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Alimentos gordurosos aumentam risco de câncer
colorretal
Além de todos os outros riscos à saúde, alimentos
ricos em gordura, como batatas fritas e hambúrgueres, podem aumentar a produção
de um ácido no intestino que promove o crescimento de tumores.
Por Deutsche Welle
17/08/2026 03h00 Atualizado há 2
semanas
A lista de riscos à saúde associados a alimentos
ricos em gordura e pobres em fibras é extensa:
- colesterol LDL (lipoproteína de baixa
densidade) ou colesterol "ruim"
- artérias obstruídas
- ganho de peso
- doenças cardíacas
- sobrecarga hepática
- picos de açúcar no sangue
- má
digestão
E a lista continua.
Um novo estudo realizado por uma equipe de
pesquisadores alemães demonstrou como as chamadas dietas ocidentais podem levar
ao desenvolvimento de um dos cânceres mais comuns – e mais mortais – em adultos
com menos de 50 anos, o câncer colorretal.
Os pesquisadores da Universidade Técnica de
Munique, da RWTH Aachen e do Instituto Alemão de Nutrição Humana
Potsdam-Rehbrücke (DIfE) descobriram que essas
Os resultados foram publicados na edição de agosto
de 2026 da revista Gut, especializada em gastroenterologia e hepatologia.
"O que torna nosso estudo especial é que ele
demonstra a causalidade", afirmou à DW Annika Osswald, autora principal do
estudo e doutoranda no Instituto Alemão de Nutrição Humana. "Até agora,
sabíamos apenas que havia algum tipo de conexão entre [um certo] ácido biliar
secundário e o câncer colorretal."
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Foto: Pexels
Como o ácido
biliar está ligado ao câncer colorretal?
A gordura dos alimentos que ingerimos desencadeia a
produção de ácidos biliares primários no fígado. Esses ácidos são importantes –
seu corpo precisa deles para decompor e absorver as gorduras. A maior parte dos
ácidos biliares primários é reabsorvida e retorna ao fígado.
Mas uma pequena fração chega ao cólon, onde certas
bactérias os convertem em ácidos biliares secundários, incluindo um chamado
ácido deoxicólico (DCA). Quanto mais alimentos gordurosos você consome, maior a
concentração de DCA no seu cólon. E é aí que os problemas começam.
Osswald e seus colegas realizaram testes em
camundongos em laboratório. "No cerne do nosso trabalho para comprovar a
causalidade estavam os modelos de camundongos", explicou a cientista.
A equipe de pesquisa implantou bactérias produtoras
de DCA em camundongos cujo microbioma intestinal eles controlavam
completamente. Em seguida, os cientistas induziram câncer colorretal nesses
camundongos e em outros sem as bactérias. Os que tinham bactérias produtoras de
DCA no intestino apresentaram maior crescimento tumoral do que os camundongos
que não as tinham.
A divisão celular nos camundongos com DCA também
aumentou. Isso torna mais provável o desenvolvimento de câncer, porque
multiplica as chances de erros de replicação do DNA. Essas mutações de DNA
durante a divisão celular podem se acumular e levar ao câncer.
Para verificar se o processo que eles observaram em
camundongos também ocorre em humanos, os pesquisadores analisaram amostras de
fezes de mais de mil pessoas, com e sem câncer colorretal. Genes de bactérias
produtoras de DCA foram encontrados com mais frequência em pessoas com câncer
colorretal.
"Nossos resultados mostram o quanto uma
dieta ocidental rica em gordura e as mudanças associadas no microbioma
intestinal podem afetar a saúde intestinal humana", disse o
microbiologista Sören Ocvirk, outro autor do estudo.
Osswald enfatiza que o trabalho da equipe é
fundamental e que mais pesquisas precisam ser feitas. Ainda assim, ter
comprovado a causalidade entre mais bactérias intestinais produtoras de DCA e o
aumento do crescimento tumoral aponta para possíveis tratamentos de câncer
colorretal.
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Por que é vital
entender melhor o câncer colorretal
O câncer colorretal é o único tipo de câncer cuja
taxa de mortalidade em pessoas com menos de 50 anos aumentou nas últimas
décadas. Essa é a conclusão de um estudo publicado no jornal científico Journal
of the American Medical Association em janeiro de 2026.
O número de mortes por câncer cerebral, câncer de
mama, leucemia e câncer de pulmão diminuiu nos EUA entre 1990 e 2023. Mas o
número de mortes por câncer colorretal aumentou 1,1% ao ano, a partir de 2005.
Quando detectado precocemente, o câncer que começa
no cólon ou no reto é tratável.
Mas os sintomas frequentemente não se manifestam
nos estágios iniciais da doença. E quando aparecem, podem ser interpretados
erroneamente como sintomas de condições menos graves, como hemorroidas ou
síndrome do intestino irritável.
Os sintomas do câncer colorretal incluem:
- sangue nas fezes
- diarreia ou constipação intermitente ou
constante
- dor abdominal persistente
- gases ou cólicas
- sensação
de inchaço
Outro obstáculo para a detecção precoce é que
algumas pessoas podem se sentir constrangidas em discutir os sintomas de
problemas colorretais com seu médico. Portanto, não tenha vergonha, converse
com seu médico.
Como esses
estudos podem ajudar no tratamento?
Uma opção a ser considerada no futuro pode ser o
transplante de microbiota intestinal.
"Você poderia transplantar a microbiota
intestinal [o conjunto de microorganismos que vivem naturalmente no intestino]
de pessoas com menos bactérias produtoras de DCA em pacientes com câncer
colorretal", disse Osswald. "Isso poderia potencialmente retardar o
crescimento do tumor."
A melhor opção, é claro, é prevenir o câncer
colorretal. Embora algumas pessoas possam ter predisposição genética para
desenvolver câncer colorretal, muito depende de fatores relacionados ao estilo
de vida.
Comer de forma saudável, reduzir a quantidade de
carne e alimentos gordurosos e não fumar diminuem o risco de câncer colorretal.
Fonte: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/08/17/alimentos-gordurosos-aumentam-risco-de-cancer-colorretal.g
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