DEPOIS DO 'DECRETAÇO', GOVERNO DE MILEI ANUNCIA 'TARIFAÇO' PARA OS TRANSPORTES PÚBLICOS ARGENTINOS

 Governo de Javier Milei anuncia aumento das tarifas dos transportes públicos

Depois do 'decretaço', governo de Milei anuncia 'tarifaço' para os transportes públicos argentinos

Valores das passagens de ônibus e trens serão reajustadas em mais de 45% e aumentarão todos os meses de acordo com os índices de inflação

 

Por La Nacion — Buenos Aires

03/01/2024 12h33  Atualizado há 2 semanas


Depois do decretaço publicado no fim do ano passado, o governo da Argentina anunciou uma 'tarifaço' para os transportes públicos. O Ministério de Infraestrutura argentino, pasta a cargo de Guillermo Ferraro, publicou nesta quarta-feira, no Diário Oficial, a resolução 8/2023 que estabelece que as tarifas de ônibus e trens aumentarão todos os meses de acordo com os índices de inflação, sem levar em conta a remoção gradual dos subsídios estabelecidos pelo governo para 2024.


A medida foi anunciada depois que o governo autorizou aumentos de 45% devido ao conflito com as empresas de transporte em decorrência da defasagem nas tarifas e no dia em que os combustíveis registraram um aumento de 27%.

Com essa decisão, o governo de Javier Milei restabeleceu o artigo 11 da Resolução 1017, de dezembro de 2002, que aumentou as tarifas do transporte público mensalmente, levando em conta o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec), após o congelamento de preços por dois anos devido à pandemia de Covid-19, de acordo com a agência de notícias Télam.

A partir de agora, o aumento será baseado no índice de inflação do mês anterior. A medida será válida para todos os ônibus urbanos e suburbanos sob jurisdição nacional e para os serviços de trem metropolitano e regional na Área Metropolitana de Buenos Aires (AMBA).

Os descontos da Red SUBE (uma espécie de bilhete único que pode ser usado em ônibus e metrô) continuarão em vigor para viagens feitas em um período de duas horas, bem como a tarifa social para grupos vulneráveis.

Com relação aos trens de longa distância que conectam a capital ao interior do país os preços das passagens aumentarão de acordo com a inflação acumulada, com aumentos trimestrais em vez de mensais. Para isso, foi revogada a Resolução 501, de agosto de 2023, que havia suspendido a atualização das tarifas e congelado os preços até dezembro do ano passado.

Quanto custará o ônibus

Após uma reunião entre o governo e os diretores de várias das entidades que representam os proprietários dos ônibus da área metropolitana, foi decidido que, a partir de 1º de janeiro, a tarifa mínima para o transporte urbano aumentará de 52,96 pesos para 76,92 pesos, ou seja, um aumento de 45%.

Além disso, será mantido o atual sistema de subsídios, que provavelmente também será aumentado até que a nova tabela de tarifas entre em vigor.

Os preços das passagens já estavam defasados quando, em agosto, no meio da campanha eleitoral, o então ministro dos Transportes, Diego Giuliano, a pedido do então ministro da Economia e candidato à presidência, Sergio Massa, congelou a atualização mensal do IPC que havia sido decidida em dezembro de 2022. Esse sistema, que passou pelo processo de audiências públicas, foi aprovado até dezembro.

E as tarifas dos trens?

Na última sexta-feira, o Ministério da Infraestrutura confirmou que o valor dos trens na área metropolitana de Buenos Aires (AMBA) aumentará mais de 45,32%, de modo que o bilhete mínimo será de 37,38 pesos.

Tarifas dos trens na região metropolitana de Buenos Aires aumentará em mais de 45,32%, com tarifa mínima de 37,38 pesos — Foto: La Nación
Tarifas dos trens na região metropolitana de Buenos Aires aumentará em mais de 45,32%, com tarifa mínima de 37,38 pesos — Foto: La Nación

"O transporte ferroviário de passageiros é fortemente subsidiado pelo Governo Nacional, sendo o valor do subsídio mensal repassado às operadoras ferroviárias equivalente a 98% do custo de operação", informou o Ministério da Infraestrutura por meio das redes sociais.

"Portanto, a partir de 15 de janeiro de 2024, a metodologia contemplada pela Resolução 1017/22 será aplicada para atualizar as tabelas tarifárias dos serviços públicos de transporte ferroviário de passageiros, elevando-a em 45,32%", anunciou o ministério.


Em uma declaração, o governo também considerou uma "política pública equivocada de congelamento de tarifas" pelo então Ministério dos Transportes. Por outro lado, anunciou que uma audiência pública será convocada para a primeira quinzena deste mês.

"Com o objetivo de estabelecer uma tarifa que reduza gradativamente a incidência do subsídio à oferta que tem gerado graves distorções, aumentando a participação na receita das operadoras ferroviárias da tarifa paga pelos usuários", especifica o texto.


Fonte:https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2024/01/03/depois-do-decretaco-governo-de-milei-anuncia-tarifaco-para-os-transportes-publicos-argentinos.ghtml

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