A EVOLUÇÃO DA FORMA - Jalal ud-Din Rumi



A evolução da forma


Toda forma que vês
tem seu arquétipo no mundo sem-lugar.
Se a forma esvanece, não importa,
permanece o original.

As belas figuras que viste,
as sábias palavras que escutaste,
não te entristeças se pereceram.

Enquanto a fonte é abundante,
o rio dá água sem cessar.
Por que te lamentas se nenhum dos
dois se detém?

A alma é a fonte,
e as coisas criadas, os rios.
Enquanto a fonte jorra, correm os rios.
Tira da cabeça todo o pesar
e sorve aos borbotões a água deste rio.
Que a água não seca, ela não tem fim.

Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti,
para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode ser isto segredo para ti?

Finalmente foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo; um punhado de pó
vê quão perfeito se tornou!

Quando tiveres cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.

Passa de novo pela vida angelical,
entra naquele oceano,
e que tua gota se torne o mar,
cem vezes maior que o Mar de Oman.

Abandona este filho que chamas corpo
e diz sempre Um; com toda a alma.
Se teu corpo envelhece, que importa?
Ainda é fresca tua alma.

Jalal ud-Din Rumi



Celebrado como o poeta do amor e o maior dos místicos islâmicos, Jalal ud-Din Rumi (1207-1273) é um entusiasta do amor universal. Nascido na região da Pérsia – hoje Afeganistão – o sufi passou pelo Irã e faleceu na Turquia. Era um erudito professor de teologia quando viu sua vida mudar após um encontro com a figura misteriosa do monge Shams de Tabriz. O grandioso encontro rendeu a Rumi uma experiência mística do amor que transformaria sua vida para sempre.

Seu reconhecimento ao monge foi tão grande que lhe dedicou um livro com 3.230 versos, o Divan de Shams de Tabriz. Divan significa coleção de poemas. Rumi produziu também o Masnavi (poemas de cunho reflexivo) e o Rubaivat (Canção de amor a Deus).

A sensibilidade e a expressão do amor em Rumi é tão forte que enlaça tudo - a natureza, as pessoas, Deus, o universo - numa unidade só. Seu misticismo desafia a razão ao ultrapassar a dimensão individual e trazer a tona o momento em que o ser descobre a si mesmo como parte de um Todo complexo e amoroso.
Sua paixão divina foi tanta que lhe inspirou inventar uma dança cósmica, a sama. Inspirada no movimento dos astros, na dança cada ser dançante é chamado de dervixe e gira em torno de si e ao redor de um eixo que representa o sol. A idéia é cada dervixe se sinta como um planeta girando ao redor do sol, que é visto como Deus.

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