SADHU - UM MONGE ANDARILHO NA ÍNDIA


Sadhu, no hinduísmo, é um termo comum para designar um místico, um asceta, um praticante de ioga ou um monge andarilho. "Sadhu!" é também uma expressão em sânscrito e pali, usada como interjeição para algo bem sucedido ou realizado com perfeição.
A tradução para sädhu é bom homem e para sädhvi é boa mulher que se refere a quem tem a escolha de viver a vida em sociedades em foco para sua prática espiritual.
A origem da palavra vem de sädh, que significa "alcançar objetivos". A mesma origem é usada na palavra sädhana, que significa "prática espiritual".
Sadhus são sanyasi, ou renunciantes, que deixam todo seu material ou materiais sexuais e moram nas cavernas, florestas e templos por toda Índia e Nepal.
A Sadhu é referido como Baba pelas pessoas comuns. A palavra baba também signifca pai, avô, ou tio em muitas linguas indianas.

As escrituras sagradas da Índia, os Vedas, compreendem um maravilhoso complexo literário com o propósito de orientar as pessoas em suas condições de vida. Nelas encontramos referências religiosas, ritualísticas, éticas, leis e mandamentos, além de seu aspecto mais importante, espiritual. Não há, nos Vedas, uma orientação exclusivista. Entendendo a diversidade inerente  ao  ser  humano, dedica  diferentes  caminhos  que presenteiam àqueles no progresso  espiritual  detentores  das  mais  variadas  tendências  psicológicas, culturais e  condições de vida. Os Vedas são  a  Grande  Carta  Orientadora  para  a  humanidade  como  um  todo. Não seriam os Vedas suficientes, se não estivessem lastreados pelo exemplo vivo daqueles que seguem seus ensinamentos, perseguem sua Verdade. 
Entre os buscadores da Verdade, entre aqueles que trilham o Caminho, e que se esforçam em alcançar o objetivo último, existe uma classe bastante curiosa e que constitui o que há de mais tradicional entre os candidatos ao objetivo espiritual último. Não importa que tenham chegado a esse objetivo ou ainda se esforcem na disciplina, os sadhus, entretanto, formam essa classe à parte, entre os transcendentalistas. O próprio termo sânskrito “sadhu” é bastante rico e significa adjetivos tais como agradável, bom, bondoso, compassivo, correto, decente, disciplinado, eficiente, excelente, gentil, honesto, honrado, nobre, obediente, pacífico, puro, respeitável, reto, virtuoso. A raiz “sadh” forma  o verbo sadhati  usado no sentido de conquistar, vencer, ser bem sucedido. Como substantivo refere-se primariamente a homem santo, sábio, vidente. São ascetas austeros, seguidores dos diversos sistemas de yoga, meditação e práticas religiosas e espirituais. Diferentemente dos outros transcendentalistas, não habitam mosteiros ou ashrams e se vestem com o mínimo ou quase nenhuma roupa. Uma classe, entretanto, os  nagas  vivem  inteiramente  nus.
Os sadhus são, ainda hoje, uma instituição bastante respeitada e tradicional da Índia. Uma marca registrada de seus incontáveis sistemas religiosos. Não se vestem com pompa, ou paramentos eclesiásticos que sugiram ou imponham respeito e veneração. No vestir, nada parece mais simples, despojado, pobre. O mínimo de vestimenta, quando não sua total ausência é a característica externa dos s. Assim, o respeito e veneração que deles emanam, são transmitidos por uma aura de santidade, pobreza e desprendimento. A autoridade que exala de um sadhu vem de dentro, do mais íntimo de sua pessoa, não se configurando uma imposição externa.
A tilaka, ou a marca que trazem na testa é uma indicação de qual escola filosófica pertencem ou qual caminho estão trilhando, não se tratando, portanto, de nenhum requisito estético. Existem marcas que denotam uma escola filosófica em geral, e as nuances no desenho refletem as diferenças e variedades sutis que compreendem os diversos seguimentos ou ramificações específicas (segmentos) daquela escola em particular.
Como mencionado acima, os sadhus não vivem em ashrams ou mosteiros. Freqüentemente eles moram em cavernas nas montanhas, nas florestas ou em cabanas improvisadas nas margens dos rios sagrados. Vivem sozinhos, mas quando viajam ao kumbha-mela, o fazem em grupo, o qual vai crescendo à medida que outros se juntam ao longo da viagem, sempre a pé.  Nessas ocasiões, dependem inteiramente da doação de alimentos que recebem das pessoas, nas cidades, aldeias e vilas por onde viajam.  Quanto à doação aos sadhus, por parte da população em geral, não existe um sentimento de pena ou de caridade fútil, mas o de uma obrigação para com aqueles que já iniciaram a inevitável busca, a trilha pelo auto aperfeiçoamento o qual deve ser um exemplo a ser seguido, um dever e obrigação dos que ainda permanecem na vida familiar.  
Os kumbha-melas são os grandes encontros de sadhus, as grandes assembléias que ocorrem em intervalos de três anos. Kumbha significa pote ou jarra e mela quer dizer um evento para peregrinos. Existem quatro kumbha-melas: em Prayag, Haridwar, Uijain e Nasik. A origem desses eventos perde-se no tempo e são descritos nas escrituras.
Quando Júpiter está no signo zodiacal de Touro (Vrishaba Rashi) e o Sol em Capricórnio (Mukha Rashi) é chegada a ocasião do maha-kumbha-mela (Grande Kumbha-mela), que ocorre nos meses de Janeiro-Fevereiro a cada intervalo de doze anos, em Prayag, próximo a Allahabad, na confluência dos três mais sagrados rios da Índia: o Yamuna, o Saraswati e o Ganges, sendo a maior concentração religiosa do planeta, com uma afluência de mais de trinta milhões de pessoas, entre swamis, babajis, sadhus, munis, rishis, siddhas, prabhus, yogis e peregrinos seguidores das inumeráveis Religiões e Filosofias da Índia com suas imensas variedades de escolas, ramificações e seitas.  Um evento onde todos se beneficiam, onde existe a troca de ensinamentos, aprendizados e purificação. Após esse acontecimento, os sadhus retornam em grupos para as florestas, as montanhas ou às margens dos rios, de onde saíram.
A visão de um sadhu se nos parece bastante exótica e pode chocar alguns de nós, com nossa maneira ocidental de pensar e avaliar. Por isso mesmo, um sadhu está em flagrante oposição a tudo que o Ocidente cultiva: desde o conceito corpóreo até o apego exacerbado às coisas materiais, relacionadas ao corpo, tais como fama, sucesso, prestígio, prazeres, prazeres, prazeres. . . Simbolizam o que há de mais extremo em matéria de renúncia, o limite onde a sanidade ainda persiste, não contaminada pela auto-destruição.
Embora sejam muito pobres e humildes, há uma incomparável nobreza que emana dos sadhus. Apesar de viverem como mendicantes, não são simplórios; são, em sua grande maioria, eruditos e filósofos muito sofisticados, verdadeiros exemplos vivos das variadas e complexas vertentes filosóficas das Escrituras Sagradas. Irradiam uma beleza interior raramente observada, fruto de constante meditação, renúncia, desprendimento e de suas práticas espirituais.  
Deles  emanam  uma  irrepreensível  serenidade, uma paz e uma imperturbável certeza, só encontrada naqueles que atingiram desprendimento até de seus próprios egos. Ao mesmo tempo deles se pode verificar uma atitude de notável dignidade e  nobreza  sem  qualquer  traço  de  arrogância  e  vaidade pessoal. Demonstram superioridade, sem a  menor pretensão  de  sê-lo.  Demonstram  conhecimento,  mesmo  na aparência  de simplicidade. Uma  força  que  só  a  energia  espiritual  pode  proporcionar.



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