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Cena de crime
no gelo? Entenda o que há por trás das chamadas 'cascatas de sangue' da
Antártida
Fenômeno raro no Vale Taylor, as Blood
Falls revelam um sistema subterrâneo isolado há milhões de anos que intriga
cientistas
Por O Globo — Rio de Janeiro
13/02/2026 04h02 Atualizado há 14
horas
Como uma cascata vermelha pode escorrer de um glaciar branco em um dos lugares mais frios e áridos do planeta? No remoto Vale Taylor, na Antártida, as chamadas Blood Falls, ou “cascatas de sangue”, desafiam o olhar e a intuição, mas têm explicação científica bem estabelecida. Estudado há décadas por glaciologistas e microbiologistas, o fenômeno se tornou um símbolo da capacidade da vida de persistir onde tudo parece impossível.
A coloração intensa não é sangue, nem sinal de contaminação. Trata-se de água extremamente salgada e rica em ferro que emerge da língua do glaciar Taylor, nos Vales Secos de McMurdo. Ao entrar em contato com o oxigênio da atmosfera, o ferro se oxida e adquire o tom avermelhado, um processo semelhante à ferrugem, documentado em pesquisas de campo conduzidas por universidades e por programas científicos antárticos, com apoio de agências como a Nasa.
Confira:
Por que esse fenômeno é tão raro
A singularidade das Blood Falls está na combinação improvável de fatores: um reservatório subterrâneo isolado há milhões de anos; salinidade suficiente para manter a água líquida a temperaturas muito abaixo de zero; ausência de luz e oxigênio; e a pressão do gelo, que força a água a subir lentamente até a superfície.
Nesse ambiente extremo, microrganismos sobrevivem por processos químicos incomuns, o que transforma o local em um laboratório natural para o estudo de vida extrema e da história geológica do planeta, segundo a literatura científica.
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A fama recente nas redes sociais trouxe também distorções. Circulam imagens exageradas ou fabricadas, com volumes e cores irreais, muitas delas produzidas por inteligência artificial. Registros autênticos existem, inclusive em bancos de dados científicos, mas especialistas recomendam cautela diante de conteúdos espetacularizados.
Visitar as Blood Falls é possível, porém raro. O acesso aos Vales Secos é altamente regulado e costuma ocorrer por helicóptero a partir de bases antárticas, principalmente em missões de pesquisa.
Expedições civis especializadas podem oferecer sobrevoos ou aproximações pontuais, com alto custo e logística complexa. Para quem busca compreender fenômenos únicos da Terra, no entanto, poucas paisagens levantam tantas perguntas, e entregam tantas respostas, quanto essas cascatas vermelhas no fim do mundo.
Fonte:https://oglobo.globo.com/mundo/clima-e-ciencia/noticia/2026/02/13/cena-de-crime-no-gelo-entenda-o-que-ha-por-tras-das-chamadas-cascatas-de-sangue-da-antartida.ghtml?
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