NOVO FILME "SUPERMEN" POLÍTICO LANÇADO NOS CINEMAS EM SETEMBRO DE 2025 REVOLTOU ULTRADIREITA NOS EUA
Superman e seu novo
assistente, o supercão Krypto, no filme dirigido por James GunnFoto: Warner
Bros. Pictures/AP/picture-alliance
Novo "Superman" político revolta ultradireita nos EUA
10/07/202510
de julho de 2025
Conservadores americanos criticam o
que consideram versão "woke" do icônico super-herói. Crítico de
Trump, diretor James Gunn afirma que filme foca na bondade humana.
No aguardado novo filme Superman, que
chegou aos cinemas brasileiros nesta
quinta-feira (10/07\25) e é estrelado por David Corenswet no papel-título, o Homem
de Aço aparece logo de início ensanguentado e ferido, em um deserto
ártico.
"Temos um Superman agredido no início. Esse é
o nosso país", disse o diretor americano James Gunn em um evento para a
imprensa após o lançamento do primeiro trailer do filme. Ele explicou que este
Superman simboliza que os Estados Unidos, mesmo em estado
deplorável, ainda apoiam o bem.
O Superman é frequentemente considerado o arquétipo
do super-herói americano, personificando ideais de verdade e justiça, bem como
o sonho americano. No entanto, no novo filme, Gunn decidiu se concentrar na
"moralidade universal" ao invés do excepcionalismo americano. Em vez
de ser um herói nacional, o Superman visa proteger e salvar os fracos ao redor
do mundo "mesmo que isso o coloque em apuros", observou o diretor.
"Sim, é sobre política", disse Gunn ao
jornal britânico The Times, antes de acrescentar que também é
"sobre a bondade humana". "Obviamente, haverá idiotas por aí que
simplesmente não são bondosos e considerarão isso ofensivo apenas porque é
sobre a bondade", disse ele. "Mas eles que se danem."
Rachel Brosnahan (esq.)
como Lois Lane, com David Corenswet (embaixo) como o alter ego do Superman,
Clark KentFoto: Warner Bros. Pictures/AP/picture-alliance
Suas declarações deixaram comentaristas políticos
de direita preocupados com a possibilidade de Gunn, que também dirigiu Guardiões
da Galáxia, ter transformado o icônico super-herói em uma figura
"woke", ou seja, alguém com uma conscientização elevada sobre
discriminação racista e sexista, desigualdade social e temas semelhantes. Eles
até pediram um boicote ao filme.
Da mesma forma, a apresentadora da emissora
conservadora Fox News, Kellyanne Conway, se queixou do filme no talk show The
Five. "Não vamos ao cinema para ouvir sermões e para que alguém nos
imponha sua ideologia. Me pergunto se [o filme] vai fazer sucesso."
Marvel X DC e as
guerras culturais
Filmes de super-heróis de grande sucesso geralmente
evitam exibir abertamente qualquer coisa que os rotule como conservadores ou
liberais. No entanto, uma teoria popular entre os fãs de super-heróis é que os
universos cinematográficos das duas maiores editoras de quadrinhos americanas,
a DC e a Marvel Comics, estão polarizados ao longo das linhas ideológicas que
definem uma era de guerras culturais.
O universo DC – que inclui Superman e Batman – é
considerado mais conservador e autoritário, com seus super-heróis retratados
como os protetores supremos da ordem. Como extensões da lei, eles agem acima
das pessoas comuns sem serem responsabilizados.
"Não há nenhum senso de participação
democrática no mundo do Batman", observou o crítico de cinema A.O. Scott
no podcast de 2025 X Man: The Elon Musk Origin Story ("X-Man:
A História da origem de Elon Musk", em tradução livre).
"Estamos em uma crise
nacional com um presidente incompetente forjando ataques ao jornalismo no
estilo de Hitler e Putin", disse James GunnFoto: Jordan
Strauss/Invision/AP/picture-alliance
Ao mesmo tempo, o mesmo podcast expõe a teoria de
Scott de que os heróis dos filmes do Universo Marvel – Homem de Ferro, Capitão
América, Homem-Formiga e os demais Vingadores – "são uma equipe de
benfeitores: os filmes representam a visão de mundo de [Barack] Obama e [Joe] Biden".
Gunn, um crítico
ferrenho de Trump
Como roteirista e diretor dos filmes da
franquia Guardiões da Galáxia, James Gunn costumava pertencer à
equipe da Marvel. Ele também fez inimigos no movimento "Make America
Great Again" (Maga) como um crítico ferrenho do presidente Donald Trump.
Em 2017, ele compartilhou suas opiniões em várias
postagens na rede social X. "Nos meus anos de redes sociais, nunca me
manifestei politicamente", escreveu Gunn. "Mas estamos em uma crise
nacional com um presidente incompetente forjando um ataque total aos fatos e ao
jornalismo no estilo de [Adolf] Hitler e [Vladimir] Putin."
O portal de notícias de extrema direita Daily
Caller desenterrou postagens consideradas ofensivas de Gunn de quase uma década
antes. Usuários das redes sociais pediram à Disney, dona da Marvel, que
dispensasse o cineasta.
Superman surgiu pela primeira vez
em 1938 em reação à ascensão de Hitler e do antissemitismo na EuropaFoto: Heritage
Auctions/HA.com
Gunn foi retirado do terceiro filme dos Guardiões
da Galáxia, mas acabou sendo reintegrado após um pedido público de
desculpas e de conversas com os chefes dos estúdios Disney.
Ele, porém, acabou migrando para o time rival no
mundo dos quadrinhos, tornando-se copresidente da DC Studios em 2022. Gunn é o
criador-chefe do Universo DC, que foi reiniciado em 2024 com uma série de
filmes novos, incluindo Superman.
Um "alienígena
não documentado"
O Superman apareceu pela primeira vez na primeira
edição da revista Action Comics, publicada em 1938. A história
original do Homem de Aço não foi criada por Gunn para provocar o público
"anti-woke", mas sim pelos imigrantes judeus de segunda geração,
Jerry Siegel e Joe Shuster, que inventaram um super-herói que defendia os mais fracos em resposta à ascensão de do
líder nazista Adolf Hitler e ao antissemitismo na Europa.
Nascido como Kal-El no planeta Kripton, os pais
biológicos do bebê Superman conseguem enviá-lo para a Terra antes de morrerem
em meio à destruição de seu planeta. A família que acolhe o órfão o registra
fraudulentamente como seu filho biológico, Clark Kent, para encobrir o fato de
que a criança é literalmente um alienígena não documentado.
Esse aspecto da biografia do super-herói foi
reiterado em 2018, quando o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados
(Acnur) publicou o livro Superman também foi um refugiado.
Um ano antes, Superman protegeu um grupo de
imigrantes sem documentos de um supremacista branco armado na edição nº 987
da Action Comics, que foi lançada após Trump anunciar o fim da
política de Ação Diferida para Chegadas na Infância (Daca, na sigla em inglês).
O programa permitiu que centenas de milhares de imigrantes trazidos para os EUA
ainda crianças vivessem e trabalhassem no país sem medo de deportação.
O atual governo Trump vem intensificando sua
repressão à imigração, aumentando as preocupações sobre o estado da democracia
dos EUA e aprofundando as divisões no país.
Fonte:https://www.dw.com/pt-br/novo-superman-pol%C3%ADtico-revolta-ultradireita-nos-eua/a-73223771
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