Vacinas respiratórias — Foto: Freepik
Gripe, Covid-19, pneumococo, VSR: como saber quais
vacinas respiratórias tomar (e quando)
Imunizantes têm funções diferentes e se
complementam; idade, doenças e momento do ano definem a estratégia de proteção.
Por Talyta
Vespa, g1
20/04/2026 04h00 Atualizado há um dia
Com a chegada do outono e o aumento dos casos
de infecções
respiratórias no país, uma dúvida volta a circular nos
consultórios: afinal, quais vacinas são necessárias,
e em que momento tomar cada uma delas?
A resposta passa longe de uma lista única. Gripe,
Covid-19, pneumococo e vírus sincicial respiratório (VSR) exigem decisões
combinadas, guiadas por idade, condições de saúde e calendário vacinal.
A confusão é compreensível. Não existe uma vacina
que proteja contra todas as doenças respiratórias, e os imunizantes disponíveis
não competem entre si —eles se somam. Entender o papel de cada um é o que
transforma a vacinação em estratégia, e não apenas em rotina.
Vacinas
diferentes, alvos distintos
Cada vacina respiratória atua contra um agente
específico.
- A da gripe é atualizada anualmente para
acompanhar as cepas do vírus influenza que mais circulam.
- A vacina pneumocócica protege contra a
bactéria Streptococcus pneumoniae, associada a quadros como pneumonia e
meningite.
- Já a
vacina contra o VSR mira um vírus que é uma das principais causas de
bronquiolite em bebês e também pode levar idosos à internação.
Essa divisão não é detalhe técnico —ela define o
tipo de risco envolvido. Infecções bacterianas, como as causadas pelo
pneumococo, tendem a evoluir com mais complicações sistêmicas, enquanto vírus
respiratórios têm maior transmissibilidade e sazonalidade marcada.
A infectologista Maria Isabel de Moraes-Pinto, do
Lavoisier e Delboni e coordenadora de vacinas da Dasa, ressalta que essas
vacinas não são substitutas. Elas atuam de forma complementar e devem ser
combinadas conforme o perfil de risco de cada paciente.
Quem precisa
tomar
O ponto de partida
é a idade. Crianças pequenas, gestantes, adultos e idosos
têm calendários distintos e prioridades diferentes.
Mas esse é apenas o primeiro filtro. Doenças crônicas, como asma, diabetes
ou cardiopatias, ampliam o risco de complicações e mudam a indicação de vacinas.
Um adulto jovem saudável pode não ter indicação rotineira para a vacina
pneumocócica, mas passa a ter se apresentar doença pulmonar relevante.
Moraes-Pinto explica que o histórico clínico e o
grau de exposição também pesam. Pessoas que trabalham em ambientes fechados ou
com grande circulação tendem a se beneficiar mais da imunização, mesmo fora dos
grupos clássicos de risco.
Quando se
vacinar
Algumas vacinas têm momento estratégico, enquanto
outras podem ser feitas em qualquer época do ano. Veja como organizar.
- Gripe (influenza). Deve
ser aplicada antes do pico de circulação do vírus, geralmente entre março
e maio, para garantir proteção durante o inverno. Ainda assim, tomar fora
desse período continua trazendo benefício.
- Covid-19. Não
segue uma sazonalidade definida. A recomendação é de reforços periódicos,
especialmente para grupos de risco —em geral a cada seis meses para idosos
e pessoas mais vulneráveis, segundo Juarez Cunha, diretor da Sociedade
Brasileira de Imunizações (SBIm).
- Pneumocócica. Pode
ser tomada em qualquer momento do ano. A indicação depende principalmente
da idade e da presença de doenças crônicas ou condições que aumentem o
risco de complicações.
- Vírus sincicial respiratório (VSR).
Também não depende de calendário sazonal rígido. A aplicação é guiada pelo
perfil do paciente —especialmente gestantes, idosos e pessoas com
comorbidades.
Pode tomar mais
de uma vacina ao mesmo tempo?
Sim.
As principais vacinas respiratórias são feitas com
vírus ou bactérias inativados, ou apenas fragmentos desses agentes. Isso
significa que elas não se replicam no organismo e podem ser administradas
juntas sem competir entre si.
O sistema imunológico é capaz de responder
simultaneamente a múltiplos estímulos. Todos os dias, o corpo entra em contato
com dezenas de microrganismos no ambiente, e as vacinas representam uma fração
muito controlada dessa exposição.
Segundo Juarez Cunha, diretor da Sociedade
Brasileira de Imunizações (SBIm), a aplicação no mesmo dia é uma estratégia
consolidada justamente para evitar atrasos no calendário vacinal e ampliar a
proteção em menos tempo.
A única atenção é operacional: quando várias
vacinas são indicadas, o profissional de saúde pode organizar um esquema em
etapas —não por risco de combinação, mas para melhorar a tolerância e garantir
que o paciente complete o esquema.
Vacinar não
impede infecção, mas muda o desfecho
Nenhuma vacina oferece proteção absoluta contra a
infecção. O principal efeito é reduzir a gravidade dos casos.
Isso significa menor risco de hospitalização,
complicações e morte, especialmente entre idosos, crianças pequenas e
pessoas com comorbidades.
Mesmo vacinadas, pessoas podem apresentar sintomas
respiratórios. Nesses casos, a investigação é recomendada. Moraes-Pinto explica
que exames como o painel respiratório ajudam a identificar o agente causador e
orientar o tratamento, evitando uso inadequado de medicamentos.
SUS e rede
privada: o que muda
As diferenças entre o sistema público e a rede
privada ainda existem, mas hoje são mais pontuais do que estruturais —e variam
conforme a vacina. Veja onde conseguir.
- Gripe (influenza). Está
disponível no SUS para grupos prioritários e, em campanhas, pode ser
ampliada. A versão oferecida é trivalente e, atualmente, protege contra os
principais vírus em circulação. Na rede privada, há também a vacina de
alta dose, indicada para idosos, que gera uma resposta imunológica mais
intensa nessa faixa etária.
- Covid-19. Está
disponível gratuitamente no SUS, com foco em grupos definidos pelo
Ministério da Saúde. Não há oferta ampla na rede privada no Brasil —o
acesso se dá majoritariamente pelo sistema público.
- Pneumocócica. No
SUS, faz parte do calendário infantil e é oferecida para alguns grupos de
risco. Já na rede privada há versões mais amplas (com cobertura para mais
sorotipos da bactéria), frequentemente indicadas para adultos e idosos
conforme avaliação médica.
- Vírus sincicial respiratório (VSR). A
vacina entrou recentemente no SUS para gestantes, com o objetivo de
proteger o bebê nos primeiros meses de vida. Para idosos e pessoas com
comorbidades, o acesso ainda se concentra na rede privada.
Na avaliação de especialistas, o principal ponto
não é escolher entre SUS ou privado, mas garantir que as vacinas indicadas para
cada perfil sejam feitas. Em muitos casos, os sistemas se complementam, e não
competem.
O que explica a
queda na vacinação
Apesar da oferta ampla, a adesão segue abaixo do
ideal.
Cunha aponta que a queda na confiança,
especialmente após a pandemia, impactou não só a vacina contra Covid-19, mas
também outras campanhas. A cobertura contra influenza, por exemplo, ficou em
torno de 55% entre grupos prioritários no último ano.
A percepção de risco também mudou. Com menos
divulgação de dados sobre casos graves, muitas pessoas deixaram de se vacinar,
mesmo com o vírus ainda em circulação.
Segundo os especialistas, mais do que seguir
campanhas, a recomendação é considerar o próprio risco —que varia com idade,
condições de saúde e exposição.
Nesse cenário, a proteção mais eficaz não está em
escolher uma única vacina, mas em entender como elas se combinam ao longo do
tempo.
Fonte: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/04/20/gripe-covid-19-pneumococo-vsr-como-saber-quais-vacinas-respiratorias-tomar-e-quando.ghtml
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