CRIMEIA APROVA ANEXAÇÃO À RUSSIA COM AMPLA MARGEM,RUSSIA RECONHECE INDEPENDÊNCIA E CORRE O RISCO DE SE ISOLAR

Crimeia

Habitantes da Crimeia comemoram em 

Simferopol resultado de referendo

Dimitar Dilkoff / AFP

Leste Europeu:

Crimeia aprova anexação à Rússia com ampla margem

Resultado parcial mostra que mais de 95% dos eleitores querem a região como parte do território russo. Ocidente não reconhece o referendo e prepara sanções
por Deutsche Welle publicado 17/03/2014 04:13




No epicentro da mais grave crise entre o Ocidente e Moscou desde o fim da Guerra Fria, o resultado de mais de 95% de votos a favor da anexação, divulgado pela comissão eleitoral após apuração parcial, já era esperado: a península no Mar Negro tem maioria da população de origem russa e compartilha séculos de história com a Rússia.
Os olhares se voltarão, agora, para o Ocidente e para quais medidas serão tomadas contra o governo de Vladimir Putin. Entre as possíveis sanções estão a proibição de que políticos russos viajem à Europa e aos Estados Unidos, o congelamento de bens e até uma possível expulsão do G8 – grupo que reúne os sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia.
"Como os EUA e nossos aliados já deixaram claro, a intervenção e a violação da lei internacional trarão aumentos de custos para a Rússia", disse em comunicado o principal porta-voz da Casa Branca, Jay Carney. "Neste século, nós estamos muito além dos dias em que a comunidade internacional ficava em silêncio enquanto um país se apodera à força do território de outro."
Da mesma forma se manifestou a União Europeia, que disse que a consulta popular é ilegítima. Para o bloco europeu e os EUA, o referendo, que teria tido participação de 80%, não é nem independente nem livre, devido à presença das tropas russas na região. Nesta segunda-feira, os ministros europeus do Exterior se reunirão em Bruxelas para decidir sobre mais sanções.
"A Europa dará uma resposta clara e determinada a esse referendo popular ilegal", disse o ministro do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier.

Europeus: resposta firme

A Rússia, que vetou uma resolução de condenação ao referendo no Conselho de Segurança da ONU neste fim de semana, afirmou que respeitará a opinião da maioria da península. Os russos nem precisariam modificar sua legislação para anexar o território: para incorporar um "Estado independente e soberano", segundo a Constituição russa, basta a assinatura de um tratado bilateral.
No Twitter, o primeiro-ministro da região autônoma, Serguei Aksyonov, festejou o que chamou de "decisão histórica". E disse que a Crimeia vai formular e enviar a Moscou, já nesta segunda-feira, um pedido oficial de anexação à Rússia. "Estamos voltando para casa. A Crimeia é na Rússia", afirmou.
Aumentando a tensão, os novos governantes da Ucrânia, que são pró-Europa, acusaram a Rússia de fomentar o separatismo no país e anunciaram uma convocação para recrutar 20 mil homens para compor a recém-criada Guarda Nacional.
O ministro interino da Defesa da Ucrânia, Ihor Tenyukh, disse que a Rússia segue a postos com um reforço militar na Crimeia, violando um acordo dos tempos da União Soviética. O pacto diz que a Rússia pode basear até 12.500 soldados na Crimeia, mas Moscou teria agora 22 mil.
"Essa é uma violação grosseira de acordos bilaterais e a prova de que a Rússia tem trazido suas tropas ilegalmente para o território da Crimeia", disse Tenyukh.
Os grupos étnicos russos respondem por aproximadamente 60% da população da Crimeia. A região pertenceu ao Império Otomano entre 1475 e 1774. Somente após a guerra russo-turca (1768-1774), a península no Mar Negro conseguiu a independência. Em 1783, porém, o Império Russo anexou a Crimeia e fez dela uma província russa.
Em 1954, a Crimeia passou a fazer parte da Ucrânia, então república soviética. Em fevereiro de 1991, a península obteve o status de república autônoma, e ganhou nova Constituição. Um ano depois, proclamou sua independência, mas decidiu continuar fazendo parte da Ucrânia.
RPR/dpa/rtr/ap
  • Edição Alexandre Schossler
  • http://www.cartacapital.com.br/internacional/crimeia-aprova-anexacao-a-russia-e-ocidente-ja-prepara-sancoes-2603.html

Crise

Putin assina decreto que reconhece independência da Crimeia

Segundo texto publicado pelo Kremlin, decisão foi tomada diante do resultado do referendo realizado neste domingo 16
por AFP — publicado 17/03/2014 18:56
DIMITAR DILKOFF / AFP
crimeia
96,77% dos eleitores da Crimeia que participaram no referendo optaram pela união com a Rússia


"Levando-se em conta a vontade dos povos da Crimeia expressa durante o referendo do dia 16 de março de 2014", a Rússia decidiu "reconhecer a República da Crimeia como Estado soberano e independente, onde a cidade de Sebastopol tem um status especial", segundo o texto do decreto publicado pelo Kremlin.
O decreto entra em vigor "no dia de sua assinatura", completa o texto.
Ocupada há mais de duas semanas por tropas russas, a Crimeia votou em massa no domingo a favor da anexação da região pela Rússia em um referendo considerado ilegal por Kiev e pela comunidade internacional.
Nesta segunda-feira, o Parlamento da Crimeia aprovou por unanimidade sua anexação à Rússia, da qual fez parte até 1954, assim como a nacionalização de todos os bens do Estado ucraniano em seu território.
Como parte da reação internacional, União Europeia (UE) e Estados Unidos anunciaram nesta segunda medidas seletivas - restrições de vistos e congelamento de ativos - contra várias autoridades russas e ucranianas pró-Moscou. Já a Ucrânia iniciou uma mobilização parcial de suas Forças Armadas e convocou seu embaixador na Rússia para consultas.
Publicado originalmente na AFP.

Fonte:http://www.cartacapital.com.br/internacional/putin-assina-decreto-que-reconhece-independencia-da-crimeia-8850.html

Rússia corre o risco de se isolar

Com a anexação da Crimeia, o Kremlin caminha para um severo confronto com Ocidente, do qual só pode sair derrotado. Por Ingo Mannteufel, da Deutsche Welle
por Deutsche Welle publicado 17/03/2014 03:46, última modificação 17/03/2014 04:54


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Ria Novos / AFP
Putin
O presidente russo, Vladimir Putin.


Por Ingo Mannteufel, chefe da redação russa da DW
Ao permitir a realização do referendo na Crimeia, o Kremlin deixa a já explosiva situação na Ucrânia se acirrar ainda mais. O resultado, previsível, não desempenha nenhum papel. E isso se deve não apenas às objeções de ordem legal e constitucional ao referendo: com a votação, a Rússia desrespeita a Constituição da Ucrânia e viola vários acordos internacionais fundamentais.
De maneira exemplar, o presidente Vladimir Putin conduz o país ao isolamento internacional, do qual deverá ter dificuldades para sair. Afinal, nem mesmo a China apoia o Kremlin na sua agressiva política para a Ucrânia. O Kremlin obteve apoio apenas do regime sírio do presidente Bashar al-Assad e da Coreia do Norte, um Estado pária entre a comunidade internacional.
Politicamente decisivo é também o fato de que não se pode falar de uma livre expressão da vontade dos cidadãos da Crimeia. O referendo não apenas é ilegítimo – ele não é nem independente nem livre. Afinal, esse referendo de última hora, que não foi precedido de nenhum processo político de discussão, ocorre na presença de tropas russas armadas e das "forças de autodefesa" a elas associadas.
Todo o referendo segue um roteiro já conhecido, o mesmo que foi implementado por Stalin na Europa Centro-Ocidental ocupada durante e após a Segunda Guerra Mundial: grupos fiéis ao Kremlin, aliados ao poderio militar de Moscou, encenam um simulacro de votação, acompanhado da respectiva propaganda e que é destinado a dar um verniz legal a uma política expansionista. Ninguém leva a eleição a sério.
Talvez Putin tenha esperado que o Ocidente deixasse barato essa política agressiva e de violação ao direito internacional diante do caos da era pós-Yanukovitch na Ucrânia. Presumivelmente ele contava com uma retórica menos crítica do Ocidente. Talvez ainda acredite que a indignação política se acalme ou que o Ocidente se intimide diante da possibilidade de sanções. Afinal, há anos circula no debate público russo a falsa suposição de que o Ocidente seria dependente do fornecimento russo de energia.
Mas Putin claramente se equivocou. Pior: as lideranças no Kremlin até agora não entenderam que elas levaram o jogo longe demais e caminham rumo a um severo confronto com o Ocidente, do qual, a médio prazo, sairão derrotadas.
Já agora a economia russa está numa fase de estagnação. A desvalorização do rublo já está reduzindo o consumo e, assim, também o padrão de vida dos russos. Limitar as exportações de energia seria suicídio a longo prazo, bem como a anunciada venda das reservas internacionais russas. Já sanções bem direcionadas por parte do Ocidente deixariam marcas bem claras na Rússia.
Resta esperar que nada disso ocorra. Só que tanto os Estados Unidos como a União Europeia vão reagir nesta segunda-feira (17/03) à realização do referendo. Foram anunciados o congelamento de contas bancárias e limitações para o ingresso na União Europeia para representantes da alta elite russa.
Essas sanções políticas seriam a última tentativa do Ocidente de fazer a Rússia ceder e assim obrigar Moscou a um diálogo político-diplomático com a liderança em Kiev. Mas é de se temer uma nova negativa do Kremlin, que na próxima semana deve decidir pela incorporação formal da Crimeia à Federação Russa.
Com isso, a anexação da Crimeia estaria encerrada do ponto de vista da Rússia. Para o Ocidente, seria o justo motivo para cogitar mais sanções, tanto políticas como econômicas. A perigosa espiral das sanções terá continuidade, e o isolamento internacional da Rússia será inevitável.
  • Edição Rafael Plaisant
  • http://www.cartacapital.com.br/internacional/opiniao-russia-corre-o-risco-de-se-isolar-6474.html

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