CONHEÇA A INJEÇÃO CONSIDERADA UMA VACINA INJETÁVEL CONTRA PSORÍASE QUE TEM APRESENTADO BONS RESULTADOS NA PRÁTICA

Psoríase Imunobiológico. Tratamento em Porto Alegre.

Conheça a injeção para psoríase




Doenças inflamatórias, como a psoríase em placas, a artrite psoriática e a espondilite anquilosante, podem ter um grande impacto na vida das pessoas. Essas condições, apesar de nem sempre causarem riscos graves à saúde, podem ter um peso elevado na autoestima.

Por isso, os tratamentos são importantes para a qualidade de vida de pacientes. Entre eles há o , um medicamento que tem demonstrado bons resultados no controle dessas doenças.

O que é ?

 é um medicamento anti-inflamatório aplicado de forma injetável, usado para tratar a psoríase em placas, a artrite psoriática e a espondilite anquilosante. Em geral, sua aplicação é semanal, durante 4 semanas, seguida de aplicações mensais, chamadas de doses de manutenção.

Por ser injetável e bastante específico, o medicamento começa a fazer efeito rapidamente, levando poucas semanas para que a melhora dos sintomas seja notada.

A embalagem vem 1 ou 2 canetas de aplicação, cada uma com 150mg da substância ativa do , que é o Secuquinumabe, concentrados em 1mL de solução injetável.

Essa substância, que é um anticorpo monoclonal (tipo de proteína), age em uma molécula envolvida na inflamação e alguns outros processos do sistema imune. Assim, inibe os sintomas e controla as doenças.

O medicamento foi aprovado e disponibilizado em janeiro de 2015 nos EUA, sendo aprovado no Brasil em 28 de dezembro de 2015.

Para que serve ?

A Secuquinumabe, que é a substância ativa do medicamento , é um anticorpo monoclonal IgG1 humano que se liga à proteína IL-17A. Essa proteína está diretamente relacionada com a psoríase, espondilite anquilosante e artrite psoriásica. Isso porque as 3 doenças têm ordem inflamatória.

Saiba mais sobre cada uma:

Psoríase em placas 

 é indicado no tratamento da psoríase em placas, uma inflamação que afeta a pele. Ela é caracterizada pela formação de placas vermelhas, com escamas esbranquiçadas ou prateadas e secas. Em geral, elas coçam e doem, podendo sangrar em casos mais graves.

Nos quadros moderados ou graves, o medicamento pode ser empregado, visando reduzir a inflamação e os sintomas secundários da doença.

Artrite psoriásica

A artrite psoriásica é um tipo de psoríase que, além da pele, também acomete as articulações. Assim, pacientes com a doença podem manifestar lesões de pele espessas e avermelhadas, coceira, dor e descamação, além do comprometimento articular, como dor intensa e dificuldades de movimentação.

O uso do  é indicado quando outros medicamentos antirreumáticos modificadores do curso da doença (DMARDs) já foram utilizados e não surtiram efeito. Além disso, ele pode ser receitado isolado ou em combinação com metotrexato.

Espondilite anquilosante

A Espondilite anquilosante é uma doença reumática que afeta as articulações da coluna vertebral e também outras grandes articulações. A condição causa dores intensas, inclusive quando a pessoa está em repouso, podendo desencadear inflamações nos olhos, intestino e levar a problemas cardíacos.

 se torna uma opção para pacientes que não responderam aos tratamentos iniciais com outros medicamentos.

É uma injeção para psoríase?

A substância Secuquinumabe é uma das que são conhecidas como injeção para psoríase. Além dela, há também Guselcumabe e o Ixequizumabe, que também são medicamentos biológicos e injetáveis.

A Ixequizumabe tem uma ação parecida com a Secuquinumabe, agindo na interleucina 17, já a Guselcumabe atua sobre a interleucina 23, uma outra proteína relacionada à inflamação e outros sintomas da psoríase.

Todas essas injeções têm demonstrado bons efeitos, sendo que a escolha depende de análises individuais de cada quadro.

Como é a aplicação?

A aplicação do  é subcutânea e pode também ser feita em casa, pelo próprio paciente, desde que o médico ou médica oriente adequadamente e a pessoa se sinta segura para fazê-la.

Caso a aplicação seja feita em clínicas ou unidades de saúde, médicos ou enfermeiros serão responsáveis pelo manuseio e aplicação de todo o medicamento.

Se for feita em casa, é importante que a pessoa siga alguns passos para a correta administração. Em geral, é bastante simples:

Os locais de aplicação são a parte da frente da coxa ou inferior do abdômen (mantendo ao menos cerca de 6cm de distância do umbigo). O braço pode ser um local de aplicação, mas nesse caso deve ser feito por outra pessoa, logo que é um local de difícil posicionamento.

É necessário fazer rodízio, ou seja, escolher lugares diferentes a cada aplicação. Também é necessário evitar locais com hematomas, descamação ou ferimentos.

Antes de tudo, a pele de ser limpa com algodão com álcool.

O medicamento vem em uma caneta de injeção, por isso, não tem seringa ou ampola. Então, basta remover a tampinha e girá-la no sentido indicado pelas setas. Depois de aberta, a aplicação deve ocorrer em até 5 minutos e não há possibilidade de guardar ou recolocar a tampa na caneta.

A posição da caneta deve ser em um ângulo de 90 graus (ou seja, em pé), mantendo-a bem reta. Basta pressionar a caneta contra a pele para que a agulha seja inserida e a injeção inicie.

Um primeiro clique será ouvido e o indicador verde vai demonstrar o progresso da injeção.

Após o segundo clique, fique de olho no indicador verde. Quando ele parar de se mover, você pode retirar a agulha.

Pequenas quantias de sangue podem vazar, mas basta limpar com um algodão. Assim como outras injeções ou perfurações, o local pode ficar roxo e sensível.

 é fornecido pelo SUS e planos de saúde?

Sim, desde que haja indicação médica dermatológica, o  é fornecido pelo Sistema Único de Saúde e pelos principais planos de sáude, para o tratamento da psoríase em placas, artrite psoriásica ou espondilite anquilosante.

Em alguns casos, para a obtenção do medicamento, é preciso entrar com um processo judicial, apresentando também um orçamento judicial.

Reações: quais os efeitos adversos?

A aplicação do  pode causar efeitos adversos leves ou moderados, que são comuns e, em geral, não representam riscos. É bastante frequente ocorrer infecções do trato respiratório, causando dor de garganta e nariz entupido.

Diarreia, aftas, erupções cutâneas com coceira e nariz escorrendo também são reações adversas comuns. Menos frequentes são as manifestações de candidíase oral, alterações nas taxas de glóbulos brancos, pé de atleta e conjuntivite.

Em geral, esses quadros não são graves, porém, se houver dificuldade de respirar, inchaço no rosto, lábios, língua ou garganta ou coceira grave com erupções cutâneas, deve-se ir imediatamente ao hospital.

Engorda ou emagrece?

A bula do  não indica que o medicamento pode causar alterações no peso, seja engordar ou emagrecer.

No entanto, cada organismo pode reagir de formas diferentes à ação medicamentosa, fazendo com que a pessoa ganhe ou perca peso, sobretudo se houver efeitos adversos, como náuseas. Isso porque, nesses casos, pode haver alteração da alimentação.

Os tratamentos para psoríase, artrite psoriática e espondilite anquilosante têm evoluído bastante. Isso garante melhor qualidade de vida e bem-estar às pessoas que convivem com algumas dessas doenças.

As terapias à base de medicações injetáveis biológicas, como é o caso do , demonstram bons resultados e rápida ação.

Importante: Nós não comercializamos este produto, apenas realizamos a indicação e a prescrição necessária para o tratamento. A partir disso, encaminhamos para uma clínica de infusão, onde é realizada a comercialização e a aplicação do produto.

 
*Dra Juliana Fonte é uma médica especializada em dermatologia, área de conhecimento que se concentra no diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças e afecções relacionadas à pele, pelos, mucosas, cabelo e unhas. Ela é também especializada na atuação em procedimentos médicos estéticos e cirúrgicos na área da dermatologia.

Fonte:https://julianafonte.com.br/conheca-a-injecao-para-psoriase/


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23 de junho de 2021; 13(6):e15860. doi: 10.7759/cureus.15860

Psoríase: vacinar ou não vacinar?

Editores: Alexander Muacevic , John R Adler
PMCID: PMC8301291 PMID: 34327086

Resumo

A psoríase é uma doença autoimune crônica e inflamatória, caracterizada por placas vermelhas, secas, pruriginosas e descamativas de crescimento anormal da pele nos cotovelos, joelhos e/ou couro cabeludo, que podem impactar negativamente a qualidade de vida e as atividades diárias do paciente. Tanto a predisposição genética quanto fatores ambientais, que podem variar em suscetibilidade e efeito, incluindo infecções, estresse, medicamentos e baixas temperaturas, podem levar ao surgimento e à progressão da psoríase. Esta revisão tem como objetivo destacar os avanços recentes na compreensão da fisiopatologia da psoríase e fornecer informações sobre a importância da vacinação e seu papel na redução do risco de infecção em pacientes com psoríase. A vacinação demonstrou reduzir o risco de infecção em pacientes com psoríase e em indivíduos com outras doenças autoimunes.  No entanto, a vacinação ainda é limitada entre pacientes com doenças autoimunes.  É necessário aumentar a conscientização sobre os benefícios da vacinação entre os profissionais de saúde, devido ao impacto abrangente na vida desses pacientes. O objetivo desta revisão bibliográfica é examinar os dados existentes para determinar se a vacinação é benéfica para pacientes com psoríase. Aqui, focamos principalmente nas vacinas contra influenza, pneumococo e herpes zoster e em como a imunização beneficia ou afeta negativamente os pacientes com psoríase. De modo geral, constatamos que a maioria dos estudos sobre psoríase e vacinação apoia a imunização dessa população de pacientes, particularmente com vacinas não atenuadas; no entanto, mais estudos são necessários para desenvolver um esquema de vacinação recomendado para pacientes com psoríase.

Palavras-chave: paciente imunocomprometido, fisiopatologia da psoríase, tratamento da psoríase, vacinação, papel da vacinação na psoríase

Introdução e contexto

A psoríase é uma doença autoimune inflamatória crônica que demonstrou impactar negativamente a qualidade de vida do indivíduo, dobrando a ideação suicida [ ]. Dados demonstraram uma predisposição genética e fatores ambientais não específicos, incluindo infecção, estresse, medicamentos e temperaturas frias, podem levar ao início e progressão da doença [ ].

A psoríase pode se desenvolver em várias formas, incluindo psoríase em placas, inversa, gutata e pustulosa, cada uma com fenótipos clínicos semelhantes e distintos [ ]. Quase todas as formas de psoríase apresentam lesões com características comuns, variando em tamanho de um alfinete a 20 cm de diâmetro. A forma mais comum de psoríase é a psoríase em placas, que se apresenta com lesões cutâneas elevadas e vermelhas, cobertas por escamas prateadas, que podem surgir em qualquer parte do corpo. A psoríase inversa ocorre frequentemente em dobras da pele, como axilas, virilha ou sob os seios. Essa condição se apresenta com lesões vermelhas brilhantes e lisas que se agravam com o calor e o suor. Essas lesões também podem ser encontradas nas extremidades como pequenas, escamosas e com formato de gotas de água. A psoríase gutata ocorre tipicamente em adultos jovens e crianças e se apresenta de forma recorrente. Essa condição surge após infecções bacterianas, como a estreptocócica . A psoríase pustulosa é a forma menos comum de psoríase e apresenta-se com lesões vermelhas com pus e outros sintomas, incluindo febre, calafrios, fadiga e/ou náuseas [ ].

A patogênese da psoríase ainda não foi completamente elucidada. Pesquisas têm demonstrado que o início e a progressão da psoríase provavelmente estão associados a uma predisposição genética, incluindo alelos HLA-Cw*0602 e a presença de autoantígenos desencadeados por um fator ambiental. Além disso, outros fatores imunológicos desempenham um papel na atividade da doença, incluindo células T auxiliares 17 (TH 17), interleucina (IL)-17 e IL-23, que estão implicadas no ciclo de retroalimentação pró-inflamatória positiva que leva à hiperproliferação de queratinócitos, resultando, em última instância, na manifestação física da doença por meio de lesões cutâneas. Ademais, IL-17/IL-23 e células T parecem ser os principais contribuintes para as respostas imunes inatas e adaptativas subjacentes aos episódios inflamatórios epidérmicos cíclicos observados na doença [ ]. Os níveis dessas citocinas, juntamente com outras derivadas de células TH 17, em lesões de pele, bem como no sangue periférico, mostraram-se elevados em pacientes com psoríase em comparação com seus pares saudáveis ​​[ ]. Também foi demonstrado que a IL-17 atua em fibroblastos dérmicos no tecido estromal, levando à produção de citocinas pró-inflamatórias que promovem a expressão de queratina 17, que é a única queratina encontrada nas lesões de pacientes com psoríase [ ].

Análise

Infecção e vacinação

À medida que pesquisadores e profissionais clínicos compreendem melhor a fisiopatologia da psoríase, os tratamentos têm se tornado mais direcionados aos mecanismos subjacentes da atividade da doença. Os tratamentos direcionados, incluindo os biológicos, visam proporcionar uma abordagem mais eficaz e segura para o tratamento da psoríase, pois atuam especificamente nos mecanismos imunológicos desregulados, em vez de suprimir inespecificamente todo o sistema imunológico [ ]. Apesar do sucesso, esses tratamentos deixam o paciente imunologicamente suscetível a infecções. Além disso, publicações recentes sugerem que a psoríase não é apenas uma doença da pele, mas uma doença de inflamação sistêmica. Assim, pacientes com psoríase apresentam maior risco de infecção, mais comumente infecções do trato respiratório inferior, particularmente pneumonia [ ]. Apesar da maior suscetibilidade desses pacientes, as taxas de vacinação permanecem baixas entre os pacientes com psoríase [ , ]. Possíveis explicações para as baixas taxas de vacinação incluem preocupações com a segurança e a eficácia da vacinação e o desconhecimento, por parte dos pacientes, do risco aumentado de infecção associado à terapia biológica e à própria doença [ ]. Para abordar essa questão, destacamos abaixo os estudos disponíveis sobre vacinação em pacientes com psoríase. Para determinar se a vacinação é benéfica, realizamos uma revisão abrangente da literatura utilizando as bases de dados PubMed, Ebsco e Medline. Os principais termos de busca utilizados foram: psoríase, psoriático, vacinação, vacina, imunização, vacina contra influenza, pneumocócica, herpes zoster, sarampo, caxumba, rubéola, BCG, hepatite, etc.

Gripe

Pacientes com psoríase apresentam maior risco de contrair influenza em comparação com a população em geral [ ]. A influenza sazonal é uma doença infecciosa com altas taxas de mortalidade, especialmente entre pacientes imunocomprometidos e com doenças autoimunes. Ainda assim, muitos pacientes com psoríase recusam-se a receber a vacina, como mencionado anteriormente [ ]. Contribuindo para as baixas taxas, há indícios de que a vacina contra a influenza pode aumentar os níveis de citocinas associadas a alterações epidérmicas e/ou levar a exacerbações da psoríase. A vacinação contra a influenza H1N1 parece ter o potencial de desencadear exacerbações da psoríase; no entanto, observa-se baixa incidência e um curso clínico leve [ , ]. Em última análise, faltam evidências para sustentar essa relação. Apesar da necessidade de mais pesquisas, a vacinação contra a influenza tem demonstrado resultados promissores com base nos dados atuais. Radtke et al. mostraram que 28% dos pacientes com psoríase em seu estudo aceitaram a vacina sazonal; Destes, apenas 1,08% dos pacientes vacinados contraíram gripe, demonstrando a eficácia da vacina na prevenção da gripe em pacientes com psoríase [ ]. 

Pneumonia

A pneumonia representa uma grande ameaça à saúde de pacientes com doenças autoimunes, especialmente aqueles tratados com terapia imunossupressora. Por exemplo, o uso prolongado de metotrexato em pacientes com artrite reumatoide aumenta o risco relativo de desenvolvimento de pneumonia em 9,7 vezes em pacientes não vacinados em comparação com pacientes vacinados [ ]. Além disso, a terapia anti-fator de necrose tumoral (TNF) (adalimumabe, infliximabe ou etanercepte) pode diminuir a força da imunidade humoral e celular dos pacientes, tornando-os suscetíveis a   infecções por Streptococcus pneumoniae [ ]. Um estudo recente mostrou que pacientes tratados com infliximabe, especificamente, apresentaram o maior risco de infecções como efeito adverso, levando à interrupção dessa terapia imunossupressora [ ]. Assim, a correlação entre terapia imunossupressora e suscetibilidade ao pneumococo foi estabelecida.

O principal objetivo das vacinas é garantir proteção contra infecções. A vacina pneumocócica é uma vacina polissacarídica composta por componentes da parede celular bacteriana. Lynde et al. avaliaram os níveis de anticorpos em pacientes com psoríase em placas após a vacinação com a vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente, Pneumovax-23 (Merck, Kenilworth, EUA) [ ]. Este estudo mostrou que 86% dos pacientes apresentaram um aumento de duas vezes ou mais nos títulos de anticorpos entre o período pré-vacinação e seis semanas após a vacinação, e 57% dos pacientes vacinados apresentaram um aumento de quatro vezes ou mais nos títulos de anticorpos em seis semanas, sugerindo uma resposta imune protetora em resposta à vacinação. Este estudo também examinou o efeito da vacinação sobre as exacerbações da psoríase e não encontrou evidências de aumento nas exacerbações como resultado da vacinação pneumocócica [ ]. Além disso, três pacientes apresentaram remissão completa dos sintomas da psoríase após a vacinação [ ]. 

Em geral, estes estudos preliminares mostram que a vacinação pneumocócica é benéfica para pacientes com psoríase e apresenta poucos ou nenhum efeito adverso. Mais estudos são necessários para consolidar essa conclusão. Além disso, no futuro, será importante estudar a eficácia da Prevnar 13 (Pfizer, Groton, EUA), outra vacina pneumocócica, em pacientes com psoríase. 

Herpes Zoster

Nos EUA, todos os anos, ocorrem mais de um milhão de casos de infecção pelo vírus herpes zoster (HZ) [ ]. Um subgrupo de pacientes particularmente afetado são os idosos. Devido à prevalência de HZ na população idosa, questiona-se se a taxa de incidência é suficientemente alta para justificar a vacinação em idades mais jovens, especialmente em pacientes imunossuprimidos. Além disso, estudos demonstraram que a frequência de eventos de HZ é várias vezes maior entre pacientes com doenças autoimunes ou inflamatórias [ ]. Notavelmente, pacientes atualmente tratados com glicocorticoides, metotrexato, tofacitinibe ou outros agentes biológicos apresentam uma taxa de incidência de HZ mais elevada [ , ]. Um estudo recente concluiu que pacientes tratados com tofacitinibe apresentam um risco aumentado de HZ, duas a três vezes maior do que pacientes em uso de inibidores de TNF-alfa [ ].

A vacina mais recente, Shingrix (GlaxoSmithKline Biologicals, Middlesex, Reino Unido), é uma vacina de subunidade inativada que contém uma única cepa do vírus da herpes zoster inativado. A Shingrix foi aprovada para uso em 2017 e demonstrou ter uma eficácia de 97%. Entretanto, não há dados disponíveis sobre a eficácia especificamente em pacientes com psoríase [ ].

Estudos demonstraram que a vacinação com Zostavax (Merck & Co., Inc., Kenilworth, EUA) em pacientes com psoríase é benéfica na proteção contra o herpes zoster [ ]. Yun et al. mostraram que pacientes com psoríase vacinados com a vacina viva atenuada contra herpes zoster [Zostavax; recomendada para pacientes com 60 anos ou mais pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC)] apresentaram menor probabilidade de desenvolver herpes zoster do que aqueles não vacinados [ ]. De forma semelhante, Zhang et al. mostraram que apenas 0,15% dos pacientes com psoríase vacinados desenvolveram herpes zoster, e apenas um paciente neste estudo desenvolveu varicela primária [ ]. Além disso, um grande estudo de coorte com pacientes do Medicare foi conduzido, no qual a vacina viva atenuada contra herpes zoster foi administrada a pacientes com mais de 60 anos. Os resultados, após 42 dias da vacinação, não relataram aumento na incidência de herpes zoster nos indivíduos vacinados. Em conjunto, esses estudos indicam fortemente que a vacina contra o herpes zóster proporciona benefícios suficientes para esse grupo de pacientes. 

Bacilo de Calmette-Geuri

As imunizações parecem ser relativamente eficazes em pacientes com psoríase. Ainda assim, houve dois relatos de casos em que indivíduos desenvolveram a doença sem histórico conhecido da mesma. No primeiro caso, um paciente de 60 anos, sem histórico familiar prévio de psoríase, foi diagnosticado com carcinoma urotelial de alto grau da bexiga e tratado com seis doses semanais da imunoterapia com Bacillus Calmette-Geurin (BCG). A vacinação com BCG é uma vacina viva atenuada contra Mycobacterium bovis , utilizada principalmente para prevenir formas graves de infecção por Mycobacterium tuberculosis , mas também para tratar o câncer de bexiga [ ]. Dois meses após o tratamento, esse paciente relatou múltiplas lesões cutâneas no tronco, costas e extremidades, sendo diagnosticado com psoríase gutata. Três semanas após o início do tratamento dermatológico, o paciente retomou a imunoterapia com BCG, o que, por sua vez, causou uma recidiva da psoríase [ ]. No segundo caso, uma criança de seis meses desenvolveu lesões psoriásicas que foram hipotetizadas como resultado da vacina BCG. Um mês após a vacinação, placas se desenvolveram inicialmente no local da injeção, seguidas por múltiplas placas na face e extremidades. Os autores levantam a hipótese de que a reação imunológica à vacinação com BCG pode mediar a produção de células TH 17 produtoras de IL-22 e levar à ativação do Stat-3 epidérmico, causando uma reação cutânea psoriásica [ ]. Mais estudos são necessários para confirmar essa correlação entre a vacina BCG e as lesões psoriásicas. 

Discussão e recomendações 

Nas recomendações mais recentes (Tabela 1 ), as vacinas não vivas/inativadas podem ser administradas com segurança a pacientes com psoríase, independentemente da terapia subjacente. Isso inclui hepatite A, hepatite B, influenza, pneumococo, toxoide tetânico e papilomavírus humano (HPV), embora nossas buscas na literatura tenham revelado estudos de eficácia e segurança apenas para as vacinas contra influenza e pneumococo. No entanto, o uso de vacinas vivas atenuadas é mais complexo. De acordo com as novas diretrizes, a vacinação contra influenza e pneumococo é recomendada para pacientes com psoríase (Tabela 1 ). A vacinação contra tétano e HPV deve ser administrada de forma semelhante à da população em geral (Tabela 1 ); entretanto, isso não é discutido neste artigo de revisão porque nossas buscas não revelaram nenhum estudo substancial sobre essas vacinações em pacientes com psoríase. Sugere-se a administração das vacinas contra hepatite A, B e herpes zoster em populações de maior risco (Tabela 1 ). Estudos adicionais são necessários para aprimorar as diretrizes de vacinação atuais específicas para pacientes com psoríase. Com base no conhecimento limitado até o momento, é preferível que os pacientes recebam as vacinas durante a fase quiescente da doença. Em pacientes com doença ativa, a imunização deve ser considerada caso a caso. 

Tabela 1. Vacinas vivas atenuadas e inativadas recomendadas para pacientes com psoríase.

As vacinas BCG e contra a febre amarela não são recomendadas. Embora o toxoide tetânico não tenha sido abordado neste artigo, a recomendação de vacinação contra o tétano coincide com a da população em geral. Além disso, a vacina contra a hepatite A é recomendada para populações de risco, incluindo aquelas que viajam para ou residem em países endêmicos. A segunda dose é recomendada para aqueles que fazem uso de terapias imunossupressoras. A vacina contra a hepatite B é recomendada para pacientes de risco, incluindo aqueles que viajam, pacientes com maior risco de exposição, como usuários de drogas injetáveis, homens que fazem sexo com homens e casos de exposição a agulhas.

Ao vivo atenuadoInativado
Sarampo, caxumba e rubéola (SCR)Vacina contra a gripe
Varicela-zósterPneumocócico
Herpes zosterMeningocócica
GripeHepatite A
 Hepatite B

Para vacinas vivas atenuadas, recomenda-se que sejam administradas quatro semanas antes do início do tratamento. No entanto, a exceção a essa regra inclui as vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola (SCR) e herpes zoster. Um estudo anedótico sugere que a vacina SCR e a dose de reforço devem ser consideradas para administração a pacientes com psoríase e imunossupressão leve [ ]. O CDC dos EUA define imunossupressão leve como o uso de glicocorticoides por um período igual ou superior a duas semanas em uma dosagem equivalente a 20 mg/dia ou 2 mg/kg de peso corporal de prednisona.

Conclusões

Frequentemente, pacientes com psoríase moderada a grave são tratados com terapias imunossupressoras altamente benéficas. Apesar do sucesso, esses tratamentos deixam o paciente imunologicamente suscetível a infecções. A vacinação tornou-se uma estratégia comprovada para reduzir esse risco de infecção, embora as taxas de vacinação permaneçam baixas entre esses pacientes. Os médicos devem estar cientes do impacto positivo que as vacinas podem ter em pacientes imunossuprimidos, reduzindo o risco de morbidade e mortalidade.

Para pacientes com psoríase moderada a grave, recomenda-se avaliar o estado vacinal, incluindo o histórico de vacinação contra Haemophilus influenzae , tétano, coqueluche , varicela-zóster , hepatite A e B, papilomavírus humano (HPV), influenza e Streptococcus pneumoniae , preferencialmente antes do início de qualquer tratamento, especialmente para pacientes que utilizam metotrexato, um potente imunossupressor. Embora haja boas evidências de que pacientes com psoríase se beneficiariam imunologicamente das vacinas contra influenza, pneumococo e herpes-zóster, são necessários mais estudos sobre outras vacinas.

Agradecimentos

Os autores gostariam de agradecer a Beth Gilbert e Alex Mikulka por suas contribuições para este estudo.

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Notas de rodapé

Os autores declararam não haver conflitos de interesse.

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  • Fonte:https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8301291/

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