CANETAS EMAGRECEDORAS PODEM CAUSAR QUEDA DE CABELO, INFLUENCIAR A VIDA SEXUAL E QUAL O RISCO DO EFEITO RARO DE PERDA DA VISÃO?
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Canetas
emagrecedoras podem causar queda de cabelo? Especialistas explicam
Entenda por que a perda de fios pode
acontecer durante o emagrecimento rápido e como manter cabelos saudáveis
Por O Globo — Rio de Janeiro
26/03/2026 02h30 Atualizado há 7 meses
As chamadas "canetas emagrecedoras" são medicamentos análogos de hormônios intestinais, principalmente o GLP-1, e atuam em diferentes frentes do organismo. De acordo com o nutrólogo Gustavo Sá, do Instituto Long Life em São Paulo, elas ajudam a reduzir o apetite ao agir diretamente no hipotálamo, retardam o esvaziamento gástrico, prolongando a sensação de saciedade, e ainda melhoram a sensibilidade à insulina. O resultado é uma redução significativa da ingestão calórica quase automática, tornando o emagrecimento mais eficiente.
Na prática, essas medicações são altamente eficazes para quem busca perder peso, mas também podem provocar efeitos colaterais que não devem ser ignorados. "Sintomas como náuseas, vômitos, diarreia, constipação e refluxo tendem a ser mais intensos no início, mas costumam melhorar com o tempo e com o ajuste gradual da dose", afirma ao GLOBO.
Queda de cabelo: pode acontecer?
A dermatologista Paula Amorim explica que a perda de cabelo é um efeito relativamente comum, principalmente em pacientes que emagrecem rapidamente.
"Consideramos perda rápida quando o paciente elimina cerca de 10% do peso corporal nos três primeiros meses de tratamento. Essa diminuição já pode provocar alterações nutricionais e metabólicas que impactam o ciclo capilar, levando ao chamado eflúvio telógeno agudo", detalha.
Para minimizar o impacto, a especialista recomenda evitar emagrecimentos muito acelerados e manter acompanhamento multidisciplinar, envolvendo endocrinologista, nutricionista e dermatologista. "Esse cuidado ajuda a preparar a pele e os fios, evitando possíveis efeitos indesejados da medicação", completa.
O cirurgião capilar e tricologista Daniel Amadeu reforça que a queda de cabelo não acontece com todos os pacientes e não há evidências científicas de que os medicamentos sejam a causa direta. "Na prática, observamos que a queda está muito mais ligada à perda de peso rápida, especialmente quando há déficit nutricional significativo", esclarece.
O eflúvio telógeno ocorre quando o organismo, diante de um estresse metabólico, como o emagrecimento acelerado, prioriza funções vitais e reduz temporariamente o ciclo de crescimento dos fios. Normalmente, a condição surge entre o segundo e o quarto mês, justamente quando a perda de peso costuma ser mais intensa. Além disso, a maior saciedade causada pelas canetas pode levar a uma ingestão menor de nutrientes e vitaminas, o que também contribui para o efeito nos cabelos.
Como emagrecer sem prejudicar os fios
Segundo o Dr. Gustavo, o principal cuidado está na forma como essas medicações são utilizadas. "O problema não é a medicação em si, mas a condução do tratamento. Quando o emagrecimento é feito de forma agressiva, sem estratégia nutricional e acompanhamento, o risco de efeitos colaterais, incluindo a queda de cabelo, aumenta significativamente", alerta.
Para emagrecer com segurança, é necessário estruturar o tratamento de forma completa. "As canetas são uma ferramenta, não uma solução mágica. O uso precisa estar inserido em um contexto que inclua ingestão adequada de proteínas, treino de força, acompanhamento laboratorial periódico, suplementação individualizada e suporte emocional e comportamental", destaca.
Dr. Amadeu conclui que, seguindo orientação médica adequada, é possível perder peso com saúde, preservar a qualidade dos fios e evitar efeitos indesejados: "O emagrecimento bem conduzido protege a saúde e garante resultados mais sustentáveis."
Fonte:https://oglobo.globo.com/ela/noticia/2026/03/26/canetas-emagrecedoras-podem-causar-queda-de-cabelo-especialistas-explicam.ghtml
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Canetas
emagrecedoras: como a perda de peso pode influenciar a vida sexual
Especialistas explicam como mudanças no
corpo, na autoestima e nos hormônios afetam desejo e intimidade
Por O Globo — Rio de Janeiro
27/03/2026 02h30 Atualizado há 7 meses
As chamadas "canetas emagrecedoras" se tornaram protagonistas de uma nova revolução no cuidado com o corpo. Inicialmente indicadas para o tratamento de doenças metabólicas, essas medicações rapidamente ganharam popularidade ao promoverem perda de peso significativa. Mas, à medida que os números na balança mudam, outro aspecto começa a entrar na conversa: a vida sexual.
A redução de peso pode impactar diretamente o desejo, a disposição e até a confiança na intimidade. Em alguns casos, o efeito é positivo, com aumento da libido e melhora da performance. Em outros, alterações hormonais ou efeitos colaterais podem levar ao caminho inverso. O tema ainda é cercado de dúvidas e, muitas vezes, de silêncio.
Embora o foco esteja na estética e na saúde, o impacto dessas medicações vai além do espelho e chega também à cama. Entre ganhos de autoestima e possíveis oscilações no desejo, o corpo responde e a vida sexual acompanha essas mudanças.
Para a endocrinologista Renata Mac Dowell, o efeito das canetas emagrecedoras sobre a função sexual é, na maioria dos casos, indireto. "As canetas emagrecedoras não afetam de nenhuma forma os hormônios sexuais, nem femininos, nem masculinos. Então o que acontece muitas vezes é que a paciente que perde peso acaba melhorando o libido, o desejo sexual, por conta de se sentir melhor, está se sentindo mais autoconfiante, com relação ao contrário de piora de libido não é comum e não está associada à medicação", afirma ao GLOBO.
Ela explica que homens com hipogonadismo associado à obesidade, conhecido como MOSH, podem ter baixa testosterona e diminuição da libido, mas que a perda de peso ajuda a reverter esses efeitos. "Muitas vezes esses pacientes, quando perdem peso, seja através das canetas emagrecedoras, cirurgia bariátrica ou mesmo dieta e atividade física, têm uma melhora das taxas de testosterona, com melhora da fertilidade e inclusive melhora da libido e ereção. Então muitas vezes o paciente não precisa repor testosterona e o emagrecimento já é suficiente para essa melhora", relata.
A especialista também ressalta que não há comprovação científica de que esses medicamentos causem piora da disposição ou da função sexual.
"O que a gente tem que ficar bastante atento é à qualidade da alimentação dessas pacientes, para que não se sintam realmente sem energia e não haja desnutrição associada. Todos os macronutrientes têm que estar equilibrados, e os micronutrientes também. Com relação à função sexual, não existe piora. O que existe, em muitos casos, é melhora dessa função sexual quando essa mulher ou esse homem consegue performar melhor, se sentir mais à vontade com o parceiro e se sentir melhor fisicamente. Como consequência, a saúde sexual tem uma melhora importante", destaca.
Por outro lado, o ginecologista Guilherme Henrique dos Santos, da Onne Clinic (RJ), lembra que algumas abordagens para perda de peso podem interferir na intimidade.
"Alguns medicamentos, especialmente os que atuam no sistema nervoso central (como análogos de GLP-1), podem reduzir o apetite geral e isso inclui, em alguns casos, a diminuição do desejo sexual. Além disso, a perda rápida de peso pode impactar o eixo hormonal, levando a alterações em estrogênio e testosterona, que são fundamentais para a libido. Fatores como fadiga, cansaço, menor ingestão calórica e até mudanças na imagem corporal também contribuem para alterações da libido e desejo sexual", esclarece.
Para identificar possíveis alterações, ele lista os sinais que devem ser observados. "Os principais sinais são queda do desejo sexual após o início do medicamento, redução da excitação, menor lubrificação vaginal e dificuldade para atingir o orgasmo. Quando esses sintomas surgem de forma temporalmente associada ao uso da medicação e não estavam presentes antes, vale investigar essa relação. Ajustes de dose ou abordagem multidisciplinar costumam ajudar", acrescenta.
No fim das contas, cada corpo reage de um jeito, mas cuidar da alimentação, da saúde e contar com acompanhamento médico ajuda a tornar a perda de peso benéfica também para a intimidade.
Fonte:https://oglobo.globo.com/ela/noticia/2026/03/27/canetas-emagrecedoras-como-a-perda-de-peso-pode-influenciar-a-vida-sexual.ghtml
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Noia: o que é a
doença rara que pode levar à perda de visão investigada como possível efeito
raro das canetas emagrecedoras pela Anvisa?
Estudos têm associado o uso dos medicamentos a um risco aumentado para neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, porém essa chance permanece baixa mesmo entre os usuários
Por O Globo — Rio de Janeiro
27/09/2026 14h39 Atualizado há um mês
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 14 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia), uma doença rara que pode levar à perda de visão, entre indivíduos que fazem uso dos análogos de GLP-1, classe de medicamentos para diabetes e obesidade que ficou popularmente conhecida como canetas emagrecedoras, segundo o Painel de Notificações de Farmacovigilância do órgão.
Esse monitoramento ativo por parte da agência sanitária é feito para identificar possíveis efeitos raros de medicamentos, que somente aparecem quando são utilizados por um amplo número de pessoas na vida real, acima dos poucos milhares que compõem os estudos clínicos. Ele é chamado de farmacovigilância e é um processo essencial para garantir a segurança dos remédios aprovados para uso no país e reavaliar a relação de custo-benefício do tratamento.
Os casos de Noia representam apenas 0,12% de todos os possíveis efeitos notificados no sistema da Anvisa, considerando os medicamentos semaglutida (do Ozempic e do Wegovy), tirzepatida (da Eli Lilly), liraglutida (do Saxenda e do Victoza) e dulaglutida (do Trulicity). Esses casos não foram confirmados como causados pelas canetas, são apenas suspeitas, e tampouco alteram o perfil dos medicamentos, considerados seguros pela Anvisa.
A Noia é uma doença ocular causada por uma inadequação ou interrupção no fluxo sanguíneo que abastece o nervo óptico, resultando em perda súbita da visão em um ou ambos os olhos. Ela é um desses possíveis efeitos coletarias identificados depois que os medicamentos passaram a ser utilizados por milhões de pessoas pelo mundo. Como precaução, a Anvisa já havia determinado, em junho de 2025, a inclusão da doença como uma reação "muito rara" na bula dos fármacos no Brasil, ou seja, que pode afetar até 1 em cada 10.000 pessoas.
"A decisão foi tomada após análises do Comitê de Avaliação de Risco em Farmacovigilância (PRAC) da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), que identificou a Noia como um possível evento adverso da semaglutida", disse a agência na época. Na ocasião, a Anvisa relatou ainda que investigava 52 notificações de suspeitas de distúrbios oculares relacionados à semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy.
"A decisão foi tomada após análises do Comitê de Avaliação de Risco em Farmacovigilância (PRAC) da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), que identificou a Noia como um possível evento adverso da semaglutida", disse a agência na época. Na ocasião, a Anvisa relatou ainda que investigava 52 notificações de suspeitas de distúrbios oculares relacionados à semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy.
No início daquele mês, a EMA havia feito o mesmo requerimento para os remédios vendidos na União Europeia. A investigação do PRAC analisou uma série de estudos, entre eles um trabalho conduzido por pesquisadores da Universidade de Harvard que encontrou um risco até 7 vezes maior entre pacientes em uso dos medicamentos atendidos num hospital oftalmológico.
“Resultados de diversos estudos epidemiológicos de grande porte sugerem que a exposição à semaglutida em adultos com diabetes tipo 2 está associada a um aumento de aproximadamente duas vezes no risco de desenvolver Noia em comparação com pessoas que não utilizam o medicamento”, disse a EMA, em nota.
O Comitê Consultivo da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a Segurança de Medicamentos (ACSoMP) também avaliou as evidências e concluiu que a Noia deveria ser incluída como um risco potencial nos documentos que acompanham os remédios. Isso não quer dizer, porém, que os fármacos sejam contraindicados ou deixem de ter um perfil de segurança favorável para a grande maioria dos pacientes.
“A OMS está emitindo este alerta de segurança devido ao uso global generalizado da semaglutida e à gravidade da Noia. Além disso, a OMS recebeu relatos individuais de segurança de casos de Noia após a administração de semaglutida de vários países por meio do VigiBase, o banco de dados global de eventos adversos relatados de medicamentos”, escreveu a organização em nota na época.
A Anvisa explicou que se trata de uma condição que pode ser irreversível e que exige atenção imediata: "Os profissionais devem alertar seus pacientes sobre este risco, mesmo que raro, e orientá-los sobre os sinais de alerta. Os pacientes que tiverem sintomas como perda repentina de visão, visão turva ou piora rápida da visão durante o tratamento com semaglutida devem procurar atendimento médico imediatamente. Caso a Noia seja confirmada, o tratamento deve ser interrompido”.
Ao g1, a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, afirmou que "considerando a totalidade das evidências de ensaios clínicos, relatos pós-comercialização e estudos observacionais, juntamente com a taxa de incidência geralmente baixa de Noia, entende que o perfil de benefício-risco da semaglutida permanece favorável".
Já a Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro, disse manter "discussões contínuas com as autoridades regulatórias sobre possíveis temas de segurança" e que continuará "avaliando os dados, incluindo quaisquer informações relacionadas a questões oftalmológicas". "Se alguém apresentar efeitos colaterais ao utilizar um medicamento da Lilly, deve conversar com seu médico ou outro profissional de saúde", complementou.
Fonte:https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/09/27/noia-o-que-e-a-doenca-rara-que-pode-levar-a-perda-de-visao-investigada-como-possivel-efeito-raro-das-canetas-emagrecedoras-pela-anvisa.ghtml
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