COMO OS CELULARES IMPACTAM A SAÚDE MENTAL DOS PAIS NA ERA DIGITAL?

 

"As redes não nos dão tempo para sentir nada direito. As emoções não assentam", destaca Elisama Santos — Foto: Freepik
"As redes não nos dão tempo para sentir nada direito. As emoções não assentam", destaca Elisama Santos — Foto: Freepik

Como os celulares impactam a saúde mental dos pais na era digital?

"As redes não nos dão tempo para sentir nada direito. As emoções não assentam. O coração acelera pelo riso, pelo medo e pela história de superação que o amigo da vizinha compartilhou, em um intervalo de tempo incompatível com a vida", reflete a educadora parental Elisama Santos, que se viu presa ao smartphone entre uma postagem e outra e que deseja mudar esse cenário para 2025. Inspire-se!

Por 

Elisama Santos

20/01/2025 13h11  Atualizado há um mês

Entre um riso e outro, me via inundada com viagens perfeitas (que não tenho tempo e dinheiro para fazer), livros que não li e cursos que não fiz, a foto de luto que me fazia entrar no perfil de 54.963 pessoas que não conheço para descobrir a causa da morte daquela outra pessoa que também é absolutamente desconhecida para mim, previsões políticas catastróficas, previsões climáticas catastróficas, previsões sentimentais catastróficas, previsões catastróficas e ponto. Hehehelp!

Meu filho mais velho ganhou seu primeiro celular no ano passado. Há alguns anos, quando ele tinha apenas 7 e conversamos sobre ter um celular pela primeira vez, prometi que este seria o presente de 12 anos. Os tais 12 anos pareciam tão distantes... Esse era um problema que eu tinha certeza de que a Elisama do futuro teria capacidade de lidar. Eis que 2024 chegou, eu dei o tal celular e descobri que não tinha a capacidade de gerir nem o meu tempo, imagina o dele. Valeu, aê, Elisama do passado, seu otimismo me encanta!

Falar 32.449 vezes por dia: “Larga o celular!”, enquanto estou com o aparelho nas mãos, me mostrou o tamanho do meu problema. “Ah, mas eu trabalho com ele!”, eu dizia, enquanto segurava o riso com o reels que a minha irmã enviou. “Estou resolvendo um problema de trabalho!”, eu afirmava, e fofocava com uma amiga entre um e-mail e outro. “Ah, mas não tem nada de errado em desopilar um pouco entre um estresse e outro!”. Tá, volte ao primeiro parágrafo. As redes sociais não nos dão tempo para sentir nada direito. As emoções não assentam. O coração acelera pelo riso, pelo medo e pela história de superação que o amigo da vizinha compartilhou, em um intervalo de tempo incompatível com a vida.


Não quero começar o ano despertando culpa em você, passando aquele sermão sobre parentalidade distraída, autocontrole ou qualquer coisa do gênero. Deixo essa missão para aquela influencer que você segue e que te lembra das suas insuficiências algumas vezes por dia. Quero apenas te lembrar que existem outras formas de lidar com a ansiedade, formas que não a alimentam em silêncio. Encontra aquela amiga, em vez de só falar pelo zap. Vai ao cinema e vê um filme inteiro, em vez de duas horas de vídeos de 90 segundos. Deita no sofá e olha o teto, só existindo, para variar um pouco. Brinca com o gato, com as crianças, com o amor. Desenha, cochila, sente o vento acariciar o seu rosto. Viver mais, eis a minha principal meta para este ano!


Fonte:https://revistacrescer.globo.com/colunistas/elisama-santos-entre-lacos/coluna/2025/01/ja-parou-para-pensar-em-como-o-celular-virou-uma-distracao-para-a-ansiedade-dos-pais.ghtml


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