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Após 80 anos,
IA identifica assassino nazista em foto emblemática do Holocausto
Historiador alemão usou inteligência
artificial e arquivos históricos para identificar o integrante dos esquadrões
da morte que aparece executando um judeu em 1941, na Ucrânia ocupada
Por O Globo — Berlim
13/01/2026 04h02 Atualizado há um dia
O historiador alemão Jürgen Matthäus conseguiu identificar o executor que aparece na imagem: Jakobus Onnen, integrante dos esquadrões da morte nazistas. A conclusão, publicada na revista Zeitschrift für Geschichtswissenschaft, foi possível graças ao uso de inteligência artificial e à colaboração de parentes de Onnen, que forneceram fotografias do período da guerra. As análises de reconhecimento facial apontaram taxas de similaridade entre 98,5% e 99,9%, números considerados elevados para imagens históricas de baixa resolução.
Confira a foto:
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Uma imagem, novas certezas
Conhecida mundialmente como “O Último Judeu de Vinnitsa”, a fotografia foi divulgada pela primeira vez em 1961, durante o julgamento de Adolf Eichmann, pela agência United Press International (UPI). Durante décadas, acreditou-se que o massacre retratado havia ocorrido em Vinnitsa. Matthäus, porém, já havia corrigido essa versão ao analisar documentos doados ao Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, onde atuou como pesquisador. Um diário de guerra do oficial da Wehrmacht Walter Materna, datado de 28 de julho de 1941, confirmou que a execução ocorreu na Cidadela de Berdychiv, também na Ucrânia, e evidenciou o conhecimento do exército regular alemão sobre os assassinatos em massa promovidos pelos Einsatzgruppen.
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Jakobus Onnen tinha 34 anos quando participou do crime. Nascido em 1906, em Tichelwarf, perto da fronteira com a Holanda, vinha de uma família de classe média, era professor e falava vários idiomas. Ingressou cedo na SA, depois na SS, e acabou integrado aos Einsatzgruppen, responsáveis pela morte de centenas de milhares de civis — em sua maioria judeus — nos territórios ocupados da União Soviética. Segundo Matthäus, a imagem “mostra claramente que o assassino era membro da Polícia de Segurança Alemã e do SD, sob as ordens diretas de Heinrich Himmler”.
A vítima, no entanto, segue sem nome. De acordo com Matthäus, essa ausência é comum mesmo após décadas de investigação. O banco de dados do Yad Vashem, em Jerusalém, reúne cerca de 4,7 milhões de nomes de mortos no Holocausto, mas ainda registra aproximadamente 1,3 milhão de vítimas não identificadas. “Ainda tenho esperança de que, no futuro, possam surgir pistas concretas que ajudem a responder quem era o homem que estava prestes a ser baleado”, afirmou o historiador ao jornal El País.
Onnen morreu em agosto de 1943, durante um ataque de guerrilheiros na Ucrânia, o que o impediu de responder judicialmente por seus crimes. Entre milhares de imagens que documentam as atrocidades nazistas, apenas cerca de dez mostram execuções em andamento. Muitas foram destruídas deliberadamente; outras, analisadas por pesquisadoras como Wendy Lower, autora de The Pit, tornaram-se provas centrais na reconstrução do maior crime da história contemporânea. Ainda assim, como resume Matthäus, a identificação das vítimas continua sendo o elo mais frágil entre a memória, os arquivos e a justiça histórica.
Fonte:https://oglobo.globo.com/mundo/epoca/noticia/2026/01/13/apos-80-anos-ia-identifica-assassino-nazista-em-foto-emblematica-do-holocausto.ghtml
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