O MITO E O MUNDO MODERNO : A JORNADA DO HERÓI

 

 

O Mito e o Mundo Moderno


 Há um um verso inspirado, num dos poemas de Píndaro, em que ele celebra um jovem que acabara de vencer um torneio de luta livre, nos Jogos Píticos: "Criaturas de um dia, o que é qualquer uma delas? O que não é? O homem não é senão o sonho de uma sombra. Quando surge, como uma dádiva no céu, um lampejo de sol, pousa sobre os homens uma luz radiante e, oh!, uma vida benigna".

Segundo Joseph Campbell, temos: "Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior do nosso ser e da nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos.".

Joseph Campbell (1904-1987) foi uma das maiores autoridades no campo da mitologia, em nosso século. Pesquisador incansável, professor e escritor, considerava a mitologia "o canto do Universo; a música da imaginação inspirada nas energias do corpo" e a ela se dedicou uma vida inteira.

Citando A Saga do Herói, Joseph Campbell nos ensina: "Além disso, não precisamos correr sozinhos o risco da aventura, pois os heróis de todos os tempos a enfrentaram antes de nós. O labirinto é conhecido em toda a sua extensão. Temos apenas que seguir a trilha do herói, e lá, onde temíamos encontrar algo abominável, encontraremos um deus. E lá, onde esperávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos. Onde imaginávamos viajar para longe, iremos ter ao centro da nossa própria existência. E lá, onde pensávamos estar sós, estaremos na companhia do mundo todo.".

Como Martin Luther King Jr., em 1963, herói é alguém que deu a própria vida por algo maior do ele mesmo. Dar a luz é incontestavelmente uma proeza heróica, pois é abrir mão da própria vida em benefício da vida alheia.

No mundo moderno, encontramos Darth Vader e Boba Fett, em The Empire Strikes Back (O Império Contra-Ataca). As máscaras de monstros, pelos atores de Guerra nas Estrelas, representam a verdadeira força monstruosa, onde vivemos. Quando a máscara de Darth Vader é retirada, você vê um monstro sem forma, de alguém que não se desenvolveu como indivíduo humano. É um burocrata, que vive não nos seus próprios termos, mas nos termos de um sistema imposto.
 


 Fonte:http://aconscienciaeabusca.blogspot.com.br/p/o-mito-e-o-mundo-moderno.html



 

Os mitos e suas influências no mundo moderno


Há milênios o homem constrói mitos. Explicações para fenômenos da natureza, surgimento da vida, a morte. Muitos mitos continuam visíveis no nosso dia-a-dia; alguns como fábulas para crianças (por exemplo, a cegonha que traz os bebês), alguns como verdades absolutas para adultos (vide livros religiosos). A importância dos mitos é indiscutível: eles ajudam a delinear códigos de conduta, papéis individuais, costumes e rituais de uma sociedade. Por tamanha relevância, é válido questionar: qual o lugar da mulher nos mitos?
.Vamos voltar à primeira frase: "há milênios o homem constrói mitos". O homem, ser masculino. Foi um ser masculino que roubou o fogo de Zeus para com ele presentear a humanidade; foi a mulher, Pandora, que curiosa e volúvel abriu a caixa que disseminaria todos os males que iriam se tornar humanos. Foi Adão que, criado à imagem e semelhança de Deus, nomeou todos os seres vivos; foi Eva que, ao comer a maçã em sua desobediência lasciva, selou a expulsão do casal do Paraíso.
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Em muitos outros mitos encontramos a figura da mulher passiva e complacente, à espera de seu príncipe encantado. Cinderela, Rapunzel, Bela Adormecida... podem não ser mitos do peso dos mitos gregos e judaico-cristãos, mas são influências inquestionáveis no desenvolvimento de qualquer garota em nossa cultura.
.Crescemos em um mundo bombardeado por mitos que nos ensinam no que é ser mulher. A Barbie nos traz o ideal da "nova mulher do sec. XXI": bem-sucedida em seu emprego, na moda, casada, talvez com filhos e, de preferência, de cabelo liso e loiro. Para sempre feminina, conciliadora, seduzindo e enganando os homens. Será esse o papel da mulher - algo entre a mulher que espera o príncipe encantado e a que carrega a culpa pelos males do mundo? Teria a Cinderela imaginado que seria forçada a fazer jornada dupla?
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Faz-se necessário questionar essas imagens e avaliar se elas são compatíveis com a nossa realidade. Cabe a nós reproduzir ou reciclar os mitos para que se adaptem ao que nós desejamos para o futuro. Quem sabe um dia as jovens mulheres poderão espelhar-se em mitos de mulheres fortes e guerreiras que desbravam seus caminhos sem precisar do príncipe encantado.
Fonte:http://orquideavioleta.blogspot.com.br/2007/01/os-mitos-e-suas-influncias-no-mundo.html
Mais um pouquinho de 'O Poder do Mito', entrevista de Moyers com Joseph Campbell:

"Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior do nosso ser e da nossa realidade mais íntima, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos".

MOYERS: Por que mitos? Por que deveríamos nos importar com os mitos? O que eles têm
a ver com minha vida?

CAMPBELL: Minha primeira resposta seria: “Vá em frente, viva a sua vida, é uma boa vida – você não precisa de mitologia”. Não acredito que se possa ter interesse por um assunto só porque alguém diz que isso é importante. Acredito em ser capturado pelo
assunto, de uma maneira ou de outra. Mas você poderá descobrir que, com uma introdução apropriada, o mito é capaz de capturá-lo. E então, o que ele poderá fazer por você, caso o capture de fato?
Um de nossos problemas, hoje em dia, é que não estamos familiarizados com a literatura do espírito. Estamos interessados nas notícias do dia e nos problemas do momento. Antigamente, o campus de uma universidade era uma espécie de área hermeticamente fechada, onde as notícias do dia não se chocavam com a atenção que você dedicava à vida interior, nem com a magnífica herança humana que recebemos de nossa grande tradição – Platão, Confúcio, o Buda, Goethe e outros, que falam dos valores eternos, que têm a ver com o centro de nossas vidas. Quando um dia você ficar velho e, tendo as necessidades imediatas todas atendidas, então se voltar para a vida interior, aí bem, se você não souber onde está ou o que é esse centro, você vai sofrer. As literaturas grega e latina e a Bíblia costumavam fazer parte da educação de toda gente. Tendo sido suprimidas, toda uma tradição de informação mitológica do Ocidente se perdeu. Muitas histórias se conservavam, de hábito, na mente das pessoas. Quando a história está em sua mente, você percebe sua relevância para com aquilo que esteja acontecendo em sua vida. Isso dá perspectiva ao que lhe está acontecendo. Com a perda disso, perdemos efetivamente algo, porque não possuímos nada semelhante para pôr no lugar. Esses bocados de informação, provenientes dos tempos antigos, que têm a ver com os temas que sempre deram sustentação à vida humana, que construíram civilizações e enformaram religiões através dos séculos, têm a ver com os profundos problemas interiores, com os profundos mistérios, com os profundos limiares da travessia, e se você não souber o que dizem os sinais ao longo do caminho, terá de produzi-los por sua conta. Mas assim que for apanhado pelo assunto, haverá um tal senso de informação, de uma ou outra dessas tradições, de uma espécie tão profunda, tão rica e vivificadora, que você não quererá abrir mão dele.

Joseph Campbell
Fonte:http://canetapontafina.blogspot.com.br/

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