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Secretário-geral da ONU diz que crise climática é a
principal ameaça à paz global em 2026
Crise climática é tratada como eixo central das prioridades da ONU para
2026; disputas por petróleo fragilizam o multilateralismo
Por
Nilson
Cortinhas
, Um Só Planeta
19/01/2026 16h50 Atualizado há 3 dias
A crise climática dominou o discurso do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, ao apresentar as prioridades da organização para 2026. Em discurso reproduzido nas redes sociais, Guterres foi enfático ao afirmar que o aquecimento global já compromete a estabilidade internacional. “Um mundo mergulhado no caos climático não pode ser um mundo em paz”, disse. Ainda segundo Guterres, eventos extremos, escassez de água e alimentos e a degradação ambiental atuam hoje como forças “desorganizadoras” da ordem global.
Segundo Guterres, a mudança do clima é um desafio ambiental, aprofundando conflitos, desigualdades e deslocamentos forçados.
“A mudança climática é um multiplicador de ameaças, alimentando tensões em torno da terra, da água e da comida, expulsando pessoas de suas casas e destruindo os ecossistemas dos quais todos dependemos”, afirmou.
O secretário-geral reconheceu que a ultrapassagem temporária do limite de 1,5°C já se tornou praticamente inevitável. “Um ultrapassamento temporário desse limite é agora inevitável — mas não irreversível”, declarou. Ele defendeu a redução acelerada das emissões de carbono para evitar danos permanentes aos sistemas naturais e sociais do planeta. Não foi a primeira vez que o secretário-geral afirmou que a meta de limitar o aquecimento será ultrapassada.
No discurso, Guterres defendeu uma mudança estrutural na resposta global à crise climática. Segundo ele, não basta anunciar compromissos de longo prazo sem efeitos concretos no presente. “Precisamos ir além dos planos climáticos nacionais e reduzir as emissões agora — e continuar reduzindo”, disse, ao cobrar o fim gradual dos combustíveis fósseis, a aceleração das energias renováveis, o aumento da eficiência energética, o corte das emissões de metano e o fim do desmatamento.
O secretário-geral destacou ainda que a crise ambiental é, antes de tudo, uma questão de justiça. “É uma profunda injustiça: aqueles que menos contribuíram para a crise climática são os primeiros e os mais duramente atingidos”, afirmou. Ele foi enfático ao pedir o cumprimento das promessas internacionais de financiamento para adaptação e para perdas e danos, com recursos previsíveis e acessíveis aos países mais vulneráveis.
A diretora executiva técnica do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Alessandra Fajardo, analisou o alerta de Guterres.
“Ao afirmar que ‘um mundo em caos climático não pode ser um mundo em paz’, António Guterres toca no ponto central do debate climático atual: a emergência climática já não é apenas uma questão de ambição, mas de implementação”, afirma Alessandra.
Segundo ela, os sucessivos recordes de temperatura global e o avanço do aquecimento além de 1,5°C reforçam a urgência dessa virada. “As COPs e os esforços em torno do Acordo de Paris construíram a governança que ajudou a evitar um cenário ainda mais catastrófico. O desafio agora é acelerar a execução, ampliar a cooperação internacional e transformar compromissos em resultados concretos”, completa.
Embora tenha mantido o foco na emergência climática, o discurso ocorreu em um contexto geopolítico marcado pelo enfraquecimento do multilateralismo. Sem citar países diretamente, Guterres fez críticas ao comportamento unilateral de grandes potências, em um momento em que disputas energéticas e interesses estratégicos seguem orientando decisões globais.
A postura dos Estados Unidos, com pressões políticas, sanções e a corrida por influência sobre reservas estratégicas de petróleo — como na Venezuela — é vista por analistas como um dos fatores que tensionam a cooperação internacional defendida pela ONU.
Nesse cenário, a crise climática passa a atuar também como catalisadora de disputas geopolíticas. A permanência do petróleo no centro das estratégias globais, mesmo diante do consenso científico sobre a necessidade de abandoná-lo, para evitar o colapso ambiental, reforça a crítica feita por Guterres de que o mundo insiste em soluções do passado. “Soluções de 1945 não resolverão problemas de 2026”, afirmou, quando defendeu reformas nas instituições internacionais.
O secretário-geral também abordou conflitos armados, desigualdade extrema e o avanço da concentração de poder econômico, ressaltando que todos esses fatores se agravam em um planeta cada vez mais quente. “Investir em justiça climática é investir em paz e segurança”, disse. Ao final, Guterres reforçou que 2026 será um ano decisivo para a governança global.
“O mundo não está esperando. Nós também não deveríamos”, afirmou.
ODS ambientais estão entre os mais atrasados da Agenda 2030
“10 anos após a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, dois terços das metas estão atrasadas”, analisou o secretário-geral da ONU.
O alerta feito por António Guterres sobre o atraso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) encontra respaldo nos relatórios mais recentes da própria ONU. Segundo o Relatório dos ODS 2025, apenas cerca de um terço das metas globais apresenta progresso moderado, enquanto a maioria avança lentamente ou está fora de rota.
Entre os objetivos mais comprometidos estão justamente os ligados ao meio ambiente. O ODS 13 (Ação Climática) segue distante das metas, diante do ritmo insuficiente de redução das emissões e do aumento de eventos extremos. Já os ODS 14 (Vida na Água) e ODS 15 (Vida Terrestre) enfrentam retrocessos associados à perda acelerada de biodiversidade, degradação de ecossistemas e desmatamento persistente, segundo dados consolidados pelo sistema ONU .
O relatório também aponta que impactos climáticos estão diretamente ligados ao atraso do ODS 2 (Fome Zero), ao afetar produção de alimentos, acesso à água e segurança alimentar em regiões vulneráveis.
Fonte:https://umsoplaneta.globo.com/sociedade/noticia/2026/01/19/secretario-geral-da-onu-diz-que-crise-climatica-e-a-principal-ameaca-a-paz-global-em-2026.ghtml
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