AMOR-DE-HOMEM EM OFERENDA - QUEM TEM MEDO DE BRINCAR DE AMOR ?

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“Avoa”, disse ele soprando.
E o vento que refrescava aquele meio-dia quente de sol nu, levou essa pétala de dente-de-leão que antes repousava entre seus dedos longos: entre seus sonhos. Seus pensamentos só eram de que o vento – esse mesmo vento que leva a pétala – que o vento traria um amor assim para ele.
É que dizem que quando se sopra uma pétala dessas de dente-de-leão (esse amor-de-homem) pensando ou pedindo um amor, dizem que quando você a vê retornar é sinal de que o amor, aquele amor que foi pedido, está próximo.
Então ele esperou pela pétala. Pelo vento. Pelos ares. Uma espera de desejo íntimo revelada somente nos olhos. Mesmo quando eles dormiam. E foram tantas noites, tantas lágrimas, tantos ventos alheios a ele. Tempo que nem se conta.
Até que veio janeiro.
E com janeiro veio aquele sorriso colorido de linhas tão amáveis. Vieram os braços que apertavam, os olhos que amavam, veio o coração que existia. Aquele amor para ele.
Serendipite.
Adentrou-lhe todas as portas e janelas. Deitou-se na cama: em seu corpo. Em seus pelos: fez aconchego. Dois.
E quando o vento lhe trouxe de volta aquele dente-de-leão, que pouso manso em seus pés, sob um mesmo sol, ele já sabia de antes, pois seu coração – que não era apenas seu agora – o coração já havia lhe tatuado amor nos dentes amarelos e em sua carne.

Fonte:http://cronicaseplatonismos.blogspot.com/