RÚSSIA ACUSA OTAN DE 'MILITARIZAÇÃO DESENFREADA' E DE NÃO SER PACÍFICA; ALIANÇA MILTAR ANUNCIOU EXPANSÃO DE GASTOS EM DEFESA
Desde que assumiu o poder em 2000, Vladimir Putin não escondeu sua determinação em restaurar status da Rússia como potência global depois de testemunhar colapso da União Soviética
Rússia acusa Otan de 'militarização desenfreada' e
de não ser pacífica; aliança militar anunciou expansão de gastos em defesa
Secretário-geral da Otan, Mark Rutte, anunciou na
segunda (23) que países-membros terão que gastar um mínimo de 5% do PIB com
Defesa. O aumento é uma resposta à ameaça representada pela Rússia, que está em
guerra na Ucrânia.
Por Redação
g1
24/06/2025 06h47 Atualizado há 5 meses
Após
a Otan ter anunciado uma expansão de
gastos em Defesa e em equipamentos de guerra, a Rússia acusou a aliança
militar ocidental de realizar uma "militarização desenfreada" e de
não ser pacífica.
Nesta terça-feira (24), o porta-voz do Kremlin,
Dmitry Peskov, afirmou que a aliança militar foi criada para o confronto e está
no caminho da "militarização desenfreada".
O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey
Lavrov, afirmou nesta terça-feira que a Organização do Tratado do Atlântico
Norte (Otan) está se movendo para além do que chamou de "área tradicional
de responsabilidade".
“Não se pode ignorar os riscos representados
pela expansão da OTAN além de sua área tradicional de responsabilidade, à
medida que tenta estabelecer sua presença no Oriente Médio, no Sul do Cáucaso e
na Ásia Central”, afirmou Lavrov.
As declarações de autoridades russas ocorreram um
dia após o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte
(Otan), Mark Rutte, ter anunciado um "salto gigantesco"
nos gastos em Defesa para os países-membros do bloco, além
de investimento pesado em aparelhos de guerra como defesas aéreas e tanques de
guerra.
Agora, cada país da aliança militar terá que
destinar um mínimo de 5% do PIB para Defesa, um aumento considerável nos níveis
investidos atualmente, e segundo autoridades do bloco, assegurará a segurança
europeia "à medida que o mundo se torna mais perigoso". (Leia mais abaixo)
A Rússia, que está em guerra após invadir a Ucrânia
em 2022, tem trocado farpas com a Otan nos últimos meses, com escalada de
ameaças diante de uma possibilidade de envio de tropas europeias à
Ucrânia e da autorização ao Exército ucraniano utilizar mísseis de longo
alcance fornecido pela Europa para atacar alvos dentro do território russo.
O presidente russo, Vladimir Putin, disse na semana
passada estar com a possibilidade do
mundo caminha para uma Terceira Guerra Mundial.
O discurso europeu de rearmamento voltou à tona no
primeiro dia da cúpula da Otan nesta terça-feira. A presidente da Comissão
Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que "a Europa finalmente acordou militarmente",
e que a Defesa do bloco deve ser priorizada.
Expansão de
gastos em Defesa
Secretário-geral
da Otan, Mark Rutte, anuncia aumento de gastos em Defesa para os países-membros
da aliança em 23 de junho de 2025. — Foto: REUTERS/Yves Herman
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, anunciou
nesta segunda-feira (23) que os países-membros da aliança militar terão que
aumentar seus gastos mínimos em Defesa para no mínimo 5% do PIB, um aumento
considerável nos níveis investidos atualmente. A decisão foi tomada durante a
cúpula realizada em Haia, na Holanda.
Segundo ele, todos os membros da Otan concordaram
com os termos, em prol de uma defesa coletiva, e o incremento representará um
"salto gigantesco (...) à medida que o mundo se torna mais perigoso".
O plano de investimento em Defesa que os
aliados aprovarão em Haia estabelece uma nova base: 5% do PIB a serem
investidos em Defesa. Isso representa um salto gigantesco — ambicioso,
histórico e fundamental para garantir nosso futuro", disse Rutte a repórteres.
Rutte disse ainda que os países-membros quintuplicarão os
investimentos em defesa aérea, "porque
vemos diariamente o terror mortal da Rússia vindo do céu sobre a Ucrânia — e
devemos ser capazes de nos defender contra esse tipo de ataque".
O secretário-geral disse que os países-membros da
Otan fornecerão mais de 35 bilhões de euros (cerca de R$ 221 bilhões) em ajuda
militar à Ucrânia neste ano. Para Rutte, a entrada da Ucrânia na Otan é um
processo irreversível e acontecerá em algum momento.
Ele foi incisivo ao dizer que "caso a
Rússia nos ataque hoje, nossa resposta seria devastadora".
Além disso, o
conflito direto entre Israel e Irã, que ganhou o
envolvimento direto dos Estados Unidos no final de semana, também foi tema dos
representantes dos países-membros presentes na cúpula. Rutte acusou o Irã de
estar profundamente envolvido na guerra na Ucrânia — fornecendo drones Shahed
aos russos — e disse que os EUA não feriram nenhuma lei internacional no ataque a instalações nucleares iranianas.
Salto no gasto
com defesa
O aumento dos investimentos em Defesa pelos
países-membros para 5% do PIB era algo que os Estados Unidos exigiam do bloco
após Donald Trump reassumir a presidência, em janeiro deste ano. Os EUA são um dos poucos países que gastam acima desse nível, e os
gastos atuais da maioria dos membros ficam entre 2 e 3,5%.
A Espanha, que se opõe ao aumento, assegura que a
cúpula garantirá a ela espaço de manobra para não ser obrigada a alcançar a
meta. O aumento do piso para 5% do PIB em Defesa não terá exceções, e o governo
espanhol concordou com a meta, segundo Rutte.
A Alemanha planeja aumentar seu orçamento de Defesa
para 3,5% do PIB até 2029, disseram nesta segunda-feira fontes do governo à
agência de notícias AFP, o que estaria em conformidade com a nova meta da Otan
para gastos militares. Atualmente, o país destina 2,4% do PIB para esse fim.
O premiê da Eslováquia, Robert Fico, afirmou que o
país se reserva o direito de decidir o ritmo em que implementará o aumento de
gastos em Defesa.
Fonte: https://g1.globo.com/mundo/ucrania-russia/noticia/2025/06/24/russia-acusa-otan-militarizacao-desenfreada-nao-ser-pacifica-apos-alianca-militar-anunciar-expansao-gastos-defesa.ghtml
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