O SONHO DO PLANETA - CULTURA TOLTECA E A CIVILIZAÇÃO CONTEMPORÂNEA


Com base na filosofia ancestral, Don Miguel Ruiz faz uma crítica feroz aos condicionamentos da vida moderna, que conformam todos os indivíduos a uma ideologia alienante e anestésica, que anula o livre arbítrio e a lucidez da consciência: trata-se do "Sonho do Planeta", que serve de pretexto para as reflexões astrológicas de Valdenir Benedetti.

Introdução

Este texto "aconteceu" em um dia qualquer, encantei-me com o texto de Don Miguel Ruiz em um livro que achei na estante do fundo de uma livraria de Salvador (Os Quatro Compromissos, Ed. Best Seller), e sua leitura foi ficando mais clara na medida em que eu digitava trechos do livro e interpretava-os de acordo com a linguagem astrológica, como eu a pratico.
Durante a conjunção Júpiter-Vênus, resolvi fazer um pequeno ritual de doação e publiquei o texto analisado na lista de Astrologia Stellium, dividindo-o em dez partes.
Alguns dias depois, escrevi a segunda parte do Sonho do Planeta, já com uma visão mais astrológica dos caminhos para se libertar ou se confrontar com este grande sonho em nossas vidas. Agora, aí está o texto completo para ser usufruído e compartilhado por mais pessoas.
A única intenção é fazer uma reflexão sobre um componente importante da cultura Tolteca, o Sonho do Planeta. Apenas isto, sem maiores compromissos, a não ser o de usar a Astrologia para termos mais um instrumento para compreendermos o Sonho no qual todos estamos de certa forma submersos.

Quem é Don Miguel Ruiz
Nascido em uma família de raízes indígenas, no interior do México, Don Miguel Ruiz cresceu em contato íntimo com a tradição tolteca, mantida viva por sua mãe curandeira e por seu avô, que era um nagual (xamã). Don Miguel Ruiz foi educado para ser também um nagual, mas o contato com a vida moderna acabou levando-o a estudar medicina e a tornar-se cirurgião e professor de cirurgia. Uma profunda crise pessoal reaproximou-o de suas origens e fez com que se dedicasse intensamente durante vários anos ao estudo da tradicional sabedoria tolteca.
O trabalho de Don Miguel concentra-se na questão da emergência do "Sexto Sol" do calendário maia, profetizado pelos ancestrais como um período de excepcionais mudanças planetárias e pessoais. Na tradição tolteca, um nagual é alguém com a função de orientar outras pessoas no sentido da obtenção da liberdade pessoal. Com base na filosofia ancestral, Don Miguel faz uma crítica feroz aos condicionamentos da vida moderna, que conformam todos os indivíduos a uma ideologia alienante e anestésica, que anula o livre arbítrio e a lucidez da consciência. Sob muitos aspectos, a visão de Don Miguel lembra as idéias de pensadores como Herbert Marcuse e Ivan Illitch, que tanto influenciaram a juventude dos anos sessenta. É exatamente esta crítica ao que Don Miguel chama de "Sonho do Planeta" que serve de pretexto para as reflexões astrológicas de Valdenir Benedetti, cuja primeira parte publicamos neste número.

Imposição cultural, domesticação e o papel de Vênus

O que você está vendo e ouvindo neste momento não passa de um sonho. Você está sonhando neste momento. Está sonhando com o cérebro acordado.
Sonhar é a principal função da mente, e os sonhos da mente duram vinte e quatro horas por dia. (...) A diferença é que, quando o cérebro está acordado, existe uma moldura material que nos faz perceber as coisas de forma linear. Quando vamos dormir, não temos essa moldura, e o sonho possui a tendência de mudar constantemente.

Esta é uma forma de ver a realidade como uma projeção da mente. Se pensarmos no horóscopo e olharmos esta idéia sob o prisma da Astrologia, podemos entender que os símbolos, como nós os interpretamos, são leituras deste sonho coletivo, e que seu verdadeiro significado permanece oculto na "moldura" de nosso sonho da realidade.
Talvez seja momento de, se pretendermos acordar de fato, começarmos a perceber que pode haver outra leitura, outra interpretação para os símbolos astrológicos. Neste caso, se chegarmos a uma percepção dos significados dos sonhos além das imposições deste Sonho do Planeta, estaremos a caminho da libertação, estaremos indo em direção ao Acordar, usando a Astrologia!

Os seres humanos não estão sonhando o tempo todo. Antes que nascêssemos, os que existiam anteriormente a nós criaram um grande sonho externo que denominamos sonho da sociedade ou sonho do planeta. O sonho do planeta é um sonho coletivo de bilhões de sonhos pessoais menores. (...) Inclui todas as regras da sociedade, suas crenças, suas leis, suas religiões, suas diferentes culturas e formas de ser, seus governantes, escolas, eventos sociais e feriados.

É impressionante como a visão que temos da Astrologia e suas funções está comprometida e submetida a este Sonho do Planeta. Não conseguimos nos livrar deste sonho, destas regras existenciais e morais que existiam antes de nascermos. Isto vale para cada palavra dita sobre um horóscopo, e isto vale também para as regras de interpretação, para os significados que atribuímos aos planetas.

Nascemos com a capacidade de aprender como sonhar, e os seres humanos que viveram antes de nós nos ensinaram a sonhar da forma que a sociedade sonha. O sonho exterior possui tantas regras que, quando um novo ser humano nasce, captamos a atenção da criança e apresentamos as regras à mente dela. O sonho exterior usa Papai e Mamãe, as escolas e a religião para nos ensinar a sonhar.

Astrologicamente - mesmo que ainda estejamos usando a Astrologia no plano do Sonho do Planeta - cada um dos símbolos planetários tem uma correlação com nossa capacidade de criar significados internos para o que eles representam, e estes significados passam a ser distorcidos pelos que nos ensinaram as regras deste Sonho do Planeta.
Neste caso, Vênus vai simbolizar basicamente o que papai e mamãe (representando nossos formadores em geral) nos apresentaram, um modelo de desejo, um modelo de amor que não é necessariamente o modelo venusiano que corresponde à nossa essência. O mesmo ocorre com o Sol, com a Lua e com os demais planetas e símbolos.
O que nós entendemos por desejo (Vênus), comunicação (Mercúrio), expansão (Júpiter), estrutura (Saturno) e assim por diante, é apenas nosso reflexo do que nos foi imposto a partir de um sonho coletivo.
Aí está um caminho para nossa libertação: descobrirmos dentro de nós, trabalhando com um processo muito crítico e criativo, as outras possibilidades de expressão destes símbolos, mesmo que elas contrariem os parâmetros do Sonho do Planeta. Mas afinal, quem se atreve?

A atenção é a capacidade que possuímos de discriminar e nos focalizar apenas no que desejamos perceber. Podemos perceber milhões de coisas ao mesmo tempo, mas, usando nossa atenção, podemos segurar qualquer delas no primeiro plano de nossa mente. Os adultos ao redor de nós capturaram nossa atenção e colocaram informações em nossas mentes mediante a repetição. Essa é a forma pela qual aprendemos tudo que sabemos.

Esta capacidade de discriminar está correlacionada astrologicamente com Vênus, que rege a ponderação e a discriminação, e é este planeta que precisa ser trabalhado para que a gente possa começar a escolher outras coisas onde focalizar a atenção.

Quando mudamos o foco de atenção, mudamos a dimensão dos acontecimentos, pois "as coisas acontecem no plano onde nos focalizamos" e, portanto, devemos focalizar além do sonho, para que esta realidade sonhada saia de foco e consigamos perceber uma realidade além das regras impostas por este sonhar coletivo.
Mas há um pequeno problema: para usarmos Vênus em nossas vidas de outra maneira, aprendendo a escolher o que queremos, e não o que nos é imposto (isto depois da primeira infância, claro), também teremos que mexer em outros atributos de Vênus, especialmente o Desejo e tudo que está relacionado a ele, particularmente nossos padrões afetivos. A resistência para aceitar uma transformação em nossa pseudo-realidade afetiva tende a ser muito grande.

Lua e Mercúrio

Para "captar-nos" a atenção, os "formadores" utilizam nossa Lua natal, pois a necessidade de sobrevivência e continuidade, qualidades essenciais e biológicas, é um atributo da Lua, e somos, neste primeiro momento da vida, na infância, manipulados pela capacidade de sobreviver. Se não prestarmos atenção, não poderemos sobreviver. Então, assim capturam nossa atenção, exatamente como faz um cachorrinho quando ouve o barulho de sua tigela de comida sendo arrastada no chão. Usa-se a necessidade básica de sobrevivência para chamar a atenção do cão. Com as crianças é a mesma coisa, apenas a forma é diferente. A Lua nos dá a medida deste mecanismo de prender a atenção delas, de estabelecer um vínculo de controle.

Utilizando nossa atenção, aprendemos uma realidade inteira, um sonho inteiro. Aprendemos como nos comportar em sociedade, em que acreditar e em que não acreditar, o que é bom e o que é mau, o que é bonito e o que é feio, o que é certo e o que é errado.

Esta fase de condicionamento e assimilação dos modelos de comportamento da sociedade é uma fase lunar da vida. O canal, o mecanismo, é o lunar, e a forma de nossa atenção e o preço que cobramos por ela, nossas chantagens e tudo mais, têm as características do signo e casa que contêm a Lua.
Nossas chantagens têm as características do signo e casa que contêm a Lua.
Quanto ao que é bom e mau, bonito e feio, certo e errado, já é um atributo eletivo de Vênus, o planeta da escolha e da eleição, e é assim que nossos critérios estéticos e afetivos são contaminados pelo Sonho do Planeta.
Mercúrio cumpre sempre a função de intermediário entre a Lua e o que vem depois, entre o Sol e os planetas que vêm na seqüência, e Mercúrio assimila o discurso e as regras que passaram primeiro pela nossa Lua natal, funcionando como o canal de expressão das condições existenciais de quem vive submerso no Sonho do Planeta. Mercúrio incorporará neste momento da vida a capacidade de racionalizar, justificar e tornar a realidade descritível.

Quando você estava na escola, sentava-se numa cadeira pequena e colocava sua atenção no que o professor estava ensinando. Quando você ia à igreja, colocava sua atenção naquilo que o padre ou pastor dizia. É a mesma dinâmica com pais e mães, irmãos e irmãs: todos tentam capturar sua atenção. Aprendemos também a capturar as atenções de outros seres humanos e desenvolvemos certa necessidade de atenção que pode se tornar extremamente competitiva. As crianças competem para ter a atenção dos pais, dos professores, dos amigos. "Olhe para mim! Veja o que estou fazendo! Ei, estou aqui." A necessidade de atenção se torna muito forte e continua pela vida adulta.

Os planetas vão funcionar, a partir desta idéia, em duas direções. Vamos usar o mesmo instrumento que foi usado para nos condicionar para tentar condicionar os outros, a mesma fórmula, o mesmo discurso, e mais uma vez a essência de nossa Lua e demais planetas foi "capturada" e distorcida, e cada vez mais vamo-nos comprometendo com este Sonho do Planeta e suas regras e padrões.

Fonte:Valdenir Benedetti-http://www.constelar.com.br/

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