SETE EM CADA 10 ADOLESCENTES DORMEM MAL; CELULAR À NOITE É O MAIOR DESAFIO; DIZ MÉDICO - 'TEMPESTADE PERFEITA E "JET LEG SOCIAL", A CHAMADA ROTINA DESREGULADA
Sete em cada dez adolescentes dormem mal; celular à noite é o
maior desafio, diz médico — Foto: Adobe Stock
Sete em cada dez adolescentes dormem mal; celular à
noite é o maior desafio, diz médico
Privação de sono afeta aprendizado, humor e até o
peso. Médico explica que o sono é tão importante como se alimentar e respirar.
Por Bem-Estar
24/03/2026 04h02 Atualizado há 2 dias
Sete em cada dez adolescentes estão dormindo menos
do que o necessário, segundo uma pesquisa com mais de 120 mil jovens publicada
na revista científica Jama. O dado acende um alerta para os impactos da
privação de sono, que vão de irritabilidade e dificuldade de aprendizagem até
alterações hormonais e maior risco de obesidade.
Em entrevista ao podcast do Bem-Estar, o pediatra
especialista em sono Gustavo Moreira explica que o problema resulta de uma
combinação de fatores biológicos e comportamentais — e que pequenas mudanças na
rotina podem melhorar a qualidade do descanso.
A ‘tempestade
perfeita’ da adolescência
O especialista explica que a adolescência é marcada
por uma mudança natural no padrão de sono. Os jovens passam naturalmente a ter
um perfil mais vespertino, ou seja, tendem a dormir mais tarde e acordar mais
tarde.
O problema é que a rotina social não acompanha essa
mudança. Com aulas pela manhã, compromissos e longos deslocamentos, muitos
adolescentes acabam indo dormir tarde e acordando cedo — o que gera um déficit
crônico de sono ao longo da semana.
Dois mecanismos influenciam diretamente o sono:
- Fator homeostático: acúmulo
de cansaço ao longo do dia
- Fator circadiano: o
relógio biológico, que regula os horários de sono e vigília
A exposição à luz das telas à noite ainda interfere
na produção de melatonina, hormônio que induz o sono, dificultando ainda mais o
descanso.
Efeito cascata:
do mau humor a doenças
Dormir mal não é apenas uma questão de cansaço. O
sono tem papel essencial no funcionamento do organismo, comparável à
alimentação e à respiração, segundo o especialista.
Durante o descanso, o corpo:
- repara células
- produz hormônios importantes, como os de
crescimento
- regula metabolismo e hormônios do estresse
- consolida
o aprendizado
Na adolescência, fase crítica de desenvolvimento
físico e do sistema nervoso, a privação de sono pode intensificar a
instabilidade emocional e aumentar o risco de transtornos mentais, como
depressão e transtorno bipolar.
Hormônios da
fome e risco de obesidade
A falta de sono também interfere diretamente na
regulação do apetite. Segundo Moreira, há um desequilíbrio entre dois
hormônios:
- Grelina, que
aumenta a fome
- Leptina, que
promove a saciedade
Quando o sono é insuficiente, esse sistema se
desregula, favorecendo uma maior ingestão de alimentos e ganho de peso —
fenômeno já observado, por exemplo, em trabalhadores noturnos.
Quantas horas
um adolescente precisa dormir?
A recomendação média é de cerca de 9 horas de sono
por noite, podendo variar entre 8 e 10 horas. Dormir menos do que isso já está
associado a prejuízos.
O sono também é dividido em fases:
- Sono não REM: mais
profundo, ocorre no início da noite e está ligado à produção do hormônio
do crescimento
- Sono REM: mais
frequente no fim da noite, associado aos sonhos e à consolidação da
memória
Por isso, dormir menos compromete especialmente o
sono REM — essencial para o aprendizado.
“Jet lag
social” e rotina desregulada
Um fenômeno comum entre adolescentes é o chamado
“jet lag social”: durante a semana, dormem pouco e, no fim de semana compensam,
dormindo muito mais tarde e acordando tarde.
Esse padrão desregula ainda mais o relógio
biológico e perpetua o ciclo de privação de sono.
Telas são o
principal vilão
Entre os principais erros na higiene do sono, o uso
do celular à noite se destaca.
Além da luz, os aplicativos são projetados para
manter a atenção do usuário, estimulando o cérebro e dificultando o relaxamento
necessário antes de dormir.
Outros fatores que atrapalham o sono incluem:
- consumo de cafeína à noite
- atividade física no período noturno
- falta
de rotina para dormir e acordar
O que pode
ajudar a melhorar o sono
O especialista recomenda medidas simples para
regular o sono:
- manter horários fixos para dormir e acordar
- reduzir estímulos à noite
- evitar telas antes de dormir
- tomar sol pela manhã
- criar
um ambiente tranquilo no quarto
Papel dos pais é decisivo
Para adolescentes, estabelecer limites é
fundamental. Segundo Moreira, os pais devem definir regras claras, como retirar
o celular do quarto à noite e criar uma rotina consistente. Dar o exemplo
também é essencial.
Quando procurar ajuda
Problemas persistentes de sono devem ser
avaliados por um médico.
Entre os principais distúrbios estão:
- insônia: dificuldade para iniciar ou manter o sono
- apneia do sono: associada a ronco e sonolência diurna
Nesses casos, a orientação profissional
pode ajudar a identificar causas e ajustar hábitos — geralmente sem necessidade
de medicação, com foco em mudanças comportamentais.
Fonte: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/03/24/sete-em-cada-dez-adolescentes-dormem-mal-celular-a-noite-e-o-maior-desafio-diz-medico.ghtml
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