/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_ba3db981e6d14e54bb84be31c923b00c/internal_photos/bs/2021/j/y/2l4I3rQ26BWkMEEthv8g/2017-05-18-thinkstockphotos-499490420.jpg)
Ghosting, birdboxing, orbiting: dicionário das
"novas" relações tóxicas
Não saber o que esses termos
significam (ou já ter perdido a conta das palavras terminadas em -ing usadas
para descrever relações tóxicas dentro e fora do Tinder) não quer dizer que
você nunca tenha passado por isso. Atenção às seguintes bandeiras vermelhas
Por
Blanca
de Almandoz
, Glamour ES
21/02/2026 08h44 Atualizado há 5
horas
"Sou a primeira pessoa a levar um fora pelo Zoom?” Em pleno isolamento social, a jornalista Julia Moser se viu diante de uma realidade que exigia um novo termo: zumping (a junção de Zoom + dumping, terminar), ou seja, o término por videochamada que superava, em surpresa e covardia, até mesmo o famoso post-it com o qual Carrie Bradshaw foi dispensada em Sex and the City ("Desculpa, não posso, não me odeie"). Com toda certeza isso já tinha acontecido antes, mas, assim como o mundo "descobriu" as plataformas de videoconferência apesar de elas já existirem há anos, o relato que a jornalista compartilhou no Twitter ganhou relevância à luz das circunstâncias globais.
O mesmo aconteceu com termos mais populares, como ghosting, a famosa "bomba de fumaça" nos relacionamentos. Não é que antes dos aplicativos de namoro isso não acontecesse — é que não existia uma palavra específica para nomear o fenômeno. Antigamente, a pessoa "ia comprar cigarro e nunca mais voltava"; na era Tinder, basta parar de responder para desaparecer como um fantasma (ghost, em inglês). Essa prática tão comum é considerada o auge das relações tóxicas, ao lado do gaslighting, um tipo de abuso emocional que faz a vítima duvidar da própria sanidade, como na peça e no filme que deram origem ao termo. Com a crescente conscientização sobre saúde mental e responsabilidade afetiva, ambas as expressões ganharam espaço no discurso popular.
E por que tudo em inglês? Como acontece em outras áreas — da ciência ao marketing — soa mais técnico, cria certo distanciamento emocional e, portanto, pode parecer menos humilhante. O sufixo -ing é para o amor o que o -core é para a moda: uma forma de dar mais "embalagem" ao conceito. Além disso, ajuda a economizar palavras — menos caracteres na mensagem ou menos minutos de áudio no grupo de amigas, como apontam especialistas do Departamento de Psicologia da Universidade Nottingham Trent.
Não saber exatamente o que essas palavras significam — ou já ter perdido a conta dos neologismos em -ing que surgem a cada temporada (mas afinal, o que é breadcrumbing? E em que difere de benching?) — não significa que você não tenha vivido isso. Juanjo Poyg e Mariana González, fundadores da Árbol Dúo, Escola de Relações Conscientes, alertam que relações tóxicas são mais frequentes do que imaginamos. Elas são definidas como aquelas em que uma das partes — ou ambas — se vê afetada pelas atitudes e comportamentos da outra. Isso significa que alguém que vive uma relação tóxica não necessariamente repetirá o padrão na seguinte. Em outras palavras, não é a pessoa que é tóxica por definição, mas a dinâmica da relação. O problema é que, na maioria das vezes, é difícil identificar tanto o papel que assumimos quanto o cenário completo. "Uma relação tóxica é como caminhar em um campo minado: você nunca sabe o que vai detonar uma situação que fará surgir mais um problema sem solução real a longo prazo, explica Juanjo Poyg.
Em uma relação saudável, deve haver independência, maturidade e respeito. "Idealizar o outro distorce a realidade e te coloca em segundo plano", explicam na Árbol Dúo. Pior ainda é passar a vida justificando o comportamento da outra pessoa. Se ela "sempre está ocupada", "sempre teve um dia ruim" ou inventa desculpas mirabolantes para não encontrar você, talvez valha lembrar da frase certeira de Miranda Hobbes — que virou até filme —: Ele simplesmente não está tão a fim de você (He’s Just Not That Into You).
Com mais bandeiras vermelhas do que o mar agitado, o oceano das relações atuais parece especialmente fértil para esse tipo de comportamento. Afinal, basta deixar o celular em casa ou bloquear alguém para evitar o confronto. Talvez você não saiba os nomes, mas é fundamental aprender a identificá-los.
Você sabia que o Tinder registra o maior número de novos usuários de 18 anos nas primeiras semanas do início do ano letivo universitário (entre agosto e setembro)? Com o verão se aproximando e a cuffing season quase no fim (literalmente “temporada de algemas”; na prática, aquela fase de mantinha, filme e peguete fixo), o Tinder começa o ano com um dicionário essencial para navegar no mundo dos encontros modernos. Em parceria com a Glamour, estas são as palavras que você precisa conhecer para sobreviver aos apps. Parlez-vous Tinder? Aqui vai um curso intensivo:
Birdboxing
É quando você se entrega a uma relação ignorando os defeitos da outra pessoa — ou a sua própria intuição. O nome vem do filme Bird Box (A cega, com Sandra Bullock) e dialoga com o ditado: não há pior cego do que aquele que não quer ver.
Bounceback (season)
O período pós-término em que você se sente pronta para conhecer alguém novo e testar o ditado "um amor cura outro". Embora tradicionalmente os relacionamentos rebote fossem vistos como prejudiciais, há quem defenda que eles fazem parte do processo de recuperação.
Daterview
Aquele encontro que mais parece uma entrevista de emprego. "Quais são seus planos para o futuro?" Onde você se vê em dez anos?" Falta só o RH pedir seu currículo.
Ick
O novo cringe: aquela sensação de repulsa instantânea que alguém ou alguma atitude provoca.
Instagrandstanding (ou Gatsbying)
Fazer posts estratégicos no Instagram para chamar a atenção do crush ou do ex. O termo Gatsbying vem de O Grande Gatsby, personagem que fazia de tudo para impressionar Daisy.
Banksying
Inspirado no artista Banksy: quando você sabe que a relação está fadada ao fracasso, mas prolonga o fim enquanto mentalmente já prepara a despedida.
Breadcrumbing
"Deixar migalhas". A pessoa não quer nada sério, mas também não quer perder sua atenção. Então manda mensagens esporádicas só para manter você interessada.
Cookie-jarring
Como aquele pote de biscoito de emergência: é manter alguém como plano B, a ligação da madrugada quando nada mais deu certo.
Benching
Versão prolongada do cookie-jarring: manter alguém "no banco de reservas", manipulando para que nunca perca a esperança.
Delusionship
A relação imaginária que você cria quando começa a gostar de alguém. Às vezes alimentada pelo love bombing (quando a pessoa promete o mundo logo no começo); às vezes basta uma troca de olhares para você escrever um roteiro digno de comédia romântica.
Linguagens do amor
Tradicionalmente são cinco: contato físico, presentes, atos de serviço, tempo de qualidade e palavras de afirmação. Mas podem incluir viagens, debates saudáveis e objetivos em comum. Qual é a sua?
Orbiting
A pessoa que curte tudo seu, vê todos os seus Stories, mas nunca chama para conversar. Só orbita ao redor, como um satélite.
Pocketing
Vocês saem juntos, mas sempre às escondidas. Você não conhece amigos nem família. A relação fica guardada "no bolso"
Roster
A lista de possíveis dates — o que antes se chamava de "contatinho" ou "ligação de emergência".
Soft/Hard Launch
Anunciar o relacionamento nas redes sociais. Pode ser sutil (soft launch) com marcações discretas ou oficial (hard launch) com foto juntos e legenda romântica.
Haunting
O ex que reaparece do nada, como um fantasma, depois de meses ou anos em silêncio.
Submarining
Parecido com ghosting, mas com retorno: a pessoa desaparece e depois volta como se nada tivesse acontecido — e ainda faz você se sentir exagerada se questionar.
Situationship
Uma relação indefinida. Não houve "a conversa”. Não se sabe se há exclusividade nem para onde estão indo. O problema surge quando um quer clareza e o outro se beneficia da ambiguidade.
Vibing
Sentir uma conexão, uma vibração com alguém. Nem crush, nem paixão arrebatadora — mas algo ali mexe com você.
Não é só bandeira vermelha: é um letreiro luminoso dizendo CORRA.
Future Faking
Prometer um futuro que não se pretende cumprir. A pessoa acelera tudo para criar falsas expectativas e prender você emocionalmente.
Shrekking
Tendência curiosa que ganhou força no fim de 2025: sair com alguém que você considera menos atraente, achando que assim sofrerá menos. Como se fosse possível controlar o coração dessa forma.
Fonte:https://glamour.globo.com/lifestyle/amor-sexo/noticia/2026/02/ghosting-birdboxing-orbiting-dicionario-das-novas-relacoes-toxicas.ghtml
Comentários
Postar um comentário