OS SINAIS INICIAIS DE CÂNCER DE MAMA QUE VOCÊ NÃO DEVE IGNORAR

 


Os sinais iniciais de câncer de mama que você não deve ignorar

Descubra os sinais precoces do câncer de mama, entenda a importância do autoconhecimento e saiba quando procurar um especialista

Por 

Maria Mesquita (mariamesquita_)

11/10/2025 08h55  Atualizado há 11 meses

O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo. Só em território nacional, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima mais de 73 mil novos diagnósticos por ano entre 2023 e 2025, o que representa uma incidência de cerca de 42 casos para cada 100 mil mulheres. Excluindo os tumores de pele não melanoma, ele é o câncer mais frequente em todas as regiões brasileiras, com maior concentração no Sul e no Sudeste. A estatística assusta, mas também reforça que, quando é descoberto cedo, tem chances de cura que ultrapassam 95%.

O problema é que nem sempre os sinais aparecem de forma óbvia. Ao contrário do que muita gente pensa, a doença não está ligada apenas ao caroço palpável e, na maioria das vezes, não causa dor nos estágios iniciais. Mudanças aparentemente discretas, como a alteração na textura da pele, retração do mamilo, secreção inesperada ou até uma diferença sutil no tamanho dos seios, podem ser os primeiros alertas de que algo não vai bem. E, justamente por serem sinais mais sutis, muitas mulheres os ignoram ou os confundem com alterações benignas, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento.

É nesse ponto que a informação, o autoconhecimento do corpo e os exames de rastreamento entram. Saber o que observar diante do espelho ou durante o toque das próprias mamas é tão importante quanto manter consultas de rotina com o mastologista. Afinal, o câncer de mama não escolhe idade ou histórico familiar, embora o risco seja maior em mulheres com parentes que já tiveram a doença, a maioria dos diagnósticos ocorre em quem nunca teve casos na família.


Para ajudar a identificar esses sinais precoces e entender quando é hora de procurar ajuda médica, conversamos com o oncologista e mastologista Wesley Pereira Andrade e a mastologista Carolina Mühlberger. Eles explicam quais mudanças nas mamas exigem atenção imediata, os mitos que ainda confundem muitas mulheres e por que o diagnóstico precoce é a chave para tratamentos mais leves e resultados muito mais positivos.


Quais são os primeiros sinais de câncer de mama?

Quando se fala em câncer de mama, a primeira imagem que vem à mente é geralmente a de um nódulo palpável. E, de fato, ele continua sendo o sinal mais comum nos estágios iniciais: um caroço endurecido que não desaparece após o ciclo menstrual deve sempre chamar atenção. “O nódulo é percebido em até 60 a 80% dos casos que as mulheres detectam sozinhas”, explica o oncologista e mastologista Wesley Pereira Andrade.

Porém, nem todo nódulo é câncer de mama e nem sempre ele se manifesta como um caroço. Mudanças na pele das mamas, como vermelhidão persistente, textura que lembra casca de laranja ou áreas endurecidas, podem ser sinais de alerta que você não deve ignorar. “Alterações na cor ou na firmeza da pele, especialmente quando aparecem de forma unilateral e não desaparecem, nunca devem ser ignoradas e sim investigadas ”, reforça Wesley. Outro indício importante é a retração da pele ou inversão recente do mamilo, que pode indicar alterações no tecido mamário mais profundas.

Além disso, qualquer secreção espontânea, seja transparente ou com sangue, é motivo imediato para avaliação médica. “Secreções isoladas, mesmo que discretas, precisam de atenção. Elas podem ser o primeiro indício de um tumor em fase inicial”, completa o especialista. O aumento dos gânglios na axila, popularmente chamados de “ínguas”, também é um sinal que merece investigação, visto que o corpo pode indicar, por meio desses linfonodos inchados, que há alguma alteração no tecido mamário que precisa ser examinada. E até as alterações mais sutis, como descamação ou coceira persistentes no mamilo devem ser levadas a sério. De acordo com Wesley, esse tipo de sinal pode indicar o carcinoma de Paget, uma forma rara de câncer que afeta o mamilo e frequentemente é confundida com alergia ou dermatite. “Quando a coceira ou descamação não melhora com cremes ou corticoides, é fundamental buscar avaliação médica”, alerta.


Toda dor na mama é sinal de câncer?

Muitas mulheres ficam em alerta ao sentir dor nas mamas, mas, na maioria dos casos, esse sintoma não está relacionado ao câncer. “A dor isolada geralmente é causada por variações hormonais, uso de anticoncepcionais, estímulos mecânicos ou mesmo a tensão pré-menstrual (a famosa TPM)”, explica Wesley.

Ainda assim, existem situações que exigem atenção redobrada. Quando a dor é persistente, localizada e vem acompanhada de um nódulo ou alteração na pele, é sinal de que uma avaliação médica imediata é necessária. A mastologista Carolina Mühlberger reforça que, embora raro, o câncer de mama pode, em certos estágios, causar desconforto quando invade tecidos próximos à pele, músculos ou nervos.

Como conhecer o próprio corpo ajuda na detecção precoce

O autoconhecimento é um aliado poderoso na identificação de sinais precoces. Diferente do tradicional autoexame, que foca apenas em “achar um nódulo”, o autoconhecimento envolve observar alterações na forma, textura e cor dos seios, além de verificar secreções ou assimetrias. Segundo Wesley, o ideal é realizar essa observação mensalmente, entre o 7º e o 10º dia do ciclo menstrual, tanto em frente ao espelho quanto durante a palpação, deitada, passando a mão sobre toda a mama e axila. “Quando a mulher entende como suas mamas normalmente se apresentam, qualquer mudança, por menor que seja, se torna perceptível. Isso é muito mais importante do que encontrar algo isoladamente”, afirma. Ele reforça que sinais persistentes, mesmo discretos, merecem atenção, pois podem indicar alterações iniciais no tecido mamário.

A mastologista Carolina Mühlberger destaca que o autoconhecimento é especialmente relevante para mulheres jovens, cuja mama é mais densa e composta por maior quantidade de glândulas do que gordura, dificultando a detecção de nódulos apenas pelo toque. “Mulheres com mamas mais densas podem não perceber um caroço imediatamente, mas vão notar diferenças de formato, endurecimento localizado ou secreções. Por isso, observar o corpo regularmente é essencial”, explica. Já nas mulheres pós-menopausa, alterações como retração de pele, secreções anormais ou espessamento do tecido mamário costumam ser mais facilmente percebidas, tanto pelo autoconhecimento quanto pelos exames de rastreamento, facilitando a detecção precoce.


Além disso, o autoconhecimento funciona como complemento aos exames de rastreamento, como a mamografia, o ultrassom ou a ressonância magnética, e não como substituto. Ele permite que a mulher leve informações precisas ao mastologista, apontando exatamente onde algo mudou, agilizando o diagnóstico e aumentando as chances de detecção precoce.

Quando procurar um mastologista e a importância do rastreamento

Saber identificar sinais de alerta é apenas parte da prevenção. O próximo passo é saber quando procurar um mastologista e manter exames regulares de rastreamento, que podem fazer toda a diferença na detecção precoce do câncer de mama.

O oncologista e mastologista Wesley Pereira aponta que qualquer alteração persistente nas mamas, mesmo que discreta, deve levar a mulher a buscar avaliação médica. Isso inclui nódulos, mudanças de formato, retração da pele ou do mamilo, secreções, vermelhidão localizada ou espessamentos sutis. “Não espere que o sintoma cresça ou cause dor. Quanto antes a mulher procurar um mastologista, maiores são as chances de identificar o câncer em estágio inicial e tratar de forma menos invasiva”, alerta o especialista.

No entanto, por mais que não haja nenhum sintoma, a consulta regular também é essencial. Mulheres sem histórico familiar devem iniciar o acompanhamento por volta dos 35 anos, enquanto aquelas com fatores de risco, como parentes com câncer de mama ou ovário, ou portadoras de mutações genéticas (BRCA1, BRCA2, TP53), devem começar ainda mais cedo, às vezes na faixa dos 20 anos. “O histórico familiar funciona como um alerta silencioso: quem tem casos na família precisa de atenção redobrada”, explica o oncologista.


Fonte:https://glamour.globo.com/bem-estar/saude/noticia/2025/10/os-sinais-iniciais-de-cancer-de-mama-que-voce-nao-deve-ignorar.ghtml

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