A tatuagem existe há cerca de cinco mil anos, já foram encontrados desenhos nos corpos de múmias egípcias, a arte foi usada por romanos, tribos primitivas, marinheiros, máfias japonesas, religiosos e durante a Segunda Guerra Mundial para identificar os judeus. Nos séculos 19 e 20, e até cerca de 15 anos atrás, o desenho no corpo era marginalizado e visto com preconceito. “Houve um boom, um aumento assustador no mercado e na aceitação da tatuagem. Na minha época, só se tatuava mão e pescoço quando o corpo inteiro já estava todo tatuado, hoje em dia as pessoas começam por essas regiões”, contou o tatuador Paulo Sérgio, mais conhecido como Paulão Tattoo, o queridinho das famosas, do estúdio Soul Tattoo Art e Café.
Tatuador
desde 1985 – um dos primeiros no Brasil – Paulão contou que a arte chegou ao
País trazida pelo dinamarquês Knud Harald Lykke Gregersen, na década de 1960,
com o estúdio Lucky Tattoo. “No porto de Santos aconteceram as primeiras
tatuagens. Em São Paulo, o primeiro estúdio surgiu na rua Purpurina, na Vila
Madalena, pertencente a três italianos, em 1979”, contou. Os profissionais
começaram com o estilo Old School, principalmente com desenhos da marinha e
forças armadas; resgataram as tradições tribais, como maori e celta; e os
símbolos da Antiguidade.
Com
o tempo, as técnicas se desenvolveram e foi possível fazer desenhos mais
complexos, como, por exemplo, os realistas e geométricos. “Fazer realismo é o
mais trabalhoso, porque não pode ficar parecido, tem que ficar igual. É também
o que eu mais gosto, quanto mais difícil, mais eu gosto”, confessou Paulão. Os
desenhos geométricos também são difíceis, acrescentou o profissional.
A
tatuagem hoje é uma arte, de acordo com o tatuador, por isso é aceita socialmente.
De acordo com Pinho, do estúdio Soul Tattoo, o estilo tribal, principalmente o
maori, está em evidência nos últimos anos. “O pontilhismo, de um tempo para cá,
também temos feito bastante”, disse.
Navegue
pelas abas e conheça os diferentes estilos de tatuagem.
Por Thaís Sabino
Old School
“É retrô, nostálgico, como essas
meninas que se vestem como velhinhas ou os rockabilly”, comparou Paulão.
Segundo ele, as tatuagens Old School remetem aos anos 1950 e 1960. “Foi o
primeiro estilo que surgiu”, disse. Ele contou que o sistema era precário, por
isso a tatuagem era feita com alfinetes e agulhas, de forma bem simples.
Desenhos de sereias, corações, fitas, âncoras e rosas são bastante comuns,
sempre feitos com traços grossos. “Os marinheiros foram as pessoas que ajudaram
a disseminar a tatuagem. O Popeye, por exemplo, tem uma âncora no braço, que é
super Old School”, acrescentou.
Foto: Igor DCC Coelho/Soul Tattoo Art e
Café/Divulgação






New School
Paulão explicou que o estilo é uma
“evolução do Old School. “É um desenho feito de forma mais moderna”, afirmou.
Os desenhos continuam com traços grossos, mas ganham um estilo mais urbano e
que remete ao graffiti. O tatuador Pinho disse que o “bold line” – uso de
linhas grossas – é característica da tatuagem New School. “São trabalhos com
bastante perspectiva”, disse.
Foto: Mario Rocha/N Tattoo/Divulgação
Oriental
O estilo teve origem com os antigos
samurais. Segundo Paulo, “eles faziam fechamento do corpo com tatuagens
orientais nas regiões cobertas pelo quimono. As pessoas não podiam tatuar em
lugares que ficariam descobertos”, contou o tatuador. Depois, surgiu a máfia
japonesa Yakuza, que usava desenhos característicos. Atualmente, segundo Paulo,
existem dois tipos de tatuagens orientais: a tradicional japonesa - que é sem
degradê ou volume - e a chinesa que é mais moderna e tem profundidade. Os
desenhos mais comuns são dragões, carpas, gueixas, fênix e flores.












New School
Paulão explicou que o estilo é uma
“evolução do Old School. “É um desenho feito de forma mais moderna”, afirmou.
Os desenhos continuam com traços grossos, mas ganham um estilo mais urbano e
que remete ao graffiti. O tatuador Pinho disse que o “bold line” – uso de
linhas grossas – é característica da tatuagem New School. “São trabalhos com
bastante perspectiva”, disse.
Foto: Mario Rocha/N Tattoo/Divulgação
Realismo
“Conforme as técnicas foram se aperfeiçoando,
conseguimos dar o efeito de fotografia na pele. É um estilo difícil porque deve
reproduzir fielmente a imagem, não pode ficar parecido, tem que ficar igual”,
comentou Paulo. É um dos estilos preferidos do tatuador queridinho das famosas
e também está entre os mais trabalhosos. De acordo com Rafael Cassaro, do
estúdio Puros Cabrones, o realismo não se resume somente a retratos, mas tudo
que tenha luz, sombra e volume pode entrar no estilo. Tatuagens em 3D também
fazem parte do estilo: “é uma boa observação de luz e sombra”, disse Cassaro.
Foto: Adam Kramer/Divulgação


























Retrato
O estilo de tatuagem retrato faz
parte do realismo e é feito com base em uma fotografia. Rostos de famosos e
entes queridos estão ente os principais pedidos. Segundo Cassaro, que trabalha
com a técnica, artistas como Jose Lopez, Carlos Torres, Robbie Ice e Pavel
Angel servem como inspiração.
Foto: Adam Kramer/Divulgação



















Pontilhismo
“O estilo é originário da cadeia, os
presidiários faziam muito esse estilo, fomos aperfeiçoando e de uns dez anos
para cá conseguimos fazer trabalhos muito bons”, contou Pinho. A técnica se
consiste em formar um desenho com vários pontinhos tatuados na pele. “Funciona
mais para trabalhos gráficos”, disse Pinho. O método é trabalhoso, segundo o
tatuador, uma mandala no tamanho de um palmo que levaria cerca de duas horas
para ser feita com traço contínuo, demoraria, pelo menos, três horas no
pontilhismo. A tatuadora Alexandra Picchi, do estúdio To Cat, citou o artista
Jondix Mahashakti como inspiração: “acho também as referências hindu e budistas
muito ricas em detalhes e simetria, o desenho fica bonito”, acrescentou.
Foto: Alexandra Picchi/Top Cat/Divulgação
Grafismo e tribal
Logotipos, mandalas, formas
geométricas e símbolos entram no estilo. “Remete a símbolo chapado de preto,
sem muita forma orgânica e com mais simetria”, descreveu Pinho. Os símbolos
egípcios, celtas e indígenas se enquadram na categoria.
Tribal, o nome já diz: “vem de tradições de tribos”, disse Pinho. “É comum as
pessoas classificarem de tribal tudo aquilo que tem bastante preto e pontas. O
estilo maori é um tipo tribal”, acrescentou. Os símbolos podem representar
tribos maias, incas, astecas, entre outras.
Foto: Pinho/Soul Tattoo Art e Café/Divulgação













Pontilhismo
“O estilo é originário da cadeia, os
presidiários faziam muito esse estilo, fomos aperfeiçoando e de uns dez anos
para cá conseguimos fazer trabalhos muito bons”, contou Pinho. A técnica se
consiste em formar um desenho com vários pontinhos tatuados na pele. “Funciona
mais para trabalhos gráficos”, disse Pinho. O método é trabalhoso, segundo o
tatuador, uma mandala no tamanho de um palmo que levaria cerca de duas horas
para ser feita com traço contínuo, demoraria, pelo menos, três horas no
pontilhismo. A tatuadora Alexandra Picchi, do estúdio To Cat, citou o artista
Jondix Mahashakti como inspiração: “acho também as referências hindu e budistas
muito ricas em detalhes e simetria, o desenho fica bonito”, acrescentou.
Foto: Alexandra Picchi/Top Cat/Divulgação
Tribal, o nome já diz: “vem de tradições de tribos”, disse Pinho. “É comum as pessoas classificarem de tribal tudo aquilo que tem bastante preto e pontas. O estilo maori é um tipo tribal”, acrescentou. Os símbolos podem representar tribos maias, incas, astecas, entre outras.
Maori
O estilo surgiu na Polinésia e é
bastante antigo. “Eles usavam uma técnica conhecida como tatau, uma madeirinha
com agulha espetada na ponta que iam batendo para colocar a tinta na pele”,
contou Pinho. De acordo com Ricardo Cunha, do estúdio Xarope Tattoo, a tatuagem
maori representava um amuleto para quem a carregava no corpo e dizia muito
sobre a vida da pessoa. “Poderia representar hierarquia de uma família, status
na sociedade e até mesmo características pessoais”, explicou Cunha. O local
escolhido para tatuar também influencia no significado da arte e a cópia de um
uma tatuagem era considerada desrespeito aos polinésios, explicou o tatuador.
Entre os desenhos mais comuns, estão a tartaruga que significa longevidade,
ondas que são um recomeço, tubarão que representa coragem, entre outros, citou
Pinho.
Foto: Mario Rocha/N Tattoo/Divulgação

Minimalista
Os desenhos simples e pequenos,
feitos nos dedos e mãos, estão mais comuns nos últimos anos, segundo Pinho.
Porém, a duração da tatuagem pode ser curta, pois a região troca constantemente
de pele. “Tatuagens feitas na sola do pé, boca, lábio e mão ficam com as linhas
falhadas com o tempo”, disse ele. Mas tudo depende do organismo de cada pessoa.
Foto: Marco Teixeira/Estúdio Teix/Divulgação
Aquarela
No últimos anos, Paulão recebeu
muitos pintores e artistas com o desejo de se tornarem tatuadores. Segundo ele,
o estilo de tatuagem é recente, pois exigiu a evolução das técnicas – assim
como o realismo – para ser executado. “Alguns clientes chegam com obras do
Salvador Dali e Portinari para reproduzi-las na pele”, contou.
Foto: Adam Kramer/Divulgação
Contemporânea
Victor Montaghini trabalha com
aquarela e com um estilo contemporâneo de desconstrução de formas e objetos.
“Foco na dinâmica, sem me prender a um estilo ou época, deixo as linhas de
construção visíveis, pensando na harmonia e estética, ao invés de um desenho”,
contou. O artista tem influências de collage, aquarela, sketches, graffitti,
xilogravuras e formas geométricas.
Foto: Marco Teixeira/Estúdio Teix/Divulgação
Comics
São tatuagens inspiradas em desenhos
animados, que já foi mais pedida do que é atualmente. O desenho tem linhas
simples e é fiel ao original.
Foto: Icaro Pires/N Tattoo/Divulgação
Escritos
Palavras, tanto em português, como em
outras línguas também são opções de tatuagem.
Foto: Marco Teixeira/Estúdio Teix/Divulgação
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