O ARQUÉTIPO DO HERÓI


Existe dentro de nós um elemento inconsciente que pode liberar o poder de realizar os seus desejos, de batalhar pelos seus objetivos e que está associado ao seu desenvolvimento pessoal, determinando o tipo de adulto que você é ou será, bem como o poder desse adulto de conquistar o que quer.
O mito do herói é um tema recorrente em diversas histórias que encontramos em diferentes culturas desde os tempos mais remotos. Ele é a fonte de força que há dentro de nós. Em algum lugar no nosso subconsciente, reside o arquétipo do herói e todo o seu poder de produzir prosperidade. Ele é mais perceptível na infância e na adolescência, momento em que nos identificamos com sua força e entusiasmo. Mas infelizmente, devido à ignorância sobre os ritos de passagem na educação moderna, esse elemento riquíssimo tem perdido sua força quando passamos para a vida adulta. Resultando em adultos incapazes de produzir felicidade em suas vidas.
O herói em nós representa essa transição psíquica que fazemos entre uma fase de nossas vidas e a fase seguinte. O mito do herói (seja ele qual for – Hércules, Adonis, Frodo Baggins, Super-Homem, etc.) tem alguns elementos constantes em qualquer narrativa. O herói sempre começa sua jornada saindo de um lugar de conforto, em busca de algo maior e em seu caminho encontra inimigos, supera dificuldades e acaba retornando de onde veio, mas transformado em um herói.

Esse transformar-se em herói inevitavelmente envolve sacrifícios, renúncias, desprendimentos e muito esforço – como uma analogia ao que passamos para nos transformarmos em adultos.
Podemos considerar já o nascimento um ato heróico, pois deixamos o conforto do útero, nos esforçamos para nascer e vamos rumo ao desconhecido participar ativamente de nosso crescimento. É um processo que envolve renúncia, desprendimento e esforço. E a recompensa é o próprio crescimento e desenvolvimento do bebê.

Similarmente isso também ocorre na adolescência/ início da idade adulta. Somos impelidos a deixar a casa dos pais ou a uma situação de conforto a fim de explorar o mundo, a estabelecer compromissos (trabalho, relacionamentos afetivos, contas, etc.) sendo nosso objetivo conquistar nossa própria identidade e ter como recompensa a felicidade.
O que será esse algo dentro de nós que nos impele a tomar tais atitudes, a saber qual é o momento de passar de uma fase psíquica à outra? Dentro da teoria da psicologia analítica nós dizemos que são os arquétipos. Não vou me deter sobre esse conceito agora, mas darei uma breve explicação no próximo artigo.

Antigamente havia ritos de passagem onde ficava claro quando uma criança entrava para a fase adulta. Acontecia por volta dos 12 anos, concomitante ao desenvolvimento completo dos órgãos e das características sexuais da pessoa. Esses ritos envolviam o afastamento dos pais e o reconhecimento da sociedade de que aquela criança tornara-se adulta.
Hoje temos alguns resquícios desses ritos, e seus significados a longo tempo deixados de lado como a festa das debutantes ou as formaturas de graduação…

É muito comum vermos nos dias atuais pessoas com 30, 40, 50 anos sem ainda ter iniciado a vida adulta. Podem até estar casados, trabalhando, com filhos… mas lhes faltam algumas características marcantes que diferenciam um adulto. Falta um senso de self, de identidade… falta compromisso em seus relacionamentos amorosos, em suas carreiras profissionais… falta aquele senso de responsabilidade em cuidar das crianças. Não podemos definir o herói ou o adulto pelos seus atos, e sim pelas suas intenções e coerência.
Fonte : Blog Universo Cultural