IMPERMANÊNCIA OU "ANICCA" - UMA DAS TRES MARCAS DA EXISTÊNCIA

 

O ensinamento básico do budismo é a impermanência ou a mudança. Para cada existência, a verdade básica é que tudo muda. Ninguém pode negar essa verdade e todo o ensinamento do budismo está condensado nela. Este ensinamento é para todos. Seja onde for, este ensinamento é verdadeiro. Ele é entendido como o ensinamento da inexistência de uma entidade individual. Por estar cada existência em constante mudança, não existe um eu individual. De fato, a natureza essencial de cada experiência nada é senão a própria mudança. Ela é a própria natureza de toda existência. Não existe uma natureza especial ou entidade individual permanente para cada existência. Este também é chamado o ensinamento do nirvana. Quando percebemos a perene verdade de que "tudo muda" e encontramos serenidade nisso, descobrimo-nos no nirvana.
Sem aceitar o fato de que tudo muda, não podemos encontrar perfeita tranqüilidade. Mas, infelizmente, embora seja verdade, temos dificuldade em aceitá-lo. Por não conseguirmos aceitar a verdade da impermanência é que sofremos. Em conseqüência, a causa do sofrimento é a não aceitação dessa verdade. O ensinamento da causa do sofrimento e o ensinamento de que tudo muda são, pois, dois lados da mesma moeda. Em termos subjetivos, este ensinamento é simplesmente a verdade básica de que tudo muda.
O mestre Dogen disse: "Ensinamento que não parece forçar alguma coisa em você, não é verdadeiro ensinamento". O ensinamento em si próprio é verdadeiro e em si mesmo nada força em nós; é por causa de nossa tendência humana que recebemos o ensinamento como se alguma coisa nos estivesse sendo imposta. Mas, quer nos sintamos bem ou mal a respeito disso, essa verdade existe. Se nada existisse, essa verdade não existiria. O budismo existe por causa de cada existência particular.
Devemos encontrar a perfeita existência através da existência imperfeita. Devemos encontrar a perfeição na imperfeição. Para nós, a completa perfeição não é diferente da imperfeição. O eterno existe por causa da existência não-eterna. No budismo, esperar algo fora deste mundo é um ponto de vista herético. Não buscamos nada fora de nós mesmos. Devemos encontrar a verdade neste mundo, através de nossas dificuldades, de nosso sofrimento. Este é o ensinamento básico do budismo. O prazer não é diferente da dificuldade. Bom não é diferente de mau. Bom é mau; mau é bom. São dois lados da mesma moeda. Portanto, a iluminação deve estar na prática. Este é o entendimento correto na prática, o entendimento correto da nossa vida. Assim, encontrar prazer até no sofrimento é a única maneira de aceitar a verdade da impermanência. Sem compreender como aceitar essa verdade, você não pode viver neste mundo. Mesmo que tente escapar dele, seu esforço será em vão.
Se você pensa que existe alguma outra maneira de aceitar a eterna verdade de que tudo muda, é ilusão sua. É o ensinamento básico de como viver neste mundo. Qualquer que seja seu sentimento acerca disso você tem de aceitá-lo. Você tem de realizar este tipo de esforço.
Assim, enquanto não nos tornamos fortes o bastante para aceitar a dificuldade como prazer, temos de continuar no esforço. Na verdade, quando você se torna suficientemente honesto e franco, não é difícil aceitar essa verdade. Você pode mudar um pouco sua maneira de pensar. Sabemos que é difícil, mas a dificuldade não será sempre a mesma - algumas vezes será difícil, outras nem tanto, Se você está sofrendo, achará algum prazer no ensinamento de que tudo muda. Quando você tem problemas, é bem fácil aceitar este ensinamento. Então, por que não aceitá-lo em outras ocasiões? É a mesma coisa, Às vezes, você até pode rir de si mesmo ao descobrir quão egocêntrico é. Mas, independente de como se sinta a respeito deste ensinamento, é muito importante mudar sua maneira de pensar e aceitar a verdade da impermanência.
Texto de Shunryu Suzuki, extraído do livro
"
Mente ZEN, mente de principiante"

"Anicca" (em português, impermanência) é uma das doutrinas essenciais do Budismo e uma das três marcas da existência. Compreender a impermanência é de extrema importância dentro do contexto budista. Assim como as quatro nobres verdades são reconhecidas por todas as escolas budistas, a impermanência é um ensinamento presente em todas as linhagens.
Basicamente, todos os fenômenos são impermanentes. Entenda-se por fenômeno qualquer idéia de existência, seja de um eu, de um outro, de um objeto, de uma experiência. Os fenômenos são impermanentes devido à sua natureza composta, ou seja, existem a partir de causas e condições. Quando as causas e condições cessam, o fenômeno cessa também.
Os relacionamentos cessam, os governos, os países, as empresas... todos cessam, mudam o tempo todo, pois dependem de outros fatores, que por sua vez, também são compostos e assim sucessivamente.
Podemos perceber a impermanência operando em nossas vidas diariamente. Contemplar isso é de extrema utilidade, pois cessa o nosso apego exagerado, o nosso "agarrar" exagerado.
Uma antiga lenda oriental conta a história de um rei sábio e bom que se encontrava no fim da vida. Certo dia, pressentindo a chegada da morte, chamou seu único filho, que o sucederia no trono, tirou um anel do dedo e lhe disse: "Meu filho, este anel foi muito importante para mim e agora será seu. Quando fores rei, leva-o sempre contigo. Nele há uma inscrição. Quando estiveres vivendo situações extremas, seja de glória ou de dor, tira-o e lê o que há nele".
Logo, o rei morreu e seu filho passou a reinar em seu lugar, sempre usando o anel que o pai lhe deixara. Passado algum tempo, surgiram conflitos com um reino vizinho, que acabaram culminando numa terrível guerra. O jovem rei, à frente do seu exército, partiu para enfrentar o inimigo. No auge da batalha, seus companheiros lutavam bravamente, mas muitos acabaram mortos ou feridos. No meio de tanta tristeza, o jovem se lembrou do anel e leu sua inscrição: “isto também passará.”
Continuando a luta, o rei perdeu algumas batalhas, ganhou outras e, ao final, saiu vitorioso. Retornou então ao seu reino e, coberto de glórias, foi recebido e aclamado pelo seu povo. Nesse momento, ele se lembrou de seu velho e sábio pai. Tirou o anel novamente e leu: “isto também passará.”
Esse pequeno conto reflete um dos conceitos mais importantes do budismo: a impermanência (anitya). Sua lição, simples e direta, é que tudo na vida é passageiro. Tanto as alegrias como as tristezas vêm e vão. A derrota de hoje se transforma na glória de amanhã. Ou, como diria a sabedoria popular: “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”.
 

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