/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_fde5cd494fb04473a83fa5fd57ad4542/internal_photos/bs/2026/A/U/Wtx9GeRPW59oEz5AFCEA/chronic-myeloid-leukemia-smear-2009-04-09.jpeg)
Novo método mata células de câncer dando
"burnout" nelas; entenda
Estratégia experimental combina dois
medicamentos para forçar a leucemia a manter um ritmo de atividade que ela não
consegue sustentar
Por
08/09/2026 11h04 Atualizado há 18 horas
Segundo os resultados descritos em maio em artigo na revista Molecular Cancer, a combinação também foi capaz de eliminar células-tronco leucêmicas, que estão entre as responsáveis pela persistência da doença e possíveis recaídas. Vale lembrar que a LMA é um câncer que se desenvolve no sangue e na medula óssea, onde são produzidas as células sanguíneas.
Curto-circuito do câncer
Para entender a estratégia, é preciso olhar para o funcionamento interno da célula. Uma das peças envolvidas é a mTOR, uma proteína que ajuda a decidir quanto a célula deve crescer, produzir componentes e permanecer ativa.
Os cientistas criaram o AcTor, uma molécula que interfere nos mecanismos que regulam essa proteína. Seu objetivo é impedir que a célula reduza sua atividade quando fica sem energia.
Na outra ponta da combinação está o Ixazomib (IXZ). Nos experimentos, ele interfere no funcionamento das mitocôndrias, estruturas responsáveis por produzir boa parte da energia utilizada pela célula.
A lógica é fazer os dois processos entrarem em conflito: a célula recebe sinais para continuar trabalhando, mas passa a ter menos energia disponível para manter esse esforço. O desgaste provocado por essa situação compromete seu funcionamento e pode levá-la à morte.
Essa abordagem foi testada em células de LMA, em amostras obtidas de pacientes e em camundongos.
Células ligadas à recaída
Um dos achados mais relevantes do estudo foi a ação sobre as chamadas células-tronco leucêmicas. Elas são uma população de células cancerosas com capacidade de sustentar a doença e podem permanecer mesmo depois que a maior parte das células do tumor desaparece.
Nos experimentos, os pesquisadores também observaram efeito em casos de LMA com alterações no gene TP53. Essa característica está associada a formas mais difíceis de tratar da doença e a um prognóstico menos favorável.
“Observamos também que nosso tratamento desencadeou a liberação de uma proteína (ADM2), que, portanto, poderia servir como um biomarcador para a resposta ao tratamento”, afirma Leif Eriksson, um dos líderes do trabalho, em comunicado publicado nesta terça-feira (8). “Isso poderia orientar futuros estudos translacionais e clínicos.”
Biomarcador é uma substância ou característica que pode ser medida para indicar o que está acontecendo no organismo. Neste caso, a ADM2 poderá ser estudada como um possível indicador de resposta à terapia.
Resultados restritos à fase pré-clínica
Apesar dos resultados iniciais, a descoberta ainda não significa que o método esteja disponível para pessoas com leucemia. Os testes apresentados até agora são pré-clínicos, realizados antes da etapa que envolve voluntários humanos.
Na próxima fase, a proposta será aprofundar os estudos para verificar se a estratégia é segura e eficaz o suficiente para avançar para ensaios clínicos. Só depois de sucessivas etapas de avaliação seria possível considerar uma aplicação em pacientes.
“Nosso estudo é um exemplo da mudança de foco da pesquisa para o metabolismo do câncer dentro das células, em vez de depender exclusivamente de métodos que danificam o DNA”, observa Eriksson.
Fonte:https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/09/novo-metodo-mata-celulas-de-cancer-dando-burnout-nelas-entenda.ghtml
Comentários
Postar um comentário