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Chatbots e
saúde mental: por que cada vez mais pessoas desabafam com a inteligência
artificial
Dados indicam que mais de 20% dos
jovens adultos já buscam conselhos de saúde mental em IAs
Por O GLOBO — Rio de Janeiro
13/02/2026 07h15 Atualizado há 4 dias
O que antes era ferramenta para produtividade técnica tornou-se confidente. A Inteligência Artificial (IA) está ocupando um novo e sensível espaço na vida cotidiana: o da escuta emocional e da organização de conflitos afetivos. Pessoas de diversas idades já recorrem a chatbots para interpretar sentimentos, estruturar conversas difíceis e até tomar decisões amorosas.
O fenômeno é sustentado por números. Um estudo publicado no JAMA Network Open revelou que 13,1% dos jovens entre 12 e 21 anos já utilizaram IA generativa para buscar conselhos de saúde mental. Na faixa dos 18 aos 21 anos, esse índice sobe para expressivos 22,2%.
Para Lucas Scudeler, especialista em comportamento humano e dinâmicas relacionais, esse movimento é o sintoma de uma carência estrutural nos vínculos humanos. “A IA não virou terapeuta porque é profunda. Ela virou terapeuta porque organiza, acolhe e devolve coerência, algo que muitas pessoas não encontram mais nas relações reais”, analisa.
A IA como reguladora do caos
Segundo o especialista, a principal função buscada na tecnologia não é apenas o conselho, mas a regulação do caos interno. A neutralidade da máquina, livre de julgamentos ou desgaste emocional, cria uma sensação de segurança. “A inteligência artificial está ocupando o espaço que antes era de um amigo maduro ou de um diálogo interno estruturado”, explica Scudeler.
Apesar da clareza imediata que a tecnologia proporciona, Scudeler faz um alerta sobre a perda da autonomia. Para ele, delegar à máquina a interpretação de sentimentos pode enfraquecer a capacidade humana de amadurecer através da frustração e da responsabilidade afetiva.
“Ferramentas ampliam a consciência. Muletas emocionais paralisam. O limite está em quem decide: a pessoa ou o algoritmo”, afirma o especialista.
Mediação de relacionamentos
Outro ponto crítico levantado por Scudeler é o uso da IA para redigir mensagens delicadas ou evitar diálogos diretos. “Estamos entrando em uma era em que a inteligência artificial media relações que já não sabem conversar. Isso diz muito mais sobre nossas dificuldades relacionais do que sobre a tecnologia em si”, conclui.
Fonte:https://oglobo.globo.com/ela/noticia/2026/02/13/chatbots-e-saude-mental-por-que-cada-vez-mais-pessoas-desabafam-com-a-inteligencia-artificial.ghtml
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