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Por que a resposta a vacinas varia de pessoa para
pessoa?
Pessoas sem histórico de doenças
crônicas, transplantes ou cânceres podem apresentar uma resposta imunológica
mais forte do que demais pacientes
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23/08/2026 15h00 Atualizado há 2
semanas
Um novo estudo publicado na revista científica Cell Press Blue investigou uma questão persistente na imunologia: por que nem todas as pessoas têm respostas imunológicas às vacinas?
Acontece que, antes mesmo da vacina entrar no seu corpo, o sistema imunológico já pode possuir pistas em relação à intensidade da resposta. Isso foi descoberto pelos pesquisadores da ASU (Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos) após analisarem os anticorpos – estes retirados de 8.687 amostras de sangue de 4.089 pessoas – contra 185 antígenos.
Frente à quantidade de dados e informações para serem observadas, a equipe decidiu utilizar a IA (inteligência artificial) para analisar padrões em amostras coletadas antes e depois da imunização contra a Covid-19. Esse processo se deu pela identificação de “assinaturas de anticorpos” (o que passaremos a chamar de “biomarcadores”) que ajudaram a distinguir pacientes com forte resposta à vacina daqueles com resposta fraca.
É essa subversão tomada pela pesquisa que a tornou ainda mais interessante. Afinal, ao invés de medir se o sistema imunológico produziu anticorpos após a vacinação, a equipe da ASU buscou saber se padrões já presentes no sangue poderiam prever as respostas antes. Para isso, fatores como idade, sexo, genética, doenças prévias e condições de saúde foram levados em consideração.
O objetivo é que os cientistas, com o auxílio da tecnologia, consigam prever quem provavelmente responderá bem a uma vacina mesmo antes de a receber. “Isso sugere que algumas pessoas podem estar mais preparadas imunologicamente do que outras”, disse Joshua LaBaer, da ASU, em comunicado.
O que o estudo descobriu?
Além de incluírem o SARS-CoV-2 como um dos antígenos testados, os pesquisadores também selecionaram outros vírus e bactérias associados a doenças autoimunes. Não à toa, entre os participantes, havia pessoas com doenças ou tratamentos relacionados à supressão imunológica, como HIV, mieloma múltiplo, transplantes e cânceres.
A partir disso, eles descobriram que vários participantes imunossuprimidos eram mais propensos a apresentar respostas atenuadas à imunização contra a Covid-19. Em teoria, isso quer dizer que, pessoas com condições que comprometem o sistema imunológico geralmente apresentam maior risco de respostas mais fracas, mas, o que foi observado na pesquisa foi que alguns pacientes com esse mesmo perfil apresentaram respostas fortes.
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Também foi descoberto que níveis mais elevados de certos anticorpos – estando estes já presentes no organismo antes da vacinação – estavam associados a respostas mais fortes à vacina contra a Covid-19.
A esses anticorpos, os cientistas batizaram como “sentinelas”, uma vez que eles podem funcionar como uma espécie de sinal da preparação imunológica de cada pessoa. No entanto, isso não significa que estejam necessariamente combatendo o vírus contra o qual a vacina foi desenvolvida. Na prática, eles podem apenas refletir a capacidade do sistema imunológico de reagir diante de um novo estímulo.
Mas a equipe foi além: em vez de observar somente alguns desses marcadores, os pesquisadores quiseram descobrir se a “impressão digital” completa dos anticorpos de uma pessoa poderia revelar quem teria maior probabilidade de apresentar uma resposta vacinal fraca. Para isso, a IA analisou padrões presentes em todo o painel de anticorpos e, assim, construiu um perfil imunológico mais amplo.
Os resultados são um panorama muito mais abrangente das experiências imunológicas que o organismo acumulou ao longo da vida. E apesar da potencialidade, ainda é cedo para transformar essas descobertas em uma ferramenta clínica, já que as revelações recentes precisam ser validadas em estudos futuros.
Caso os achados sejam confirmados, os chamados anticorpos “sentinelas” poderão ajudar em diferentes etapas da vacinação. Entre as possibilidades estão o direcionamento de testes de novas vacinas, o desenvolvimento de imunizantes mais eficazes e a identificação de pessoas com maior risco de apresentar respostas imunológicas insuficientes.
Fonte:https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/08/por-que-a-resposta-a-vacinas-varia-de-pessoa-para-pessoa.ghtml
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