ÍNDIA - TERRA DE CONTRASTES






















Por sua extensão, a Índia possui o sétimo maior território do planeta. É terra de contrastes extremos: sua geografia vai desde as montanhas mais altas do mundo no Himalaia até as planícies tropicais do Golfo de Bengala.

Pelo lado norte encontra-se a grande cadeia montanhosa do Himalaia que separa o país de outras nações. Predominam os climas muito frio no alto e temperaturas mais moderadas nos grandes e férteis vales de Kashmir, Naintal, Shimla, Darjeeling e Katmandu. Pelo sul encontra-se uma zona de planaltos, onde destacam-se Malkwa e Decán. Sua geografia semiárida atua em combinação com as extremas alturas das cordilheiras de Satpura e Vindhya. A região costeira é caracterizada por inclinações suaves, planícies férteis e climas mais moderados. O noroeste tem um clima seco e é coberto pelas elevações de Rajasthn que o separam do Pakistão.


O deserto de Thar, zona mais seca da Índia, forma parte deste ecosistema. Os pântanos argilosos de Rann de Kutch, são desebocadura dos cursos fluviais que desembocam no norte do Mar Arábico. O nordeste está coberto por planícies úmidas denominadas Ghats, onde o clima tropical está afetado pela estação das monções que a cada ano trazem grande quantidade de umidade aos rios que desembocam no Golfo de Bengala.


O território da Índia constitui a maior parte do subcontinente indiano, localizado na Placa Indiana, na Ásia Meridional. Os estados indianos do norte e do nordeste estão parcialmente localizados nos Himalaias.

O nacionalismo indiano dominou o cenário político desde os tempos da independência. Por isso foi imposto um modelo fortemente protecionista com alguns traços socialistas que acentuavam o controle do estado sobre o desenvolvimento econômico. Em 1991, a economia viveu a mais forte crise de sua existência. Começou então um processo para mudar a regulamentação existente e que permitia os investimentos estrangeiros, grande parte do esquema do estado.


A Índia atravessa um processo de modernização acelerado que provoca grandes contrastes, como por exemplo, o que acontece nos bairros pobres de Calcutá e os arranha-céus que dominam a cidade. As zonas industriais que circulam Nova Délhi e outros centros de importância, convivem com as vastas regiões rurais onde a economia de subsistência e os latifúndios continuam inalterados há séculos.


A agricultura representou no entanto um terço da produção da Índia, porém as indústrias já ultrapassaram a metade do total do PBI do país. Exportam arroz, trigo, algodão, açúcar e tubérculos. No comércio industrial, destaca-se a produção de aço, minério, indústria química e de forma crescente máquinas pesadas e automóveis. As políticas de desenvolvimento educacional tem alcaçado êxito, através de uma mão de obra altamente qualificada, o que tem facilitado o desenvolvimento dos serviços e especialmente da indústria de software, um comércio no qual a Índia transformou-se em potência mundial.


Mesmo com seus altos índices de crescimento no mundo, a economia indiana é também uma das mais desiguais em termos de divisão da riqueza e a renda per capita apontam o país como um dos mais pobres do mundo. Em termos quantitativos, a Índia tem o maior número de pessoas pobres e mendigos do planeta, apesar de sua economia haver alcançado, por seu volume de produção, um posto entre as 10 mais importantes do mundo.





A Índia é o país mais povoado do mundo, logo atrás da China. Seus 1 bilhão 160 milhões de habitantes representam um mosaico cultural sem paralelos em qualquer parte do planeta, tanto nas diferentes etnias, idiomas, religiões ou nacionalidades nenhum país pode exibir a exuberância e a variedade da Índia.


A língua mais falada é o hindu, seguida pelo drádiva. Porém na Índia fala-se pelo menos outras 200 línguas nacionais e 1600 dialetos locais. Nos negócios e na adminstração o inglês é utilizado como idioma de praxe.


Um total de 80% da população observa a religião hindu, que por sua vez está subdividida em numerosas correntes e seitas de motivação e rituais diversos. Os muçulmanos representam 13.5% da população. Outras minorias significativas são os sikhs, budistas, católicos, protestantes, jainistas e judeus.


No que se refere ao trato com o visitante estrangeiro, a população das regiões turísticas é bastante amável e instruída. Fora estes circuitos recomenda-se ser discreto e utilizar o auxílio de guias locais.


É importante informar-se sobre as particularidades e costumes de cada grupo ou casta para não interferir negativamente no ambiente local. Além disto, considerando-se que um em cada tres indianos vive em estado de pobreza absoluta, a presença de turistas pode gerar situações incômodas geradas pelo contraste da riqueza entre uns e outros.




país mas poblado del mundo luego de China”
É muito difícil demonstrar a variedade cultural da Índia. Entretanto a tarefa fica mais simples quando compreende-se o peso da religião e do sincretismo em cada aspecto da vida de seus habitantes. A sociedade indiana tem demonstrado uma inigualável capacidade para incorporar elementos dos povos que lhe invadiram ou com os quais se realcionam comercialmente para desenvolver novos costumes e expressões artísticas.


O hinduísmo é a corrente dominante do universo cultural indiano. Seus ritos estão difundidos por todos os cantos do país. Nas margens do rio Ganges, é possível observar um dos rituais mais difundidos do hinduísmo. O banho ritual a beira do rio busca a limpeza do espírito dos crentes e é realizado diariamente por milhares de hindus que chegam em peregrinação ao rio sagrado. Bastante impressionante é a celebração do Diwali, ou Festival das Luzes, ocasião em que os seguidores do budismo, jainismo e sijismo iluminam suas casas com velas e lampiões ao cair da tarde. Em seguida, fogos artificiais e cantos povoam a atmosfera das cidades. Na costa do Golfo de Bengala, os hindus celebrar o Durga Puja, em coloridas procissões em honra a Deusa Dur Ga. Os muçulmanos indianos comemoram o fim do Ramadã ou Eid ul Fitr vestindo roupas claras e com festas.


O festival Ganesh Chaturthi realizado no fim de agosto é celebrado em toda a Índia. Fogos de artifício, procissões coloridas e o curiosa costume de evitar olhar para a lua formam parte do ritual. Também espetacular é o Rath Yatra, desenvolvido na região de Puri nos meses de junho e julho. O ponto alto do festejo é o desfile de um imenso templo sobre rodas acompanhado por milhares de adoradores do Deus Jagganath.


As tradições também ditam o modo de vida e como atua a sociedade indiana. Ainda que a divisão de castas provoquem reações ambíguas nos estrangeiros, aprofundar-se no emaranhado dos costumes que a sustentam é uma forma de conhecer as particularidades deste povo. Muitos indianos acreditam que cada indivíduo foi criado de uma parte diferente do corpo dos deuses e que daí devem seu lugar no sistema de castas. Nas reencarnações seguintes, seus atos serão recompensados ou não, e e eles lhe darão um lugar diferente no sistema de acordo com os méritos conseguidos. Acima desta escala estão os brahmanes (sacerdotes, sábios e professores), depois encontram-se os políticos e militares (chatrias), um pouco acima dos comerciantes, agricultores e pastores (vaishias), seguidos pelos shudras, onde estão os construtores e outros trabalhadores. Bem abaixo encontram-se os dalits ou panchamas, os intocáveis, onde estão os doentes ou membros da sociedade considerados malditos. O casamento entre membros de diferentes castas é proibido, mas os tempos modernos fez com que muitos indianos desafiassem esta restrição.
Esta divisão da sociedade pode ser observada nas roupas, na distribuição geográfica de cada grupo em determinadas cidades, na maneira com que se tratam os integrantes de cada casta e também na maneira com que cada grupo se apropria da riqueza dentro do sistema de produção.


Fora do hinduísmo as culturas locais são tão vastas como complexas. Os sikhs tem seus próprios rituais e interação social, da mesma forma que os muçulmanos, budistas e jainistas preservam culturas próprias.


O vestuário é uma excelente fonte para estabelecer a posição social ocupada por cada indivíduo na Índia. As roupas mais populares são os saris, vestidos utilizados pelas mulheres indianas, cuja confecção e cor podem fornecer dados surpreendentes sobre quem usa. Os homens podem vestir o dhoti, túnica que ficou conhecida mundialmente por ser utilizada pelo pacifista indiano Mahatma Gandhi. Igualmente populares são as Kurtas, casacos longos com carreiras de botões cuja confecção muitas vezes requer elaborados bordados. Também pode-se observar muitos indianos vestidos a maneira londrina ou tentando imitar os rapeiros norte americanos em qualquer cidade do país. Os indianos que usam turbantes e barbas pertencem à comunidade Sikh.


Os expoentes mais tradicionais da música indiana tem suas origens em tempos milenares. Caracterizada por rítmos de uma variação muito ampla e por sua associação com ritos religiosos, a música local tem seus representantes mais famosos em Qawwali, Bauls, Bhangra, Dandiya e Ganasangeet. Os dançarinos de cada região executam diferentes coreografias nos estilos Bhangra, em Punjab, o Bihu em Assam ou o Ghoomar em Rajastán.


A Índia é o maior produtor de filmes do mundo. Em Bollywood, forma popular de chamar a indústria cinematográfica local, concentrada na periferia de Bombaim, foram produzidos milhares de filmes. A sociedade indiana conta com seu próprio universo de superstars, diretores premiados e filmes clássicos.


Na Índia é possível conseguir uma incrível variedade de artesanato e cada região conta com seus produtos típicos. Destacam-se as sedas de Varanasi, os tecidos bordados em ouro de Myosore, as preciosas lãs de Cachemira ou produtos típicos como kurtas ou saris fabricados de algodão de grande qualidade. Os tapetes mais famosos são produzidos na região de Darjeeling e Bhadohi. Na joalheria, os ouríveis de Hyderabaad competem com os de Jaipur na criação de magníficas peças combinando pedras preciosas com ouro e prata. As peças de madeira de sândalo de Karnátaka ou Madrás refletem intricados desenhos bastante apreciados. As ervas e variedades de chá, são uma opção para aqueles que querem relembrar os sabores da Índia, quando estiverem de volta à casa.




Nova Délhi 25°18'46"N 83°0'32"E
Pouco se sabe sobre a fundação de Nova Délhi, mas imagina-se que era habitada no ano de 3000Ac. A cidade começou a ter uma importância mais estratégica no século VII, quando a dinastia Tomara a tranformou em uma próspera comunidade com um desenvolvimento considerável tanto comercial como cultural. Em 1206, foi nomeada capital do sultanato de Délhi. Depois de sucessivas invasões, transformou-se na capital do império mongol, em 1638. A chegada dos britânicos significou a mudança da administração da colônia à Calcutá, enquanto o arquiteto Edwin Lutynes desenhava um novo conglomerado urbano que veria a ser conhecido como Nova Délhi e que na verdade se fundiu com a parte antiga da cidade até que formaram um mesmo conjunto. Em Nova Délhi, que em 1911 voltou a ser o centro político da Índia, é possível visitar inúmeros monumentos e palácios.


O Forte Vermelho engloba 50 hectares e em seu perímetro encontram-se construções imperiais onde o Shah Jahan alojava sua corte. Sua arquitetura é uma mescla de influências muçulmanas e hindus. Ao redor, é possível admirar os maravilhosos jardins cuidadosamente desenhados de acordo com a descrição que o Alcorão faz do paraíso. A Porta da Índia é outro monumento bastante emblemático da cidade. É uma imensa porta de 42 metros de altura, construída em 1931 em homenagem aos 90.000 hindus que perderam a vida nas guerras lutadas pelos ingleses na Europa e no Afeganistão. O templo sikh de Gurdwara Bengla Sahib, destaca-se da paisagem urbana por sua imensa cúpula dourada. É o centro das peregrinações sikhs e hindus, que o consideram lugar sagrado. O complexo de Qutb é famoso por seu imenso e ricamente decorado minarete de 72.5 metros de altura. A mesquita de Queeat ul Islam, construída no ano 1190, faz parte do conjunto arquitetônico e é o primeiro templo muçulmano construído na cidade.


Taj Mahal 27°10′27″N 78°02′32″E
Nos arredores da cidade de Agra, no estado de Utar Pradesh, encontra-se o Taj Mahal, um dos monumentos mais conhecidos e belos do planeta. Sua construção teve início em 1631, quando o imperador Shah Jahnan, líder da dinastia mongol mais poderosa do momento, ordenou a obra em homenagem à sua esposa, Tage Mehale, falecida pouco tempo antes de dar à luz ao décimo quarto filho do casal real. Seu desenho reflete uma harmoniosa utilização dos espaços e uma romântica concepção dos elementos arquitetônicos. O “Armud”, ou cúpula central é sustentada por elaboradas chattris, colunas adornadas em alto relevo e versos do Alcorão, finamente esculpidos. Ao redor foram construídos imensos jardins com fontes, lagos e canteiros cujo objetivo era representar o paraíso, como descrito nos versos muçulmanos.


Templo Harmandir Sahib 31°37'11"N 74°52'35"E
Também conhecido como Templo do Ouro, a construção é o lugar mais sagrado da religião Sikh. Localizado em Armistar, estado do Punjab, recebem os seguidores da religião que são obrigados a visitá-lo pelo menos uma vez na vida. Foi construído entre 1581 e 1606 por ordem do Imperador Akhbar. Os Sikhs resistiram séculos de tentativas de submissão e aniquilação. O Templo do Ouro foi testemunha de fortes combates contra tropas hindus, mongóis e inglesas. Entre 3 e 6 de junho de 1984, foi tomado à força pelas tropas do exército indiano desalojando os rebeldes sikhs que estavam escondidos dentro dele.


Calcutá 22°32′28″N 88°20′16″E
A cidade de Calcutá está situada no estado de Bengala Ocidental. É habitada a pelo menos 2000 anos. Em 1699 os britânicos levantaram o Forte William, do qual lançaram numerosos ataques contra os grupos locais que resistiam à ocupação colonial. Foi no ano de 1722 que Calcutá se transformou na capital do Império Britânico na Índia. Em 1757, após uma rebelião de grupos locais que desalojou os invasores ingleses, a cidade foi retomada pelas tropas britânicas. A instalação em Calcutá da sede central da Companhia das Índias, a mais poderosa entidade econômica da região, transformou a cidade no centro político e comercial do território indiano. Calcutá está tomada por monumentos que testemunham a rica história da cidade. No lado sul, é possível visitar o Templo Kalighat, uma esplêndida construção dedicada à Deusa Kali. O Memorial Victoria, um perfeito exemplo da mistura do estilo arquitetônico inglês e influências estéticas indianas, conserva em seu interior elementos da história colonial e de outras épocas cruciais do desenvolvimento político, artístico e cultural do país. Outra construção que relembra o passado colonial é a Casa de Governo de Calcutá, um exemplo de estilo vitoriano construído para albergar funcionários do poder britânico. Também é possível visitar a Casa do Moribundo, a sede da congregação católica Missionárias da Caridade que ficou famosa pelo obra assistencial de Madre Teresa em Calcutá.


Bombaim 18°57′53″N 72°49′33″E
A atual cidade de Bombaim nasceu de um grupo de sete ilhas habitadas por pescadores drávidas. Os registros arqueológicos indicam que os primeiros assentamentos populacionais ocorreram ao redor do ano 1500 AC, e existem menções em antigos textos gregos que falam da existência deste arquipélago no ano 250 AC. A cidade foi conquistada por imperadores hindus, colonizada por judeus vindos do Yemen e foi também sede de governos muçulmanos. Em 1537 a cidade passou às mãos dos portugueses e com eles chegou o catolicismo, que foi somado às outras religiões que conviviam na cidade. Em 1538 os britânicos tomaram Bombaim e começaram uma estratégia de terraplanagem dos terrenos que foi unindo diferentes partes do arquipélago, até formar o atual território da cidade.
O Museu Prince of Wales refletiu como poucos o estilo arquitetônico desenvolvido pelos ingleses na Índia com elementos tomados da cultura local tanto no que se refere ao hinduísmo quanto ao islamismo. A cúpula Mongol do edifício é quiças o melhor exemplo desse sincretismo. Os admiradores do Mahatma Gandhi podem visitar o Mani Bhasvan Gandhi Museum, construído onde o pacifista tinha seu escritório e onde foram tomadas muitas das decisões transcedentais que o pacifista teve na sua vida política. O Gateway of India, finalizado em 1924 com projeto assinado pelo arquiteto George Wittet, foi concebido como homenagem para a visita do rei inglês George V à Índia e reflete o momento de maior esplendor do poderio colonial dos ingleses na região.


Jaipur 26°55'16"N 75°48'11"
A capital da província de Rajastán é também conhecida como a “cidade rosa” devido à abundante utilização de calcário rosado em constuções e palácios. Foi construída em 1728 por ordem do Maharajá Sawai Jai Singh. Por estar cercada de vizinhos belicosos, a cidade foi envolvida por fortalezas nas quais a função militar foi combinada como o uso de refinadas técnicas decorativas. Uma de suas construções mais imponentes é Hawa Mahal, construído com inúmeros balcões para que a realeza pudesse apreciar as procissões religiosas e a vida dos súditos sem ter que entrar em contato com eles. O observatório de Jantar Mantar, um dos cinco construídos por Jai Singh, foi desenhado para estudo do movimento dos astros e até hoje fornece medidas exatas da duração de cada dia. O Palácio da Cidade é o edifício mais admirado do patrimônio arquitetônico de Jaipur. É a residência do Maharajá, que apesar de haver sido despojado de seus suas funções monárquicas, mantém uma função cultural e de ascenção política sobre a cidade.


Benarés 25°20′N 83°0′E
Segundo a lenda hindu, a cidade de Benarés foi fundada pela deusa Shiva no ano 3100 AC. Durante séculos foi centro do império Kashí e é frequentemente citada nos textos sagrados. Sua posição estratégica às margens do rio Ganges a converteu em lugar de peregrinação e centro comercial de importância. Na beira do Ganges é possível observar os banhos rituais que servem para purificar a alma dos crentes. A tradição budista indica que quem morre em Benarés rompe o ciclo de reincarnações, por isto suas ruas estão cheias de idosos e hospitais para doentes que elegem a cidade para viver o fim de seus dias. A cidade também aloja o Templo Dourado, frequentado somente pelos fiéis hindus. O mesmo acontece com a célebre Mesquita de Gyanvapi, reservada aos seguidores do Alcorão.




A Índia está convenientemente conectada ao mundo através de inúmeras companhias aéreas. Para mover-se pelo imenso país, é possível viajar com umas das diversas linhas que cobrem seu território.


A opção de viajar de ônibus é inconsistente. Algumas companhias conectam lugares turísticos importantes e grandes cidades contam com veículos confortáveis e modernos, outras utilizam veículos que deixaram de ser cômodos há séculos e que a quantidade de passageiros desafia as leis da física.


Os trens na Índia, que cobrem a maioria dos lugares povoados do país, são conhecidos por seu desconforto. Viajar neles pode ser uma aventura inesquecível, onde há que ter disposição para transitar por vagões superlotados, antigos e frequentemente compartido por pessoas e animais. Nestes, o preço é bastante econômico e permitem conhecer em primeira mão o modo de vida da população local.


Os que preferem viajar de carro, devem estar conscientes de que as ruas e estradas são um grande desafio para o motorista. Um trânsito infernal, a presença de animais sagrados que tem preferência na passagem, centenas de motos e bicicleta amontoadas nos cruzamentos e multidões de pessoas caminhando, são apenas alguns dos fatores que deve-se tomar em conta antes de alugar um carro. Sugere-se utilizar os serviços de um motorista que conheça os caminhos e os costumes locais para evitar problemas. Em caso de pressa para atravessar uma zona urbana, a única salvação é uma viagem de helicópter. Tudo na Índia requer paciência.
Nas cidades pode-se viajar em “autorickshaw”, um triciclo táxi capaz de alcançar seu destino em tempo recorde e meter-se por caminhos que um veículo maior nunca chegaria.





Chatny
Conhecido no ocidente como chutney, trata-se de uma variedade de preparados usados como acompanhamento para outros pratos. É preparado através do cozimento de frutas, verduras, ervas e temperos em vinagre e açúcar. Cada mistura pode ser preparada de maneira diferente, mas os condimentos mais utilizados são a canela, o gengibre, o zimbro e o cardamano. O chatny mais popular é o de manga mas também são bastante apreciados os de alho, coentro, côco, maçã, hortelã e laranja.


Chapati
O pão indiano ou “roti” é utilizado para preparar uma comida muito popular cujas raízes são originárias da cozinha nortista da Índia. É preparado com uma mistura de farinha integral, água e sal. Os pães, de uns 15cm de circunferência, são cozidos em panelas bem quentes por aproximadamente um minuto. Quando estão mornos, passa-se manteiga e recheia-se com vegetais ou carne. (Dica: O chapati deve ser comido com a mão direita, já que é considerado de péssima educação usar a esquerda, considerada impura pela tradição local. Caso o chapati for preparado com painço é chamado “bajra roti” ou se é a base de milho, chama-se “makke ki roti”.)


Dosa
O café da manhã típico da Índia contém Dosa, uma espécie de panqueca preparada com arroz e lentilhas. A mistura é feita na noite anterior e pela manhã preparada numa frigideira com manteiga ou óleo. Este prato originário do sul da Índia pode ser acompanhado por ovos, batatas e cebolas fritas além de outros temperos para ressaltar o sabor. (Dica: Existem muitas variedades de dosa. Cada região tem uma receita para seu preparo)


Vada Pav
Na região ocidental da Índia, o Vada Pav representa o prato diário das classes baixas. Preparado com componentes vegetarianos, é muito popular em Bombaim e outras cidades desta região. Consistem em purê de batatas temperado com gengibre, Chaunk (sementes de funcho, cominho e fenacho fritas em azeite de oliva) e ervas. A massa é frita e colocada em pães. É complementado por chutney de manga ou tamarindo. (Dica: por tratar-se de uma comida muito difundiada, é encontrada em ambulantes a preços muito baixos. Por questão de higiene recomenda-se compra-los em restaurantes onde são preparados com maior segurança).


Pakora
A Pakora é um tipo de prato vegetariano que consiste na fritura de diversos legumes ou vegetais. Os pratos mais comuns são preparados com batata, cebola, espinafre, queijo paneer e tomate. Previamente, cada pedaço é empanado com farinha de grão de bico. A farinha é temperada com ovo, bicarbonato e água para realçar o sabor.


Biryani
O Biriyani consiste basicamente de um preparado de arroz basmati misturado com ervas, carnes e iogurte. Cozinha-se em uma panela à qual junta-se cravo, cardamomo, canela, açafrão, coentro e louro. As versões não vegetarianas contém pedaços de frango, carne de cordeiro ou de peru. (Dica: Deve-se esclarecer sempre que tipo de Biryani se deseja comer. Anime-se a provar as infinitas variedades que cada cidade ou restaurante possuem deste prato.)




Bebidas típicas
Nimbu Pani
As altas alturas da Índia podem ser conquistadas com um bom trago de Nimba Pani, uma bebida preparada com suco de limão, água, açúcar ou mel, água de rosas e um pouco de sal. Esta bebida é vendida em qualquer ponto do país e pode ser encontrada em ambulantes de qualquer cidade ou povoado. (Dica: Devido ao sistema de limpeza da água ser realmente muito precário na maior parte do país, é recomendado consumir Nimba Pani em lugares que mostrem bom nível de limpeza ou pedir que seja preparado na hora com água engarrafada.)


Chá
A Índia é o maior produtor de chá e quiças o melhor lugar para saborear as variedades mais famosas da bebida. Toma-se a qualquer hora do dia, especialmente tratando-se de chá preto que é preparado puro, com leite ou limão. Pode-se adicionar açúcar e em alguns lugares também pode ser servido com ervas como cravo ou pimenta. (Dica: ao chegar à uma casa ou loja é comum que se ofereça um chá preto. Aceitar é de boa educação já que a recusa sem uma boa desculpa pode ser interpretada como ofensa).


Lassi
O Lassi deve ser consumido como um manjar e como um digestivo durante ou ao final de uma refeição. É preparado com água, iogurte, pedaços de banana ou manga e ervas, entre as quais deve fazer parte canela, gengibre ou cardamono. Para adoçá-lo utiliza-se mel ou açúcar, ainda que seu saber seja bastante adocicado. É servido bem gelado e é excelente para combater o calor. (Dica: o Lassi tem forte propriedades diuréticas e seus efeitos podem ser bastante imediatos. Existe uma variedade denominada Bhang Lassique, preparada com cannabis, bastante fácil de conseguir em algumas regiões. O efeito do Bhang é muito parecido ao da maconha quando fumada.




pésima educación usar la otras mano, considerada impura por la tradición local.”
• Dentro dos trens indianos, o lugar reservado à cada passageiro é aquele conseguido a base de empurrões e ataques ao próximo. As pessoas que se irritam com o contato físico com estranhos devem evitar os trens.
• Na Índia dirige-se pela direita. A única preferência de mão é dada aos animais sagrados.
• A forma mais comum e extensa de saudação consiste em juntar as palmas das mãos à altura do peito e dizer “namasté” com uma ligeira inclinação do corpo para frente. Usar abraços ou beijos como saudação pode ser considerado ofensa em muitos lugares da Índia. Se não houver outro jeito a não ser um aperto de mão, use sempre a mão direita, já que a esquerda é considerada impura e portanto deve-se evitar seu uso para tocar jóias, comidas, dinheiro ou pessoas em público.
• Na hora de comer é impróprio partir os alimentos com a boca. Para seguir os costumes locais, deve-se partir a comida com a mão direita sem usar o indicador, que é considerado um dedo impuro.
• A maioria dos indianos considera a vaca um animal sagrado. A carne mais comum é a de búfalo, porco, frango ou cordeiro.
• O sinal vermelho pintado na testa das mulheres indianas indica que elas são casadas ou comprometidas. Raramente são usados como adereço.
• Algumas regiões da Índia não são recomendadas ao turismo. Recomenda-se evitar as regiões de Cachemira e Sri Lanka, onde os rebeldes independistas são muito ativos.
• A existência de vastas regiões sem água potável sugere o consumo de bebidas engarrafadas.
• As doenças mais comuns são a cólera, a dengue, a malária, hepatitis, tifo, e em certas zonas tuberculose e lepra.
• Em Nova Délhi, Calcutá e Bombaim os níveis de poluição são extremamente altos, portanto pessoas com problemas respiratórios devem tomar precauções.
• Na primeira quinzena de junho a região leste é assomada por monções que, além de provocar transtornos na infraestrutura de estradas e turismo, representa um perigo para as pessoas.
• Diferentemente do que acontece em outros países, na Índia a gorgeta é dada antes para que se consiga um bom serviço.



          O território indiano é formado pelos Himalaias no extremo norte e nordeste, pela planície Indo-gangética ao norte, a noroeste e a leste, e pelo planalto do Decão no centro. O Decão é flanqueado por duas cordilheiras: os Gates Ocidentais e os Gates Orientais.
          A Índia conta com diversos grandes rios, como o Ganges, o Bramaputra, o Yamuna, Godavari, Kaveri, Narmada e Krishna. O país possui três arquipélagos: as Laquedivas, as ilhas Andamão e Nicobar e as Sundarbans (no delta do Ganges).
O clima da Índia varia entre o tropical, ao sul, e o mais temperado, no norte. Nas regiões setentrionais neva com freqüência no inverno. O clima indiano é fortemente influenciado pelos Himalaias e pelo deserto de Thar. A cordilheira himalaica e o Hindu Kush formam uma barreira contra os ventos frios provenientes da Ásia Central, o que mantém o subcontinente com temperaturas mais elevadas do que outras regiões em latitudes semelhantes. A maior parte da precipitação entre junho e setembro é devida às monções.

Contrastes da grande economia emergente

Cláudio Mendonça*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação - UOL Educação

 

O modelo indiano de crescimento

          Foi a partir de 1991 que a Índia promoveu alterações significativas em seu modelo de crescimento econômico, na mesma época em que o Brasil deu os primeiros passos para inserir-se na economia globalizada.
          O governo indiano realizou amplas reformas econômicas e abriu o país à entrada de grandes investimentos diretos estrangeiros (IDE) associados à indústria nacional e estatal. Nos setores estratégicos relacionados à indústria de base, à extração mineral, à geração de energia, ao refino de petróleo e mesmo à indústria automobilística (Maruti e Tata), garantiu a presença do Estado como acionista majoritário.
          Mais ainda, a indústria bélica e de extração de petróleo são monopólios estatais. No entanto, existe uma série de problemas em relação a estes setores tradicionais da indústria indiana. Muitos trabalham no limite, com equipamentos obsoletos e necessitam de maiores investimentos para se tornarem mais eficientes.

Última década

          Mas não foi nestes setores mais tradicionais que a Índia conquistou destaque na economia mundial, na última década. Ao sul do território, na cidade de Bangalore, foi formado um grande tecnopólo ligado à produção de software.
          Nele estão instalados importantes universidades e centros de pesquisa: o centro de estudos tecnológicos, a Universidade de Bangalore, a Organização de Pesquisa Espacial Indiana, o Instituto Indiano de Administração, o Instituto Indiano de Ciências, o Instituto de Pesquisas Raman, o Instituto Nacional de Estudos Avançados, o centro Jawaharial Nehru para a Pesquisa Científica Avançada, entre outros.
          Não é pouca coisa para uma única cidade. Bangalore é uma espécie de Vale do Silício indiano e conta com profissionais de alta qualificação em grande quantidade, trabalhando por salários bem inferiores que os de profissionais de outros grandes tecnopólos espalhados pelo mundo.
          Outro setor de destaque na Índia são os call centers (centrais telefônicas que prestam serviços de atendimento à clientes, telemarketing, suporte técnico para grandes empresas multinacionais), a serviço principalmente de grandes empresas norte-americanas.
          A terceirização destes serviços empresariais feitas à longa distância tornou-se possível não só devido às novas tecnologias de comunicação, mas também, devido ao fato de que uma parcela significativa da população domina o idioma inglês, herança do domínio colonial britânico.

Mazelas sociais

          A Índia tem 1,1 bilhão de habitantes e cresce em torno de 1,6% ao ano. Mais de 17 milhões de pessoas anualmente são incorporadas ao país. As projeções de crescimento demográfico indicam que, em três décadas, haverá mais indianos no mundo do que chineses.
          Apesar da grande população e o seu grande potencial de mercado terem, também, sido fatores de atração de volumosos investimentos estrangeiros, a maioria da população está à margem das grandes conquistas econômicas que surpreenderam o mundo na última década.
          Os contrastes sociais na Índia são gritantes. O crescimento das grandes metrópoles como Nova Délhi, Mumbai, Calcutá, Madras fez com que se ampliassem o número de favelas e de sem tetos que perambulam e dormem pelas ruas das grandes cidades.
          Outra questão social grave pode ser verificada pela diminuição do número de mulheres no conjunto da população indiana. No último censo (2001) foi registrada a proporção de 927 mulheres para cada grupo de 1.000 homens. De fato existe uma preferência pelo filho homem. As mulheres são vistas como encargo econômico, principalmente no momento que estão em idade de se casar.
          A família da noiva, segundo a tradição, é obrigada a pagar dote que pode representar parte do patrimônio acumulado durante anos de trabalho ou a realizar pagamentos regulares ao marido ou à sua família.
          Assim, são várias as denuncias de infanticídio feminino logo após o parto, praticado pela própria família, ou torturas cometidas pelo marido ou membros de sua família como ameaça à não contribuição regular dos parentes da esposa. Essa tradição criminosa, embora passível de condenação legal - desde 1961 é proibida a exigência do dote -, ocorre por todo o território e nas diferentes castas.
 
*Cláudio Mendonça é professor do Colégio Stockler e autor de "Geografia Geral e do Brasil" (Ensino Médio) e "Território e Sociedade no Mundo Globalizado" (Ensino Médio).



O triângulo dourado - Delhi, Agra, e Jaipur

          O triângulo dourado se refere a três cidades no norte central de Índia que inclui o capital, Nova Delhi, Agra situada no sudeste, e Jaipur que está a uma distância mais ou menos idêntica ao sudoeste.
          Na área de Nova Delhi de hoje, foi fundada antes de 3000 anos atrás. Hoje, a cidade é constituída por duas partes completamente diferentes: a Velha e Nova Delhi. Old Delhi era a capital da Índia muçulmana do século XII ao século XIX. Nova Delhi se tornou a capital da colônia britânica em 1911. Old Deli é composta por ruas sinuosas e cercado por muralhas. A fortaleza vermelha (Red Fort) foi construída de arenito vermelho  como indica o seu nome. Nas áreas externas do forte são encontrados belos jardins e um imponente. Perto da fortaleza encontra-se a maior mesquita muçulmana na Índia, Jamia Masjid. Destaca-se nela, três belíssimas cúpulas e dois minaretes. Outro ponto interessante é Velha Délhi, Chandni Chowk (mercado de Prata). O mercado foi fundada em 1648 e ainda funciona, possuindo coo destaque um minarete de 73 m de altura, o Qutab Minar. Este é o mais alto minarete do mundo.
Nova Delhi tem uma população superior a 11 milhões de habitantes. Com uma rica história e por ser um ponto de importância cultural significativa, Nova Deli tem uma muitas atrações para os turistas e visitantes de todas as classes sociais. O local de culto de Baha'I é uma das estruturas arquitetônicas as mais visitadas no mundo devido a seu projeto imponente da flor de lótus e ao fato que qualquer pessoa pode segui-la não obstante sua religião. Para uma experiência cultural ligeiramente diferente, porque não visitar o Chandni Chowk para uma verdadeira experiência indiana. O mercado, construído pelo arquiteto do Taj Mahal, é famoso por suas características indianas autênticas.
Agra é o repouso do excepcional Taj Mahal, junto com muitas outras vistas excitantes. A cidade é bem  menor do que o capital, com apenas um milhão de habitantes, e está relativamente próxima da fronteira da Índia com o Nepal. O forte de Agra é um palácio murado que abrigou a uma maior parte da administração política  e econômica da Índia no passado: contem muitos edifícios e mesquitas e é considerado até como uma cidade. Fatehpur Sikri é sua própria cidade com aproximadamente 30.000 habitantes.
          Jaipur, ao oeste, às vezes é chamado a cidade cor-de-rosa e possui cerca de cinco milhões de habitantes. A cidade é famosa pela sua infra-estrutura e projeto modernos, e é igualmente local de muitos locais históricos de interesse.

  • Ciência e Tecnologia

          Quase tudo na Índia é espiritualidade, mas na verdade o grande propósito da cultura indiana é o conhecimento, e toda essa importância dada às religiões se deve ao princípio de que o propósito da vida na terra é sair da escuridão da ignorância e chegar à luz do conhecimento. O que muita gente não sabe é que o conceito do Zero nasceu na Índia, e também que a primeira Universidade , com o significado que a palavra deve ter, existiu em Nalanda, no estado de Bihar ,nos tempos ancestrais.
          A matemática do modo como entendemos hoje em dia deve à Índia todo o seu fundamento,pois todo o sistema de numeração é indo-arábico, ou seja, os árabes buscaram na India e difundiram os algarismos que usamos até hoje. A fórmula de Bhaskara que foi criada na Índia é usada para resolver todas as equações de segundo grau.
          A grande contribuição para o mundo além da filosofia , que faz parte da vida e todos os indianos, são os avanços na tecnologia da informação , pois a Índia hoje tem exportando Phd's na área de Softwares principalmente para a Europa e EUA. No Brasil, o Departamento de Microeletrônica da Universidade de São Paulo, USP, o nosso Instituto de Pesquisas Espaciais, INPE, e o IPEN, Instituto de Pesquisas Nucleares contam com profissionais indianos em cargos importantes. No campo da pesquisa espacial, o telescópio Chandra, da NASA, que leva o nome do físico indiano, é superior em tecnologia ao Hubble, mais conhecido por ser responsável por telecomunicações.Outra área importante é a biotecnologia, campo que a Índia domina sobre muitos países.
Atualidade


  •           A contribuição da Inglaterra, país que colonizou a Índia, foi principalmente a introdução da língua inglesa, que permite que haja uma língua comum falada em todos os estados, cada qual com sua língua nativa. Mas, além disso, introduziram o sistema de trens , que cobre todo o país, o telégrafo e toda a modernização nas comunicações. A independência foi conquistada em 1947, após a célebre resistência pacífica liderada por Mahatma Gandhi, o grande personagem do século XX, que deu o exemplo para o mundo, ensinando que a paz é possível. Ele mobilizou a população a produzir os próprios tecidos, para mostrar que não precisavam depender da Inglaterra, por isso vemos sempre seu retrato com uma roca. Isso tornou-se um símbolo e hoje a produção e tecidos é um dos setores mais prósperos . A marcha do sal foi com a mesma intenção, provar que a Índia podia ser auto-suficiente.
          A auto-suficiência é uma realidade, principalmente com relação a alimentos. O fato de ter uma população em grande parte vegetariana, e mesmo os não vegetarianos não comerem carne de vaca porque ela é sagrada, faz com que os espaços não sejam ocupados com pasto, propiciando assim maior incentivo à agricultura. Mesmo que muitas pessoas na Índia não tenham teto, talvez sapato, sempre existe comida fácil e barato, além da disposição de ajudar uns aos outros ser uma coisa natural no indiano.
          Da mesma forma , a população cuida de sua própria segurança.É muito raro assaltos à mão armada, situações de risco desta natureza, pois o povo religioso como todos sabem, tem uma atitude diferente da ocidental perante a miséria , talvez por ter uma cultura que não é baseada no "ter".Mas quando ocorre algo, os próprios cidadãos se encarregam de punir o delinqüente. Todos os templos exigem que se tirem os sapatos e estes são deixados do lado de fora. Mesmo com grande número de pessoas sem poder aquisitivo para comprar um sapato, estes não são roubados.
          Outro aspecto da auto suficiência é o sistema de conselho municipal, chamado panchayati; cinco membros, geralmente mais idosos, portanto mais sábios, que cuidam dos assuntos da comunidade. Isso vem dos tempos ancestrais, decorrente dos clãs, que são chamados gotra, e foi caindo em desuso, mas a autoridade legal desses conselhos foi restaurada oficialmente em 1989 por Rajiv Gandhi. Não há melhor meio de se exercer uma educação em direitos democráticos do que a chance de exercitar eles mesmos. Dois milhões e meio de habitantes das vilas são eleitos para posições no panchayat e o governo exercido por pessoas comuns fazem da democracia um fenômeno genuinamente de massas
          A democracia da Índia é a maior do mundo pela sua população, e o sistema político é parlamentar. Há duas câmaras, a câmara baixa ou "Câmara do Povo" (Lok Sabha) com 544 membros e a câmara alta ou "Conselho de Estados" (Rajya Sabha) co 245 membros . esta última não pode ser dissolvida. Há um Chefe de Estado e um Chefe de Governo, diversos partidos políticos e sindicatos.

O Taj Mahal foi construído entre 1631 e 1648, pelo imperador muçulmano Shah Jahan (1628-58) para imortalizar sua esposa favorita Mumtaz Mahal, também conhecida como Arjumand. É um conjunto arquitetônico que serve de mausoléu para Arjumand, falecida em 1631, devido a complicações de parto.
É um Exemplo da arquitetura Mughal, em que se misturam os estilos arquitetônicos indiano, persa e islâmico. São cinco estruturas principais: a entrada principal, o jardim, a mesquita, o jawab e o mausoléu. Este construído inteiramente em mármore branco, incluindo os quatro minaretes.
O Taj Mahal é uma das mais belas construções já feitas. Patrimônio da Humanidade, tombado pela Unesco em 1983. Localiza-se em Agra, antiga capital do império Mughal, norte da Índia, às margens do rio Jamuna.
Arquitetura

          A arquitetura indiana começou a se definir quando a religião budista tornou-se oficial, no século III a.C. e foi responsável pelo seu desenvolvimento, acrescentando características desconhecidas ate então.
          Quando os muçulmanos conquistaram a Índia no século XVI, introduziram novas formas de arquitetura, surgiram as mesquitas, com suas cúpulas altas e seus minaretes) que são torres elevadas. A mais famosa construção islâmica na Índia é o Taj Mahal, encomendado pelo marajá Shah Jahan, em memória de sua mulher favorita.

Cinema e Arte

  •           A Índia moderna, como todos os outros países, absorveu a cultura ocidental, mas talvez devido ao orgulho de sua identidade própria, sem perder as características culturais. Um grande exemplo é a indústria cinematográfica, que é a maior do mundo. O número de filmes feitos na Índia é maior que em qualquer outro país. A indústria cinematográfica surgiu em Bombay em 1913. Sete anos mais tarde produziu-se em Calcutá o primeiro filme em língua bengali e em 1934 foram inaugurados em Madras os estúdios destinadoss à produção de filmes em tâmil e telugo. Essa é a maior paixão do indiano. Os cinemas vivem lotados, eles adoram seus astros, e o estilo "bollywood" (Bombay é o pricipal centro cinematográfico) se faz presente nas ruas, com músicas que são presentes em alto e bom som em todos os lugares, o colorido que os indianos tanto gostam saindo dos saris, que ainda são uma constante, para as roupas ocidentalizadas, pelo menos nos grandes centros. Mas tudo tem a cara da Índia, não se vê uma invasão cultural como ocorre em outros países, que perdem a sua identidade em nome de serem modernos.
          Esta diversidade colorida, esta mistura de línguas, religiões, saris e turbantes, além de arquiteturas diferentes, é o que o fazem da Índia este "Caldeirão Cultural".A princípio o ocidental acha que um sari é sempre igual ao outro, mas um olhar mais atento vai mostrar que conforme a região o modo de amarrar difere do outro, assim como dependendo da religião vemos os diferentes modos de se amarrar um turbante.
          As religiões são o fator mais determinante nas expressões do povo, como podemos ver em todas as manifestações da arte. A literatura e a poesia nasceram como mais uma maneira de se conectar com o divino, assim como toda pintura ou escultura. Os poemas de Tagore e Kabir são lidos até hoje, e muitos quadros contemporâneos que podemos ver no Museu de Arte de Delhi fazem referência às tradições e mitos.
Apesar de tudo, quem imagina a India um país místico, com cheiro de insenso e cheio de guirlandas e santos vagando pelas ruas, deve saber que é tudo verdade, mas convivendo lado a lado com um povo extremamente progressista, que gosta da modernidade e com uma identidade cultural única no mundo.

  • Cultura e Religião

          Uma das civilizações mais antigas do nosso planeta, a Índia é um país de contrastes. A diversidade de línguas, hábitos e modo de vida não impedem que haja uma grande unidade na cultura do país.Ao mesmo tempo que cada estado tem seu próprio modo de expressão, como na arte, música, linguagem ou culinária, o indiano é profundamente arraigado ao sentimento de amor à sua nação e tem orgulho de sua civilização ancestral, o que mantém vivas até hoje muitas tradições.
          Talvez pela profusão de deuses adorados por diferentes segmentos da sociedade, a tolerância religiosa é algo inerente aos indianos acostumados a conviver com a diversidade, como as línguas diferentes faladas muitas vezes por vizinhos. Nos dias de hoje ocorrem conflitos religiosos, mas isso não pode ser considerado característico.
          Muita coisa causa estranheza no ocidente, pois são muitos símbolos, muitas deidades, muitos rituais. A maioria é relativo ao Hinduísmo, que ainda é a religião com mais seguidores na Índia, seguido pelo Islamismo e o Budismo. O Hinduísmo é tão antigo quanto a civilização da Índia, tanto que a palavra "hindu"é erroneamente usada para dizer " indiano", e toda a simbologia é vista pelos outros países como se representasse a própria Índia.
          "Por quê Ganesha tem cabeça de elefante? Como o ratinho tão minúsculo pode ser o seu veículo? Porque algumas pinturas mostram os deuses e deusas com tantos braços? "Não podemos entender a Índia sem entender o significado de símbolos como o Om , a swastika, o lotus que revelam fatos sobre a cultura do país, desenvolvidos por centenas de milhares de anos. Apenas aqueles que estudaram a cultura intensamente podem entender o significado intrínseco desses símbolos, mas é uma obrigação moral de todo indiano se dedicar ao conhecimento da simbologia cultural da Índia.

.Símbolos

          A principal mensagem dessa cultura é a aquisição de conhecimento e a remoção da ignorância. Enquanto a ignorância é como a escuridão, o conhecimento é como a luz.
          A lamparina, chamada de deepak tem muita importância como símbolo pois, tradicionalmente feita de cerâmica, representa o corpo humano porque assim como o barro, também viemos da terra. O óleo é queimado nela como um símbolo do poder da vida. Uma simples lamparina quando imbuída desta simbologia chama-se deepak e nos dá a mensagem de que toda e qualquer pessoa no mundo deve remover a escuridão da ignorância fazendo o seu próprio trabalho.Nos templos, sempre se oferece uma chama, significando que tudo que fizermos é para agradar a Deus.
          Outro símbolo que causa curiosidade para os ocidentais é o Om, que representa o poder de Deus, pois é o som da criação, o princípio universal, entoado começando todos os mantras. Diz-se que os primeiros yoguis o ouviram em meditação, e esse som permeia o cosmos. É o número um do alfabeto, é o zero que dá valor aos números, é o som da meditação.
          A flor de lótus, presente em muitas imagens, devido ao fato de crescer na água pantanosa e não ser afetada por ela representa que devemos ficar acima do mundo material apesar de viver nele. As centenas de pétalas do lótus representam a cultura da "unidade na diversidade".
          A swastica, que causa estranheza quando é vista, pois para o ocidente é relacionada com o nazismo, é na verdade um símbolo de auspiciosidade, bem estar e prosperidade.Acima de tudo é uma bênção.
          As divindades, com seus muitos braços, cada um deles carregando objetos ou armas, símbolos em si, como o lotus, livro, indicam as direções, a maioria representa os quatro pontos cardeais: norte, sul, leste e oeste. Qualquer poder do espírito supremo é chamado deus ou deusa, apesar de Deus ser Uno e Absoluto. Por isso são tantos, pois são muitas as manifestações de Deus.

Religião
  •           Outra coisa que é absolutamente importante para entendermos a cultura indiana é a crença na reencarnação, que para os hinduístas, assim como para muitas outras religiões, é um preceito básico e incontestável. Somente considerando isso é que um ocidental pode entender o sistema de castas. Na filosofia indiana a vida é um eterno retorno , que gravita em ciclos concêntricos terminando no céu centro, coisa que os iluminados atingem. Os percalços do caminho não são motivo de raiva , assim como os erros não são uma questão de pecado , mas sim uma questão de imaturidade da alma.. O ciclo completo da vida deve ser percorrido e a posição da pessoa em cada vida é transitória. Essa hierarquia implica em que quanto mais alto se chega na escala maiores são as obrigações. A roda da vida cobra mais de quem é mais capaz. Um Brâmane, por exemplo, que é da casta superior, dos filósofos e educadores, tem uma vida dedicada aos estudos e tem obrigações com a sociedade. As outras castas são: Kshatriya, administradores e soldados, Vaishya , comerciantes e pastores e Sudras , artesãos e trabalhadores braçais. Antigamente esse sistema de castas era seguido como lei, mas depois que Mahatma Gandhi, o grande personagem da libertação da Índia, contestou isso em nome dos direitos humanos, hoje na Índia a mobilidade social já se faz presente.
Mas nem tudo é hinduísmo na Índia. O seu maior cartão postal, o Taj Mahal, é uma construção muçulmana, um monumento ao amor, pois foi construído pelo rei para sua amada que morreu prematuramente. É uma das maravilhas do mundo, feito com mármore branco e ricamente decorado com pedras preciosas.
          O Islamismo é fundamentado sobre a crença de que a existência humana é submissão (Islã) e devoção a Allah, Deus onipotente. Para os muçulmanos, a sociedade humana não tem valor em si, mas o valor dado por Deus. A vida não é uma ilusão, e sim uma oportunidade de bênção ou penitência. Para guiar a humanidade, Deus deu aos homens o Corão, livro revelado através do Anjo Gabriel, ao seu mensageiro, o Profeta Maomé, por volta do ano 610 DC. Um século depois, houve a grande invasão a Sind, que hoje está fora da Índia, na região do Paquistão, onde a língua Urdu , introduzida naquela época na região, permanece até hoje .Devido a fatores políticos, o Islamismo se espalhou pelo norte e hoje temos um grande crescimento dos seguidores do Islã por toda a Índia.
          Por volta do século XV o Islã estava dominando o norte da Índia e se tornou muito intolerante, não admitindo a existência daqueles que não acreditavam na sua religião. Os hindus estavam vivendo em condições desumanas, sendo reprimidos e até massacrados e as mulheres eram maltratadas. Por outro lado os hindus , com suas divisões de classes, suas superstições e parafernália de rituais, depois de séculos de invasões e dominação, passaram a ser humilhados em seu próprio país, proibidos de construir seus templos e até velar seus mortos. Nesse contexto surgiu o Guru Nanak , que mostrou que ambas as religiões estavam se distanciando dos princípios de Deus, de paz e amor na humanidade e inaugurou o Sikhismo, uma religião baseada em valores universais : amor, liberdade, dignidade, tolerância, harmonia, amizade, realização pessoal , auto confiança, serviço, caridade e sacrifício. Para um Sikh a geração de riqueza não é irreligioso, se for em benefício da sociedade e não apenas para si próprio. È uma fé baseada na realização de Deus dentro de cada um neste mundo e não depois da morte.
          O Budismo também se faz presente, já que a Índia é a terra onde nasceu Buda, e onde tudo começou. No tempo do Imperador Ashok, o grande rei unificador da Nação indiana, a maior parte se converteu ao Budismo, que alguns chamam de filosofia e não religião, pois não existe adoração a Deus e o ser humano é levado a conquistar a paz interior pelo caminho do meio, ou seja, o equilíbrio. O sofrimento é causado pelo desejo e a prática da meditação é usada para aquietar a mente e procurar atingir o Nirvana, o estado de perfeita paz. As mais impressionantes representações do Budismo da época áurea se encontram nas cavernas de Ajanta e Ellora ,em Aurangabad. Esta última consiste em templos e monastérios erguidos pelos monges budistas , hinduístas e jainistas e contam a história das três religiões.
          A vida do indiano é dividida em quatro fases, e essa divisão se chama Ashrama: a infância , a juventude, que é absolutamente devotada aos estudos, (não existe namoro nesta fase) , o tempo de se constituir família, que é pela tradição arranjada pelos pais (este hábito está caindo em desuso com os tempos modernos) e na velhice a vida é dedicada à realização espiritual. Tal modo de vida mostra a grande importância dada ao conhecimento, e um grande número de indianos , apesar do alto índice populacional do país, e da pobreza que é consequência disso, tem escolaridade e fala mais de uma língua.

O sistema de castas
          A segregação da população indiana é social e religiosa. Ocorre no nascimento, no matrimônio e na vida profissional. Ela se baseia no sistema de castas. Apesar da extinção legal deste sistema em 1947, com a Independência, elas permanecem embutidas nos valores e no cotidiano da sociedade indiana. Na sua estrutura básica o sistema é formado originalmente por quatro castas.
          As mais poderosas são os brâmanes (sacerdotes e nobres), os xátrias (guerreiros) que controlam as principais empresas, a mídia e o poder político. Em seguida vêm os vaixás (comerciantes) e os sudras (trabalhadores braçais). Cada casta tem suas próprias normas e vive rigorosamente separada em relação às outras. O casamento só pode ocorrer no interior da mesma casta, assim como simples atividades como compartilhar da refeição numa mesma mesa.
          Abaixo destas castas principais estão os dalits (considerados párias, impuros ou intocáveis) que exercem os piores trabalhos e são tratados de forma subumana. Eles têm menor acesso à educação, não fazem parte do sistema de amparo social e não podem freqüentar os templos religiosos.
          Recentemente os dalits têm reagido a este sistema de discriminação. Da mesma forma a comunidade internacional e associações de direitos humanos começaram a questionar se o sistema de casta é uma tradição milenar e religiosa, ou uma forma de racismo e instrumento de manutenção dos privilégios das castas superiores.
          No âmbito religioso, existe uma tensão entre as comunidades hindus e muçulmanas - os principais grupos religiosos do país. Originária de cerca de cinco séculos atrás, quando invasores árabes se espalharam pela Índia, a divisão religiosa também foi responsável pela separação de partes do país que se tornaram Estados independentes: Paquistão e Bangladesh.

Fonte:




ÍNDIA: ANTES E DEPOIS DE GANDHI

Influenciada por correntes muçulmanas, colonizada pelos interesses econômicos ingleses e libertada por Mahatma Gandhi, a Índia hoje é um dos países que conta com os maiores níveis de crescimento do mundo. Um país carregado de história e um futuro promissor.

DO PERÍODO PALEOLÍTICO A ALEXANDRE, O GRANDE




Os registros arqueológicos indicam que a Índia é habitada desde o período paleolítico. As primeiras culturas que conseguiram alcançar um nível de desenvolvimento arquitetônico, religioso e agropecuário de importância foram as Harappa e Mohendaro, em torno do ano 3.000 AC. Na verdade, são consideradas como o ponto de partida da cultura indiana. Esta foi uma civilização de alto desenvolvimento urbano, que construiu templos enormes, dedicou-se à agricultura irrigada e manteve um ativo intercâmbio comercial com povos do Golfo Pérsico e Suméria.

A partir do ano 1.200 AC, após a invasão dos povos arianos originários do ocidente, começou a estruturação do sistema social de castas e as principais correntes religiosas do subcontinente com as culturas védicas, jainista e brâmane. Os ocidentais introduziram na Índia o cavalo, armaduras de ferro e o idioma sânscrito, que transformaria-se na base da maioria dos idiomas indianos. A civilização criada pelos arianos, que depois recebeu o nome de védica, encontrou sua base num rígido sistema de castas, no qual os conquistadores faziam parte da nobreza dominante.

Porém no século VII, o rei Dario da Pérsia invadiu o vale do Indo, transformando-o numa província de seu império. Em seguida, chegaram as tropas de Alexandre, o Grande, que além de ocupar uma importante parte da Índia, trouxeram a influência da cultura helênica e o contato com as civilizações ocidentais.

A CHEGADA MUÇULMANA




Do século III em diante, a maior parte do território foi unificado pelo império Gupta, Chalukya e Chola. Foi um momento de esplendor para as ciências, a arte e a economia indianas. Diversos estudos eruditos sobre matemática, astronomia e medicina são realizados. Ademais, foi nesta época que o Kamasutra foi escrito, célebre tratado sobre amor e sexo. Além disto, durante este período, o budismo foi difundido e propagado, tranformando-se na religião dominante, enquanto o império Gupta ocupava os atuais territórios do Afeganistão, Nepal e Bengala. Porém a chegada do islamismo no século VII causou, como era de se esperar, profundas tensões entre os seguidores de Maomé e os budistas e hindus.

No ano 1.000 da era cristã, o império Mongol (dinastia da Ásia Central fundada por Babur no começo do século XVI) subjugou o território indiano, colocando-o sob o domínio de Akbar, o Grande. Em 1296, Ala-ud-din Khalji se auto-proclamou Sultão de Déli e, em 1311, a Índia inteira encontrava-se baixo seu sultanato. Para compensar o poderio muçulmano, em 1336, o Império Vijayanagara é fundado, com capital em Hampi, representando o reino da aliança hindu. Com o passar do tempo, vários levantes dividiram o império e os sultanatos muçulmanos formaram uma nova aliança. Entretanto, em 1565, a coalisão dos sultanatos venceu o exército de Vijayanagar. Por esta razão, o poder da região foi passado aos governantes muçulmanos, cujos reinos foram anexados ao Império Mongol.

A CHEGADA EUROPÉIA




No momento onde a expansão mundial das potências européias era a regra, o desembarque no litoral da Índia não foi uma excessão. A competição entre as potências européias pelo domínio do mercado indiano começou no século XV, quando chegaram as primeiras expedições provenientes da Grã-Bretanha, França, Holanda e Portugal. Em 1498, o navegante português Vasco da Gama chegou ao litoral norte da Índia. Os portugueses fizeram frente à supremacia árabe no Mar Arábico e no Golfo Pérsico e, em 1510 tomaram posse de Goa, cidade que acabou transformada no centro do seu poderio comercial e político na Índia, e que controlaram por quatro séculos e meio.

Os interesses econômicos eram tão fortes quanto os conflitos travados entre as potências que lutavam pelo controle da Índia. Em 1687, a Compania das Índias Orientais britânica instalou-se em Bombai e durante todo o século XVIII esteve numa guerra com os franceses, aos quais finalmente derrotaram em 1784. Foi a partir de então, que as tropas da Compania, comandadas por Richard Wellesley, realizaram a conquista constante e planejada do território indiano.

A Compania das Índias Orientais foi o instrumento através do qual os ingleses dominaram o país, e que com o passar do tempo, trasformou-se na “jóia da Coroa Britânica”,cuja exploração possibilitou o desenvolvimento da incipiente Revolução Industrial no coração do Reino Unido, abastecendo a indústria britânica de matérias primas baratas, de capital e um amplo mercado consumidor. Paralelamente a esta exploração, a economia indiana foi desmantelada. Nos setores da economia em que a Índia representava uma concorrência para a Inglaterra, os britânicos foram implacáveis. Suprimiram a exportação de tecidos de excelente qualidade, produzidos de forma caseira e artesanal, que representavam um obstáculo para a indústria têxtil inglesa. Consequentemente, a ruína desta indústria –primordial na Índia na época- trouxe com ela o empobrecimento maçiço dos camponeses, fazendo com que a terra fosse reorganizada sob o cruel sistema Zamindari, que facilitava a cobrança de impostos, enriquecendo ainda mais o Tesouro Britânico. E, para completar o cenário, os camponeses foram obrigados a mudar sua agricultura tradicional para uma de produtos de exportação de acordo com as novas necessidades do mundo industrializado (índigo, juta, café e chá), o que produziu uma grave escassez. A chave da penetração inglesa na economia e cultura indiana encontrava-se no planejamento das centenas de milhares de kilômetros de ferrovias, o que lhe permitia cobrir todo o território de maneira mais eficiente.

Porém a colonização profunda e decisiva dos britânicos na Índia teve seu início na batalha de Plassey em 1757, logo após derrotar o Siraj Nawab Ud Daulah. A vitória permitiu com que os ingleses ocupassem a região de Bengala, que transformou-se num protetorado, sob a administração da Compania. Desde aí, os ingleses expandiram sua influência até outras regiões indianas, de tal maneira que em 1850 tinham sob seu domínio, a maior parte do subcontinente indiano.

Entretanto, em 1857, uma revolta de soldados indianos que prestavam serviço aos britânicos, teve uma consequência política direta: O Parlamento inglês transferiu o poder político e administrativo da Compania à Coroa, transformando-a na administradora direta das colônias britânicas naquela região até sua independência.

A INDEPENDÊNCIA E UM SÍMBOLO: GANDHI




A Grã-Bretanha impôs seu poderio militar na Índia ajudada por uma hábil manipulação de disputas entre castas e grupos nacionais. Em 1858, a maior parte da Índia passou a fazer parte do Vice-reinado inglês. Foi assim que se criou um forte sincretismo entre as culturas locais e os costumes ocidentais, enquanto o sistema econômico alienava-se, movido pela necessidade de abastecimento de matérias primas da principal potência da Revolução Industrial.

A partir do começo do século XX, os movimentos independistas começaram a tomar mais força. Apesar da Índia apoiar com soldados e recursos o esforço britânico na primeira e segunda guerras mundiais, ao mesmo tempo alimentava a idéia de desfazer-se do jogo que representava o domínio colonial. O advogado hindu Mahatma Gandhi (Mokandas Karmchand Gandhi) propunha a resistência pacífica, as greves e a desobediência civil para desarticular o sistema de obediência, sob o qual o poder britânico era mantido. Ao mesmo tempo, o Congresso Nacional Indiano e a Liga Muçulmana, alentavam diferentes modalidades de combates, políticos ou insurgentes, para forçar os britânicos a conceder a emancipação indiana. Em 1947, após um longo e doloroso processo, onde abundaram os massacres de indianos e prisão de muitos de seus dirigentes, a colônia obteve sua independência. A região central transformou-se na Índia, enquanto as regiões muçulmanas do Paquistão e Bangladesh, formaram um estado separado. A divisão provocou o êxodo de 8 milhões de muçulmanos e sikhs para um lado e 6 milhões de hindus, que pretendiam chegar às regiões onde eram maioria na Índia ou Paquistão.

Pelo menos meio milhão de pessoas de ambos os grupos foram exterminadas por seus adversários religiosos. Esta rivalidade entre muçulmanos e hindus, marcaria uma constante tensão entre a Índia e o Paquistão, que nos anos seguintes terminaria em confrontos militares esporádicos. Choques frequentes também aconteceriam nas fronteiras com a China e incidentes com minorias sikhs de Punjab, os tâmils do Sri Lanka e a maioria muçulmana na região de Cachemira.

HOJE




A Índia passou a fazer parte da comunidade de ex-colônias britânicas, porém equilibrou sua política exterior com uma aproximação aos países do Terceiro Mundo e uma excelente relação com a União Soviética. O nacionalismo dominou os anos seguintes à independência e os planos protecionistas e assistencialistas tentaram de diversas maneiras, com êxitos diferentes, combater à pobreza, o analfabetismo e às condições negativas geradas pelo sistema de castas. Depois de uma séria crise, em 1991 o estado indiano adotou políticas de traço capitalista que, de pouco a pouco, foram desarticulando o intervencionalismo estatal na economia e deram fortes e inéditos índices de crescimento consecutivo. Os economistas prevêem que, no rítmo de crescimento atual, no ano 2020 a Índia se transformará no país mais populoso da mundo, e em 2050, na terceira maior economia.




Atualidade


Uma terra de contrastes aparentemente impossíveis, a Índia captura a imaginação de todos que a visitam. Nenhum outro país oferece uma diversidade tão extraordinária, uma cultura tão complexa, uma infindável variedade de características e de vestuário, tanta beleza em suas paisagens, cores tão vivas e uma sensação tão nítida e poderosa do passado coexistindo com o presente.
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DADOS PRINCIPAIS
ÁREA: 3.287.782 km² CAPITAL DA ÍNDIA: Nova Délhi POPULAÇÃO:  1,080 bilhão (estimativa 2005) MOEDA DA ÍNDIA: rúpia indiana NOME OFICIAL: República da Índia (Bharat Juktarashtra). NACIONALIDADE: indiana DATA NACIONAL: 26 de janeiro (Proclamação da República); 15 de agosto (Independência); 2 de outubro (aniversário de Gandhi). GEOGRAFIA DA ÍNDIA:
LOCALIZAÇÃO: centro-sul da Ásia FUSO HORÁRIO:  + 8 h30min em relação à Brasília CLIMA DA ÍNDIA : clima de monção (maior parte), clima tropical, equatorial (S), árido tropical (NO), de montanha (N). CIDADES DA ÍNDIA (PRINCIPAIS): : Mumbai (ex-Bombaim), Calcutá, Nova Délhi; Madras, Bangalore. COMPOSIÇÃO DA POPULAÇÃO: indo-arianos 72%, drávidas 25%, mongóis e outros 3%  (censo de 1996).
IDIOMAS: hindi (oficial), línguas regionais (principais: telugu, bengali, marati, tâmil, urdu, gujarati).
RELIGIÃO:  hinduísmo 80,3%, islamismo 11% (sunitas 8,2%, xiitas 2,8%), cristianismo 3,8% (católicos 1,7%, protestantes 1,9%, ortodoxos 0,2%), sikhismo 2%, budismo 0,7%, jainismo 0,5%, outras 1,7% (em 1991).
DENSIDADE DEMOGRÁFICA: 329 hab./km2
CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO: 1,6% ao ano (1995 a 2000)
TAXA DE ANALFABETISMO:  44,2% (censo de 2000). RENDA PER CAPITA:  US$ 3.019 (estimativa 2005).
ECONOMIA DA ÍNDIA : Produtos Agrícolas: algodão em pluma, arroz, chá, castanha de caju, juta, café, cana-de-açúcar, legumes e verduras, trigo, especiarias, feijão. Pecuária: bovinos, ovinos, caprinos, suínos, eqüinos, camelos, búfalos, aves. Mineração: minério de ferro, diamante, carvão, asfalto natural, cromita. Indústria: alimentícia, siderúrgica (ferro e aço), têxtil, química e medicamentos.