EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO - UMA OBRA PRIMA DE MARCEL PROUST

Resumos & resenhas: Em busca do tempo perdido


EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO – MARCEL PROUST (1871 – 1920)
Volumes: NO CAMINHO DE SWANN, À SOMBRA DAS RAPARIGAS EM FLOR, O CAMINHO DE GUERMANTES, SODOMA E GOMORRA, A PRISIONEIRA, A FUGI-TIVA, O TEMPO REDESCOBERTO

Questões iniciais
Analisar o projeto de Proust
Tempo, História (relato da temporalidade) e memória (preservação do tempo e transmissão para a História)
A memória é o tema discutido em toda a obra. É o que está em questão. Reme-te à personalidade do narrador, que dissimula seu nome na obra e procura dei-xar em aberto essa questão.
Objetivo do narrador: voltar às origens para chegar ao cerne das coisas.
Relação da construção narrativa com ponto de vista

PROCESSO DE ESCRITURA DO ROMANCE

A primeira redação da obra tem início mais ou menos em 1910 e termina em 1921. O projeto original incluía três volumes, mas a obra foi crescendo por causa da disposição de tempo do autor, que ia revisando e a cada revisão au-mentava a obra.
Proust escreveu o primeiro e o último volumes. Há uma simetria entre O caminho de Swann e O tempo redescoberto.
A publicação da obra vai de 1913 a 1927, sendo que os últimos volumes são póstumos.
Quando começa a publicar, a obra não está pronta. Só existe um projeto dela, que vai sendo adaptado de acordo com os fatos que vão ocorrendo (Ex. 1ª guerra).
Em 1913 publica No caminho de Swann, que fica pronto em 1911.
Em 1911 Proust tem como projeto original da obra uma trilogia: No ca-minho de Swann (pronto), O caminho de Guermantes e O tempo redescoberto.
Até então a personagem Albertine não existe. Não aparece nem no início e nem no último volume da obra. Albertine é inspirada no chofer de Proust, que foge e mais tarde morre num acidente de avião. Isso muda o projeto original e Proust acrescenta novos volumes intermediários na obra.
A guerra também contribui para a mudança do projeto original. Por cau-sa dela a publicação fica suspensa, o que dá ao autor mais tempo para aumen-tar a obra de 1500 para 3.500 páginas.
Em 1916 Proust redige capítulos sobre a guerra e só em 1922 o autor coloca a palavra FIM na obra, morrendo no mesmo ano.
O projeto fica incompleto, pois o autor morre antes de vê-la completa-mente revisada. A cada revisão que fazia, Proust ia acrescentando novos fatos nos volumes. Como morre, essa revisão fica inacabada.
Quando morre, Proust estava fazendo a terceira revisão no último volu-me.
O projeto se faz ao longo da criação da obra, mas o autor precisa espe-rar os fatos históricos acontecerem para poder concluir seus livros.
Tempo de produção – mais de 10 anos para redação.
Na página 14 do primeiro volume, pode-se comprovar a existência real do projeto global da obra quando o narrador fala do quarto onde ficava em Tansonville, na casa da Sra. Saint-Loup, fato que vai ocorrer somente no último volume da obra. Isso comprova o rigor do projeto e o domínio do escritor sobre seu trabalho meticuloso para construir a obra.
Proust compara sua obra com uma catedral, porque se trata de um pro-cesso inacabado.Os fatos a serem colocados no decorrer de toda a obra já es-tão previamente definidos, semelhante ao processo de construção de uma ca-tedral que, apesar do projeto rigoroso da construção, fica sempre inacabada por causa dos detalhes que devem ser acrescentados ao longo do tempo.
Apesar de o romance ter muitas personagens, todas são facilmente ar-ranjadas espacialmente, sendo possível visualizar a organização da genealogia das mesmas. Isto aponta para o domínio que o autor tem sobre o seu projeto e para o caráter artificial da obra, já que é bem planejada e não nascida do aca-so.
A obra, na verdade, contém duas histórias relativamente independentes: a primeira social, do final do século XIX e início do XX, com fatos sociais e polí-ticos, a segunda sobre Albertine, seu amor e seu ciúme.
Fonte : http://susanadalcol.blogspot.com/

Não é incomum que um sabor ou um aroma agradável nos levem de volta ao passado, aos dias de nossa infância ou adolescência, ou, no meu caso, a épocas não tão longínquas. Foi num desses momentos, diante de uma xícara fumegante de chá, saboreado com um biscoito qualquer, que Proust começou a relembrar os anos por ele vividos. Daí surgiu uma das mais belas obras de toda a literatura mundial, um livro simultaneamente poético e crítico. Uma obra-prima apaixonante. Para um contumaz saudosista como eu, a história contada por Proust tocou-me profundamente. Em essência, a vida do autor francês não difere muito de nossas pacatas vidas burguesas, com suas reuniões de família em datas específicas; as saídas de férias anuais em direção a locais aprazíveis e os encontros amorosos vividos nesses lugares; a entrada na adolescência e a descoberta da sexualidade; a perda de entes queridos e a eterna busca de sentido para uma existência percebida como vazia. São todos temas recorrentes no livro “Em busca do tempo perdido”. Mas, o que torna tão magnífico uma obra que trata de temas corriqueiros? Desconsiderando a simplificação exagerada da obra que fiz, é a forma como a narrativa proustiana se desenvolve, é a maneira poética que o autor lança mão para conduzir a história que dá a ela beleza inigualável.
Mas, aos saudosistas (digo aqueles que capazes de ‘viver’ em todas as dimensões do tempo: cientes do presente, preocupados com o futuro, mas sempre com parte da atenção voltada para o passado, como um repositório de lições) a obra toca mais de perto, pois estes conseguem se pôr ao lado do autor e de, como ele, também recordar a velha tia ou a avó querida; de rememorar aquele amor de infância ou da adolescência de quem já nem lembramos mais as feições. Mas, não só de recordações é feita a obra. Nela, Proust aborda intrincadas questões filosóficas e existenciais (se é que toda questão filosófica não é em si mesma uma questão existencial e vice-versa); discorre sobre o amor, sobre os costumes de sua época e acerca do progresso que vê chegar a passos largos, dissolvendo toda uma sociedade e criando outra; aborda o tempo e seu desenrolar e etc. Há quem aponte a lentidão do texto proustiano e a forma intrincada de sua escrita. Isso realmente é verdade, mas para ler Proust é preciso paciência, pois só ela nos permite perceber e apreciar toda a beleza contida nas suas muitas páginas.

Fonte:
http://pt.shvoong.com/books/novel-novella/

Cessara de me sentir medíocre, contingente, mortal. De onde me teria vindo aquela poderosa alegria?"

Com estas duas frases, o narrador de Em Busca do Tempo Perdido registra o momento de epifania que o fará reconstituir toda sua vida, desde a remota infância até a maturidade.

A cena é aquela em que a personagem mergulha um pedaço de bolo --a famosa madeleine-- numa xícara de chá e, a partir daí, se deixa transportar pela memória. Está no começo de No Caminho de Swann, volume inicial do mais importante ciclo romanesco do século 20.

Lançado por Marcel Proust em 1913, depois de ter sido recusado pelas principais editoras francesas, este livro se concentra no período de formação do protagonista: o amor intenso pela mãe e a pouca simpatia pelo pai; o ambiente familiar dominado por mulheres; os sentimentos precoces de ódio e de culpa; as temporadas na provinciana Combray, com suas histórias locais; os primeiros contatos com pessoas que iriam viver, envelhecer e desaparecer sob os olhos do narrador.

Entre as muitas figuras que povoam o mundo de Proust, neste volume se destacam o rico sr. Charles Swann e a jovem e sedutora Odette de Crécy (casal interpretado no cinema por Jeremy Irons e Ornella Muti, numa adaptação do diretor alemão Volker Schlöndorff). O capítulo "Um Amor de Swann" é quase um romance à parte: um magistral estudo sobre o ciúme, talvez o melhor que a literatura já produziu.
Em busca do tempo perdido (do francês "À la recherche du temps perdu") é uma obra romanesca de Marcel Proust escrita entre 1908-1909 e 1922, publicada entre 1913 e 1927 em sete volumes, os três últimos postumamente.
Os sete volumes que constituem a obra são (os títulos em português são os da edição portuguesa da Relogio d'Água publicados entre 2003 e 2005 numa tradução de Pedro Tamen):
1. Du côté de chez Swann (No caminho de Swann 1913)
2. À l'ombre des jeunes filles en fleurs (À sombra das raparigas em flor, 1919, recebeu o prémio Goncourt desse ano)
3. le Côté de Guermantes (O caminho de Guermantes, publicado em 2 volumes de 1920 e 1921)
4. Sodome et Gomorrhe (Sodoma e Gomorra, publicado em 2 volumes em 1921-1922)
5. la Prisonnière (A prisioneira, publicado postumamente em 1923)
6. Albertine disparue (A Fugitiva - Albertine desaparecida, publicado postumamente em 1927) (título original: La Fugitive)
7. le Temps retrouvé (O tempo reencontrado, publicado postumamente em 1927)
Pelas suas ambições (alcançar a substância do tempo para poder se subtrair de sua lei, a fim de tentar apreender, pela escrita, a essência de uma realidade escondida no inconsciente “recriada pelo nosso pensamento”), sua desproporção (quase 3500 páginas na coleção de bolso), e sua influência em trabalhos literários e nas pesquisas a vir (Proust é considerado como o primeiro autor clássico de seu tempo), "Em busca do tempo perdido" se classifica entre as maiores obras da literatura universal.
A tradução brasileira foi feita por Mário Quintana, o primeiro volume em 1948, o segundo em 1951 e os demais durante a década de 1950, e editada pela Editora Globo de Porto Alegre. Uma das traduções portuguesas é de Pedro Tamen, pela editora Relógio d'Água e Círculo de Leitores de Lisboa, entre 2003 e 2004.
Proust teceu a Primeira Grande Guerra na sua história, incluindo o bombardeamento aéreo de Paris; os pesadelos de juventude do narrador transformaram-se num campo de batalha, com 600.000 alemães mortos na luta por Méséglise, e com Combray dividida entre os dois exércitos.
Embora Proust fosse contemporâneo de Sigmund Freud, nenhum dos dois conhecia a obra do outro. O Dr. Howard Hertz, da Universidade de Pasadena City, comparou a obra de Proust com a de Melanie Klein, uma estudiosa das teorias freudianas.
O papel da memória é central no romance. Quando a avó do narrador morre, a sua agonia é retratada como um lento desfazer; em particular, as suas memórias parecem ir-se evaporando dela, até já nada restar. No último volume, O Tempo Reencontrado, o autor utiliza uma analepse, e faz com que o narrador recue no tempo das suas memórias, em episódios desencadeados por recordações de cheiros, sons, paisagens ou mesmo sensações tácteis.
Uma grande parte do romance debruça-se sobre a natureza da arte. Proust avança com uma teoria da arte em que todos somos potenciais artistas, se por arte entendemos transformar as experiências de vida do dia a dia em algo revelador de maturidade e entendimento. A música é também abordada extensamente. Morel, o violinista, é apresentado para exemplificar um certo tipo de carácter artístico, e o valor da música de Wagner é também debatido.
A homossexualidade é um dos temas principais do romance, especialmente em Sodoma e Gomorra e nos volumes seguintes. "Em Busca do Tempo Perdido" é o primeiro dos grandes romances em que a homossexualidade é tema central, tanto como conceito para discussão como pela descrição do comportamento dos seus personagens[1]. Embora o narrador se descreva como heterossexual, suspeita constantemente das relações da sua apaixonada com outras mulheres. Também Charles Swann, a figura central de grande parte do primeiro volume, tem ciúmes da sua amante Odette (com quem mais tarde casará), que acabará por admitir ter realmente mantido relações sexuais com outras mulheres. Alguns personagens secundários, como o Barão de Charlus (inspirado em parte pelo o famoso Robert de Montesquiou), são abertamente homossexuais, enquanto outros, como o grande amigo do narrador, Robert de Saint-Loup, são mais tarde apresentados como homossexuais não assumidos. A monumental confrontação do tema da homossexualidade em "Em Busca do Tempo Perdido" permitiu aos leitores que a homossexualidade poderia ser mais que apenas actos lascivos de sodomitas ou os maneirismos afectados de homens obcecados em negar a sua masculinidade. Em vez disso, o romance de Proust apresentou a homossexualidade como um assunto complexo e multifacetado, que, se examinado de perto, derrota todos os estereótipos.[2]
Em 1949, o crítico literário Justin O'Brien, publicou um artigo denominado "Albertine the Ambiguous: Notes on Proust's Transposition of Sexes"[3] ("A ambiguidade de Albertina; notas sobre a transposição de géneros sexuais em Proust"), que afirmava que alguns dos personagens femininos, nomeadamente a amante do narrador, Albertina, seriam melhor entendidos se se lhes mudasse o género sexual para o masculino: os nomes das amantes do narrador são todos possíveis no masculino: Albertine (Albert), Gilberte (Gilbert), Andrée (André). Esta teoria ficaria conhecida como a "teoria da transposição dos sexos" na análise crítica da obra literária de Proust, que seria mais tarde desafiada por Eve Kosofsky Sedgwick em "Epistemology of the Closet"[4] (A Epistemologia do Armário).
Outros temas importantes nesta obra são a doença física e a crueldade.
 

Referências

1.  Woods, Gregory, "The Male Tradition, a History of Gay Male Literature", 1998, Yale University Press, New Haven and London.
2.  Fone, Bryan R. S., "The Columbia Anthology of Gay Literature", 1998, Columbia University Press, New York
3.  PMLA: revista da Modern Language Association of America, vol. XLIV, de Dezembro de 1949, pp. 933-952
4.  edição da University of California Press (1990), 258 p. ISBN 978-0520078741


Fonte : Wikipédia