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Este é o
parasita que um terço da população tem no cérebro: como é detectado?
Embora o sistema imunológico consiga
mantê-lo sob controle sem grandes dificuldades, isso não impede que ele se
estabeleça no corpo por toda a vida
Por
Wendys
Pitre Ariza
, Em El Tiempo
03/02/2026 04h20 Atualizado há 5
horas
Uma pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia, Riverside, publicada na revista Nature Communications, descobriu que Toxoplasma gondii, um agente patogênico que reside de forma permanente no cérebro de milhões de pessoas, apresenta uma atividade biológica muito mais intensa do que a comunidade científica estimava até o momento.
Algo que chamou a atenção dos pesquisadores é que a maioria das pessoas não sabe que um terço da população mundial convive com esse parasita e que sua transmissão costuma ocorrer por meio do contato direto com fezes de felinos e, sobretudo, pelo consumo de carne mal cozida.
Embora seja verdade que o sistema imunológico humano consiga mantê-lo sob controle sem grandes dificuldades, isso não impede que ele se estabeleça por toda a vida no corpo humano. Com esse estudo, os cientistas pretendem romper com o dogma de que os cistos microscópicos que se originam nos músculos, no coração e no tecido cerebral são apenas cápsulas de armazenamento passivas, nas quais o patógeno permanece sem realizar funções metabólicas complexas.
Na grande maioria das pessoas, ele não costuma causar sintomas perceptíveis; ainda assim, permanece no corpo por toda a vida, já que dentro desses cistos podem se alojar centenas de parasitas.
Além disso, quando o sistema imunológico está debilitado, eles podem se reativar e causar danos graves no cérebro ou nos olhos. Ademais, em mulheres que estão grávidas, isso acarreta riscos adicionais, pois pode provocar complicações graves nos bebês e em seu desenvolvimento.
Durante muito tempo, os cientistas acreditaram que esses cistos continham um único tipo uniforme de parasita. No entanto, por meio de métodos avançados de análise unicelular, descobriram que essa suposição, sustentada por tanto tempo, estava incorreta.
De acordo com este novo estudo, foi possível demonstrar que cada cisto contém múltiplos subtipos diferentes de parasitas e que cada um cumpre sua própria função biológica.
— Descobrimos que os cistos não são apenas esconderijos tranquilos: eles também são centros ativos com diferentes tipos de parasitas orientados para a sobrevivência, a propagação ou a reativação — afirma Emma Wilson, professora de ciências biomédicas e autora principal do estudo.
A cientista também explicou que esses cistos são encontrados com maior frequência no interior dos neurônios, mas que também costumam aparecer nos músculos esquelético e cardíaco.
De acordo com Emma Wilson, esses cistos desempenham um papel crucial tanto na doença quanto em sua transmissão, já que, uma vez estabelecidos, resistem a todas as terapias existentes e permanecem no organismo de forma indefinida.
— Durante décadas, o ciclo de vida do Toxoplasma foi entendido de maneira simplista, conceituando-se como uma transição linear entre os estágios de taquizoíto e bradizoíto —, diz Wilson.
Os pesquisadores conseguiram descobrir que, por meio do uso de técnicas de sequenciamento de RNA de célula única, identificaram uma heterogeneidade inesperada dentro dos próprios cistos.
— Nossa pesquisa desafia esse modelo. Ao aplicar o sequenciamento de RNA unicelular a parasitas isolados diretamente de cistos in vivo, descobrimos uma complexidade inesperada dentro do próprio cisto. Em vez de uma população uniforme, os cistos contêm pelo menos cinco subtipos distintos de bradizoítos. Embora todos sejam classificados como bradizoítos, eles são funcionalmente diferentes, com subgrupos específicos predispostos à reativação e à doença —, explica.
A especialista também comentou que, durante décadas, os cistos foram difíceis de estudar, devido ao fato de estarem profundamente enterrados em tecidos como o cérebro e não se formarem de maneira eficiente em cultivos de laboratório.
— Nosso trabalho supera essas limitações ao utilizar um modelo murino que reflete fielmente a infecção natural. Como os ratos são um hospedeiro intermediário natural do Toxoplasma, seus cérebros podem abrigar milhares de cistos. Ao isolar esses cistos, digeri-los enzimaticamente e analisar cada parasita individualmente, pudemos obter uma visão da infecção crônica tal como ocorre no tecido vivo— , acrescenta.
Segundo Wilson, os tratamentos atuais são de grande ajuda para controlar a forma de rápida replicação do parasita responsável pela doença aguda, mas nenhum medicamento disponível consegue eliminá-lo.
Fonte:https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/02/03/este-e-o-parasita-que-um-terco-da-populacao-tem-no-cerebro-como-e-detectado.ghtml
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