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Poluição,
microplásticos e câncer
Ar contaminado e partículas plásticas
no corpo humano estão entre as ameaças atuais
Por
Paulo
Hoff
18/01/2025 04h30 Atualizado há 5 meses
O número de pacientes com câncer não para de crescer e, recentemente, o meio médico foi surpreendido por um desconcertante aumento no número de casos em jovens com menos de 50 anos, uma população tradicionalmente de menor risco. As principais causas conhecidas de tumores malignos incluem propensão genética, envelhecimento, sedentarismo, obesidade, ingestão excessiva de bebidas alcoólicas e de alimentos ultraprocessados, viroses (como HPV e hepatite) e exposição solar, entre outros fatores menos comuns.
Obesidade, sedentarismo e infecções virais são mais prevalentes agora do que há décadas atrás, e podem contribuir para o aumento da incidência de câncer entre os jovens, mas não parece ser o suficiente para explicar os números atuais. Além disso, temos visto aumento na incidência de certos tumores, como câncer de pulmão não relacionado a tabagismo.
Durante muito tempo houve uma percepção de que a poluição, associada a industrialização e urbanização, poderia estar contribuindo para o desenvolvimento de alguns tipos de tumores, mas não tínhamos prova definitiva disso. Algumas descobertas recentes infelizmente mudaram esse quadro. A poluição ambiental, particularmente do ar, está claramente associada a um aumento na incidência de câncer de pulmão, mesmo entre não fumantes. Dados sugerem que o ar poluído também pode estar relacionado ao surgimento de tumores na mama, fígado e pâncreas.
Um fator novo e preocupante nesta equação está representado por uma “ilha de plástico” com mais de 1,6 milhão de quilômetros quadrados no meio do Oceano Pacífico. O plástico é certamente uma das maiores descobertas da humanidade, fundamental para a sociedade moderna, mas há evidências de que estamos criando um inimigo invisível. Uma vez atirado ao meio ambiente, ele se decompõe de forma extremamente vagarosa. Com o passar do tempo, se transforma em micro e em nano partículas, algumas delas potencialmente cancerígenas, que poluem a terra, a água e o mar. Nos últimos anos, cientistas e pesquisadores vêm identificando microplásticos, inalados ou ingeridos por humanos, alojados no sangue, coração, pulmões, rins, fígado, intestino, células, placenta, leite materno e até no cérebro. Sua presença pode estar contribuindo para que as pessoas sejam acometidas não somente por tumores, mas por distúrbios respiratórios, infertilidade e até mesmo AVC e infarto.
Uma revisão sistemática conduzida por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, avaliou 3 mil estudos científicos e indicou que partículas de microplásticos presentes no meio ambiente podem contribuir com o desenvolvimento de câncer de pulmão e de cólon em homens e mulheres. Outro estudo, publicado na Nature Scientific Reports, relata que a poluição por microplásticos pode até acelerar a metástase de câncer de mama, favorecendo o agravamento de um tumor já existente.
O pouco que já se descobriu até aqui pela comunidade científica já é o suficiente para acender um alerta. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) entende que são necessárias ainda mais pesquisas e o aprofundamento do conhecimento sobre os efeitos dos microplásticos na saúde, e que a poluição plástica no meio ambiente precisa ser veementemente combatida.
Como minimizar a poluição plástica? O primeiro passo é fazermos cada um a nossa parte em relação à redução do consumo de materiais plásticos, principalmente os descartáveis, além de adotar medidas como separação de resíduos e reciclagem. Trata-se de um esforço que deve incluir indivíduos, sociedade e o poder público. Além disso, é fundamental estimularmos mais pesquisas que ofereçam informações mais completas e confiáveis, além de desenvolvermos medidas efetivas para reduzir os principais riscos associados a essa nova forma de poluição.
Fonte:https://oglobo.globo.com/blogs/receita-de-medico/post/2025/01/poluicao-microplasticos-e-cancer.ghtml
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