. A única “explicação” é que era inexplicável, era um mistério. O pouco que fui conhecendo através das minhas leituras de busca, tendo como base nomeadamente relatos do início do cristianismo, da formação da Igreja, os dados facultados na História de Arte, que estudei e leccionei durante anos, o Novo Testamento, os escritos dos místicos, de Historiadores e/ou Arqueólogos, etc, deixavam-me sempre insatisfeita. Enquanto os místicos falavam das suas vivências profundas, os Historiadores e Arqueólogos limitavam-se a factos documentados que, como todos sabemos, são ínfimos.

Introdução

A excepção aconteceu com os escritos de R.
Steiner (§) sobre Jesus Cristo onde ele propõe a sua leitura dos factos tendo como base a sua clarividência e a sua possibilidade de ler naquilo que Carl Yung chama de “memória colectiva da humanidade” também conhecida como “memória do Akasha.
Os estudos e as conclusões a que Steiner chega constituem, pela sua profundidade, inspiração e transcendência uma abordagem que ninguém ainda tinha conseguido atingir ou ir tão longe.
A obra de Steiner responde assim, numa primeira abordagem à inquietação e interrogações que me acompanham desde a infância e oferecem-me a matéria para num patamar mais elevado poder continuar a busca para uma sempre maior descoberta de um caminho fascinante.
Este trabalho que apresento é simplesmente uma tentativa de levar a quem se possa interessar por temas ou reflexões desta natureza, uma síntese das propostas de Steiner para o surgimento de uma entidade como Jesus Cristo.
Procurei ser o mais fiel possível às suas palavras. As palavras são de Steiner (edições brasileiras), o enquadramento das mesmas, os destaques e a articulação são da minha responsabilidade.

1 – Cristologia

A cristologia é uma ciência vasta e detalhada, destinada a fazer compreender Cristo e a sua vida na Terra.
Durante séculos os homens emprestaram as suas ideias mais elevadas e significativas a esta finalidade – conhecer Jesus Cristo, a personagem mais destacada e sublime que já habitou a Terra.Mas toda a ciência, e erudição, de que podemos lançar mão para a compreensão de Cristo pesa menos que os sentimentos e impulsos profundos que têm levado os homens a Cristo.
Quando surge o cristianismo, existem no sul da Europa, inúmeras pessoas de origem grega altamente desenvolvidas, algumas com grande formação espiritual radicada nas elevadas ideias de Platão e Aristóteles.
São personalidades fortes e educadas, de formação greco-romana que acrescentaram à subtileza grega o carácter agressivo e personalista do espírito romano.
É neste mundo que irrompe o impulso cristão. Os responsáveis por este impulso cristão parecem pessoas bastante incultas quando comparadas às numerosas personalidades greco-romanas.
Foram estas pessoas sem instrução que penetraram no mundo da mais madura intelectualidade.
São pessoas primitivas e simples, que difundem Cristo com relativa rapidez pelo sul da Europa. Nada tinham a oferecer além da sua vida interior e o amor a Cristo.

Os gnósticos elevaram-se às ideias mais excelsas sobre Cristo, porém o seu contributo na prática foi muito pouco. Se tivesse dependido deles certamente o cristianismo não se teria expandido pelo mundo.
Não foi uma intelectualidade culta a que veio do Oriente e que com relativa rapidez provocou o declínio da civilização greco-romana.
Se observarmos as pessoas de alto padrão intelectual, como Celso (grande inimigo do cristianismo), Marco Aurélio (o imperador filósofo) ou os neoplatónicos de alta cultura, veremos que pelas suas objecções ao cristianismo nenhuma delas compreendera o impulso dado por Cristo.
Há algo no cristianismo que lhe confere um carácter arrebatador.
Que força está por detrás dos chamados pais da Igreja ou até mesmo de Orígenes, já que neles podemos até notar uma certa inabilidade?
O cristianismo expande-se pelo mundo europeu entre povos que tinham concepções religiosas totalmente diferentes, assimilando o impulso de Cristo com todo o vigor, como se ele fosse realmente a sua verdadeira vida.
Os divulgadores do cristianismo são pessoas de alma relativamente simples, iam para o meio do povo e falavam de modo bastante rudimentar, utilizando as ideias mais corriqueiras e familiares, mas sabiam colocar as palavras de forma a conseguir atingir o mais íntimo daqueles que as escutavam.
Mas, desde Copérnico (§) à moderna Ciência Natural, parece ter-se introduzido na vida espiritual do Ocidente algo que é contra o cristianismo. Por exemplo, quando a Igreja Católica mantém Copérnico no “índex” até aos anos vinte do século XIX apesar de este ser um cónego, ou quando manda queimar Giordano Bruno (§), não se importa com o facto de ele ser um dominicano.
Mas a verdade é que ambos chegaram às suas ideias partindo do cristianismo actuando a partir do impulso cristão.
Tudo isto apenas demonstra que a Igreja compreendeu muito mal os frutos do cristianismo. Copérnico, por exemplo, com a sua ciência, fez o homem desviar o seu olhar da Terra para as amplidões dos céus.
Todo o moderno desenvolvimento científico, toda a Ciência Natural por mais que tente posicionar-se contra o cristianismo, é um fruto dele.
Os impulsos cristãos não só produzem o que se considera cristão, mas também o que nasce em sua oposição.

Parece que o cristianismo se expande sem se importar com o que os homens pensam a favor ou contra; pelo contrário, ele aparece como que às avessas no materialismo moderno.
Afinal o que é que se propaga já que não são as ideias, a ciência cristã ou a moralidade?
É o próprio Cristo que de coração em coração, de alma em alma, consegue percorrer o mundo, independentemente de as almas o compreenderem ou não.

Como actua Cristo nos corações humanos?
(A resposta só é possível através da observação clarividente)
Com a descida do Espírito Santo há uma transformação, os discípulos falam em diversas línguas, e dizem o que têm a dizer do fundo da vida espiritual, algo que não se poderia supor fossem capazes.
Naquela hora o cristianismo começou a expandir-se de forma tal que se tornou independente da compreensão dos seres humanos.
Mas está acabado o tempo em que o cristianismo podia agir desta forma. Chegou a hora em que os homens precisam compreender e reconhecer Cristo.

2 - A vida terrena da Entidade Crística
Para entender a vida e o papel da entidade crística na Terra é preciso ter em conta como surgiu e se desenvolveu a humanidade.

2.1 – Surgimento e desenvolvimento da humanidade na Terra
Numa sequência simplificada podemos dizer que a humanidade evoluiu na Terra do seguinte modo.
1º os Lemurianos
– uma pequena parte destes deu origem aos Atlantes
2º os Atlantes
– uma pequena parte destes deu origem aos Arianos
3º os Arianos
– estes são a origem da actual humanidade civilizada.

Os Lemurianos

Esta é a 3ª raça-raiz da humanidade (a 1ª foi a Etérea e a 2ª a dos Hiperbóreos)
Habitavam a Lemúria no Sul da Ásia.
Não tinham memória.
Não tinham linguagem.
Os homens podiam formar representações mentais das coisas e acontecimentos, mas não se fixavam na memória.
Exprimiam sons instintivos que traduziam as sensações, os prazeres, a alegria, a dor, etc, mas não a denominação de coisas exteriores.
Nas suas representações mentais tinham muita força sobre tudo o que os rodeava, outros homens, animais, plantas, até mesmo objectos que “sentiam” essa actuação.
Comunicavam sem usar linguagem, era uma espécie de “leitura do pensamento”A força vegetativa das plantas, a força vital dos animais fluíam para ele.

Não precisava de cálculos para saber a resistência de um tronco ou de uma pedra, ele “percebia” as qualidades de cada um e aplicava-as de acordo com elas
Ele construía com a segurança que lhe proporcionava a sua energia mental, que agia como uma espécie de instinto.
Dominava o seu corpo dando quando necessário a força do aço ao seu braço só pela força da vontade.
Os lemurianos procuravam educar a vontade e a força mental
A educação dos meninos era severa, energética e corajosa.
Os que não suportavam esta severidade eram deixados perecer sob o peso das dificuldades

A educação das meninas também era severa. Desenvolviam a “fantasia”, eram expostas às tempestades e tinham de suportar com calma a sua beleza cruel.  
Assistiam à luta dos homens, sem medo, compenetradas no sentimento de energia e da força que viam desenvolver-se diante delas.
Como não tinham memória essas disposições não podiam degenerar.
A disposição para a fantasia só durava enquanto permanecesse a causa exterior que a provocava. A realidade nunca era abandonada.
Não tinham moradias no sentido actual (só mais tarde isso vai acontecer)
Fixavam-se na natureza onde esta lhes oferecia condições.
Mais tarde construíram grutas com produtos naturais desenvolvendo grande engenho.
Nos primeiros tempos davam às coisas naturais uma forma inventada pelos homens.
Ex: - As colinas eram transformadas para que o homem se alegrasse, sentisse prazer na sua forma.
- As pedras eram dispostas ou espalhadas de certo modo para servir
determinadas actividades.

No final da época as edificações onde se cultivava a “sabedoria e as artes divinas” tornam-se cada vez mais majestosas.
Eram centros científicos e de ensino onde se estudavam as leis universais.
Só os mais aptos eram admitidos – para os outros tudo era um profundo mistério.
Aprendia-se a dominar as forças naturais.
Com a educação as forças naturais do homem transformam-se em forças volitivas.
O homem podia executar o mesmo que a natureza. Tudo isto era “instintivo”.
Eram “escolas superiores das forças volitivas e do poder das representações clarividentes”.
Daqui saíam os homens que se tornavam senhores dos seus semelhantes.
As condições da natureza:
- Ar muito denso
- Água muito rarefeita
- Crosta terrestre ainda pouco consistente
- No mundo vegetal e animal existiam – Anfíbios
- Pássaros
- Mamíferos inferiores
- Plantas até às palmeiras

As formas eram diferentes – tudo era gigantesco
Não existiam mamíferos superiores
Uma grande parte da humanidade era tão pouco desenvolvida que se podia chamá-la de animal.

As mulheres

A sua energia imaginativa tornou-se base de um desenvolvimento elevadíssimo da sua vida mental representativa.
As forças da natureza ressoavam delicadamente dentro da sua alma – assim se formou o germe da memória.
Com a memória penetrou no mundo a faculdade de formar os primeiros e mais simples padrões morais.
Os primeiros passos no progresso da vida representativa mental foram dados pelas mulheres.
Através da memória adquire-se a faculdade de aproveitar para o futuro as experiências do passado – um objecto necessário hoje, sê-lo-ia também no futuro.

Os homens
Eram naturezas de vontade forte pela disciplina.
A sua alma e sentimentos haviam-se aperfeiçoado em medida menor, se a compararmos com as mulheres.

Os guias
Prepararam a alma das mulheres para que por seu intermédio a natureza volitiva e o excesso de força dos homens se enobrecesse e purificasse.
A influência das mulheres era enorme.
A elas se pedia conselho quando se pretendia decifrar os sinais da natureza.
A sua visão era sonambular – em certos sonhos elevados eram revelados os mistérios da Natureza.
Eram “vozes interiores” que as levava a agir, aquilo que os animais, as pedras, o vento, as nuvens, o murmúrio das plantas lhes diziam.
Desta parte anímica surgiu aquilo que podemos chamar religião humana – a parte anímica da natureza e da vida humana foi sendo aos poucos venerada e adorada.

Tudo isto só é válido para parte da população terrestre, da qual surgirão mais tarde as raças mais adiantadas. Todos os outros não se diferenciavam claramente dos mamíferos inferiores.

Os Atlantes
A sua primeira sub-raça foi a dos Rmoahals
Tinham memória que tinha como base as fortes impressões dos sentidos.
As cores e os sons actuavam por muito tempo na alma desenvolvendo sentimentos.
Com a memória surge a necessidade de se dar um nome a tudo o que se via e ouvia, assim se desenvolve a linguagem, assim se desenvolve a ligação do homem com as coisas exteriores a ele. 
A linguagem faz desenvolver a ligação do homem com as coisas exteriores a ele e com os outros homens.
As palavras tinham uma energia idêntica à do próprio objecto.
As palavras tinham força de cura, provocavam o crescimento das plantas, aplacavam a raiva dos animais, etc.
A linguagem era uma coisa sagrada.

A sub-raça dos Tlavatli
Desenvolvem o orgulho – os que tinham melhor memória exigiam reconhecimento dos outros, até depois de morrerem.
Assim surge o culto dos antepassados.

A sub-raça dos Toltecas
Desenvolvem a forma comunitária de viver.
Instituíram aquilo que se pode chamar de governo.
O governo passava de pais para filhos.
As acções dos antepassados não deviam ser esquecidas.
Quando um grupo humano se desmembrava de outro, trazia a memória viva do que se passara no antigo palco da vida. Quando algo não os fazia sentir bem, então experimentavam coisas novas.
Aos poucos o homem, por meio da sua competência pessoal vai ficando apto para receber a iniciação.

Assim surgem os reis-iniciados e os guias dos povos atlantes.
A força da memória levou a grande poder.
Quanto mais poder mais queria pô-lo ao seu próprio serviço.
O orgulho transforma-se em puro egoísmo levando a abusos.
Os atlantes tinham poder sobre as forças vitais, e esse abuso teve consequências desastrosas.
Entregavam-se com selvajaria à satisfação dos seus instintos.
O imenso poder sobre a natureza colocou-se ao serviço do proveito pessoal.
Mais tarde tudo isto aconteceu em grandes proporções.

A acção destruidora só pôde ser contida quando o homem desenvolveu dentro de si uma força superior – a força mental.
A origem do pensamento lógico deve ser procurada na 5ª sub-raça – os proto-semitas.

A 5ª sub-raça os Proto-Semitas
O raciocínio desenvolve-se e os desejos e instintos são submetidos a leis.
Aprende-se a elaborar pensamentos.
São estes povos que ouvem “uma voz interior” que opõe um dique aos instintos.
O que se adquiriu em força mental, perdeu-se no domínio dos poderes naturais – o domínio sobre a força vital.

A sub-raça dos Acádios
Desenvolvem o pensamento.
O chefe é o mais inteligente.
São impostas leis gerais ao pensamento egoísta – origem do direito e das leis.

A sub-raça dos Mongóis
Desenvolvem a força mental.
Continuam fiéis ao sentido da memória.

A sabedoria dos guias e as forças que dominavam não eram conseguidas através da educação terrestre.
A sabedoria era incutida por entidades superiores que não pertenciam de modo directo à Terra.
Estes guias superiores transmitiam conhecimentos sobre: - ciência, artes, construção de instrumentos, a arte de governar.
Em sítios desconhecidos da multidão realizavam-se iniciações e o convívio com os deuses.
Estes lugares eram conhecidos como “templos de Mistérios” e deles partia a direcção do género humano.

No fim da época atlântica existiam três grupos de entidades da espécie humana.
1 – Os mensageiros dos deuses
2 – Um pequeno grupo que desenvolvia a energia mental.
3 – A grande massa do povo (que estava destinada a desaparecer aos poucos).

Do 2º grupo, o guia principal, denominado
Manu, escolhia os mais capazes para fazer derivar deles uma nova humanidade.
O guia isolava-os numa região do interior da Ásia e libertava-os de qualquer influência dos indivíduos atrasados.
Agora os homens precisavam conhecer as forças divinas a que tinham obedecido inconscientemente.
No percurso dos astros e nas manifestações do tempo o homem devia ver as decisões divinas e a revelação da sabedoria divina. A astronomia e a meteorologia eram ensinadas nesse sentido.
Os iniciados humanos, os santos mestres, tornam-se guias da humanidade restante.
Os grandes reis-sacerdotes da Pré-História de que nos falam as lendas (não a História) pertencem ao mundo desses iniciados.

Segundo R.
Steiner (§) após a catástrofe atlântica desenvolvem-se sete cicilizações sucessivas.  
1 – Proto-Índica
2 – Proto-Pérsica
3 -
Egipto (§)-Caldaica
4 – Greco-Latina
5 – A cultura em que vivemos e que começou no século XII
seguir-se-ão uma 6ª e uma 7ª épocas.

Esta Humanidade era conduzida no início por:
Manus, Anjos (§) e Arcanjos.
Mas na 4ª cultura pós-Atlântica (a Greco-Latina) o homem torna-se completamente autónomo.
Na 5ª cultura, a nossa, os anjos intervêm na sua direcção, estes anjos evoluídos acolhem em si as forças emanadas de Cristo.
A força de Cristo actua no mundo físico mas também nos mundos espirituais. Cristo não existe só para a Terra.

Os anjos retardatários agem paralisando a evolução pelo facto de não se terem submetido à direcção de Cristo.
Assim cada vez mais se evidenciará uma corrente materialista sob a sua direcção.
Os anjos evoluídos inspiram aos homens pensamentos diferentes da crença no materialismo. Ensinam que a substância cósmica está permeada pelo espírito de Cristo.
No futuro haverá químicos que ensinarão a Química e a Física dizendo que esta está estruturada conforme Cristo a foi estruturando progressivamente.

Na antiga época persa Zaratustra mostrava o Sol aos seus discípulos dizendo: “no Sol vive Ahura-Mazdao que deverá descer à Terra”.
Na Índia os seus instrutores diziam que Cristo estava “acima da sua esfera”, eles não o podiam encontrar,” mas estava lá.
Para entender o papel de Cristo e a evolução da humanidade é necessário ter em conta o seguinte:
- Um atlante não conseguia ver uma rosa como nós a vemos, nitidamente. Mas percebiam nitidamente aquilo que devemos referir como o espírito da rosa.
A evolução dá-se no sentido de os objectos serem cada vez mais nítidos e cada vez mais indistintas as entidades espirituais pertencentes às coisas.
Entre os homens pós-atlânticos houve os que como Zaratustra quiseram conquistar o reino terrestre, referindo a existência das entidades espirituais agora invisíveis.

Para Zaratustra o mundo exterior não era apenas maya ou ilusão como defendiam os indianos – era um membro no espírito comum ao Todo. Do elemento espiritual brota o material.
O mundo físico conquista-se nas épocas Egipto-Caldaica e Grega.
O mundo físico torna-se cada vez mais vívido.
Quando uma alma saía por exemplo de um corpo indiano antigo o mundo espiritual era-lhe muito vívido.
Quanto mais simpatia o homem foi sentindo pelo mundo da matéria, mais se lhe obscurecia o mundo espiritual.
Assim os homens cada vez mais se afastam do mundo espiritual.
Os iniciados, aqueles que viam as regiões superiores do mundo espiritual, foram rareando cada vez mais, pois o processo de iniciação torna-se cada vez mais perigoso.

Então surge Cristo, o elevado Espírito Solar aproxima-se da Terra.
Cristo representa a descida da força espiritual, do amor, para a Terra
Esta força espiritual está hoje (início do séc. XX) apenas no início da sua actuação.
O amor espiritual é o cerne do impulso crístico.
Este retardar da actuação do cristianismo deve-se à influência dos espíritos luciféricos, os espíritos retardatários, que não aceitaram Cristo.
Mas o cristianismo progressivamente vai penetrar as almas e enobrecê-las gradualmente.
Assim de etapa em etapa a humanidade será elevada ao mundo espiritual.

2.2 – Jesus de Nazaré (as suas condições particulares de existência)
Se estudarmos de perto a entidade que viveu na Palestina e consumou o mistério do Gólgota eis o que se nos apresentará:
Cristo é uma entidade não só terrestre como também cósmica, segundo a Ciência espiritual.
Mas em certo sentido, o próprio homem é também um ser cósmico – vive uma vida dupla: no corpo físico do nascimento à morte e nos mundos espirituais entre a morte e um novo nascimento. Quando atravessa o portal da morte não pertence mais às forças da Terra; mas seria inexacto pensar que não pertence mais a sistema algum de forças, pois está então ligado às forças do sistema solar e dos outros sistemas estelares.
Entre a morte e um novo nascimento ele vive no Cosmos, assim como vive no reino terrestre do nascimento à morte.

Os planetas não irradiam apenas as forças físicas que a astronomia física ensina, mas também forças espirituais. E o homem está em ligação com essas forças espirituais do Cosmos. Cada indivíduo de um modo pessoal, está mais ligado por exemplo às forças espirituais de Marte, outro com as de Júpiter e outros ainda com as de todo o sistema planetário.
O Horóscopo baseia-se numa verdade: a de que o conhecedor desses assuntos pode decifrar as forças que regulam a entrada do homem na existência física.
Cada pessoa possui um horóscopo determinado, onde se exprimem as forças que o conduziram à existência. O Horóscopo representa aquilo que orienta uma pessoa antes de esta vir à existência terrestre.

São as forças activas do mundo estelar que impelem o homem à encarnação no mundo físico.
Se examinássemos o cérebro de forma clarividente, de modo a distinguir cada circunvolução e seus prolongamentos veríamos que cada pessoa tem o cérebro diferente da outra. Não há dois cérebros que se assemelhem. Se pudéssemos fotografar a estrutura do cérebro, de modo a obter uma espécie de hemisfério onde todos os detalhes fossem visíveis; essa imagem seria diferente para cada indivíduo. E se fotografássemos o cérebro de um homem, no momento exacto em que ele nasce, fotografando em seguida a parte do céu que se estende justamente por cima do lugar do seu nascimento, essa imagem corresponderia exactamente a esse cérebro humano. Certas partes do cérebro estão dispostas como as
estrelas (§) na constelação. O homem tem em si uma imagem do firmamento que difere conforme o lugar e o momento do seu nascimento. Isto é um indício de que o homem nasce do Cosmos inteiro.
Assim sendo compreendemos a maneira como o macrocosmos se manifesta em cada pessoa, e partindo daí imaginar como se manifesta em Cristo.

Observemos o que aconteceu a Jesus de Nazaré.
Jesus era um ser que requeria condições particulares de existência.

2.2.1 - Os dois Meninos Jesus
No início da nossa era nasceram dois Jesus.
Um descendente da linha natânica da casa de David, da “linha sacerdotal” (o Jesus de Lucas), seus pais viviam na Nazaré.
O outro era descendente da linha salomónica da casa de David, da “linha real” (o Jesus de Mateus), os seus pais viviam em Belém.

2.2.1.1 - O Jesus Natânico de Lucas
Esta criança devia ser de natureza única, uma criança que já trouxesse consigo uma força juvenil, forças muito especiais da infância, que lhe conservassem o mesmo vigor, o ímpeto e a disposição para uma meta.
Se quisermos compreender o Jesus Natânico, teremos de retroceder até à época anterior à influência Luciférica sobre a humanidade, na velha Lemúria. Esta influência acercou-se dos seres humanos na mesma época em que o casal primordial povoou a Terra.
“Este casal” era forte o bastante para poder encarnar-se, mas não era forte o bastante para resistir às influências Luciféricas.
Com as influências Luciféricas tornou-se impossível que todas as forças existentes em Adão e Eva fluíssem para os seus descendentes através da consanguinidade.

Quando se diz que “os seres humanos provaram da árvore do conhecimento do bem e do mal”, isto significa a actuação das influências luciféricas sobre a humanidade que a conduziu ao livre arbítrio, ao desenvolvimento da materialidade.
Quando foi dito “precisamos tirar-lhes a possibilidade de provar também da árvore da vida” – isto significa que foi retida uma certa soma de forças do corpo etérico de Adão e que estas não fluíram para os seus descendentes. Havia em Adão certa parte de forças que lhe foram retiradas antes da Queda. Esta parte ainda inocente de Adão foi conservada espiritualmente no grande berço da humanidade, sendo ali acalentada e zelada. Era aquela parte da alma de Adão ainda não tocada pela “culpa” humana. 
Essas forças primordiais da individualidade de Adão foram dirigidas como eu provisório, à criança que nascia de José e Maria. Nos seus primeiros anos de vida esse menino Jesus trazia dentro de si as forças do ancestral da humanidade terrestre – Adão
Quem realmente ressurgiu na criancinha nascida de José e Maria? - O progenitor da humanidade “o velho Adão” como um “novo Adão”.
Disto sabia Paulo pois está implícito nas suas palavras – “Adão, o primeiro homem, tornou-se um ser vivo, mas o último Adão tornou-se espírito, que dá vida”( 1ª carta aos coríntios, 15, 45).
Disto também sabia Lucas, (que era discípulo de Paulo) ao falar de um parentesco consanguíneo com o próprio Adão, descendente directo dos mundos espirituais. É por isso que nas palavras de Lucas, Jesus descende de Deus, é um “filho de Deus”. A linha de ascendência do Jesus natânico, de acordo com Lucas vai até Deus (Lucas 3, 23-38).

Deste modo se uniu ao corpo físico, nascido de Maria e José, aquele espírito infinitamente jovem, aquele espírito ainda completamente intocado pelos destinos terrestres, aquela alma jovem cujas forças, caso as queiramos procurar, deveriam ser procuradas na velha Lemúria. Somente tal espírito era suficientemente forte para irradiar para o interior do envoltório astral materno e depois para a criança que ao nascer seria despida desse envoltório recebendo as forças de que necessitava.

Este menino ao nascer uniu-se ao “nirmanakaya” de Buda, ou seja ao corpo das transformações de Buda mas apenas no mundo etérico astral.
Quando nasceu o Jesus natânico, Buda foi visto sob a forma de “legiões de
anjos (§)” pelos pastores que se tornaram clarividentes por um instante a fim de ver o que lhes era anunciado.
A razão de ele se inclinar sobre esta criança é porque ela traria à humanidade o que Buda trouxera, na sua vida terrena, mas de forma mais amadurecida a fim de tornar fecundo “para todos”, o que Buda tinha conquistado.

Buda viveu na terra 500 a 600 anos antes da era cristã, viveu na Índia como um grande Bodhisatva cuja missão era trazer à humanidade as verdades que paulatinamente deviam nascer no próprio seio desta. Ele deu os impulsos para tal, por isso tornou-se Buda, não voltando a aparecer mais num corpo físico, nunca mais encarnou, exercendo a sua influência a partir do mundo espiritual.
(Convém lembrar que o nosso mundo espiritual humano está em ligação constante com o resto do mundo espiritual. É preciso ter consciência que o homem não apenas bebe e come mas recebe também constantemente na sua alma um alimento espiritual.)
O corpo astral deste menino Jesus estava impregnado com as forças adquiridas por Buda e que este conseguia transmitir à humanidade.

As qualidades deste menino Jesus provêm do facto de ele não ser uma individualidade humana como outra qualquer. Para compreendê-lo temos que ir até à antiga Lemúria.

Na Lemúria o eu do homem não estava tão separado da substância da hierarquia que lhe dera origem, a dos Espíritos da Forma (anjos). Uma parte da substância dos Espíritos da Forma penetrou por assim dizer, nas encarnações humanas a fim de formar o eu. Mas quando o ser humano foi entregue às suas encarnações físicas na Terra uma parte do que se destinava a ser “homem” ficou retida. Foi um eu preservado, que não reapareceu como ser humano, mas conservou a forma e a substancialidade que o homem possuía antes de progredir para a sua primeira encarnação terrestre. Um eu que se achava na mesma situação em que estava, falando em termos bíblicos, o eu de Adão antes da sua primeira encarnação na Terra, como já referido.

Este eu foi guardado como uma reserva. Não foi conduzido a um corpo humano, mas apenas entregue aos sagrados mistérios existentes nos períodos atlântico e pós-atlântico, num importante lugar de mistérios, o grande berço espiritual chamado Oráculo do Sol e foi conservado como num tabernáculo.
Devido a tudo isto, este eu possuía particularidades todas especiais, mormente a de não ser atingido por tudo o que um eu humano podia aprender na Terra. 
Não ficou sujeito às influências luciféricas e arimânicas (anjos retardatários). Devemos imaginar este eu como “uma esfera vazia”, como algo totalmente virgem em relação a todas as experiências terrestres.

No menino Jesus de Lucas não existia um eu evoluído que tivesse passado pelo desenvolvimento inerente à época atlântica e pós-atlântica.
Devido a isto e de acordo com a crónica do Akasha, este menino Jesus não tinha disposição mental para tudo o que fora desenvolvido pela cultura humana; não era capaz de assimila-la, por nunca ter estado presente nela.
As habilidades e aptidões exteriores, nós as adquirimos porque já presenciamos certas actividades em encarnações anteriores. Alguém que nunca esteve presente revela-se inábil para tudo o que os homens realizaram durante a evolução da Terra.

Se o menino Jesus natânico tivesse nascido no nosso tempo, não teria demonstrado dom algum para aprender a escrever, porque os homens não tinham escrita na época de Adão, e muito menos antes dela.
Este menino era pois desprovido de qualquer dom para tudo o que a humanidade houvesse adquirido durante a sua evolução.
Em compensação revelou possuir em alto grau as qualidades interiores que normalmente haviam caído na decadência devido às influências luciféricas.

Ainda mais interessante era o facto de ele possuir uma linguagem curiosa. Era a linguagem primordial antes desta ter sido influenciada pelas forças luciféricas e arimânicas que fizeram da língua primordial as inúmeras línguas que existem no mundo.
Este menino tinha a capacidade de falar a língua primordial da qual se diz que não era compreensível aos homens em redor, mas era entendida pelo coração da
mãe (§) devido à profunda interioridade existente nesta.
Nele estavam bem desenvolvidas as qualidades que podemos chamar, qualidades do coração – uma imensa capacidade afectiva e uma natureza cheia de devoção.

Desde o seu 1º dia de vida exercia, pela mera presença ou pelo contacto, efeitos benéficos que hoje talvez se denominassem “magnéticos”.
Este menino tinha todas as qualidades que não haviam sofrido as influências das forças luciféricas e arimânicas, por isso no seu 12º aniversário nada precisou ser expulso no momento em que a individualidade de Zaratustra se transferiu do Jesus salomónico para o natânico.
Ele recebe a individualidade de Zaratustra no momento relatado no Evangelho como “o menino entre os doutores”. Compreende-se que os pais se admirassem com a transformação do menino.

Zaratustra nele penetrou e lá se manteve entre os seus 12 e os 30 anos.
Depois da descrição do que aconteceu no Templo entre os doutores diz-se “…e Jesus aumentou em sabedoria, estatura e graça perante Deus e os homens.” (Lucas 2,52).
“Quando restabelecemos o texto do Evangelho por meio da crónica do Akasha, ela refere que Jesus aumentou em tudo o que se refere a um corpo astral, isto é em sabedoria; que aumentou em tudo o que pode aumentar num corpo etérico: bondade, benevolência, etc; e, finalmente em tudo o que se refere a um corpo físico transmitindo-se à beleza na forma exterior. Com isso se enfatiza o facto de esse menino Jesus não ter sido atingido, na sua individualidade pelas forças luciféricas e arimânicas, graças à característica que possuía até à idade de 12 anos”.
Assim este menino Jesus vive crescendo em tudo o que seja possível no desenvolvimento de uma tríplice corporalidade, intocada por tudo o que possa actuar sobre a tríplice corporalidade de outros indivíduos.
E a individualidade de Zaratustra tinha então a possibilidade de unir a perfeição atingida até esse momento a tudo o que havia de maravilhoso nessa tríplice corporalidade, imperturbada mas capaz de desenvolver qualidades num corpo físico, num corpo etérico e num corpo astral ideal.”

“O conceito correcto que podemos formar de Jesus de Nazaré até os 30 anos é de uma elevada individualidade humana, para cuja realização as melhores medidas possíveis haviam sido tomadas.”
“Aos 30 anos Zaratustra abandona a tríplice corporalidade de Jesus de Nazaré.
Mas tudo o que ele pôde assimilar, como indivíduo, por meio desses instrumentos, passa à sua individualidade e continua vivendo com ela.
2.2.1.2 - O Jesus salomónico de Mateus
Na cidade de Belém vive um descendente da linha salomónica da dinastia de David que também se chama José e vive com a sua esposa Maria (Mateus 2,1).
Também este casal teve um filho chamado Jesus. Também esta criança abriga no seu corpo físico uma poderosa individualidade.
Esta criança tem uma missão diferente do menino anterior, está chamado a trazer à humanidade o que só é possível a alguém trazer sendo portador de uma alma amadurecida.
Possuía dons relativos ao que se podia aprender exteriormente. Era um ser totalmente evoluído..
Assim o evangelho de Mateus relata uma parte da verdade e o evangelho de Lucas relata a outra parte. O primeiro fala do Jesus Salomónico, e o segundo fala do Jesus Natânico.

Resumindo – da linha sacerdotal da casa de David nasceu uma criança de nome Jesus portadora da alma
mãe (§) da humanidade que foi conservada jovem e veio a unir-se ao nirmanakaya de Buda. Seus pais são originários da Nazaré, mas nasce em Belém por ocasião do recenseamento, tendo de seguida regressado a Nazaré.
- Da linha real da casa de David nasceu outra criança também de nome Jesus portadora do eu de Zaratustra. Seus pais viviam em Belém onde nasceu. Foi este menino que precisou ser levado ao
Egipto (§). No regresso passam a residir na Nazaré, a fim de que este Jesus (Zaratustra reencarnado) possa estar próximo do outro menino, portador do Nirmanakaya de Buda, representante da corrente do Budismo.

Assim se reúnem as duas cosmovisões.
O Jesus salomónico recebe qualidades paternas – a anunciação é feita a José e não a Maria. (Mateus 1,20-21)
Ao Jesus natânico foram transferidas as qualidades interiores herdadas da mãe – a anunciação é feita a Maria. (Lucas 1,26-38)

O Jesus natânico.
- Nasce de uma mãe jovem.
- Vive na Nazaré.
- Não existem outros filhos – esta mãe deveria ser mãe única e exclusiva deste Jesus.

O Jesus salomónico.
- Após o regresso do Egipto, a família transfere-se para a Nazaré.
- O seu pai falece cedo, torna-se portanto órfão de pai.
- Os seus pais têm outros filhos, Simão, Judas, José, Jacob, e mais duas irmãs.

Os dois meninos crescem.
A criança que abriga a individualidade de Zaratustra desenvolve-se cada vez mais, numa maturação extremamente rápida, as forças que é mister desenvolver quando no seu corpo actua uma individualidade tão poderosa, de excepcional maturidade e penetrante compreensão do Universo.
Quanto à outra criança que era protegida pelo nirmanakaya de Buda, o homem comum classificaria este menino Jesus, como sendo uma criança “relativamente retardada”.
Desenvolveu-se nela uma profunda interioridade em nada comparável a qualquer outra no mundo.
Evoluíam neste menino sentimentos tão profundos que actuavam extraordinariamente sobre tudo o que o cercava.
Foi dito à sua mãe que uma espada lhe trespassaria o coração. (Lucas 2,35)

As famílias eram vizinhas e tinham relacionamento amistoso. Assim cresceram os dois meninos até aproximadamente o seu 12º ano de vida.
Por altura do 12º ano de vida do menino natânico, os seus pais dirigiram-se a Jerusalém, quando acontece o episódio conhecido como “Jesus entre os doutores” (Lucas 2, 41-50)

Fazendo a leitura da crónica do Akasha vemos o seguinte:
O eu de Zaratustra deixa o corpo do Jesus salomónico e transfere-se para o do Jesus natânico, que em consequência, pareceu completamente mudado. Os pais não o conheciam assim, não entendiam as suas palavras sábias. É que agora se manifestava, por intermédio do Jesus natânico o eu de Zaratustra.
Foi também nesta ocasião que o nirmanakaya de Buda, que pousava sobre o Jesus natânico e o protegia, se uniu ao seu envoltório astral.

O Jesus natânico recebe nesta ocasião o nirmanakaya de Buda e Zaratustra.

E foi esta criança modificada ao ponto de os próprios pais não conseguirem entendê-la, que eles levaram para casa.
Não muito tempo depois faleceu a
mãe (§) deste menino.

O Jesus salomónico não podia prosseguir vivendo em condições normais quando o eu de Zaratustra o deixou.
O seu pai já havia falecido há mais tempo e a mãe do Jesus salomónico, juntamente com os filhos haviam sido acolhidos na casa do José natânico, de modo que Zaratustra convivia novamente com aquela família em que se havia encarnado com excepção apenas do pai.
As duas famílias condensaram-se numa só.

Assim vemos crescer em Jesus de Nazaré uma individualidade que abriga no seu íntimo a individualidade de Zaratustra, iluminada e espiritualizada pelo nirmanakaya de Buda.

2.2.2– Na alma de Jesus de Nazaré vive a confluência do budismo e do zaratustrismo.
No Jesus natânico vivia a parte imaculada do corpo etérico subtraído à humanidade antes do acontecimento conhecido por “pecado original”; isto significa que a substância etérica extraída de Adão fora preservada e guardada sendo depois entregue a esta criança. Foi preciso nascer um corpo humano tão enobrecido que só existisse pelo facto de a substância etérica de Adão, ainda totalmente resguardada das vivencias terrestres, ser inserida justamente no corpo astral deste menino. Por tal razão a substância etérica também estava ligada a todas as forças que haviam actuado sobre a Terra antes do pecado original.
Uma individualidade que desce à Terra, seja ela qual for só se desenvolve de acordo com as capacidades oferecidas pelo corpo físico em que se encarna.O que a entidade oculta no corpo de Jesus natânico tinha a revelar posteriormente era uma mensagem para toda a humanidade. Era algo que deveria fazer o homem transcender toda e qualquer consanguinidade anterior. Não se pretendia anular tal parentesco mas acrescentar, a esse amor nascido da consanguinidade o afecto a que chamamos amor ao próximo e que se estende de alma para alma.

Contudo para a entidade que vivia no corpo do Jesus natânico deveria primeiro vivenciar na Terra o que significa não sentir-se ligado a ninguém, não estar ligado a outros laços sanguíneos. Só deveria manifestar-se depois de ter sofrido a grande solidão vivenciando a falta da família. Ao partir para a sua actuação no mundo ele se desliga de todo e qualquer laço de sangue.

Nota: o desenvolvimento humano processa-se em cinco etapas 1º até aos 7 anos
2º até aos 14 anos 3º até 21 anos 4º até 28 anos 5º até 35 anos.
No caso do Jesus natânico o seu desenvolvimento foi um pouco acelerado, a sua 2ª etapa foi aos 12 anos 3ª etapa foi aos 19 anos 4ª etapa foi aos 26 anos 5ª etapa foi aos 33 anos.

O Jesus natânico ao receber o eu de Zaratustra aperfeiçoou as qualidades da alma de modo mais subtil e elevado. Em consequência desenvolve-se um “corpo das sensações”, capaz de olhar para o cosmos de modo a perceber quem era o antigo Ahura-Mazdao.
Desenvolveu-se uma “alma da sensação” que podia cultivar no seu âmago o saber, a sabedoria que se desenvolvera paulatinamente na humanidade a partir dos ensinamentos sobre Ahura-Mazdao.
Desenvolve-se uma “alma do intelecto” que tudo captava, que sabia expressar em conceitos, em palavras de fácil compreensão o que antes fora entregue à humanidade.
Era desta maneira que se desenvolvia este Jesus natânico. Ele prossegue essa evolução até se aproximar o 30º ano de vida.

Por esta altura o eu de zaratustra tinha completado a sua missão para com a alma do Jesus natânico, tendo elevado as capacidades desta ao mais alto nível.
Neste ponto completou a sua missão relativa a esta alma tendo-a impregnado com tudo o que adquirira em encarnações anteriores. Estava terminada a sua missão
O eu de Zaratustra viveu no corpo de Jesus salomónico 12 anos. Ele, Jesus salomónico, atingira uma elevada e excepcional maturidade, por trazer dentro de si um eu tão evoluído.  
Exteriormente dir-se-ia tratar-se de uma criança amadurecida muito precocemente, e que depois estagnou, não mais progredindo.
O Jesus salomónico morreu mais ou menos na mesma época em que faleceu a
mãe (§) do Jesus natânico.

Na morte sabemos que o corpo etérico deixa o corpo físico; tudo o que não tem valor para a eternidade é despido na vida humana normal, sendo levado apenas uma espécie de extracto do corpo etérico.
No caso do Jesus salomónico, a maior parte imaginável do corpo etérico era útil para a eternidade. Todo o corpo etérico dessa criança foi levado aos mundos espirituais pela mãe do Jesus natânico.
O corpo etérico é plasmador e construtor do corpo físico humano. Podemos portanto imaginar que existe um profundo parentesco entre esse corpo etérico salomónico e o eu de Zaratustra pois estiveram unidos durante 12 anos.
Quando devido à evolução do Jesus salomónico, o eu de Zaratustra deixou o seu corpo, começou a manifestar-se uma força de mútua atracção entre o corpo etérico de Jesus salomónico e o eu de Zaratustra. Eles se uniram novamente e viveram num corpo físico.
O eu de Zaratustra alcançou tal maturidade que após um período de tempo relativamente curto ele podia, com o auxílio do corpo etérico do Jesus salomónico, construir um novo corpo físico.

2.2.3 - O Mestre Jesus – o 3º Jesus
Assim nasceu pela primeira vez o ser que a partir de então sempre e sempre reaparecerá. Esta entidade, que fora buscar o seu corpo etérico da forma descrita acima, caminha doravante pela história da humanidade – tornou-se o maior auxiliar dos que querem compreender o grande acontecimento da Palestina.
Sob o nome de “Mestre Jesus”, essa individualidade atravessa novas épocas; de modo que o eu de Zaratustra após o reencontro com o seu etérico iniciou a sua carreira como “o Mestre Jesus” vivendo na Terra sempre em novas encarnações, para orientar e direccionar as correntes espirituais que designamos por cristãs.
Por trás das grandes formas espirituais do cristianismo está sempre ele, ensinando o significado real do grande acontecimento da Palestina.

2.2.4 – Personalidades importantes que tiveram influência na vida de Jesus
2.2.4.1 - Zaratustra
Pertenceu à antiga cultura persa.
Sabemos que trouxe para o seu povo grandes ensinamentos a respeito de Ahura Mazdao, o grande ser solar. Este ser solar deve ser visto como parte anímico-espiritual do que vemos como o sol físico.
Por isso Zaratustra dizia:
“Não vejam apenas o sol físico refulgir; vejam o ser supremo que envia espiritualmente as suas actuações benéficas, tal qual o sol físico envia as suas forças benéficas sob a forma de luz e calor.”
Zaratustra apontava o sol e dizia: é lá no alto que Ele vive, aproxima-se lentamente da Terra, e um dia habitará aqui, dentro de um corpo humano.

A missão de Zaratustra é bem diferente da de Buda, a sua tarefa era mesmo o oposto – ensinava a compreender e a penetrar espiritualmente o Deus distante e o grande Cosmos.
Tudo o que está contido no homem é oriundo do Universo. Não possuiríamos olhos sensíveis à luz se a luz não tivesse provocado o nascimento dos olhos no organismo. “Os olhos foram criados na luz e para a luz”, disse Goethe.
É desta maneira que todas as forças espirituais do Universo modelam o homem. O que se encontra interiormente nele foi organizado, inicialmente, a partir das forças divino-espirituais. Por tudo o que existe internamente há um correspondente exterior.
É do exterior que fluem primeiramente as forças situadas no interior do homem.
Zaratustra tinha por missão chamar a atenção para a exterioridade, para o que se encontra ao redor do homem. Ele mostrou o espiritual no Cosmos. Os pensamentos criativos cósmicos que nos rodeiam, estão espalhados pelo mundo. Pois tudo o que o homem possui, como pensamento está presente em todo o mundo exterior. 
A missão de Zaratustra é anunciar uma cosmovisão que deveria desvendar, decifrar os segredos do mundo exterior, fazer o homem compreender o seguinte:
“Onde quer que te encontres na imensidão do Universo, não estás sozinho, tu encontras-te num Cosmos espiritualizado, sendo uma partícula dos deuses e espíritos universais; nasceste do Espírito e nele repousas. A cada inspiração sorves o Espírito Divino; seja a tua expiração como uma oferenda ao Grande Espírito”.

Quando Zaratustra elevava ao Sol o seu olhar espiritual, não via apenas o Sol. Dizia que assim como a aura do homem pode ser vista envolvendo-o, também a grande aura solar (Ahura-Mazdao) pode ser vista no sol.
E foi a grande aura do Sol que produziu o homem. O homem é a imagem do espírito do Sol, Ahura-Mazdao ainda não habitava na Terra.
Chega então a época em que, na sua visão clarividente, o homem começa a ver Ahura-Mazdao no seu ambiente terrestre. Iniciou-se o grande momento de ocorrer o que ainda não fora possível na época de Zaratustra.
Com Moisés, sucessor de Zaratustra, os seus olhos clarividentes se abriram e ele pôde ver, na sarça-ardente e no fogo do Sinai, aquele espírito que proclamou “eu sou aquele que era, que é e que será”, Jeová.
O que aconteceu? – O espírito que anteriormente só habitava no Sol havia-se dirigido à Terra. Luziu na sarça-ardente e no fogo do Sinai; estava nos elementos terrestres.
Este é o espírito que os santos pressentiram, que Zaratustra procurou no Sol, que se proclamou a Moisés no trovão e no relâmpago. Que apareceu sob forma humana em Jesus de Nazaré.

Zaratustra alcançou tão elevado grau de evolução que já podia preparar a corrente cultural subsequente à persa – a cultura egípcia, para tal cede a Hermes o seu corpo astral e a Moisés o seu corpo etérico.
Procurou trazer ao mundo ordem e harmonia. Entre os seus discípulos contavam-se grandes magos, grandes iniciados, mas também reis, isto é os que conheciam a arte de estabelecer a organização e a ordem social externa.

Zaratustra era muito considerado nas escolas dos caldeus. Estes sábios do oriente sentiam-se aparentados ao seu grande guia, viam nele o reflexo do próprio Sol. Por isso não lhes podia ficar oculto, na sua profunda sabedoria, o reaparecimento do seu grande mestre em Belém. Assim os magos caldeus foram guiados pela sua
estrela (§) e levaram-lhe o símbolo material do que de melhor ele poderá dar aos homens – o saber a respeito do mundo físico, a respeito dos mistérios do Cosmos. Esta sabedoria que podia ser adquirida pela absorção dos mistérios exteriores, era simbolizada pelo ouro, pelo incenso e pela mirra. (ouro é símbolo do pensar, incenso símbolo da fé e mirra símbolo da força do querer).
Assim foi o curso da evolução:
Do mundo cósmico Ele desceu primeiro para os elementos físicos, em seguida para o corpo humano.
Os antigos guias que participavam do progresso geral da humanidade também estiveram sujeitos a passos preliminares, até que um deles avançou o suficiente para tornar-se o portador de Cristo.
Jesus de Nazaré teve de se elevar a um grau muito alto. Um homem qualquer não podia ser o portador do ser que descia à Terra da forma descrita.
Jesus passou por várias encarnações e suportou muitas provas em tempos anteriores, antes de poder vir a ser Jesus de Nazaré. Jesus teve de tornar-se um alto iniciado antes de poder receber Cristo.

Quem possui a visão do mundo espiritual sabe do advento e do renascimento de um iniciado e que isso constitui um acontecimento no mundo espiritual. Foi o que aconteceu por exemplo com os três reis magos no Oriente ou o sacerdote do templo chamado Simeão.

2.2.4.2 -Buda
Buda surgiu de um Bodhisatva – isto é um ser altamente evoluído possuidor do dom de penetrar nos mistérios da existência. Isto porque Buda participara de todos os acontecimentos da evolução humana desde os tempos primordiais.
Este Bodhisatva já estava presente na época lemúrica e atlântica.
Por ter atingido tão elevado grau de evolução foi-lhe possível, na sua existência como Bodhisatva, aos 29 anos do seu último nascimento, ter-se tornado Buda.
A “senda das 8 sabedorias” é a síntese do ensino desenvolvido por Buda, o qual visa alicerçar o carácter moral dos homens na Terra.
No budismo encontramos a origem verdadeira, grandiosa, de tudo o que o homem vivencia na sua própria alma como um grande ideal. O ideal da alma humana, o que o homem é e pode ser – eis o conteúdo da prédica de Buda.
No budismo tudo é intimismo, tudo se relaciona com o homem e o seu desenvolvimento.
Nada encontramos no budismo que possamos chamar de ensinamentos cosmológicos.
A verdadeira missão do Bodhisatva (mais tarde Buda) foi trazer aos homens o ensino da interioridade da própria alma.
Tudo é expresso de modo que a alma humana ao permitir que os ensinamentos de Buda actuem sobre ele, possa tornar-se sempre melhor.
Por ser esta a sua missão é que os ensinamentos de Buda (quando verdadeiramente conhecidos) geram tanto calor no coração humano.
Buda não ficou estagnado e é pelo progresso feito nos mundos espirituais, como ser espiritual, que Buda pôde participar de forma relevante da evolução da cultura ocidental.

2.2.4.3 - João Baptista
Para que a obra de Moisés continuasse junto do povo hebreu, para em tempo certo, trazer o fruto certo, era preciso que surgisse junto deste povo as individualidades que conhecemos como os profetas e os videntes”.
Um desses videntes mais importantes foi Elias.
Quando a entidade espiritual que tinha vivido em Elias precisou voltar a nascer, uniu-se ao corpo da criança nascida de Zacarias e Isabel, isto é João (o Baptista).
Do próprio Evangelho sabemos que devemos encarar João Baptista como Elias renascido (Mateus 17,10-13)
João foi o precursor de Jesus. Ele anuncia o que está contido na lei e nas antigas profecias, o que está maduro, porém ignorado pelas pessoas.

O eu de João era oriundo do mesmo centro de mistérios do qual proveio a alma para o menino Jesus de Lucas – só que apenas a Jesus foram legadas as capacidades ainda não permeadas pelo eu tornado egoísta.
O seu eu está portanto relacionado com a alma do Jesus natânico, é por isso que na chamada “visitação” a criança de Isabel começa a mover-se no seu ventre (Lucas 1, 39-44). Existe uma profunda ligação entre aquele que deveria actuar pela confluência das duas correntes espirituais e aquele que deveria anunciá-lo.

O baptismo de João era algo muito diferente do que viria a ser mais tarde, quando se tornou apenas um símbolo.
Os baptizados por João eram mergulhados na água com toda a sua corporalidade – todo o seu corpo físico imergia.
No baptismo com a água, o efeito era a separação, por curto período, do corpo etérico e do corpo físico.
Mas João Baptista queria ser o precursor daquele “que baptiza com o fogo e com o espírito” – este baptismo veio à Terra por intermédio de Cristo.

A diferença entre o baptismo de João pela água e o baptismo crístico com o fogo e o espírito, é que com Cristo não há nenhum acontecimento anormal, nenhuma submersão na água, mas única e exclusivamente a poderosa influência da individualidade crística. Trata-se da influência espiritual, sem que a consciência quotidiana sofra transformação. Pelo espírito emanado como impulso crístico flui para dentro do corpo físico algo que só podia ser provocado pela evolução física-fisiológica, pelo fogo interior expresso na circulação sanguínea.
Pela iniciação crística o homem se tornará clarividente.
O baptismo por Cristo tornou possível uma classe de novos iniciados mediante o impulso de Cristo, podendo chegar à observação do mundo espiritual dentro do corpo físico, dentro da consciência quotidiana. Para isso era necessário que a força existente em Cristo extravasasse como um impulso para o outro que se havia tornado discípulo e que viria a ser o proclamador dessa força.

Quando surgiu pela primeira vez tal iniciação de Cristo?
Surgiu no episódio de Lázaro. Cristo refere: “a enfermidade não é para a morte, mas para que Deus se torne manifesto nele”. O divino em Cristo deve tornar-se visível em Lázaro e através de Lázaro. Cristo disse a Marta e Maria “eu sou a ressurreição e a vida” – Cristo deu a Lázaro a vida.
Lázaro como os antigos iniciados esteve 3 dias e meio como morto. Mas Cristo sabia muito bem que com isto as antigas iniciações chegavam ao fim. Durante esse tempo Lázaro percebeu o mundo espiritual – Cristo verteu a sua força para Lázaro; e este surge como um novo homem.

Para melhor compreendermos a iniciação cristã, vamos recuar ao tempo dos mistérios pré-cristãos. 

Fonte:Zelinda Mendonça -http://www.fundacaomaitreya.com/

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