A ALMA,O EGO E A VIDA

 

 

“Medo e desejo são os guardiões da árvore da vida”

O ego, a parte que pensa ser tudo em nós, quer ser imortal, se preservar, evitar o sofrimento.
A alma sente-se eterna e não vê o sofrimento como algo que necessariamente tenha que ser evitado. Ela se vê como parte de tudo e por isso ela é capaz de abrir mão de si mesma para o todo. A alma não questiona, não pensa em si, não faz julgamentos de valores, ela simplesmente é.
O ego tenta negar a imortalidade da alma, assim se liga ainda mais a esse mundo que é o único que lhe parece ser real. Quando a alma toca o ego ele sente a razão de ser da alma e nesse momento pode passar a acreditar em Deus ou negar o sentimento como uma ilusão que deve ser ignorada.
O ego parece ser forte, dono de si mesmo, mas é facilmente dominado pela natureza elementar que faz parte do nosso ser. Seu poder para controlar essa natureza é pequeno e, normalmente, o que ele consegue fazer é evitar que o princípio natural que o domina, em determinado momento, não se realize no mundo externo.
O ego com certeza nos ajuda a caminhar por esse mundo, nos preservando e buscando, pelo seu ponto de vista, o melhor para nós mesmos. Tudo estaria muito bem se os princípios que nos invadem e não se realizam no mundo exterior não se realizassem em nós mesmos como úlceras, gastrites, depressões. E mais, com a repressão da alma ficamos presos a esse mundo e ao coletivo o tempo todo, e a sensação de vazio e de falta de sentido da vida podem ser freqüentes.
Normalmente só passamos a ver sentido em algo quando um princípio da natureza nos domina. Ao sermos dominados passamos a querer realizar o princípio. Ele nos encanta e deixa em nós a certeza, a convicção que a sua realização é a coisa mais importante. Essa “fé”, que se apodera de nós, dá sentido momentâneo às nossas vidas, acaba com o nosso vazio.
Mas o princípio natural que nos dominou, ao se realizar, normalmente, se desfaz, nos deixando novamente vazios. Talvez por isso, tantas pessoas, cada vez mais, se voltam à busca exagerada de sexo, álcool, outras drogas ou consumos desnecessários. Enquanto somos dominados pelo desejo ou o estamos realizando a vida tem sentido.
Alguns psicólogos dizem que deveríamos preparar o nosso ego para ser um recipiente adequado para receber a alma, fazer uma jornada para o nosso mundo interior e trazer a alma para esse recipiente. A alma adequadamente acomodada no ego seria uma junção de opostos. A alma daria ao ego o sentido da vida, a ausência de vazio, a sua razão de existir. O ego coordenaria, com sua capacidade comprovada de viver nesse mundo, os passos para a alma se realizar externamente, sem tornar inviável a vida do corpo, ou causar uma reação do mundo exterior muito ríspida que destrua a possibilidade de individuação.
Não estranhe o parágrafo acima, pois a alma, nessa concepção, não é somente boa como nos ensinam muitas religiões. Ela é perversa e santa. É o caminho da vida e da destruição. Ela é um princípio da natureza que, quando nos domina, tenta se realizar no mundo exterior, sem a menor preocupação com as conseqüências dos seus atos para o nosso corpo, nossos relacionamentos ou para com o mundo que nos cerca. Assim como a natureza, a alma cria e destrói. Destruição pode significar dor e sofrimento que renova, transforma, trás o renascimento ou simplesmente sofrimento infrutífero. Por isso o ego tem que guiar os passos da alma, mas sem reprimi-la. Durante o processo de integração, a alma pode escapar do encaminhamento do ego sem ter se integrado a ele. A materialização da alma pura e simples pode, às vezes, ser catastrófica. Deixar a alma se materializar nas artes ou nas vivências interiores nos ajuda no processo de integração e a suportar a pressão dela para existir no mundo exterior plena e incondicionalmente.
Muitos mestres, principalmente de religiões orientais, ensinam que há algo além da vida material e psíquica. Com a ajuda da alma podemos adquirir a grande sabedoria e tocar o mundo espiritual, entrar em contato com a força que liga todas as coisas no universo.
Podemos pensar que tudo isso pode realmente acontecer, e se fizermos a jornada da alma, e tudo não passar de mais um princípio da natureza que nos dominou para se realizar, o nosso ego, provavelmente, irá questionar a possibilidade de sua desintegração para dar vida ao novo que busca plenitude.
Mas que seja apenas isso, que as sensações: de estar em contato com Deus ou com o universo; de estar vivendo a própria essência; de estar se individuando; não passem apenas de mais um princípio da natureza (instintos ou arquétipos) se realizando através de nós, mesmo assim, penso que se sujeitar a um princípio que nos dá a plenitude, que diminui a sensação de vazio e a falta de sentido da vida, talvez possa ser mais compensador que a depressão ou ficar preso à necessidade exagerada de realizar qualquer desejo do instinto de prazer para sentir-se vivo.

Por : Milton Sforni

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