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O importante é
que estamos aqui. Somos a Geração X. E como estamos?
Para quem não se lembra, foi a geração
que nasceu entre 1965 e 1980. Os boomers, de 1945 a 1964; os millennials, de
1981 a 1996; e a Geração Z, de 1997 a 2010
Por
Leo
Aversa
— Rio de Janeiro
14/01/2026 04h30 Atualizado há 8
horas
Mais um ano começa e, sob o olhar desconfiado de três gerações, continuamos firmes. Na verdade, um pouco amassados, um tanto quanto irônicos, mas sempre de pé. “Só tiveram maré mansa, no meu tempo...”, dizem os boomers. “Não acreditam em nada, ficam só de ironia”, afirmam os millennials. “Para que essa mania de imprimir comprovantes?”, reclama a Geração Z. Paciência: o importante é que ainda estamos aqui.
Somos a Geração X.
Para quem não se lembra, foi a geração que nasceu entre 1965 e 1980. Os boomers, de 1945 a 1964; os millennials, de 1981 a 1996; e a Geração Z, de 1997 a 2010.
Os boomers fizeram — e ainda fazem — um excelente trabalho. Têm a ética do esforço, levantaram o país, criaram uma revolução no comportamento, acreditaram em um sonho. Não é pouco. Os millennials adotaram o digital como fé, empurraram as inovações, aprenderam a ser multitarefas.
A geração Z é a primeira de nativos digitais; engaja-se nas causas ambientais, na diversidade, na autonomia.
E nós, os X, fizemos algo? Como estamos?
A essa altura o leitor de outra geração deve pensar: não fizeram muito, apenas entregaram o bastão de uma geração para outra, enquanto iam à locadora de filmes, ouviam rádio FM, rebobinavam fitas cassete com um lápis e ficavam maravilhados com as novas invenções: “Este LP inteiro vai caber num disquinho prateado? Como assim o laser substitui a agulha?”
Nada disso. Nós, da Geração X, somos mestres na adaptação. Darwin ficaria orgulhoso.
Pensem bem. Somos a geração que recebeu dos pais a difícil missão de acertar o relógio do videocassete e hoje está ensinando aos filhos como controlar a iluminação da sala pelo celular.
Acham pouco?
Se você é da Geração X, escreveu numa Olivetti ou Remington e corrigiu os erros com Liquid Paper. Preencheu cheques, passou o cartão de crédito naquela máquina que ia e voltava e perdeu uma manhã inteira na fila do banco, cheio de boletos e carnês na mão. Hoje você está em home office, fazendo reuniões no Zoom, consultando o ChatGPT e acertando as finanças no celular. Ainda arruma tempo para ensinar aos pais como se envia um Pix e aos filhos como não levar golpes nas compras on-line.
Nós fomos a geração que pegou as cinzas que sobraram daquele sonho dos boomers e criou um mundo mais real. Somos do possível, não do utópico. Não é à toa que a ironia se tornou nossa religião.
No comportamento, não ficamos para trás. Pense nas piadas a que assistimos nos Trapalhões, na Praça da Alegria, no Planeta dos Homens. Pense em Jece Valadão e no Waldick Soriano. No Costinha e em Ary Toledo. Agora imagine o imenso arco de mudança que fizemos daqueles dias aos de hoje. Por mais que os Z pensem que somos caretas e ultrapassados, não fazem ideia de como o mundo era muito mais racista, machista e patriarcal quando éramos jovens. Aliás, é bom lembrar, crescemos numa ditadura. Uma dessas que tentaram ressuscitar há pouco. Soubemos deixar o que era ruim para trás.
Somos a ponte. Nem tão sonhadores como os boomers, nem tão idealistas como os millennials, nem tão digitais quanto os Z. Falando assim, parece meio mais ou menos, né? Não é. A gente encarou — de frente — mudanças maiores do que eles, muito maiores. E conseguimos atravessá-las.
Em 2026 estamos prontos para mais. Ainda estão rolando os dados.
Fonte:https://oglobo.globo.com/rio/leo-aversa/coluna/2026/01/o-importante-e-que-estamos-aqui-somos-a-geracao-x-e-como-estamos.ghtml
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