HPV pode causar um câncer em seu filho que você nem
imagina
A vacina — disponível na rede pública
e privada — é a principal aliada para evitar que seu filho desenvolva cânceres
agressivos no futuro
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03/03/2026 07h38 Atualizado há um mês
O
que vem à sua mente quando se fala em HPV? Provavelmente, você pensará no câncer de colo de útero. Afinal, esse vírus está
associado a 99% dos casos desse tipo de tumor no Brasil. Mas, o papilomavírus
humano também está por trás de outros cânceres, que afetam, inclusive, os
homens. Um dos mais perigosos é o de cabeça e pescoço, especialmente
o câncer de garganta.
O alerta foi feito
por Valentino Magno, ginecologista e professor do Departamento de Ginecologia e
Obstetrícia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, durante o lançamento
da campanha Por um Futuro Sem Câncer de Colo do
Útero. O evento — organizado pela MSD Brasil, em parceria com a McCann Health,
na última quinta-feira (26) — marcou oficialmente a abertura do Março
Lilás, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de colo do útero.
Embora o foco da
campanha seja sobre as consequências da doença para as mulheres, o especialista
ressaltou que o HPV também é um problema para o público masculino. “Nos anos
2000, se dizia muito: 'Para que vou vacinar o menino para evitar o câncer que
ele vai passar para as meninas?' Não tem nada a ver com isso. Vacinamos homens
e mulheres para evitar doenças que o HPV causa em ambos.”
Em meio ao aumento
de tumores, em fevereiro, a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) recomendou a vacina Gardasil 9 — indicada para proteger
contra o câncer de colo de útero — também para prevenção de cânceres de
orofaringe, cabeça e pescoço.
O que é o câncer de cabeça e pescoço?
Esse tipo de câncer
engloba uma série de tumores malignos que podem aparecer na:
- Cavidade oral
- Faringe
- Laringe
- Cavidade nasal
- Seios paranasais
- Tireoide
- Glândulas salivares
O HPV está
associado, principalmente, ao câncer de orofaringe (popularmente conhecido como
câncer de garganta). A principal via de transmissão é pelo sexo oral sem
proteção. Vale lembrar que as lesões são causadas pelos tipos 16 e 18 do vírus
e podem estar presentes nas seguintes áreas:
- Base da língua;
- Palato mole;
- Amígdalas;
- Partes laterais e de trás das paredes da garganta;
Por muito tempo, o
fator de risco para esse tipo de câncer era o tabagismo e o alcoolismo. No
entanto, o cenário vem mudando. “Enquanto estávamos diminuindo o câncer de
cabeça e pescoço, conforme diminuía o tabagismo, o câncer de cavidade oral
associado ao HPV só cresceu.”
Para se ter noção
desse aumento, a média de casos de câncer de orofaringe associado ao HPV nos Estados
Unidos foi de 22.585, sendo que 83% dos casos foram
identificados em homens. Com relação ao câncer de colo de útero, o
HPV foi associado a uma média de 12.287 casos.
Isso significa
dizer que o câncer mais comum associado ao HPV nos Estados Unidos já é o de
orofaringe.
O que chama a
atenção é que o câncer de cavidade oral sozinho já é o quinto mais comum em homens. “Eles têm uma
mortalidade cinco vezes maior por câncer de orofaringe do que as mulheres”,
explicou o ginecologista.
Esse tipo de câncer
também tende a ser descoberto já em uma fase mais tardia, pois as lesões não
são tão fáceis de identificar. “Eventualmente, um dentista pode ver, mas é um
achado difícil”, reforça o médico. “Há áreas que não são vistas mesmo com a luz
do celular.”
Principais sintomas?
- Rouquidão ou outras mudanças na voz;
- Dificuldade para engolir ou sensação de que alguma coisa está presa
na garganta;
- Irritação da garganta que não passa;
- Dor de ouvido;
Como proteger o meu filho?
A vacinação é a
principal aliada contra os cânceres causados pelo HPV. A boa notícia é que o
imunizante está disponível na rede pública. A vacina quadrivalente contempla:
- O público de 9 a 14 anos;
- Pessoas com HIV/Aids até 45 anos;
- Pacientes transplantados de órgãos sólidos e medula óssea até 45
anos;
- Usuários de PrEP de 15 a 45 anos;
- Vítimas de violência sexual de 15 a 45 anos;
- Pacientes oncológicos até 45 anos;
Já na rede privada,
há ainda a disponibilidade da vacina nonovalente para homens e mulheres entre 9
e 45 anos.
A lição que fica é
que vacinar seu filho hoje é como lhe dar um presente no futuro. E fique
tranquilo, a imunização contra o HPV não incentiva o início precoce da
atividade sexual.
Um estudo publicado
no jornal acadêmico JAMA, em 2015, apontou que a imunização não eleva as taxas
de doenças sexualmente transmissíveis, informou o G1. “Se o fato de vacinar
estas jovens contra o HPV causasse um aumento de atividades sexuais arriscadas,
teríamos observado um aumento forte das taxas de infecções sexualmente
transmitidas (...), e não foi o caso”, disse Seth Seabury, da Universidade do
Sul da Califórnia e principal coautor do estudo, financiado pelos Institutos
Americanos da Saúde (NIH).
Mas muitos ainda se
perguntam: 'Por que vacinar entre 9 e 14 anos?' E a resposta é simples: para
garantir a eficácia da proteção, uma vez que o sistema imunológico responde
melhor nessa faixa etária e antes do início da vida sexual.
Fonte: https://revistacrescer.globo.com/criancas/saude/noticia/2026/03/hpv-pode-causar-um-cancer-em-seu-filho-que-voce-nem-imagina.ghtml
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