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O surpreendente
papel do intestino e suas bactérias
Muito se fala sobre a relação da
microbiota com o aparecimento de algumas doenças
Por
Paulo
Hoff
20/01/2024 04h30 Atualizado há 5 meses
O corpo humano é, e talvez sempre será, um dos grandes objetos de curiosidade e estudo da ciência. A formação, funcionamento, interligação e comunicação entre os órgãos, a maneira com que as doenças se desenvolvem e a forma como ele se recupera fascina e desafia a medicina há séculos. Em um primor de eficiência e racionalidade, todos os processos do nosso corpo são essencias. Tudo trabalha em harmonia e não há desperdícios. Entretanto, é natural que alguns órgãos tenham maior relevância e possam mudar nossa saúde, positiva e negativamente. Talvez isso seja uma surpresa para muitos, mas um dos nossos principais orgãos é o intestino.
No sistema digestivo, o alimento que ingerimos passa por diversos órgãos (boca, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e reto). Durante esse caminho, a comida percorre diferentes fases, até que esteja pronta para ser absorvida. A transformação do alimento em nutrientes que são utilizados ou não pelo corpo é o que chamamos de digestão.
Além dessa importante funcionalidade fisiológica, fica cada vez mais evidente que o intestino tem um papel ainda maior na saúde humana. Por exemplo, frequentemente o intestino é chamado de “segundo cérebro”, já que há uma grande rede de neurônios em toda a sua extensão. Acredita-se hoje que essa rede neuronal não somente controla o funcionamento do intestino, mas talvez possa influenciar nossas emoções, sono e até estar envolvida no desenvolvimento de alguns transtornos mentais.
Surpreendentemente, nosso intestino possui um número bem maior de bactérias do que temos de células humanas no corpo. Essa população de microrganismos, antigamente chamada de flora intestinal, é conhecida agora como microbiota. Composta por diversos tipos de bactérias, na sua maioria que não causam mal à saúde, a microbiota de cada pessoa tem características únicas, de acordo com o estilo de vida do indivíduo, alimentação, idade e até fatores ambientais. Suas funções incluem reduzir eventuais inflamações no órgão, ajudar no bom funcionamento do sistema imunológico, e facilitar a absorção de nutrientes e vitaminas.
Muito se fala sobre a relação da microbiota com o aparecimento de algumas doenças. Quando a microbiota é alterada pelo crescimento de bactérias patogênicas, dizemos que há uma disbiose. A maioria dos casos de disbiose está associada à alimentação, e provavelmente se resolvem espontaneamente de maneira rápida. Mas em alguns casos ela persiste e postula-se que esteja associada ao desenvolvimento de diversas doenças, incluindo até mesmo câncer.
Ainda há dúvidas se a mudança da microbiota é a causa ou consequência do câncer, mas certamente há uma relação importante, inclusive prognóstica. Alguns estudos chegam a sugerir que a disbiose pode afetar a capacidade do tumor para formar metástases, e também sua sensibilidade ao tratamento quimioterápico ou imunoterápico.
A disbiose pode surgir por uma série de causas, incluindo uma dieta desequilibrada, com excesso de gordura e alimentos industrializados. Recentemente também ficou mais evidente que o uso indiscriminado de antibióticos pode alterar negativamente a microbiota. Este fator, inclusive, serve de alerta para que os antibióticos somente sejam usados quando realmente indicados e sob supervisão médica.
Ainda há muitas incertezas sobre qual seria a melhor mistura de bactérias para reparar e manter uma microbiota saudável. Muitos estudos têm investigado as melhores opções para reduzir a disbiose, com modificações da dieta, uso de probióticos específicos e até transplante de fezes, algo ainda bastante novo, mas útil em certas situações. Uma dieta equilibrada, rica em proteínas, fibras, frutas e vegetais frescos, e gorduras boas parece ser fundamental para uma microbiota equilibrada.
Ainda estamos aprendendo que nosso corpo é altamente influenciado por uma microbiota boa ou ruim. Precisamos de um intestino equilibrado para absorver os nutrientes e vitaminas da maneira correta, e colaborar para uma vida saudável. Impossível enfatizar demais a importância de uma boa alimentação e dos hábitos saudáveis. A célebre frase “O homem é o que come”, de Hipócrates, nunca foi tão verdadeira.
Fonte:https://oglobo.globo.com/blogs/receita-de-medico/post/2024/01/o-surpreendente-papel-do-intestino-e-suas-bacterias.ghtml
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