7 hábitos que podem reduzir o risco de câncer em
até 40%, segundo a ciência
Estudos internacionais indicam que quase metade dos
casos de câncer está ligada a fatores modificáveis —como tabagismo,
alimentação, peso corporal e infecções preveníveis.
Por Talyta
Vespa, g1
17/03/2026 05h04 Atualizado há 3
semanas
Quase 40%
dos casos de câncer poderiam ser evitados com
mudanças em fatores de risco modificáveis. A estimativa aparece em análises
epidemiológicas amplas publicadas na revista científica CA: A Cancer Journal for Clinicians,
uma das publicações médicas mais influentes na área de oncologia.
Os estudos indicam que hábitos como fumar, consumir
álcool em excesso, manter alimentação inadequada ou ter obesidade estão entre
os principais fatores que
aumentam a probabilidade de desenvolver tumores.
Ao mesmo tempo, intervenções de saúde pública —como campanhas antitabagismo,
vacinação e programas de rastreamento— já evitaram milhões de mortes nas
últimas décadas.
Dados do National
Cancer Institute mostram que, apenas entre 1975
e 2020, quase 6 milhões de mortes por câncer foram evitadas graças à
prevenção, ao diagnóstico precoce e aos avanços no tratamento.
A seguir, veja sete estratégias baseadas em
evidências científicas que ajudam a reduzir o risco de câncer.
1. Não fumar (a
medida mais eficaz)
—
Foto: Freepik
O tabagismo
continua sendo a principal causa evitável de câncer.
Estudos indicam que ele está associado a pelo menos 17 tipos de tumores,
incluindo pulmão, boca, garganta, esôfago, pâncreas e bexiga.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o cigarro é responsável por cerca de 19% de todos os casos de
câncer e quase 30% das mortes pela doença.
A interrupção do hábito traz benefícios
relativamente rápidos. Pesquisas mostram que 10 anos após parar de fumar, o
risco de câncer de boca, laringe e faringe pode cair pela metade.
2. Manter peso saudável
—
Foto: Freepik
O excesso de peso é
hoje um dos fatores de risco mais relevantes para câncer.
Estimativas indicam que 7,6% dos casos da doença estão associados à obesidade.
O acúmulo de gordura corporal pode aumentar a
produção de hormônios como estrogênio e insulina e favorecer inflamação
crônica, mecanismos que ajudam a explicar a relação com tumores como:
- mama
- endométrio
- fígado
- rim
- cólon
- pâncreas
Estudos também mostram que perder peso pode reduzir
o risco de câncer relacionado à obesidade.
3. Melhorar a
alimentação
—
Foto: Freepik
Padrões alimentares também
influenciam diretamente o risco de câncer.
Dietas ricas em carnes processadas, alimentos
ultraprocessados e bebidas açucaradas têm sido associadas a maior incidência de
alguns tumores, especialmente câncer colorretal.
Por outro lado, pesquisas indicam que dietas com
maior consumo de:
- frutas,
- vegetais,
- grãos integrais,
- peixes e
- oleaginosas
estão associadas a menor risco de vários tipos de
câncer.
Uma meta-análise publicada em 2024 na revista
científica PLOS ONE, que reuniu dados de 95 estudos com quase 5,8 milhões de
participantes, observou que pessoas
com maior hábito de consumo de peixe tiveram cerca de 15% menos risco de
desenvolver câncer colorretal.
4. Praticar
atividade física regularmente
exercício
físico — Foto: Freepik
A prática de exercícios ajuda a reduzir o risco de
pelo menos nove tipos de câncer, incluindo mama, cólon e endométrio.
Pesquisadores estimam que mais de 46 mil casos de câncer por ano poderiam ser evitados se todas as
pessoas atingissem os níveis recomendados de atividade física.
Além da prevenção, o exercício também parece
melhorar o prognóstico de pacientes já diagnosticados com câncer.
5. Reduzir o
consumo de álcool
—
Foto: Freepik
O álcool está associado a pelo menos sete tipos de
câncer, incluindo:
- mama,
- fígado,
- esôfago,
- intestino e
- cavidade
oral.
Mesmo níveis moderados de consumo aumentam o risco.
Estudos internacionais indicam que cerca de 5% dos casos de câncer são
atribuíveis ao álcool.
A
substância pode causar danos ao DNA, aumentar a inflamação e interferir no
metabolismo de hormônios.
6. Vacinar-se
contra vírus associados ao câncer
—
Foto: Freepik
Alguns cânceres são provocados por infecções virais
ou bacterianas.
O principal exemplo é o Human papillomavirus (HPV),
responsável por quase todos os casos de câncer de colo do útero e pela maioria
dos cânceres de ânus e parte dos tumores de garganta.
A vacina contra HPV pode quase eliminar o risco
desses cânceres relacionados ao vírus.
Outros microrganismos associados à doença incluem:
- vírus da hepatite B e C (ligados ao câncer de
fígado),
- bactéria
Helicobacter pylori (associada ao câncer gástrico).
7. Proteger-se da radiação ultravioleta
—
Foto: Freepik
A exposição excessiva ao sol é a principal causa de
câncer de pele.
A radiação ultravioleta responde por cerca de 92%
dos casos de melanoma, o tipo mais agressivo da doença.
Queimaduras solares repetidas —especialmente na
infância— aumentam significativamente o risco.
Medidas simples ajudam a reduzir a exposição:
- usar protetor solar,
- evitar sol intenso no meio do dia,
- usar chapéus e roupas de proteção e
- evitar
câmaras de bronzeamento artificial.
Prevenção
depende também de fatores sociais
Para o oncologista do grupo Oncoclínicas e da
Americas Health Foundation, Stephen Stefani, as medidas de prevenção exigem constância e
devem fazer parte de uma rotina de saúde ao longo da vida.
“Nunca é tarde para começar. Não precisa ser
necessariamente um paciente de alto risco para adotar esses hábitos. Eles não
têm impacto imediato de um dia para o outro. É preciso criar uma agenda de
prática para que as pessoas incorporem essas mudanças. E quanto antes isso
acontecer, maior tende a ser o ganho em termos de prognóstico.”
Segundo ele, condições como acesso limitado a
alimentos saudáveis, falta de espaços para atividade física ou exposição à
poluição também influenciam o risco de câncer.
Por isso, políticas públicas— como controle do
tabaco, vacinação, regulação de alimentos e redução da poluição— são
consideradas ferramentas essenciais para diminuir a incidência da doença.
Fonte:https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/03/17/7-habitos-que-podem-reduzir-o-risco-de-cancer-em-ate-40percent-segundo-a-ciencia.ghtml
Comentários
Postar um comentário