SOBRE OS CELTAS



Povos brancos, de língua celta (indo-européia) que surgiram na Europa Central no segundo milênio antes de Cristo, na época do Bronze tardio, espalhando-se pelo continente na Idade do Ferro. Foram os introdutores do ferro na Europa no primeiro milênio a.C.. Como entidades políticas independentes perpetuaram-se na Irlanda até o tempo de Cromwell, no século XVIII.
Suas origens são obscuras, complexas e ainda controvertidas. Parecem resultar da fusão de culturas e etnias, processadas nas seguintes etapas sucessivas: A) talvez entre 1900 e 1500 a.C., etapa dos agricultores descendentes dos danubianos neolíticos e dos pastores vindos das estepes, caracterizados por seus túmulos individuais, ânforas globulares, achas de armas e cerâmica decorada com a impressão de cordéis. B) Incorporando a esse produto, na Renânia, entre 1500 e 1200 a.C., traços culturais e elementos dos povos oriundos da Espanha, fabricantes de vasos campaniformes. C) Recebendo de 1200 a 700 a.C. a contribuição cultural e possivelmente étnica das sociedades ditas "campos de urnas", que cremavam seus mortos. D) Acolhendo, durante todo esse período de formação, os impulsos, idéias, influências e traços culturais difundidos pelos povos civilizados do Mediterrâneo.
A primeira referência aos celtas ocorre no século VII a.C., quando ativam seu comércio, principalmente com gregos e etruscos. Nesse período, seu centro expansionista situava-se na região do alto Danúbio (Boêmia e Baviera), de onde se irradiam, difundindo suas armas de ferro e inumações com carros. Conquistam a Gália, parte da Espanha (onde se mesclam aos iberos, originando os celtiberos), as ilhas Britânicas e largas áreas da Europa Central. Sua maior prosperidade e expansão ocorre nos séculos V-IV a.C. (400-390 a.C.), quando invadem o norte da Itália (Gália Cisalpina) e saqueiam Roma. Porém, a partir do século II a.C., a hegemonia celta, mantida na Europa Central desde o século V a.C., cede lugar, aos poucos, aos povos de línguas germânicas, e os romanos, paulatinamente, lhes impõem sua supremacia na Gália Cisalpina (192 a.C.), Numância (baluarte celtibero na Espanha), na Provença e na derrota final dos cimbros e teutões por Mário (102-101 a.C.); no século I a.C., César lhes arrebata a Gália e no século I d.C., Cláudio conquista a Bretanha.
As línguas célticas possuem dois troncos, ambos do grupo dito centum: o celta-Q, ou goidélico, mais antigo, de onde se derivam o irlandês, o gaélico da Escócia e o dialeto da ilha de Man; e o celta-P, ou galo-britânico, língua dos gauleses e dos habitantes da Bretanha, cujos descendentes ainda falados são o galês (no País de Gales) e o bretão (na França).
A organização social dos celtas era baseada em um extenso grupo de famílias aparentadas, que partilhavam suas terras agrícolas. Na Irlanda, foi possível estudar o protótipo de sua organização política, o tuath, ou "reino", estruturado em três classes: o rei, os nobres e os homens livres, a que se agregavam, sem direitos políticos, os servos, artesãos, refugiados e escravos. Eram monógamos, mas admitiam o concubinato. Além dessa estrutura secular, a unidade cultural era assegurada por uma hierarquia de sacerdotes (Druidas), Bardos e conhecedores do direito consuetudinário. Suas normas de mobilidade social eram muito complexas, o que impediu que alcançassem uma estabilidade política. Na guerra eram muito bravos, porém indisciplinados na vida civil. Sua arte é notável, culminando nas iluminuras medievais irlandesas. Gostavam de jóias, cores vivas e bordados. Introduziram na Europa o uso da calça na indumentária masculina e provavelmente inventaram o presunto e o toucinho defumado (bacon).
(Fonte: Enciclopédia Barsa)

A Religião dos Celtas

Os celtas eram politeístas, adoravam vários deuses, e seus ritos, fortemente impregnados de magia, realizavam-se ao ar livre,   em clareiras de florestas e locais junto a fontes ou fossas profundas que eram preenchidas com ossos de animais e outras oferendas. Em determinadas ocasiões, os Druidas, sacerdotes celtas (leia mais abaixo), realizavam sacrifícios humanos, queimando, afogando ou enforcando suas vítimas - geralmente criminosos ou prisioneiros de guerra.
Os sacerdotes celtas eram os Druidas, cujo nome talvez seja derivado de um termo que significa "sabedoria do carvalho", uma referência à arvore mais sagradas para os celtas. Ocupavam uma posição tão elevada na sociedade que os candidatos para a função eram em geral escolhidos entre os filhos da nobreza. Os Druidas oficiavam as cerimônias de propiciação aos deuses e deusas, e eram quase sempre, mas não exclusivamente, homens.
Havia uma poderosa aura de religião e superstição que permeava a vida dos celtas. Eles distinguiam ameaças e presságios por todos os lados e cercavam-se de talismãs e rituais destinados a aplacar os deuses e afastar os malefícios da vida cotidiana. Os pântanos eram locais agourentos e eram evitados. O fogo era sagrado. Um ramo novo de visco, especialmente quando encontrado no carvalho, tinha o poder de curar as pessoas e até mesmo de torná-las férteis.
Do panteão celta faziam parte centenas de divindades, a maioria agrupada ao acaso, sem qualquer hierarquia. Havia dezenas de deuses e deusas de âmbito geral, ao lado de divindades especializadas como as que protegiam os ferreiros, as que tomavam conta dos animais com chifres ou mesmo a dos oradores.
   
Os Druidas
 
Os Druidas eram sacerdotes e sarcedotisas dedicados ao aspecto feminino da divindade: a Deusa. Mas eles sabiam que todas as nossas idéias a respeito da divindade eram apenas parciais e imperfeitas percepções do divino. Assim, todos os deuses e deusas do mundo nada mais seriam que aspectos de um só Ser supremo - qualquer que fosse a sua denominação - vistos sob a ótica humana.  
Eles não admitiam que a Divindade pudesse ser cultuada dentro de templos construídos por mãos humanas, assim, faziam dos campos e das florestas mais suaves - principalmente onde houvessem antigos carvalhos - os locais de suas cerimônias. O bosque era o lugar sagrado onde se adoravam os deuses, faziam-se os sacrifícios, reunia-se o povo para os atos religiosos. O termo Nemeton significa esse fato e numerosas são as localidades, da Ásia à península Ibérica, em cujo nome ele está presente. Assim, Drunemeton (Galácia), Nemetacum ou Nemetocenna, na região dos atrébates, na Gália Bélgica, que mais tarde se transformou em Atrebati, donde o moderno Arras; Nemetobriga (Galiza, Espanha), Nemetodurum (Nanterre, França), Augustonemerum (Clermont-Ferrand, França); Vernemetum (em Nottinghamshire, Inglaterra), Medionemetum (sul da Escócia), etc. A idéia central do druidismo era a de que da união da deusa Mãe-Terra com o deus tribal procedia o vínculo da tribo com seu território, simbolizando e garantindo a prosperidade da descendência, do gado, da agricultura, bem como o sucesso na guerra.
Os Druidas eram parte da antiga civilização Celta, povo que se espalhava da Irlanda até vastas áreas no norte da europa ocidental, incluindo a Bretanha Maior e Menor (Inglaterra e norte da França) e parte do extremo norte da península ibérica (Portugal e Espanha). Dominavam muito bem todas as áreas do conhecimento humano, cultivavam a música, a poesia, tinham notáveis conhecimentos de medicina natural, de fitoterapia, de agricultura e astronomia, e possuíam um avançado sistema filosófico muito semelhante ao dos neoplatônicos. A mulher tinha um papel preponderante na cultura druídica, pois era vista como a imagem da Deusa, detentora do poder de unir o céu (o Deus, o eterno aspecto masculino) à terra (a Deusa, o eterno aspecto feminino). Assim, o mais alto posto na hierarquia sacerdotal druídica era exclusividade das mulheres. O mais alto posto masculino seria o de conselheiro e "mensageiro" dos deuses, e, entre outas denominações, recebiam o nome de Merlin.  
Desde a dominação romana, a cultura druídica foi alvo de severa repressão, por isso hoje sabemos muito pouco sobre deles, apesar de o próprio Júlio César reconhecer a coragem que os druidas tinham em enfrentar a morte em defesa de sua cultura. Sabemos que eles possuíam suficente sabedoria para marcar profundamente a literatura da época, criando uma espécie de aura de mistério e misticismo (e eles, de fato, eram místicos), sendo reverenciados e respeitados como legítimos representantes dos deuses.  
O povo celta, como um todo, construíra-se dentro de uma tradição eminentemente oral, ou seja, não usavam a escrita para transferir seus conhecimentos fundamentais - embora conhecessem uma forma de escrita chamada rúnica. Por isso após o domínio do cristianismo - que no início foi bem recebido pelos próprios druidas, quando o poder da Igreja de Roma ainda não era suficientemente forte e corrompido a ponto de distorcer a mensagem básica de Jesus de tolerância e amor - perdemos muito desta maravilhosa civilização, e, juntamente, perdemos muito da história dos Druidas, e até hoje muita coisa permanece envolta em mistério: sabemos que realmente eles existiram entre o povo Celta, porém eles não eram propriamente originários desta civilização, então de onde vieram os Druidas? Seriam eles os tão terríveis bruxos avidamente perseguidos pelo fanatismo cego e ambicioso da Igreja Católica Romana? Foram eles quem ajudaram o bretões a se livrarem dos saxões? Teria realmente José de Arimatéia (discípulo de Jesus) encontrado abrigo entre eles? A história dos Druidas se esconde freqüentemente entre diversas lendas, como a do Rei Arthur, onde Merlin e a meia-irmã de Arthur, Morgana, eram Druidas.  
Na verdade quando estudamos sobre os Druidas, temos diante de nós apenas fragmentos de narrações, algumas lendas e muita oposição eclesiástica, cujo ódio aos Druidas e a todos os outros povos pagãos é forte demais para que seus textos nos sejam uma fonte confiável de informação. A sensação que temos é a de embarcar num mundo totalmente diferente, mágico, fantástico, como se tomássemos a lendária barca que nos leva à ilha sagrada de Avalon, cercada de brumas, onde vive um povo incrível e misterioso.
Das poucas coisas que sabemos sobre eles, temos a certeza de que os Druidas acreditavam na imortalidade da Alma, que buscaria seu aperfeiçoamente através das vidas sucessivas (reencarnação). Eles acreditavam que o homem era o responsável pelo seu destino de acordo com os atos que livremente praticasse. Toda a ação era livre, mas traria sempre uma conseqüência, boa ou má, segundo as obras praticadas. Quanto mais cedo o homem despertasse para a resposabilidade que tinha nas mãos por seu próprio destino, melhor. Ele teria ainda a ajuda dos espíritos protetores e sua liberação dos ciclos reencarnatórios seria mais rápida. Ele também teria a magna responsabilidade de passar seus conhecimentos adiante, para as pessoas que estivessem igualmente aptas a entender essa lei, conhecida hoje por lei do carma (que é uma denominação hindu, não druídica).
Os Druidas desapareceram paulatinamente da história à medida que crescia o domínio da Igreja de Roma. Os grandes sacerdotes Druidas eram conhecidos como as serpentes da sabedoria, e, numa paródia sem graça, São Patrício ficou conhecido por ter expulso "as serpentes da Bretanha". Mas o fascínio destas pessoas não poderia desaparecer de repente. Eles se perpetuaram nos romances dos menestréis e trovadores medievais, e sua influência se fez sentir nos vários movimentos místicos e contestatórios da Idade Média, especialmente entre os Cátaros e na Ordem dos Templários.
Bibliografia Sugerida:  
• Marion Zimmer Bradley: As Brumas de Avalon, Imago Editora, São Paulo,1990.  
• Os Celtas, Coleção Povos do Passado, Círculo do Livro, São Paulo, 1996.

  A Roda do Ano Celta

Quando os raios do sol diminuem sua intensidade ao cair da tarde é o momento de nos prepararmos para mais um dia. O povo Celta, assim como outros povos de origem pagã, celebram o começo dos dias através do anoitecer.  
Cada anoitecer nos faz lembrar que a Deusa, com sua magia e seus mistérios, reinará através da Lua, das emoções, e das intuições, mostrando-nos que enquanto os homens se acalmam e repousam depois de um dia intenso de trabalho, os sacerdotes e sacerdotisas começam o semear de um novo dia.  
O Deus, que também descansa durante a escuridão, se prepara para um novo nascer, para um novo brilhar, para um novo amanhecer.  
Esse acordar e dormir, descansar e trabalhar, morrer e nascer, fazem do dia e da noite momentos muito preciosos e de intensa comunhão entre o masculino e feminino. É preciso que as duas polaridades estejam em perfeita sintonia para que a Natureza possa se manter equilibrada. Da mesma maneira, como a imagem refletida é o complemento da imagem projetada, homens e mulheres precisam estar juntos para que a comunhão perfeita entre o Deus e a Deusa possa refletir em momentos de intensa união e perfeição.  
Esses momentos de equilíbrio entre o dia e a noite, marcados pelo pôr do sol, a metade da noite, o nascer do sol e a metade do dia, se tornam de extrema importância para magias. Da mesma forma, os momentos entre cada um desses pontos também se tornam importantes. Em um suposto tempo linear: os quatro momentos principais seriam: 6h, meia noite, 6h e meio dia; e os secundários: 9h, 3h, 9h, e 3h.  
Sabendo que o universo é perfeito e que tudo que há no macrocosmos tem seu correspondente no microcosmos, muitas vezes é preciso entender o micro para alcançarmos e sentirmos a importância do macro. Para muitas pessoas fica mais fácil compreender o universo através de pequenos momentos do dia-a-dia para se ter uma real noção da extensão dos grandes momentos.  
Como podemos ver existem quatro momentos do dia ( 24h ) que são pontos vitais, e há quatro pontos secundários que são pontos de equilíbrio. No processo de imagem refletida para imagem projetada, temos no ano ( 365 dias ) quatro momentos vitais: o primeiro dia do ano e o primeiro dia do quarto, sétimo e décimo meses – dias que caem na divisão exata do ano em quatro partes iguais, em quatro elementos. Temos, também, quatro momentos secundários: a entrada de cada uma das quatro estações, delimitadas pelos solstícios e equinócios. Assim nossa roda do ano esta formada e em eterna harmonia com o universo.  
Esta era a maneira de pensar e agir dos Celtas, que tinham seu calendário baseado nesses oito momentos do ano, quando reuniam-se em clareiras e templos para festejar ritualisticamente essas oito datas. A cada uma delas deu-se um nome: 
* Ao início do ano, Samhain ( 1º de novembro );
* Yule ( solstício de inverno – em torno de 21 de dezembro );
* Imbolc (1º de fevereiro );
* Equinócio da Primavera ( em torno de 21 de março);
* Beltane (1º de maio );
* Midsummerm solstício de verão – em torno de 21 de junho );
* Lughnasadh (1º de agosto ); e
* Equinócio de Outono ( em torno de 21 de setembro ).  
Esta ordem e os meses correspondentes aos sabás estão de acordo com o hemisfério norte – lugar de onde vêm os Celtas. As descrições de cada sabá encontram-se em O Paganismo, nesta homepage.

Os Bardos

Os bardos eram os menestréis dos antigos povos celtas que, acompanhados de suas harpas, cantavam os feitos dos deuses e heróis, ora nas reuniões palacianas, com cantos de amor e aventuras, ora nos acampamentos militares ou à frente das tropas, nos momentos das guerras, incitando-os à luta. Difundiram-se entre os galeses, escoceses, irlandeses e ingleses, e passaram à Bretanha francesa no século V, sofrendo influência do cristianismo em sua temática.
Cada família nobre orgulhava-se de seus bardos favoritos. Na Irlanda houve até escolas para a sua formação. Nesse país, suas canções, guardaram e transmitiram oralmente grande parte de sua história nacional. No País de Gales, gozavam de regalias especiais, como isenção de impostos e serviço militar.
Depois do século XII até a morte da rainha Elizabeth I (1603), organizavam-se espetáculos ou festivais de canto e poesia, os Eisteddfod (congresso), nos quais se exibiam os bardos. Os vencedores recebiam como prêmio o direito de figurar como bardos oficiais ou músicos de igrejas. No século XIX, procedeu-se à reorganização dos  Eisteddfods, transformando-se o festival em uma instituição importante e estimulante para a vida intelectual e artística do País de Gales, com celebração anual, ora no norte, ora no sul, por meio de concursos de prosa e poesia e de música instrumental e vocal. Na Escócia, a despeito da influência da poesia dos bardos, sua importância nunca foi a mesma. Faltou-lhes a organização dos bardos galeses.
No século XVI, o termo bardo possui uma conotação de menosprezo. Na linguagem atual, a palavra tem dois significados: a) de modo geral, um poeta; b) especificamente, um grande poeta, com caráter e significados nacionais, no qual o povo reconheça o intérprete de sua língua e sentimentos.
(Fonte: Enciclopédia Barsa)
* * *
Nas lendas arthurianas (leiam "As Brumas de Avalon", de Marion Zimmer Bradley) temos dois grandes bardos: Taliesin e Kevin. Além de bardos, detinham também o título de Merlin. Primeiro foi Taliesin, conselheiro do grande Rei Arthur e também era considerado o maior bardo da Britânia. Porém, devido à sua idade avançada, foi escolhido Kevin para substituí-lo. Uma particularidade deste é que ele era aleijado, e mesmo sendo corcunda e tendo suas mãos disformes, tocava maravilhosamente bem a sua Harpa, a qual Kevin se referia como sua amada. Ambos, entretanto, eram quem animavam as festas da corte de Arthur, com seus versos que cantavam o amor e histórias de cavalaria, sejam elas verdadeiras ou não. Eram conhecidos por todos pelos seus versos e músicas.
Pode-se dizer também que, em parte, os bardos foram responsáveis pela mitificação das bruxas e dos cavaleiros medievais. Seus versos transmitiram a gerações as histórias sobre essas figuras tão importantes na Idade Média. Apesar de que a maioria dos cantos dos bardos era inventada, sua contribuição cultural é muito importante. Graças a eles, temos ainda hoje preservadas muitas lendas e muitas versões delas, como por exemplo, as fascinantes histórias que tratam do Rei Arthur. Essas lendas também têm influenciado muito os escritores da atualidade, que fazem reviver os personagens, sejam eles fantásticos, míticos ou até mesmo reais, daquela época distante chamada Idade Medieval.        
***

O Caminho do Bardo

Para trilharmos este caminho vamos nos entregar à idéia abstrata do trabalho e do propósito alcançado ao examinarmos:
O que ele é. O que ele deve saber. O que ele deve tornar-se. Este último ponto é, de longe, o mais importante, porque determina o seu futuro. Seu trabalho, como também o do 0vate, apresenta um grande leque de possibilidades e de realizações, tão amplo que sua definição não caberia em qualquer outro livro que não o Grande Livro da Natureza.
Foi por meio da atividade inteligente dos Bardos, mantenedores da língua e da Tradição, que as obras de seus antepassados puderam ser conservadas (Myrddin-Merlin, Aneurin, Taliesin, por exemplo). Também, foi graças a eles que se tornou possível a transcrição do "Mabinogion", que codifica uma parte da Tradição Oral, assim como do Barddas e das Tríadas que atualmente ainda são ensinadas.
O Que Ele É
É, antes de tudo, um filósofo no sentido primordial da palavra, isto é, um amigo da sabedoria. É um mágico do verbo, falado e escrito. A partir destes fatos, as funções a seguir lhe são bem apropriadas:
Ele é sobretudo poeta, artista e escrivão e, quanto a isto, está sob a proteção da Tripla Deusa Brigite (Arquétipo inspirador das obras) e sob a influência de Ogmios (o Arquétipo das ligações entre deuses e homens, e da eloqüência).
O Bardo é músico, o que distribui o louvor e a censura sem fazer uso da escrita. Lembremo-nos de que, para a Tradição Druídica, a palavra (principalmente, embora não unicamente, escrita) é inferior, em transmissão e dignidade, ao pensamento.
Ele tem também por atribuição tanto a história e a genealogia quanto a literatura, a diplomacia, a arquitetura. Ele conserva o fundo lendário das antigas crenças.
Ele deve conhecer a maior parte das outras formas de sabedoria, de filosofias. Mas, procurará, mais particularmente, aprofundar-se na sabedoria contida na Via Druídica. Esforçar-se-á em assimilá-la bem e cogitar em seguida.

O Que Ele Deve Saber
Estudar e aprofundar ao máximo a mensagem, o simbolismo, o espírito contido nas Tríadas, e poder comentá-las.
Estudar o conjunto da Tradição Druídica, os contos, as lendas, os símbolos tão ricos, tão variados e tão determinantes para sua evolução, para seu futuro na Fraternidade dos Druídas.
Estudar com atenção a Natureza e suas forças captadas tanto sobre a terra quanto no céu. Conhecer e empregar a magia do verbo ligada às condições, ao conjunto e ao ambiente do mundo no qual evolui.
O Bardo, sendo um instrumento do Verbo e do Sopro, tem a função de realizar a concordância, de buscar a harmonia.
Ele ajuda, segundo suas capacidades e seus meios, a elevar o nível espiritual da humanidade à qual pertence.
Ele é o cervo ou a corça. Ele bebe na fonte e segura a seiva na raiz. A Bétula é a sua árvore, a avelã seu alimento.
Ele pratica o número e a medida, a analogia e a simbólica.

O Que Ele Deve Tornar-se
Um trabalhador sincero e sério, competente e atento aos conselhos dados pelos Druídas encarregados de o amparar e de o guiar.
O Bardo deve dominar absolutamente o verbo e a palavra, a fim de dizer o que deve ser dito, sem rebaixar-se nem se comprometer. Ele não está aqui para agradar, mas para transmitir, preservar e aumentar a sabedoria dos antigos, a fim de deixar para aqueles que vierem posteriormente, referências sólidas, um poço, ainda mais profundo, de conhecimento e de uma ciência justa.
O trabalho que deve realizar ele o faz, só, no silêncio profundo da meditação, lembrando-se de que esta é "uma concentração inflamada sobre o Eu majestoso". Desta meditação, que deve ser assídua e amparada, jorrará a intuição genial, tão cara ao Coração dos Druídas e base de sua filosofia. O Bardo provará que se refere ao ser interior, ao homem verdadeiro e não ao homem exterior, versátil e afogado nos pensamentos de outrem.
Procurará aguçar sua memória e seu sentido de observação. A memória lhe servirá, mais tarde, para ensinar e a observação lhe permitirá permanecer com "os pés no chão", pois, caso contrário, pode se produzir o perigo do "desprendimento", perigoso para seu equilíbrio e para seu futuro. Após isto, verá, com certeza, que para progredir deve amar, criar e aprender.
Amar no sentido do respeito à Natureza e às suas leis e no sentido do poder manifestado, porque a caridade sem poder é como uma árvore sem sua seiva.
Criar, pela magia do verbo, das formas-pensamento poderosas e positivas, dos poemas e cantos.
Aprender, para conhecer o mais profundo de seu ser. Não julgar, nem para medir, mas para constatar o porquê de um evento, de um ato. Para criar o Verdadeiro diante do mundo, removendo tudo o que é suscetível de levar o homem a cair e lhe arrebatar, desta forma, seu lugar no Cosmos.
Também deverá aprender a escutar, a perceber e a compreender.
Escutar o canto contínuo da criação que se difunde em ondas multicoloridas em todas as formas de manifestação.
Perceber as mensagens dos guias, dos "Devas" e de todos os que, como ele, buscam a Luz.
Compreender que o Homem sempre será o mestre de seu destino, visto que tem a possibilidade de escolher seu futuro; que a beleza do mundo reside na diversidade. O princípio unitário só pode existir quando sustentado pela diferença, que a verdade reside na beleza.
A Terra é sua Mãe. Ele trabalha para o desdobramento de todas as forças sagradas. Ele é o homem do rio, o homem da clareira. Ele é o Melro do Um .
O caminho do Bardo é traçado na Mãe Natureza e é por esta única senda e pela iniciação feminina, amorosamente vivida no próprio seio da Terra, que sua alma receberá a marca indelével do fogo e do orvalho, que o farão um filho nascido das grandes forjas da Vida.

Fonte:http://marged.vilabol.uol.com.br/

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