FELICIDADE AUTÊNTICA - EVOLUIR PARA SER FELIZ...OU SER FELIZ PARA EVOLUIR



A busca da felicidade é uma tônica constante na vida de todo ser humano.
Quase todas as nossas ações são permeadas pelo desejo de encontrar a felicidade, até mesmo aqueles voltados para a espiritualidade, pois é o bem-estar e o conforto que advêm da fé, que nos torna cada vez mais fervorosos.

No âmbito Social os políticos engendram seus discursos com a promessa da realização dos desejos que vão de encontro a felicidade almejada pelo cidadão.

O consumismo é estimulado muitas vezes não pela qualidade em si do produto a ser vendido, mas pela fantasia da felicidade que ele traz colado em si. O que nos seduz não é exatamente o vestido, a camisa azul, ou o aroma do perfume, ou o sabor da cerveja, mas o charme que o azul pode despertar em nós ou no outro; a imagem elegante, conquistadora que aquela marca de perfume mostra aos nossos olhos, ou a alegria da companhia, do sol e da praia que a cerveja sugere!

Tão profundamente conhecedora desta natureza hedônica no ser humano, as grandes tradições religiosas, também dela sempre se valeram em seus mitos e dogmas tais como o do “Paraíso Perdido”. Quem de nós, não ouviu falar de “sofrer na terra” para ser feliz no céu ou abdicar dos bens materiais e herdar a riqueza do divino.

Na literatura infantil a fada madrinha e sua varinha mágica tornam a vida do príncipe, da princesa e de todo reinado, felizes para sempre.

Mas... afinal... que felicidade é esta? Tão milagrosa, soprada pelos ventos de fora, trazidos pelo outro, pela riqueza, pela fada, pelo príncipe!

Observamos então a humanidade caminhando incessantemente, cada vez mais rápida, cada vez com mais desejos e necessidades para encontrar esta tal felicidade; entretanto o semblante das pessoas cada vez mais pesado, os sorrisos escassos, e a infelicidade na ordem do dia seja no noticiário, na vida cotidiana, no encontro entre as pessoas.

Entretanto parece que esta visão milagrosa da felicidade é um grande equívoco, acreditar que ela venha de fora do indivíduo, que é preciso sofrer, ter muito dinheiro para depois então poder “adquirir” a felicidade. Ver a felicidade como um bem de consumo, algo de fora para dentro. Confundir a natureza do Ser inerente com o ter circunstancial e perene.

A felicidade autentica é um estado do Ser independe do ter, do fazer ou receber. É algo intrínseco a subjetividade, ao essencial. Pode sim ser despertada, estimulada, fortalecida e até mesmo construída a partir da sua própria essência, mas há que se ter a consciência desta centelha interna.

Seres de notável espiritualidade mantêm perenemente um estado de felicidade, simplesmente por se perceberem como parte do Todo. Por terem naturalmente em si a alegria da gratuidade, em dar amor, atenção, carinho e cuidados ao outro. Por sentirem em si a existência humana como uma expressão divina da Vida.

Os antigos essênios, que viveram na época de Cristo, afirmavam que a alegria é o sinal da presença de Deus no ser humano, é o entusiasmo. Para Filon de Alexandria estar triste é estar separado do Ser, é esquecer a realidade divina, é dar muita importância àquilo que não É Verdadeiro e divino.

O Dalai-Lama com um sorriso constante, afirma que seu primeiro sentimento ao acordar é o de gratidão, de felicidade, por mais um dia que ele está vivo no planeta Terra, e pode seguir então sua missão de partilhar saberes e alegria.
Hoje mesmo no âmbito da economia já se cogita a reavaliação do conceito do PIB (Produto Interno Bruto), ou até sua mudança, incorporando o processo do FIB (Felicidade Interna Bruta).

Felicidade Interna Bruta (FIB) é um indicador de progresso que inclui em sua abordagem aspectos sociais, culturais, ecológicos, psicológicos e espirituais. Sugere um programa de mudanças social e economia, baseada na premissa de que o desenvolvimento deve promover a felicidade como meta principal.

Um aspecto relevante do FIB é o seu pressuposto de que a autêntica evolução da sociedade humana só se dá quando o desenvolvimento material e espiritual ocorrem lado a lado complementado-se e reforçando-se um ao outro.

Estudos em neurociências, evidenciam a importância da felicidade para se aprender melhor, ser mais saudável, ter mais saúde. A psicologia positiva mostra pesquisas na área da felicidade como um fator de cura dos males da mente e da sociedade. Evidencia que o grau de felicidade é diretamente relacionado a auto-estima, e que o individuo que é feliz conquista o sucesso mais facilmente, mas que o oposto nem sempre é verdadeiro.

Na abordagem Transpessoal os estudos mostram que a felicidade é um estado de conexão entre a dimensão pessoal e a divina e que experiências de felicidade genuína promovem a emergência de valores positivos como verdade, bondade entre outros.

Em nosso mundo contemporâneo é fundamental cada vez mais olhar para a felicidade autêntica, mais do que um Planeta de expiação estamos caminhando para um momento de regeneração e evolução na Terra.

A conexão com a felicidade genuína, autêntica permite a libertação de múltiplos desejos, do joguete dos dramas e sofrimentos da alma. É uma reorientação dos sentidos, é ter a clareza da finalidade do ser e estar feliz.

O estado de felicidade nos leva diretamente a este olhar mais amplo, a uma percepção maior e melhor, caridade para conosco e com o próximo. É um antídoto para os mais diferentes tipos de obsessão, compulsões e adicções.

Além disso este estado feliz nos coloca certamente em contato com as esferas celestiais, com nossos protetores espirituais; nos permite abrir o coração para ensinamentos superiores que nossa razão não consegue alcançar.

Promove relações mais harmoniosas, nos faz olhar de frente para o próximo como nosso irmão, não permitindo que fatores externos nos tirem de um estado de felicidade, de simplesmente ser, Ser humano, ser Vida, ser evolução.

Não é o que acontece fora de nós que nos fará mais ou menos felizes, mas certamente a forma como lidamos com as circunstâncias, os fatos. Todos os eventos de nossa vida em última instância estão sempre a serviço de nossa evolução, portanto se cultivarmos a felicidade interior, conectaremos com maior profundidade e sabedoria o sentido de cada evento.

Assim deixamos hoje um convite e reflexão a todos:
- Ser feliz... pode ser um caminho para Evoluir...

Fonte : Vera Saldanha http://www.alubrat.org.br/