MAHABARATHA : UM DOS DOIS MAIORES ÉPICOS CLÁSSICOS DA ÍNDIA



O Maabárata conhecido também como Mahabarata ou Mahabharata (devanágari: महाभारत, transl. Mahābhārata), é um dos dois maiores épicos clássicos da Índia, juntamente com o Ramáiana. Sua autoria é atribuída a Krishna Dvapayana Vyasa. O texto é monumental, com mais de 74.000 versos em sânscrito, e mais de 1,8 milhões de palavras; se o Harivamsa for incluído como sendo anexo e parte da obra, chega-se a um total de 90.000 versos, compondo o maior volume de texto numa única obra humana.
O Maabárata é visto por alguns autores como o texto sagrado de maior importância no hinduísmo, e pode ser considerado um verdadeiro manual de psicologia-evolutiva de um ser humano. A obra discute o tri-varga ou as três metas da vida humana: kama ou desfrute sensorial, artha ou desenvolvimento econômico e dharma a religiosidade mundana que se resume em códigos de conduta moral e rituais, obrigatórios para quem deseja o desfrute e o poder econômico que adquire o desfrute.
Além dessas metas mundanas o Maabárata trata de moksha, ou a liberação do ciclo de tri-varga e a saída do samsara, ou ciclo de nascimentos e mortes. Em outras palavras, é uma obra que visa o conhecimento da natureza do "eu" e a sua relação eterna com toda a criação e aquilo que transcende a ela.
O Maabárata estabelece os métodos de desenvolvimento espiritual conhecidos como karma, jñana e bhakti, firmemente adotados pelo hinduísmo moderno.
O título pode ser traduzido como "a grande Índia" (literalmente "a grande dinastia de Bárata"), mas o sentido verdadeiro é o de elucidar o grande trajeto percorrido pelo eu (atma) nesta criação material e fora dela.
A obra é considerada pelos hindus uma narrativa histórica real, e parte do Itihasa (lit. "aquilo que aconteceu") hindu, juntamente com o Ramáiana e alguns textos dos Puranas.
A obra, assim com todos os demais textos sagrados hindus, possui um aspecto externo mitológico, como o de uma simples lenda mitológica sobre reis e príncipes, deuses e demônios, sábios e santos, guerra e paz. Mas o sentido exotérico, de certa forma oculto, na verdade versa sobre tri-varga, e sobre o objetivo mais importande da existência, moksha e as atividades da alma liberada no seu relacionamento com a dualidade desta criação e a harmonia não-dual do Absoluto.
O Maabárata contém todos os aspectos do hinduísmo e todos os fundamentos da filosofia advaita.
Algumas partes da obra são considerados e estudados como trabalhos fundamentais e analisados e reverenciados isoladamente, tais como:
  • Bhagavad Gita, parte do Anushasanaparva
  • Damayanti ou Nala e Damayanti, uma fabulosa história de amor, parte do Aranyakaparva
  • Krishnavatara, a história de Krishna, a Krishna Lila, que se desenvolve em inúmeros parvas, ou capítulos da narrativa
  • Uma versão abreviada do Ramayana no Aranyakaparva
  • Vixnu Sahasranama (o hino que descreve os mil nomes de Vixnu, uma das preces mais famosas do hinduísmo, no Anushasanaparva
Logo no primeiro parva ("seção"), o Maabárata anuncia o seu caráter excepcional: “ O que for encontrado aqui, pode ser encontrado em qualquer outro lugar. Mas o que não for encontrado aqui, jamais será encontrado em outro lugar.”
Inspirou o filme homônimo, de Peter Brook, de 1989, onde os atores eram de nacionalidade e raças variadas, para indicar a universalidade dos temas tratados neste livro.
E da novela televisiva homônima, uma das mais monumentais obras de Bollywood, enorme êxito televisivo em quase todo o Oriente, de B.R. Chopra.

Mahābhārata महाभारत

Manuscrito ilustrado da batalha de Kurukshetra, onde se vê o deus Krishna manejando o carro de combate do arqueiro pandava Arjuna, que dispara suas flechas contra os Kuravas.
Autor (es)Desconhecido
GéneroEpopeia
Espaço onde decorre a história

Bibliografia

  • The Mahabharata of Krishna-Dwaipayana Vyasa, tradução inglesa por Kisari Mohan Ganguli, primeira edição em 1883 e 1896, reedição de 1997.
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Mahabharata


Mahabharata

O mais longo poema épico de todos os tempos já foi traduzido em várias Idiomas.Transformou-se em livros , peças teatrais e em filme . Sua fantástica história ainda é, contudo, pouco conhecida . Trazemos aqui um   resumo dos seus principais acontecimentos -  um tanto bizarros e estranhos   para a nossa visão ocidental - porém repleto de simbologias , e feito para o entendimento das mentes místicas orientais.
Erudito e popular , o Mahabharata que em Sânscrito significa " a grande história da humanidade ", corporifica a essência cultural da Índia . Trata-se do relato da disputa dinástica entre dois grupos de primos que culmina numa apocalíptica batalha , pondo em risco toda a sorte do mundo. A narração da guerra é realçada por histórias secundárias que fornecem uma base social , moral e cosmológica aos combates . Todos os eventos do conflito decorrem sempre da obediência ou desobediência do darma - lei que rege a ordem secreta e pessoal que cada um traz em sí e se desrespeitado  resulta em desastre .
A narrativa é feita por Vyasa , um velho eremita com trajes de mendigo , que às vezes participa da história . Outro protagonista é um menino e Ganesha ( o Deus com cabeça de elefante ) que escreve os relatos em um livro .
O Início da História se dá na idade do ouro , quando , sob o reinado de Santanu , no qual a terra vivi em paz e sem misérias . Perdidamente apaixonado ; por  Satyavata, mãe de Vyasa ( o eremita ) , o rei foi pedi-la em casamento ao pescador que a criara  . No entando o velho pescador impôs uma condição : que o filho resultante do casamento fosse o sucessor do reino . Porém o direito natural pertencia a Bhishma, o filho perfeito , invencível e sábio que tivera com Ganga, a divindade do rio .
Voltando a Hastinapura, a capital do reino , o rei Santanu caiu em profunda tristeza . Então Bhisma foi procura o velho pescador , e prometeu-lhe em troca da felicidade de seu pai , renunciar a seus direitos e jamais conhecer o amor de uma mulher para evitar que seus descendentes reclamassem o reino .Foi feito o acordo .
Santanu e Savtyavati tiveram dois filhos . Um morreu na guerra , o outro morreu em  sua noite de núpcias , deixando duas viúvas . Nesta época , Santanu também já havia morrido ; ficando assim o reino sem sucessor , pois Bhisma se recusava a quebrar o seu voto ( e juramento ) .
Então Savtyavati recorreu a vyasa ( o eremita maltrapilho) para que fecundasse as suas filhas, perpetuando assim a dinastia . A primeira princesa ao ver o eremita , repugnada pelo seu aspecto , fechou os olhos , e seu filho , Djrotarasjra nasceu cego . A segunda princesa , entorpecida pelo mau cheiro de Vyasa , perdeu as cores , e seu filho , Pandu , nasceu branco da cor do leite .
Como Dhritarashtra não podia assumir   o trono por ser cego , Pandu foi coroado , e casou-se com duas mulheres . Kunti e Madri .
A primeira mulher ,  Kunti , possuía o poder mágico de invocar qualquer Deus para ter dele um filho . Quando recebeu o mantra de um poderoso eremita  , tinha apenas 15 anos de idade e , por curiosidade, chamou o Sol . Sem o seu consentimento , o Sol lhe deu um filho , Karna , que ela abandonou num cesto na correnteza do rio . Um cocheiro o recolheu e criou .
Pandu , durante uma caçada , na floresta no dia de suas núpcias , ao abater duas gazelas que se acasalavam , foi amaldiçoado por uma delas : "se um dia tomares uma de tuas esposas em teus braços, morrerás como eu morro agora ".
Amargurado , Pandu decidiu perder-se nas florestas e nos desertos , sendo seguido , contra a  vontade pelas  duas esposas . Porém antes de partir , entregou as insignias reais a Dhritarashtra ( o filho cego ) , que logo se casou  com Gandhari, um princesa do Norte .
Bem no alto do Himalaia , Pandu chorava sua sina de não poder amar e ter filhos . Para alegrá-lo , Kunti decidiu usar seu mantra . Nasceram então Yudishsthira, filho de Darma ( Deus da Justiça ) , que seria o melhor dos reis , Bhima, filho de Vayu ( Deus do vento ) , de força sem limites e Arjuna , filho de Indra ( Rei dos Deuses ) - este se tornaria um guerreiro invencível .
Madri, a outra esposa de Pandu , tomando o mantra emprestado , invocou de uma só vez os Aswins, os gêmeos dourados , dado à luz os belos Nakula e Shadeva, que ficariam conhecidos por sua abnegação e prudência . Os cinco irmãos , filhos dos deuses seriam chamados Pandavas.
Enquanto isso, em Hastinapura, Gandhari ( esposa de Dhritarashtra - o rei cego) , grávida há dois anos , fez sair de seu ventre, com golpes de uma barra de ferro, uma bola de carne dura e fria . Queria jogá-la num poço , mas Vyasa (o velho eremita ) impediu tal gesto , mandando que cortasse a bola em cem pedaços e os cultivassem em jarros de barro .Daí nasceram os cem filhos de Dhritarashtra , os portadores da violência , que seriam conhecidos por Kauravas ; o primeiro deles chamava-se Duryodhana ( o duro de vencer ) .
Bhisma procurou dar a mesma educação exemplar aos Kauravas e aos filhos de Pandu , que morrera nos braços de Madri no Himalaia . Mas sua infância foi marcada por rivalidades e lutas . Duryodhana várias vezes tentou matar os Pandavas, que considerava inimigos . Bhima, por seu turno, não cessava de atormentar os primos . Uma das incontáveis brigas entre ambos foi certa vez interrompida por um desconhecido, um homem forte que se ofereceu a Bhishma para educar os jovens . Tratava-se de Drona, o mais célebre mestre de armas que jamais existira sobre a terra .Submetendo os jovens a um teste , logo percebeu qualidades excepcionais de Arjuna e prometeu fazer dele o melhor arqueiro do mundo .
Muitos anos se passaram . Os Pandavas e sua mãe Kunti viviam fora do palácio real, numa casa modesta. Duryodhana, que começava a exercer o poder de fato, mantinha-os distantes e quase sem recursos .
Num dos muitos torneios em que dominava sem esforço todos os seus adversários , Arjuna , já mestre do arco e das outras armas, foi desafiado por um arqueiro, cujas proezas acabavam de impressionar a todos . Era Karna, filho secreto de Kunti e do Sol , que imediatamente nomeado rei do país de Anga por Duryodhana. O combate acabou por não se realizar, mas, antes de sair da praça de armas , ao lado de Duryodhana, de quem se tornaria grande aliado , Karna prometeu a Arjuna abatê-lo um dia .
Os cinco irmãos já estavam casados com a bela princesa Draupadi , que Arjuna conquistara num torneio em um reino vizinho, quando Krishna , a encarnação de Vishnu, os convocou ao seu palácio , em Dvaraka. Homem generoso e brilhante , portador de um tesouro de sabedoria , disse-lhes que a terra clamava por um rei legítimo e que Yudishsthira, filho de Darma , amado por todos, deveria ser este rei. Para evitar uma guerra, seu tio Dhitarashtra concedeu-lhes as terras de Khandavas-Prastha .
Em pouco tempo, os irmãos transformaram pântanos fétidos e florestas lúgubres num grande e excepcional reino . Após seis anos de prosperidade , Yudishshira convidou todos os reis, inclusive seu tio e primos, para conhecerem seu novo palácio . Segundo a lenda , era um palácio mágico , construído pela própria deusa Maya , onde os pensamentos podiam tomar corpo.

O Mahabharata - Traduzido do Livro Original para o Português

Uma grande história é contada no livro Mahabharata de Krishna-Dwaipayana Vyasa. Considerado o maior épico do mundo, começou a ser escrito no século IV a.C. e compreende uma enciclopédia de 18 livros. É reverenciado na Índia por contar histórias de deuses e grandes homens. Alguns trechos de seu texto trazem muitos conhecimentos de espiritualidade. O livro Mahabharata tem em seu conteúdo a reunião de várias histórias contadas de mestres para discípulos sobre uma época de guerras e o foco principal do Mahabharata é a batalha de Kuruksetra, uma guerra entre dois ramos da mesma família pela posse de um reino. Os ensinamentos ditados por Krishna para Arjuna na guerra para que ele lutasse da melhor forma compõem o famoso Bhagavad Gita. (foto abaixo).


Krishna e Arjuna Foto: Krishna conversando com Arjuna antes da batalha.

Enfim, o Mahabharata é uma grande coletânea de contos, alguns bem humorados, outros trágicos, mas a maioria traz mensagens espirituais para a vida. Não sou eu que estou fazendo a tradução, mas como acho de grande importância compartilhar conhecimentos e como estamos sempre em busca de mais sabedoria espiritual.  Os livros  foram traduzidos por Eleonora Meier da versão completa em inglês para o português do Mahabharata original.
O Mahabharata
A Epópeia dos Pandavas por
Swami Krishnapriyananda
© Direitos de Copyright SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL GITA ASHRAMA
Av. Cel. Lucas de Oliveira, 2884
Porto Alegre, RS - Brasil 2ª ed. 2005
1. Introdução Dentre as obras clássicas da literatura sagrada da Índia, encontramos o Ramayana e o Mahabharata. A primeira das "epopéias" tem Sri Rama como o protagonista e herói, cuja finalidade foi a de restabelecer a ordem, a justiça, ou o sagrado Dharma, corrompido pelo desejo de fama, prestígio e poder. O Ramayana trata-se de um corolário da grande cosmologia e cosmogonia védica. Por sua vez, o Mahabharata inaugura uma nova era, a era de Kali-yuga, era em que estamos mergulhados, conhecida como sendo a "era das trevas", uma vez que a ignorância é considerada a pior das escuridões, e esta era é a da ignorância. O Senhor Krishna, o Purna Avatar do Senhor Vishnu, ocupa parte central no Mahabharata, principalmente quando resume, de forma muito clara e objetiva, todo o Sanatana-dharma em mais ou menos 45 minutos, tempo que temos para ler todo o Bhagavad-gita, A Canção do Senhor, que se trata do sexto Parva do Mahabharata ou Bhisma- Parva, constitui-se num marco de fé, bem como sinaliza que podemos viver uma vida espiritualizada no aqui e agora do dia-adia. Diz nos versos 4.7-8, o seguinte: "Toda a vez que há um declínio do Dharma, o reto agir ou Justiça, e a predominância de Adharma - injustiça e inversão de valores, ó Arjuna, Eu Me manifesto. EU apareço no mundo, de tempos em tempos, para proteger os bons, mudar os malvados, e restabelecer a ordem no mundo ou Dharma".
"contém a essência de todas as Escritu-
2. Saga do Espírito O Mahabharata é uma grande obra clássica espiritual. O Seu conteúdo é notavelmente transcendental. Os valores védicos ou a moral do Sanatana-dharma está clara o tempo todo. Podemos dizer, de forma resumida, que o Mahabharata é a história da grande guerra da Índia entre os Pandavas e os Kauravas, duas facções de uma mesma família que disputaram a legitimidade de um trono (no caso, o trono do mundo). Autores renomados como Swami Sivananda, escrevem que, o Mahabharata, ras. Ele é uma enciclopédia de ética, conhecimento, política, religião, filosofia e Dharma. Se você não encontrar qualquer coisa nele, você não poderá encontrá-la em outro lugar além dEle".
3. Divisões O Mahabharata é dividido em partes ou capítulos chamados de Parvas. Ele contém dezoito Parvas, ou seções, a saber: Adi Parva, Sabha Parva, Vana Parva, Virata Parva, Udyoga Parva, Bhisma Parva, Drona Parva, Karna Parva, Shalya Parva, Sauptika Parva, Stri Parva, Shanti Parva, Anushasana Parva, Asvamedha Parva, Ashramavasika Parva, Mausala Para, Mahaprasthanika Parva e Swargarohanika Parva. Cada um destes Parvas contém muitos sub-parvas ou subsecções.
O presente resumo do Mahabharata irá dar uma visão geral desta grande obra védica. O leitor poderá complementar o estudo do Mahabharata com a leitura do Bhagavad-gita. Apesar de ser uma obra de fácil entendimento, há nuances e detalhes que somente podem ser conhecidos através da orientação de uma pessoa experimentada, um mestre espiritual ou Guru, versado nas Escrituras, uma vez que toda a literatura védica é um bloco uno de conhecimento. Apesar disso, toda uma vida não seria suficiente para ler e estudar todas as obras védicas. A razão disso repousa na grande variedade de pessoas e suas aptidões, bem como capacidade.
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 2
O Mahabharata é um tesouro literário do mundo todo. É o maior poema épico no mundo, originalmente escrito em sânscrito, a linguagem antiga da Índia. Ele foi escrito pos Vyasa Deva, há muitos milhares de anos atrás. O Mahabharata pertence não somente à Índia, mas ao mundo e ao universo. Ele é uma parábola da raça humana, e carrega uma mensagem universal – “a vitória chega para àqueles que seguem o caminho correto”. Ele é um drama da vida real, que permanece como uma força espiritual permanente nas pessoas, em todas as fases de suas vidas.
1. Primeiros Passos 1.1. Primeiros passos Sri Vyasadeva, antes de iniciar a narrativa do Mahabharata, precisava de alguém para anotar o que fosse dito. Então, Ele recebeu o pedido de permissão de Sri Ganesha, o filho do Senhor Siva, que se encarregou de anotar toda a história enquanto ela era narrada.
Mahabharata significa a “história dos descendentes de Bharata”; a saga formal do épico Mahabharata, de qualquer forma, a história do Mahabharata começa com o Rei Dushyanta, um poderoso governador da antiga Índia. Dushyanta, casou-se com Shakuntala, a filha adotiva do sábio Kanva. Shakuntala nasceu de Menaka, numa bela da corte de Indra, do sábio Vishwamitra, que secretamente apaixonou-se por ela. Shakuntala deu a luz a um filho honrado de Bharata, que cresceu para ser destemido e forte. Ele governou por muitos anos e foi o fudador da dinastia Kuru. Desafortunadamente, as coisas não foram bem depois da morte de Bharata, e seu grande império foi reduzido a um reino de tamanho médio, com sua capital em Hastinapura. Nesta cidade, viveu o rei Shantanu em Hastinapura, e que bem era conhecido por sua coragem e sabedoria.
1.2. O rei Shantanu apaixona-se por
Ganga
Um dia Shantanu foi caçar numa floresta próxima. Chegando até a beira do rio Ganges (Ganga), ele ficou impressionado em ver uma donzela indescritivelmente encantadora, surgindo da água, e, caminhando na sua superfície. A sua graça e beleza divinas sacudiram Shantanu, logo no primei- ro olhar e ele ficou completamente encantado com ela. Quando o rei perguntou quem era ela, a moça retrucou, “Por quê você está me perguntando isso?” O rei Shantanu disse, “Eu fui cativado por sua delicadeza; eu, Shantanu, rei de Hastinapura, decidi casar-me com você!”
“Eu posso aceitar sua proposta de casamento desde que você esteja pronto para agir de acordo com as minhas duas condições”, argumentou a moça. “Quais são elas?”, perguntou ansiosamente o rei”. “Primeiramente, você nunca irá perguntar nada de minha vida pessoal, como quem eu sou ou de onde eu venho? Segundo, você nunca me impedirá de fazer nada ou perguntar a razão de qualquer coisa que eu faça”.
Shantanu, estava totalmente atraído pela beleza da moça, agora conhecida como Ganga, e, imediatamente, aceitou as condições dEla. Eles então se casaram, (Gandharva vivah), e foram para casa.
As coisas seguiram sem percalços por algum tempo, e, então, a rainha Ganga deu a luz a um adorável menino. Assim que o rei Shantanu ouviu essas boas novas, ele ficou radiante, e foi rapidamente até o palácio, para parabenizar a rainha. Mas ele ficou surpreso ao ver que a rainha pegara o recém-nascido nos seus braços, indo ao rio, e afogando-o. O rei ficou chocado, e se sentiu miserável, mesmo assim, ele não pode perguntar à rainha sobre sua ação. Porque ele estava obrigado, por uma promessa, a não perguntar ou interferir com as ações dela.
Shantanu, nem mesmo estava recuperado do choque da morte de seu filho, nas mãos da rainha, quando ela ficou grávida de novo. O rei sentiu-se feliz, e pensou que a rainha não iria repetir sua terrível ação de novo. Mas a rainha, novamente, pegou o recém-nascido nos seus braços, e afogou-o no rio.
Depois de ver a ação apavorante da rainha, o rei estava imensamente triste, mas a sua promessa o barrou-o de dizer qualquer coisa.
Isso continuou, até que a rainha Ganga deu à luz ao oitavo filho, e, caminhado ao rio como antes, pretendida matá-lo. Shantanu perdeu sua paciência, e assim que a rainha estava para afogar o recém-nascido, Shantanu impediu-a. “Eu já perdi sete fi-
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 3 lhos, como esse, e estou sem herdeiros. Eu não posso mais ficar vendo minha carne e sangue sendo dizimados diante os meus olhos”, disse o rei.
A rainha Ganga virou-se e disse, “Ó Rei, você violou sua promessa. Eu não vou mais ficar com você. Todavia, antes de deixá-lo, eu irei mostrar-lhe o segredo que levou à morte dos seus sete filhos. Uma vez, aconteceu que o santo Vaishishtha ficou ofendido com oito semideuses conhecidos como Vasus. Ele amaldiçoou-os, para nascerem como seres humanos. Escutando isso, sete dos Vasus imploraram ao santo para serem perdoados, mas o oitavo, que era o mais perverso, se manteve fixo grosseiramente.”
Vashishtha se acalmou e modificou sua maldição, “Sete de vocês vão morrer e voltar ao paraíso celeste, logo que vocês nascerem, mas o oitavo terá que viver na terra por um longo período e encarar os sofrimentos como um humano comum”. E Ganga continuou, “Pelo pedido dos Vasus, Eu assumi a forma humana, e me casei com você. Meu trabalho foi agora terminado, e eu devo, agora, retornar para a minha morada suprema. Eu estou levando seu oitavo filho comigo, e irei trazê-lo de volta para você, depois que ele esteja bem crescido.”
Depois de dizer isso, Ganga voou para longe no céu, juntamente com o recémnascido. O rei Shantanu sentiu-se muito desapontado, e retornou ao seu palácio com seu coração partido.
Muitos anos após, quando Shantanu estava passeando na beira do rio Ganges (Ganga), a Deusa Ganga emergiu do rio com um menino. Ganga falou, “Ó Rei! Aqui está seu oitavo filho, Deva Vrata. Eu o trouxe com o objetivo de que ele deva ser capaz de arcar com o que está para acontecer com ele em sua vida, nessa Terra”.
O rei, felizmente, levou o príncipe ao palácio, e celebrou sua vinda, dando a ele a coroa do príncipe do seu reino. Deva Vrata era bravo, justo e parecia altamente promissor.
1.3. Shantanu e seu filho Vyasa Rei Shantanu estava ficando velho, e anunciou sua retirada. Ele estava só, e sempre sentia falta de Ganga. Um dia, ele estava dando um passeio na beira do rio Ganges; ele atraiu-se por uma moça bela, Satyavati. Ela era a filha do chefe da tribo de pescadores. Ela levou os sábios através do rio no seu barco. Ela tinha um aroma divino que vinha do seu corpo.
Shantanu, não sabia o segredo que circulava em volta de Satyavati durante seus dias de solteira. Satyavati, uma vez, teve um mau-cheiro de peixe no seu corpo. O sábio Parashar, um dos sábios que ela levou em seu barco através do rio, tinha um sentimento especial por ela. Ele a satisfez, e a abençoou, com um aroma suave junto com a bênção de um filho que era chamado Vyasa. Imediatamente após o seu nascimento, Vyasa cresceu rápido, através de seus poderes divinos, e foi para a floresta. Vyasa, contudo, prometeu à sua mãe Satyavati que ele iria voltar a qualquer hora que ele fosse chamado. Vyasa, mais tarde conhecido como Veda Vyasa, tinha o domínio dos Vedas, mas era extremamente feio na aparência, e tinha um cheiro horrível. Veda Vyasa começou a história do Mahabharata, por causa dos tempos vindouros. É dito que Vyasa dedicou o épico inteiro com continuidade até que o Senhor Ganesha atuou como escrivão. Além disso, Vyasa jogou uma diferente função na sua história aparecendo e desaparecendo na cena toda vez que sua mãe ou os membros da família dela procuravam sua ajuda. Ele tinha qualidades mágicas raras para resolver seus problemas.
Shantanu, desconhecendo os segredos da vida de solteira de Satyavati, estava encantado com sua beleza. Ele foi ao pai dela, o chefe dos pescadores, e pediu a ele a mão de sua filha. O chefe dos pescadores estabeleceu a condição de que o filho que nasceria de Satyavati seria o sucessor do trono Kaurava, e não Deva Vrata. Shantanu estava chocado de ouvir a condição, e retornou à sua casa desapontado e infeliz. Mais tarde, Deva Vrata descobriu a causa da infelicidade de seu pai, e foi até o pai de Satyavati, para defender a posição de seu pai ao querer casar-se com Satyavati. Na volta, ele prometeu abrir mão seu direito ao trono, pelo filho de Satyavati.
O chefe pescador pensou por um tempo e mostrou sua preocupação distante dizendo, “E seus filhos? Eles não devem cumprir sua promessa?”
Ao ouvir isto, Deva Vrata fez um juramento terrível, de que ele nunca se casaria na sua vida; deveria ficar como um Bah-
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 4 machari (celibatário). Desde então, ele ficou conhecido como Bhisma; o estável. Bhisma, trouxe Satyavati em sua carruagem, levando-a ao palácio, e apresentou-a a seu pai. Shantanu sentiu-se chocado quando ele ouviu tudo o que havia acontecido. Ele abençoou Bhisma, com o poder de decidir o dia de sua morte.
No devido tempo, a rainha Satyavati tornou-se mãe de dois príncipes, Chitrangad, e Vichitravirya. Após a morte de Santanu, Chitrangad sucedeu o trono, mas foi morto em uma guerra. Vichitravirya era, então, menor, e fora coroado por Bhisma como o rei de Hastinapura. Quando Vichitravirya ficou mais velho, Bhisma e a rainha Satyavati, casaram ele com duas princesas de Kashi, a saber, Amba e Ambika. Desafortunadamente, Vichitravirya morreu sem um sucessor.
Bhisma e Satyavati decidiram chamar
Veda Vyasa. Vyasa chegou em um piscar de olhos atendendo o pedido deles. Satyavati explicou a ele a grave situação a qual a família Kaurava estava enfrentando sem um herdeiro. Ele pediu à Vyasa para abençoar Ambika, a mais anciã das viúvas de Vichitravirya, para abençoar com um filho, que pudesse suceder o falecido rei. Diante das circunstâncias, Sri Vyasa aceitou.
1.4. Vyasa Deva, pai de Dhritarashtra e Pandu
Quando Vyasa se aproximou de Ambika, ela estava assustada com sua cara feia e fechou seus olhos enquanto, o santo expressava a bênção. Como resultado, o filho que nasceu de Ambika e Vyasa era cego. Ele foi chamado de Dhritarashtra. A rainha estava despontada, e pediu a Vyasa para oferecer a bênção para Ambalika, a viúva mais nova. Ambalika não podia agüentar sentir o cheiro dele, e ficou pálida de medo enquanto o santo estava articulando a bênção. Como resultado, o filho que nasceu de Ambalika era pálido e foi chamado de Pandu, significando pálido.
A rainha Satyavati estava confusa, o que poderia ser feito agora? Pedindo ao santo por outra chance, ela mandou para a viúva anciã Ambika, mais uma vez, para receber a bênção do santo. Ambika estava tão assustada com o santo que ela não se atreveu a ir diante dele. Invés disso, sem contar à sua sogra, Ambika mandou sua em- pregada ao homem santo depois de disfarçar ela com roupas suntuosas. A empregada ficou sem medo, e recebeu o santo, Veda Vyasa, com grande devoção. Sentindose feliz, o santo deu a ela uma bênção, e ela deu a luz a uma criança perfeita chamada Vidura.
1.5. Pandu e Dhritarasthra Em seu devido tempo, Pandu subiu ao trono, uma vez que o seu irmão mais velho, Dhritarashtra, era cego, e, Vidura, tornou-se assim o primeiro-ministro, devido a sua esperteza, e ilustre talento. Dhristarashtra casou-se com Gandhari, a princesa de Gandha, em Beluchistan, (hoje Paquistão). Quando Ghandhari soube que seu marido era cego, ela, como uma verdadeira esposa, dividindo suas emoções com seu marido, vendou seus olhos, permanentemente, com um tecido.
Mais tarde, um dia, quando Pandu estava caçando na floresta, ele atirou uma flecha em um cervo que estava em cerimônia de acasalamento. Após morrer, o cervo amaldiçoou Pandu de que ele iria morrer se ele fosse entrar em contato com qualquer de suas esposas. Pandu estava chocado. Depois de retornar à sua habitação, ele contou o que aconteceu às suas esposas. Elas aceitaram levar a vida de ascetas. Elas estavam, porém, tristes que nenhuma chance de elas terem seus filhos para suceder o trono da dinastia Kaurava tinha se perdido. Durante o tempo de Pandu, o reino dos Kurus expandiu-se mais em todo lugar. Pandu casou-se duas vezes, primeiramente com Kunti, e, então, depois, com Madri. Após muitos anos de governo, por causa de uma maldição, Pandu decidiu retirar-se para os Himalaya,s deixando o reino nas mãos de Dhritarashtra, e seu avô Bhisma. Não havia herdeiro para o trono desde que nenhum dos irmãos tiveram filhos.
Em Hastinapura, Gandhari chamou Veda
Vyasa, e pediu a ele a bênção de dar a luz a 100 filhos e filhas. Veda Vyasa, muito gentilmente, aceitou, mas avisou Gandhari que iria demorar um pouco para eles chegarem. Gandhari estava sem pressa desde que ela sabia que Pandu não podia ter filhos por causa da maldição do cervo. No entanto, as coisas se tornaram diferentes.
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 5
1.6. Pandu e Seus filhos Na floresta, Pandu começou a sofrer com uma profunda depressão, por causa da maldição do cervo, Kunti dolorosamente contou sobre a bênção que recebera. Kunti estava preocupada e queria revelar o segredo que ela mantinha em seu coração até então, com o intuito de fazer Pandu feliz. Kunti disse, “Quando eu era uma jovem moça, o sábio Durbasha veio à casa de meu pai. Eu servi ao sábio devocionalmente e, como resultado, o sábio me abençoou com um mantra pelo qual eu poderia invocar qualquer Deus que eu quisesse para ter um filho. O mantra, no entanto, pode ser usado somente cinco vezes”.
Pandu estava muito feliz. Ele agora podia ter seus filhos sem nem mesmo tocar em Kunti. Kunti, porém, não revelou a Pandu que ela já havia usado o Mantra uma vez. Isso aconteceu quando, antes de receber o Mantra, ela ficou impaciente para usá-lo, sem mediar devidamente as conseqüências. Ela invocou o semideus do Sol, Suryadeva, e ficou abençoada com um filho, usando jóias, desde de nascença. Somente então, ela percebeu que a criança havia nascido fora de um casamento. Com medo de infâmia, ela colocou o recém-nascido em uma cesta, e o colocou flutuando no rio Ganga. Um cocheiro, que não tinha filhos, afortunadamente, descobriu a cesta. Ele pegou a criança abandonada, que mais tarde seria chamada de Karna, porque ele “nascera de brincos”.
Quando então casada com Pandu, Kunti foi convocada pelo seu rei e marido para chamar Dharma, o semideus da retidão e da justiça. Kunti foi abençoada com o primeiro filho de Pandu, Yudhishthira. As notícias do nascimento do primeiro filho alcançaram Dhritarashtra e Gandhari. Gandhari estava perturbada, porque ela não podia ser a mãe do futuro rei. Ela, imediatamente, chamou Vyasa, e pediu a ele para forçar o nascimento dos seus cem filhos. Através de seus poderes mágicos, Vyasa encurtou o período de espera, e os cem filhos de Dhritarastra vieram, junto com uma filha, Dushala. Duryodhan era o mais filho mais velho, enquanto Dushashan era o segundo. Gandhari não estava feliz, apesar dos melhores esforços dela, uma vez que o primeiro filho de Pandu, Yudhishthira, iria ser o verdadeiro herdeiro ao trono, e não seu filho mais velho, Duryodhana.
Para fortalecer a dinastia de Kuru, Pandu pediu para Kunti ter mais filhos. Kunti chamou o semideus do vento, Pavan, então Bhima, o segundo filho nasceu. Mais adiante, Indra abençoou Kunti com o terceiro filho, chamado Arjuna. Madri, a outra esposa de Pandu, ainda não tinha filhos. Pandu pediu para Kunti que passasse o Mantra a Madri, de forma que ela pôde ter filhos, também. Madri chamou o semideus gêmeo, Ashwins, e foi santificada com dois filhos, Nakula e Sahadeva.
Assim, Pandu teve cinco filhos, Yudhishthira, Bhima, Arjuna, Nakula e Sahadeva. Estas cinco crianças afortunadas, filhos de Pandu, foram chamadas de Pandavas. Eles cresceram fortes e bem comportados. Eles aprenderam a arte de jogos de guerra, do seu pai, Pandu. Os sábios ensinaram a eles os ensinamentos dos Vedas, e das regras do Dharma.
Era um dia de primavera, enquanto estava passeando ao lado do rio, Pandu viu Madri passando. Despertado com a paixão, ele tocou Madri, e morreu imediatamente. Kunti e Madri estavam aniquiladas com o ocorrido. As notícias alcançaram Dhritarashthra, e ele ficou chocado, também. O corpo de Pandu foi carregado até Hastinapura, para os ritos de cremação. Madri, decidiu ascender e ir à pira do funeral de Pandu, e apelou à Kunti para cuidar de seus dois filhos, Nakula e Sahadeva, como sendo seus próprios três filhos. Os Pandavas, os filhos de Pandu, retornaram à Hastinapura, e uniram-se aos seus primos, Kauravas, os filhos de Dhritarashthra.
7. O treinamento dos Pandavas e Kauravas
Todos os primos, os Pandavas e Kauravas, cresceram juntos sob a direção do avô deles, Bhisma. Kripacharya, um hábil professor de artes marciais, treinou-os para jogos de guerra.
Kripacharya, em seus dias de infância, conhecido como Kripa, veio ao rei Shantanu, pai de Bhisma, junto com sua irmã Kripi, como órfãos de uma família Brahmin. Shantanu era uma pessoa bondosa. Ele educou Kripa e Kripi com os melhores cuidados. Kripa, com seu melhor esforço, tornou-se um mestre em artes marciais, e
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 6 era, desde então, conhecido como Kripacharya. Kripi era casada com Drona, o filho do sábio Bharadwaj; O sábio Bharadwaj era o melhor arqueiro do seu tempo. Ele dirigiu uma escola para ensinar artes marciais aos príncipes. Seu pai, Bharadwaj, pessoalmente, treinou seu filho Drona. Durante a sua vida de estudante, Drona tornou-se um amigo próximo do príncipe Drupada, que prometeu a Drona que ele iria repartir seu reino com ele, quando ele se tornasse rei. Mas quando Drupada tornou-se rei, ele esqueceu tudo o que ele prometeu para Drona em sua infância. Depois da morte de Bharadwaj, Drona assumiu todas as responsabilidades de seu pai, e ficou conhecido como Dronacharya. Nesses dias, o mestre providenciou educação gratuita para todos os seus estudantes, e estava satisfeito com a honra demonstrada por seus estudantes, e pela comunidade. Como resultado, ele ficou pobre, em ver suas necessidades, ao menos que alguma realeza providenciasse suporte financeiro para seus projetos. Drona não tinha exceção. Ele tinha um filho chamado Ashwathama a quem ele amava com carinho. Um dia Dronacharya testemunhou que seus companheiros de jogos zombaram de seu filho, porque ele era pobre. Ele decidiu ir ao seu colega antigo Drupada, para pedir ajudas financeiras. Drupada, inundado por sua realeza, ignorou suas promessas de infância a Drona. Ele insultou Drona abertamente em sua corte. Drona deu a promessa de que um dia ele iria vingar-se de Drupada, e deixou a corte com raiva. Ele, rapidamente, deixou sua habitação, e chegou na residência de Kripa, junto com sua esposa Kripi, e Ashwathama.
7.1 A habilidade de Drona Drona estava passando, certa feita, quando os príncipes de Hastinapura estavam jogando bola. Ele viu a bola caindo vigorosamente dentro de um poço próximo. Os príncipes estavam confusos de como tirar a bola do poço. Então, Drona veio diante deles. Ele escutou os príncipes, e, então, jogou seu próprio anel dentro do poço. Desta feita, ele se gabou que ele iria pegar, ao mesmo tempo, a bola e o anel, com a ajuda da sua habilidade com o arco-eflecha. Os príncipes estavam impressionados de ver que ele manteve sua promessa.
Todos eles chamaram Drona para ver seu avô Bhisma. Bhisma, o guerreiro veterano, ouviu o que acontecera, e estava impressionado com a habilidade de Drona. Ele, imediatamente, nomeou Drona como o professor de arco-e-flecha dos príncipes. Drona estava muito satisfeito com sua posição, que melhorou as condições econômicas de sua família. Ele começou a instruir os príncipes com muito cuidado e amor. Ele estava confiante de que seus discípulos reais iriam, um dia, ajudar ele a derrotar Drupada, e ele iria ser capaz de cumprir plenamente a sua promessa de vingar-se dele.
De todos os discípulos, Drona gostava de
Arjuna como o melhor. Ele era o mais hábil, e Drona prometeu a Arjuna que ele iria fazer dele o melhor arqueiro no mundo. Um dia, o príncipe Ekalavya, filho do rei Nishad, veio a Drona, e pediu para aceitá-lo como seu discípulo. Rei Nishad pertencia à uma baixa casta, e Drona estava estimado a somente aos príncipes reais da dinastia Kuru. Assim, Drona recusou-se a pegar E- kalavya como seu discípulo. Ekalavya estava desapontado, mas não perdeu suas esperanças. Ele foi numa floresta profunda, fez um ídolo de Drona, e considerou ele como seu Guru, praticava arco-e-flecha diariamente. Através de sua devoção, e prática constante, Ekalavya se superou no jogo de arco-e-flecha.
7.2. Ekalaya, um grande arqueiro Um dia, os príncipes Kurus foram caçar na floresta, onde Ekalavya vivia. Seu cão de caça desgarrou-se do grupo, e eles viram Ekalavya. O cão começou a latir, enquanto Ekalavya estava ocupado com sua prática de arco-e-flecha. Ekalavya atirou um feixe de flechas no cachorro, de modo que tampou a sua boca aberta. O cão voltou correndo para o grupo real, e os príncipes ficaram impressionados de ver seu desempenho. Eles todos vieram a Ekalavya, junto com Drona, para identificar a pessoa que havia ultrapassado-os na arte de arcoe-flecha.
Vendo Drona, Ekalavya caiu aos pés de seu Guru. Drona estava muito honrado por sua devoção e diligência. Ele, brevemente, reconheceu que Ekalavya iria eventualmente tornar-se um invencível rival de Arjuna, e Drona não poderia ser capaz de manter sua promessa. Então, Drona pediu seu po-
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 7 legar direito, como uma recompensa de professor (Guru Dakshina), e Ekalavya obedeceu, cortando seu polegar direito e colocando-o nos pés do Guru. Que glorioso exemplo de obediência aos professores!
Quando os príncipes haviam completado seu treinamento, o avô Bhisma arranjou uma competição para demonstrar seu senso esportivo. Muitos notáveis foram convidados para a grande cerimônia. Arjuna surprindeu a todos por seus feitos de arcoe-flecha. Quando o torneio estava a ponto de terminar, Karna chegou no local da cena. Ninguém sabia que ele era o filho bastardo de Kunti, educado por um cocheiro. Ele desafiou Arjuna. Nesse ponto, Kripacharya opôs-se.
“A competição tem em vista somente príncipes reais, e não é aberto à pessoas comuns”.
Ouvindo a objeção, Duryodhana, um rival de Arjuna, veio à frente e ofereceu a Karna o Estado de Anga, fazendo dele um príncipe. Karna era tão bom quanto Arjuna, e ninguém poderia decidir a superioridade de um sobre outro.
O dia terminou, e os príncipes reais vieram a Drona para prestar respeito e Guru Dakshina (contribuição ao mestre). Drona pediu a eles para capturarem Drupada, o rei de Panchal, e trazê-lo como prisioneiro. Os Kauravas, e os Pandavas, não tinham problemas de correr até Panchal, e conceder Drupada para Drona.
Então, Drona lembrou Drupada dos insultos que ele impôs a ele, e disse, “Drupada, como um amigo eu estou retornando parte do reino a você, mas eu espero que no futuro você lembre da lição, e respeite e cumpra as promessas que você faz”.
8. A Conspiração; Os Pandavas, e
Draupadi 8. Conspirando contra os Pandavas Os Pandavas eram superiores aos Kauravas em todos os aspectos como força e inteligência, exceto no número de soldados que eram menor. Eles eram muito apreciados pelas suas qualidades nobres. Bhishma informou Drhitarashtra para declarar Yudhshthira como o príncipe coroado de Hastinapura desde que ele era o mais velho e era favorecido com finas qualidades de um rei.
A inveja de Duryodhana pelos Pandavas aumentou depois de escutar que Yudishthira seria declarado o príncipe coroado. Com raiva, Duryodhana planejou matar os Pandavas então que ele poderia subir ao trono de Hastinapura. Um dia Duryodhana se aproximou de seu pai, Dhritarashtra, e pediu a ele para mandar os Pandavas para a feira anual de Pashupati em Varnavat, um lugar longe de Hastinapura. Ignorante de qualquer delito, Dritharashtra pediu aos Pandavas para tomar conta da feira.
Duryodhana, por outro lado, secretamente ordenou seu parceiro confiante Purochana, para fazer um palácio especial, com materiais altamente inflamáveis, para os Pandavas. Seu plano atroz era queimar os Pandavas vivos enquanto dormiam. De acordo com o plano, Purochana iria guardar o palácio e iria colocá-lo em chamas na noite escura seguinte.
No entanto, Vidura, tio dos Pandavas, e bem querido por eles, veio para saber do plano maléfico de Duryodhana, e alertou Yudishthira sobre a trama. Yudishthira, não queria fazer um grande alarido deste problema, desde que os Pandavas ainda não estavam prontos para lutar. Então, ele decidiu negociar isso de uma maneira secreta. Com a ordem de deixar os Pandavas para ganhar tempo, Vidura mandou um escavador a Varnavat para, secretamente, cavar um túnel de fuga do palácio. O túnel deveria levá-los para dentro de uma floresta densa próxima, uma área fácil o suficiente para os Pandavas se esconderem.
Na noite em que a ação terrível estava para ser executada, Bhima trancou o quarto de Purochana por fora, e pôs fogo na casa. Então, os Pandavas escaparam através do túnel na floresta. No local do grande incêndio, as pessoas de Varnavat vieram apressadas para extinguir o fogo. De qualquer maneira, o palácio altamente inflamável, queimou em cinzas rapidamente. Todos pensaram que os Pandavas tinham queimado no fogo. Brevemente, as notícias alcançaram Hastinapura. Dhritarashtra e Bhishma estavam chocados de ouvir as notícias. Duryodhana estava glorificado de ouvir isso, mas visivelmente agiu como se estivesse triste.
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 8
9. Os Pandavas na floresta Após muitas milhas de caminhada, através da floresta, os irmãos Pandavas, e mãe Kunti, deitaram em baixo a uma figueirade-bengala, famintos e com sede. Bhima, foi pegar a água, mas quando ele voltou, ele viu todos num sono profundo. Bhima ficou acordado para cuidar deles.
A floresta era uma reserva de caça de um demônio atemorizante, chamado Hidimba. Ele vivia com sua irmã Hidimbi numa árvore gigante, perto do lugar onde os Pandavas estavam descansando. Logo que Hidimba sentiu a presença de humanos, ele pediu à sua irmã para matá-los para seu jantar. Hidimbi alcançou o lugar, e viu Bhima tomando conta dos Pandavas. Depois de ver o corpo forte de Bhima, ela, instantaneamente, apaixonou-se por ele. Então, ela se transformou em uma linda moça, e aproximou-se de Bhima. Bhima, também, se apaixonou por Hidimbi no primeiro olhar. Na inquirição de Hidimbi, Bhima explicou a razão de sua família esconder-se na floresta. Hidimbi simpatizou, e prometeu ajudá-los. Enquanto isso, Hidimba ficou impaciente, e desceu da árvore à procura de sua irmã. Quando ele viu sua irmã fazendo amor com sua presa, ele ficou furioso. Ele atacou Bhima imediatamente. Bhima empurrou-o longe a uma distância que, então, sua família poderia ficar a salvo. Uma luta terrível sucedeu. Finalmente Hidimba foi morto por Bhima.
Quando a família dos Pandavas acordou,
Kunti notou uma linda moça de pé perto de Bhima. Ela perguntou, e Hidimbi explicou o que havia acontecido. Ela também pediu a Kunti para permitir seu filho Bhima casarse com ela. Hidimbi, prometeu devolver Bhima aos Pandavas depois do nascimento de um filho. Kunti e seus quatro filhos estavam impressionados com Hidimbi e concordaram em aceitá-la como a esposa de Bhima.
Seguindo uma cerimônia curta, Hidimbi e
Bhima seguiram para a terra da beleza. Enquanto isso, uma criança havia nascido a qual foi chamada de Ghatotkahca. Ghatotkacha cresceu num piscar de olhos e, como seu pai, tornou-se um grande guerreiro. Bhima retornou à sua família com seu filho e esposa. Como prometeu, Hidimbi deixou com seu filho depois de uma breve visita e
Ghatotkacha prometeu voltar aos Pandavas não importando a hora q for chamado.
Depois de algum tempo de esconderijo na floresta, os Pandavas começaram a planejar a partida, quando Veda Vyasa chegou. Ele consolou os Pandavas, e assegurou a eles que a justiça iria finalmente atuar. Ele avisou-os para terem paciência, e insistir sua dificuldade atual. Pelo aviso de Veda Vyasa, Kunti e seus cinco filhos foram a uma cidade próxima, chamada Ekachakra. Eles ficaram com uma família de Brahmins, disfarçados de Brahmins. Os Pandavas viveram como almas miseráveis e cantando preces este lugar.
10. Bakasura atormenta os Brahmanas
Um dia, enquanto Kunti estava descansando à tarde, ela escutou gemidos de dentro da casa dos Brahmins, onde eles estavam residindo. Levando em consideração, por ser parte dos deveres deles, de permanecerem junto do seu anfitrião na hora de desgraça, Kunti foi questionar a miséria deles.
O Brahmin contou a história de horror que aquele vilarejo estava amaldiçoado por um demônio chamado Bakasura. Quando ele veio na cidade de Ekachakra de lugar nenhum, ele estava matando pessoas aleatoriamente e destruindo o vilarejo. Finalmente o líder da cidade fez um acordo com Bakasura pedindo à ele para ficar na floresta próxima. Todo o dia a cidade mandaria para ele uma marmita de comida puxada por dois búfalos, dirigidos por uma pessoa de acordo com o que puxavam. Bakasura iria comer o alimento, os búfalos e o motorista. Kunti imediatamente adivinhou que isto deveria ser a oportunidade para a família hospedeira aquele dia mandar um motorista. Para a surpresa de todos, Kunti ofereceu sua ajuda.
“Eu tenho cinco filhos e eu irei mandar
Bhima para enfrentar o demônio. Ele é forte o suficiente para matar o demônio e libertar a cidade de seu aprisionamento para sempre. O único pedido que eu farei é de manter isso em segredo e não revelar nossa identidade.”
Bhima encontrou com Bakasura e ignorando ele começou a comer sua comida na frente dele. Bakasura ficou furioso e atacou Bhima. Uma temível batalha brevemente
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 9 sucedeu-se e Bakasura estava morto. Bhima secretamente arrastou seu corpo durante a noite até a entrada da cidade e deixou-o lá para o deleite das pessoas.
Na manhã seguinte, os cidadãos estavam surpresos de ver o corpo morto de Bakasura. Eles regozijaram a felicidade de seus corações. Quando eles chamaram o Brahmin, o hospedeiro dos Pandavas, ele apenas disse, “Tudo isso é a vontade de Deus. Deixe-nos agradecer à Ele de remover a ameaça pelo bem.”
1. A bela Draupadi Depois, enquanto em Ekachakra, os Pandavas ouviram do viajante que Drupada, o rei de Panchal, estava segurando um Swyambara para casar sua linda filha Draupadi com o melhor dos príncipes. Naqueles dias, Swyambara era a cerimônia real, onde o pretendente competia em certos eventos, e o ganhador ganhava a mão da princesa. Os Pandavas, conheciam Drupada, com quem eles humilharam diante de seu Guru Dronacharya. Drupada não tinha filhos. Ele executou um Yajña (adoração com fogo), então, devotadamente, um menino e uma menina saltaram para fora do fogo. O menino era chamado Dhritasthadyumna, e a menina, Draupadi. Draupadi era bem conhecida por sua beleza estonteante, e muitos príncipes aspiravam por ganhar sua mão. Os irmãos Pandavas, também, decidiram atender a cerimônia de Swyambara, disfarçados de Brahmins. 12. Os Pandavas casam-se com Draupadi e retornam a Hastinapur
12.1. Casando-se com Draupadi De Ekachakra, os Pandavas disfarçados de Brahmins, chegaram em Panchal para acompanhar a cerimônia de Swyambara de Draupadi. Eles já tinham ouvido falar da beleza divina de Draupadi, a filha do rei Drupad.
Na assembléia de Swyambara, os Pandavas sentaram próximos aos outros Brahmins, longe dos dignitários reais. Ninguém na assembléia reconheceu os Pandavas. Krishna, o rei de Dwarka, estava presente como convidado honorário.
Na hora apropriada, o rei Drupad cumprimentou e honrou todos os participantes e anunciou que sua filha Draupadi estava indo à direção ao ponto de encontro. No meio dos sons de cornetas, tambores e músicas melodiosas, a princesa Draupadi, acompanhada por seu irmão Dhrishtadyumna, entrou no salão do Swyambara. Logo que ela entrou, todos os olhos se voltaram para Ela. Ela parecia uma ninfa celestial.
Dentro de um curto tempo, Drishtadyumna dirigindo-se a assembléia disse: “Honrados príncipes, vocês podem ver um peixe pendurado a uma roda giratória presa no topo se um poste. O reflexo do peixe é visto em uma panela larga e cheia de óleo, colocada embaixo do poste. Dos competidores, aquele que acertar o olho do peixe olhando o reflexo, deverá receber a mão de minha irmã Draupadi”.
Um arco com flechas foi colocado no palco para o ato de coragem.
O evento começou e um número de príncipes veio à frente e tentaram sua sorte um após o outro. Mas nenhum deles teve sucesso. Um por um, eles retornaram aos seus lugares com cara de perdedores.
Na volta de Karna, Draupadi se expressou. Ela recusou casar-se com Karna pela falta de linhagem real. Karna era o filho de um cocheiro. Karna deixou o hall em ressentimento.
Drupad e Dhrishtadyumna estavam ficando preocupados desde que todos os príncipes presentes na cerimônia tinham falhado. Finalmente, Arjuna, disfarçado de Brahmin, levantou-se e avançou através do palco. As pessoas estavam impressionadas de ver um Brahmin enfrentando os príncipes valentes. Sendo um Brahmin em disfarce, o qual pertencia a uma casta superior aos Kshatrias (príncipes guerreiros), Arjuna não poderia ser impedido. “Ele deve ter ido à loucura!”, observou um dos Brahmins.
Ficando calmo e controlado, Arjuna pegou o arco e a flecha. Ele olhou para baixo, em direção ao reflexo do peixe na panela com óleo e puxou a corda do arco, e lançou a flecha. Num instante, a flecha foi arremessada com um zunido e acertou o olho do peixe. As pessoas não podiam acreditar que um Brahmin poderia dominar a arte do arco-e-flecha melhor do que qualquer príncipe poderia.
A princesa sentiu-se insultada e veio à frente para matar Arjuna. Imediatamente o resto dos Pandavas se agrupou para defen-
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 10 der Arjuna. Logo, todas as pessoas perceberam a força e a técnica dos cinco irmãos, os Pandavas. Finalmente, Krishna entrou e pediu à princesa frustrada que tomasse graciosamente o erro deles e a luta parou.
Duryodhana adivinhou que o vencedor deveria ser Arjuna, e os outros quatro irmãos Brahmins deveriam ser os irmãos Pandavas. Ele estava maravilhado de como eles puderam escapar do fogo em Varnavat.
12.2. Voltando para Hastinapura Os Pandavas voltaram para casa com
Draupadi sendo a esposa de Arjuna. Kunti estava esperando por eles pensando que seus cinco filhos retornariam para casa logo com a coleta diária deles de esmolas. Yudhishthira, logo que alcançou a casa, falou: “Olhe mãe, o que nós trouxemos hoje para a senhora!”
Kunti estava dentro de casa, e não pode ver do que Yudhishthira sobre o que estava falando. Então, mesmo sem ter visto, Ela disse: “Dividam igualmente entre todos vocês!”. Mas logo que soube que se tratava de Draupadi, Kunti ficou envergonhada. Então ela arrependeu-se e disse: “Meus filhos, eu tinha a impressão de que vocês haviam trazido alguma esmola de alguma pessoa caridosa. Foi por isso que eu lhes disse para dividir igualitariamente”. Mas uma vez que tinha falado, Srimati Kunti não pode voltar atrás, então os seus cinco filhos tomaram Draupadi como esposa. Draupadi aceitou. Então ela ficou sabendo que Eles eram os irmãos Pandavas. Então ela agradeceu as estrelas por ter se tornado a noiva da família real de Hastinapura Após o Swayambara, Dhrishtadyumna, irão de Draupadi, furtivamente seguiu os cinco irmãos Brahmans, e descobriu a verdadeira identidade deles. Feliz, ele retornou para casa para informar a seu pai Drupada, que os maridos de Draupadi não eram ninguém mais dos que os Pandavas. A família real, imediatamente, decidiu fazer uma festa para a celebração. Durante a celebração, as identidades dos Pandavas foram reveladas, e o rei Drupada, tornou-se um próximo aliado.
As novas alcançaram a cidade de Hastinapura. Bhisma avisou Dhritarashtra para dar a metade do reino para os Pandavas. Duryodhana não gostou da idéia, mas ficou quieto, e estava esperando uma próxima oportunidade para apagar os Pandavas. Dhritarashtra enviou Vidur, o seu primeiro ministro, para o rei Drupada, para que voltasse com os Pandavas para Hastinapura. Os Pandavas concordaram, e prontamente retornaram para Hastinapura, junto com Kunti e Draupadi. Nas suas chegadas, uma grande cerimônia de boas-vindas foi dada a princesa, que as pessoas pensavam que tinha morrido numa feira. Eles ficaram alegres de ver todos juntos e juntaram-se na celebração. Os Pandavas tocaram os pés de todos os mais velhos, Bhisma, Dhritrarashtra, Vidur, Dronacharya, e outros, e estavam felizes por terem retornado. Dhritarashtra, em consulta com seus membros da corte, ofereceu Khandavprastha para os Pandavas ocuparem o trono. Yudhishtriha, modesto e obsequioso que era, aceitou a oferta e foi para Khandavprastha, como sendo seu próprio reino.
No devido curso do tempo, os Pandavas fizeram Indraprashtha a capital do Khandaprastha. Indraprastha tornou-se um belo centro, com um palácio imponente. As pessoas estavam felizes e amavam seu rei, Yudhishthira. Com o objetivo de evitar um mal entendimento, Narada avisou os Pandavas para redigirem um Código de Conduta, no qual, cada um deles pudesse ficar na companhia de Draupadi em completa privacidade. Caso alguém fosse interrompido, o violador teria que se exilar pó rum período de 12 anos.
12.3. O exílio de Arjuna Tudo estava indo bem, até que um dia um Brahmin veio amargurado choramingar para Arjuna. Ladrões haviam roubado as suas vacas. Arjuna o consolou e prometeulhe que iria procurar pelos ladrões. Mas ele se deu conta de que as armas estavam debaixo da cama, onde estava Draupadi, e naquele momento, Yudhishthira esta com Draupadi. Então Arjuna ficou num grande dilema. Mas ele preferiu violar a sua promessa e ir para o exílio, em vez que falhar na promessa de ajudar aquele Brahmin. Ele bateu na porta, pediu desculpas, pegou seu arco e flechas e foi atrás dos ladrões.
Arjuna retornou após ter recuperado as vacas do Brahmin. Então ele foi até o seu
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 1 irmão mais velho e pediu-lhe desculpas por ter quebrado o código. Arjuna disse: “Eu violei o acordo que fizemos, e agora eu lhe peço permissão para ir para o exílio por 12 anos”. Yudhishthira tentou persuadir Arjuna para mudar a sua mente, uma vez que havia entrado na privacidade do quarto tendo em vista proteger, e não por uma razão pessoal. Mas Arjuna insistiu em obedecer as regras estabelecidas pelo sábio Narada, e que todos os Pandavas em comum acordo haviam concordado, sem fazer qualquer exceção, e brevemente foi para a floresta. 13. O exílio de Arjuna durante doze anos
13.1. Exílio de Arjuna De Indraprastha, Arjuna primeiro foi para os Himalayas, e passou seu tempo acompanhado de sábios, participando dos seus discursos e praticando os rituais religiosos.
Um dia Ulupi, filha do rei Naga, que era o governador do mundo das serpentes debaixo d’água, viu Arjuna ocupado com seus deveres religiosos. A linda personalidade de Arjuna sempre atraiu as donzelas. Ulupi não era uma exceção. Ela imediatamente se apaixonou por ele e decidiu raptar Arjuna para casar-se com ela. Então, quando Arjuna foi tomar um banho no rio, ela o agarrou e levou ele para o reino submarino de seu pai. Arjuna estava confuso pelo seqüestro e perguntou Ulupi das suas intenções.
Ulupi explicou, “Eu sou a princesa do reino de Naga. Me desculpe pela inconveniência causada a você. Eu trouxe você aqui para que se torna-se meu marido. Você não tem como escapar.”
Arjuna não tinha escolha. Ele aceitou a proposta oferecida por Ulupi e ficou com ela por um tempo. Então um dia Arjuna recorreu a Ulupi, dando a razão da impossibilidade de ficar com ela enquanto ele estava incubido de viajar durante seu período de exílio. Ulupi aceitou e levou Arjuna de volta à superfície. Depois de despedir-se dele, ela deu para Arjuna uma bênção de proteção contra a mordida de qualquer criatura.
Arjuna então seguiu em uma longa jornada pelo leste, e finalmente chegou a Manipur. Chitravahana era o rei de Manipur. Ele concedeu a Arjuna uma calorosa festa de boas-vindas então Arjuna decidiu ficar com ele por um tempo. Chitravahana tinha uma linda filha, Chitrangada.
Arjuna estava fascinado pela beleza de
Chitrangada e decidiu casar-se com ela. Então ele se aproximou de Chitravahana para pedir a mão de Chitrangada em casamento. Chitravahana estava feliz, mas ele impôs uma condição para o casamento: “Chitrangada é minha única filha e eu não tenho nenhum herdeiro para continuar minha dinastia. Então, eu decidi adotar o filho dela. Se você pretende se casar com Chitrangada, você deve me dar o filho dela, que será coroado o príncipe do meu reino.”
Arjuna aceitou a condição e se casou com Chitrangada. Finalmente, um filho nasceu, que depois de três anos foi adotado por Chitravahana. Então Arjuna continuou sua jornada, como esperado, deixando Chitrangada em Manipur.
Depois de sair de Manipur, Arjuna foi viajando ao sul, alcançando o litoral (próximo ao atual centro de peregrinação de Puri). Lá ele estava novamente na companhia de santos e sábios.
Um dia, os sábios reclamaram para Arjuna de que as águas próximas estavam infestadas de ferozes crocodilos. Eles tinham que fazer um longo caminho para chegar às águas para tomar banho. Arjuna prometeu que iria espantar os crocodilos. Consciente da bênção de Ulupi, Arjuna pulou nas águas para matar os crocodilos. Logo, um imenso crocodilo pegou sua perna e Arjuna imediatamente arrastou o crocodilo para fora d’água. Para sua total surpresa, o crocodilo instantaneamente se transformou numa ninfa divina, e Arjuna perguntou, “Quem é você?”. A ninfa respondeu, “Há muito tempo, minhas quatro amigas e eu estávamos brincando na água e ofendemos um sábio. O sábio nos amaldiçoou para que nos tornássemos crocodilos e ficássemos na água para sempre. Nós nos desculpamos e imploramos por piedade. O sábio sentiu pena de nós e retirou a maldição, dizendo que nós seríamos resgatados após muitos anos depois quando um virtuoso guerreiro iria nos tirar da água. Nós seríamos então transformadas de volta no que éramos. Então, por favor, seja bondoso e retire minhas outras quatro amigas também.”
Arjuna aceitou, e um por um tirou os outros quatro crocodilos. Tal como o primeiro,
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 12 eles também adquiriram sua forma real de donzelas divinas. Todas elas agradeceram muito Arjuna por ter as liberado; então elas partiram para a sua moradia divina.
13.2. Em Dwaraka, casamento com
Subhadra
Depois de um tempo, Arjuna foi em direção a Prabhas, localizada na costa oeste da Índia, para tomar seu tempo em meditação. Lá ele decidiu ir para Dwaraka para ficar com Krishna, seu melhor amigo. O irmão mais velho de Krishna, Balarama, o rei, realizou uma calorosa recepção para Arjuna e Arjuna ficou em Dwaraka por alguns dias.
Um dia Arjuna prestou muita atenção em
Subhadra, a irmã de Krishna, e se apaixonou por ela. Balarama, de qualquer forma, já tinha escolhido Duryodhana como o futuro marido de Subhadra. Quando Krishna preveu a situação, Ele indiretamente sugeriu que Arjuna fugisse com Subhadra, dizendo “Um Kshatriya como você nunca implora para ganhar o amor da sua amada. Ele ganha a mão dela à força.”
Arjuna entendeu a dica. Ele pegou a carruagem de Krishna e forçadamente pegou Subhadra quando ela estava voltando do templo. Balarama se irritou e chamou Krishna antes de entrar em guerra com Arjuna. Ele adivinhou que o rapto teria sido cometido com o apoio de Krishna.
Balarama reclamou para Krishna. “É vergonhoso tolerar essa falta de Arjuna, seu melhor amigo. Eu nunca imaginaria que um convidado real como ele retornasse nosso favor através desse ato. O que você tem a dizer antes de irmos atrás de Arjuna?”
Krishna ouviu as alegações cuidadosamente e falou pacificamente.
“Irmão Balarama, não é um orgulho para nós termos ligação com os Pandavas? Eles serão nossos fortes aliados. Arjuna é invencível, e se nós formos derrotados, será mais vergonhoso. Eu irei sugerir que nós honradamente chamemos Arjuna de volta e arranjemos um casamento real entre Subhadra e Arjuna.”
Balarama comprindeu a gravidade da situação e percebeu as chances de ganhar uma luta contra Arjuna. Assim, ele logo organizou tudo para o casamento real e Arjuna foi para Pushkar, perto da atual Aj- mer. Lá ele passou o resto do seu tempo de exílio.
13.3. Retorno do exílio Depois de completar o período de exílio,
Arjuna retornou para Indraprashtha com Subadra. Enquanto Arjuna foi ver Yudhishthira para prestar seu respeito, Subhadra foi ver Kunti e tocou seus pés com grande reverência. Draupadi estava muito preocupada no começo mas a humildade de Subhadra conquistou seu coração num piscar de olhos. “Irmã, por favor, me aceite como sua empregada” disse Subhadra com uma voz humilde.
Balarama e Krishna vieram à Indraprastha para participar da celebração pela volta de Arjuna e para fortalecer suas relações com os Pandavas como parentes. Depois de alguns dias Balarama retornou à Dwaraka e Krishna escolheu ficar por ali.
Logo, Subhadra deu a luz a um adorável filho que foi chamado de Abhimanyu. Draupadi deu a luz a cinco filhos – um de cada um de seus maridos. Aos poucos os príncipes dos Pandavas cresceram e atingiram a idade adulta tão fortes que seus pais, tios e todos estavam orgulhosos deles.
14. Rajasuya Yajña de Yudhishthira 14.1. O pedido de Agni Um dia, enquanto Krishna e Arjuna estavam conversando embaixo de uma árvore na véspera da visita de Krishna com os Pandavas, um Brahmin se aproximou e pediu por sua ajuda. “Como posso ajudá-lo?”, perguntou Krishna.
O Brahmin respondeu, “Eu sou Agni, o deus do fogo. Eu estou muito faminto para comer carne. Eu estou cansado de comer somente ghi, que é manteiga concentrada, oferecida a mim pelos sábios. Me ajude a comer os animais da floresta de Khandava. Eu tentei cumprir esta tarefa por mim mesmo muitas vezes, mas desafortunadamente, Indra, o deus do tempo, protege a floresta de Khandava. Logo que eu tento queimar a floresta, Indra derrama chuva e eu sou extinto. Eu preciso da sua ajuda para parar Indra até eu acabar de consumir a floresta de Khandava.”
Krishna e Arjuna aceitaram ajudar Agni.
Entretanto, eles não tinham nenhuma arma celestial para combater Indra. Eles falaram
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 13 a Agni as suas limitações. Então Agni, através de seus poderes divinos, produziu armas celestiais que Krishna e Arjuna precisavam.
Quando tudo estava pronto, Agni colocou fogo na floresta e num piscar de olhos a floresta inteira estava em chamas. Indra estava prontamente informado e ele correu com seu exército para proteger a floresta de Khandava. Krishna e Arjuna com sucesso pegaram o exército de Indra na baía. De repente Krishna viu um demônio sair correndo da floresta e Agni estava perseguindo-o. O demônio procurou o refúgio de Arjuna. O deus do fogo se voltou para trás e deixou-o com Arjuna. Finalmente, Agni estava satisfeito e agradeceu a Krishna e Arjuna.
14.2. O palácio de Yudhishthira Quando Agni se foi, o demônio se apresentou para Krishna e Arjuna. “Eu sou Maya (ilusão), o arquiteto de Vishwakarma. Eu possuo uma técnica miraculosa na arquitetura. Deixe-me fazer algo para vocês em troca por terem salvado minha vida” ele disse.
Krishna pediu para Maya construir um palácio para o rei Yudishthira, o qual seria o melhor do mundo. Maya contente aceitou.
Num instante, um lindo palácio foi construído em Indraprastha, o reino dos Pandavas. O sacerdote real sugeriu que uma inauguração fosse feita para o palácio antes dele ficar ocupado. Os Pandavas, em reunião com Krishna, decidiram fazer Rajasuya Yajna para sua inauguração. Uma das condições do Rajasuya Yajna é que os reinos vizinhos deveriam aceitar a supremacia do executor, os Pandavas. O único que se opôs a isso foi Jarasandha, o governador de Magadh.
Sob o conselho de Krishna, Yudhishthira mandou a equipe de Bhima, Arjuna e Krishna para Magadh para conhecer Jarasandha. Jarasandha prendeu muitos reis e ocupando seus reinos derrotando-os em um duelo. Ele era abençoado por Shiva e era praticamente invencível.
A história diz que o pai de Jarasandha estava desesperado por um filho e rezou para o Senhor Shiva. O Senhor Shiva estava honrado e deu-lhe uma fruta. Shiva disse, “Diga a sua esposa para comer a fruta e em breve ela vai ter um filho”, Mas o pai de Jarasandha tinha duas esposas. Ele tinha de ser justo com cada esposa então ele dividiu a fruta, dando uma metade para cada esposa. Como resultado, cada esposa deu à luz a cada metade da criança. Uma feiticeira, chamada Jara, juntou estas duas peças e, portanto, o filho chamou-se Jarasandha. O corpo de Jarasandha tinha uma junção vertical desde o topo até o final da espinha dorsal. A única maneira que ele poderia ser morto era rasgá-lo e ninguém era forte o suficiente para isso. Entretanto, Krishna sabia o segredo para matar Jarasandha. Ele revelou esse segredo a Bhima.
Jarasandha estava informado da chegada da equipe de Krishna, Bhima e Arjuna. Como esperado, Jarasandha recusou aceitar a supremacia dos Pandavas. Assim, Krishna pediu para ele escolher um dos Pandavas para resolver o problema. Jarasandha sabia que ele não seria pego por Arjuna por causa das suas técnicas superiores no arco-eflecha. Então, ele escolheu Bhima e estava confiante que iria derrotá-lo no duelo. Os dois prometeram lutar um contra o outro até a morte.
A luta prosseguiu por muitas horas e finalmente Bhima levantou-o e o arremessou para baixo com um forte ruído. Então ele rasgou o corpo de Jarasandha em duas partes. Jarasandha estava morto. Todos os reis foram libertados da prisão. Eles agradeceram Krishna e Bhima por terem salvado suas vidas. Eles tornaram-se amigos dos Pandavas e aceitaram sua supremacia. O filho de Jarasandha, Sahadev, sucedeu o trono de Magadh e tornou-se um dos mais fortes aliados dos Pandavas.
Todos os reis, inclusive os Kauravas, foram convidados para o Rajasuya Yajna e a adoração ao fogo estava completa com grande entusiasmo. Todos os dignitários honraram Krishna. Bhishma, o avô, falou muito dele e declarou-o como a encarnação de Deus num corpo humano.
O único que não estava feliz pela presença de Krishna era Sishupal, primo de Krishna. Ele invejava Krishna. A mãe de Sishupal sabia do defeito de seu filho e do poder de Krishna. Então, ela fez Krishna prometer que ele não iria ter nenhuma ação contra o seu filho até mesmo se Sishupal ofendesse Krishna mais de cem vezes. Sishupal ofendeu Krishna publicamente na cerimônia e
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 14 com raiva do pedido de Bhishma para parar. Krishna ficou calmo até que os insultos ultrapassassem de cem vezes. Então Krishna cortou sua cabeça com seu chakra (disco).
Seguindo a grande cerimônia, todos os convidados foram embora com uma grande apreciação dos Pandavas. Mas Duryodhana e seu tio materno Shakuni estenderam sua permanência como convidados reais especiais em ordem de apreciar a grandeza do lindo palácio de Yudhishthira. O palácio era cheio de coisas ilusórias. Duryodhana repetidamente zombava e sua apreciação logo se tornou claramente invejosa. Ele disse para Shakuni, “Tio, eu não posso trazer a prosperidade aos Pandavas. Eu sinto como se eu estivesse atacando-os e tirando deles toda sua riqueza.”
“Eu sei um jeito que eles podem ser arrancados e mandados para o exílio” disse Shakuni com sua voz esperta.
Duryodhana estava ficando impaciente pra saber do truque de Shakuni. Porém Shakuni pediu para ele esperar até eles saírem do palácio fascinante. “Quem sabe, as paredes podem ter orelhas,” disse Shakuni agitado.
15. A Perda de Indraprastha 15.1. Uma trama para derrotar os
Pandavas
A caminho de Hastinapur, Shakuni revelou seu plano maléfico para Duryodhana. Ele disse, “Yudhishthira é apaixonado por jogos de dados, e ninguém pode me derrotar neste jogo porque eu uso dados enfeitiçados. Seu trabalho é persuadir seu pai, Dhritarashtra, a convidar Yudhishthira para jogar dados comigo na presença de todos os dignitários na corte. Deixe o resto comigo.”
Quando Duryodhana chegou a Hastinapur, ele foi diretamente para Dhritarashtra e narrou a próspera condição dos Pandavas. Dhritarashtra era um bom homem e estava muito feliz de ouvir que os filhos de seus irmãos, os Panvadas, estavam indo bem.
Encontrando o momento apropriado,
Duryodhana perguntou “Pai, nos deixe ter uma celebração especial para demonstrar nossa amizade com os Pandavas, convidando-os para irem até Hastinapur. Nós convidaremos também outros dignitários para essa ocasião em que o centro das atenções e do entusiasmo será o jogo de dados entre Yudhishthira e nosso tio materno Shakuni.”
Dhritarashtra não comprindeu o plano maléfico de Duryodhana e Shakuni. Ele estava cego e foi generoso com seu filho mais velho, Duryodhana. Então, ele permitiu Duryodhana ao seu modo.
O convite para o jogo de dados foi para
Yudhishthira e ele aceitou. Os Pandavas chegaram no dia anterior juntamente com Draupadi deixando para trás sua mãe Kunti e seus filhos com Subhadra. Os Pandavas descansaram à noite na hospedaria e chegaram à sala de jogos no outro dia, o dia do jogo de dados real. Outros dignitários reais também chegaram e Dhritarashtra e seus cortesões os receberam.
Antes do início do jogo, Shakuni desejou boa sorte a Yudhishthira e disse “Sua majestade! Deixe-nos decidir sobre as apostas.” Yudhishthira advertiu, “Tio, deixe-nos manter o jogo justo.”
Shakuni era um jogador profissional e ele sabia o ponto fraco de seu adversário. Ele revidou, “Yudhishthira, deixe os dados decidirem a nossa sorte. Jogue sem medo se você tem coragem e aceite o que quer que venha disso. Se você tem medo, você pode recusar e ir embora agora. Não há saída depois disso.”
O orgulho de Yudhishthira foi ferido. Ele não queria desistir na frente dos dignitários que vieram para testemunhar o jogo. Ele orgulhosamente disse, “Você pode exigir a aposta e eu irei aceitar isso.”
Duryodhana estava esperando pela oportunidade, ele falou de uma vez, “Eu deverei colocar as apostas e tio Shakuni deverá jogar os dados para mim. Isso é aceitável para você?” Yudhishthira aceitou.
Yudhishthira não estava ao nível de Shakuni. Usando seus dados encantados, Shakuni ganhou cada jogo, Eventualmente, Yudhishthira perdeu tudo, suas riquezas, seu reino, seus irmãos e finalmente até ele mesmo. No final, ele apostou sua esposa Draupadi e também a perdeu.
Duryodhana pediu ao seu irmão Dushashana para trazer Draupadi à corte. Quando Dushashana chegou até a hospedaria, Draupadi não sabia da calamidade que havia caído sobre sua família. Ela estava impressionada por ouvir que Yudhishthira ha-
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 15 via apostado tudo o que os Pandavas tinham. Draupadi recusou ir até a corte. Dushashana, com o pretexto de cumprir as ordens de seu irmão mais velho arrastou ela para dentro da corte pelos cabelos.
15.2. A humilhação de Draupadi Karna tinha sua chance de humilhar os
Pandavas em público e usou até mesmo os insultos que eles haviam usado contra ele no passado. Ele pediu a Duryodhana para ordenar tirarem os trajes reais que os Pandavas e sua esposa Draupadi estavam vestindo. Dushashana não poderia encontrar uma maneira melhor de insultar Draupadi em público.
Draupadi olhou à sua volta, mas não havia ninguém que pudesse a ajudar. Ela finalmente chamou por Krishna para salvar sua honra. Enquanto Dushashana puxava o sari dela para desgraçá-la, Krishna invisivelmente supria os Saris um após o outro e Draupadi não podia ser despida.
Quando Dushashana ficou cansado de puxar o sari, Duryodhana ordenou Draupadi, “Você agora é minha empregada, sente na minha coxa.”
Bhima não podia mais tolerar os insultos e gritou, “Eu prometo que um dia eu irei beber o sangue do coração de Dushashana e quebrar a coxa de Duryodhana por insultar uma mulher casta em público!”
Draupadi declarou aos mais velhos com raiva, “É uma vergonha para a raça dos Kshatriyas, os descendentes de Bharata, aceitarem que uma mulher casta da sua própria família seja desgraçada diante dos seus olhos. Eu condeno os mais velhos, os tão chamados guerreiros, sentados aqui assistindo minha desgraça.”
Dhritarashtra estava abalado. Ele pediu aos seus filhos para pararem e ele se desculpou com Draupadi com medo da maldição que cairia sobre os Kauravas.
Então ele pediu que Duryodhana aceitasse uma alternativa para livrar os Pandavas da escravidão. Duryodhana aceitou bani-los por treze anos antes de voltarem a Hastinapur juntamente com a condição de que eles seriam desconhecidos durante estes treze anos. Se a identidade deles fosse revelada nesses treze anos, eles teriam que ir para um exílio por mais treze anos.
Sob o pedido de Draupadi, Dhritarashtra devolveu todas as armas aos Pandavas e disse adeus, desejando o bem deles. Os Pandavas retornaram a Indraprashtra pela última vez para fazer os arranjos para sua mãe ficar com o tio deles, Vidur, e Subhadra, a esposa de Arjuna, com o irmão dela, Krishna, e com as crianças.
Os Pandavas enfrentaram tempos difíceis quando eles começaram seu exílio. Era difícil para os irmãos Pandavas para pegar comida suficiente para saciar sua fome. Yudhishthira rezou para o deus do Sol, Surya, com a maior sinceridade. O deus do Sol veio e presenteou Yudhishthira com um prato de cobre miraculoso.
“Dê esse prato para Draupadi. Ele lhe dará quantos pratos você quiser todo o dia até que Draupadi acabe sua refeição.”
Depois de retornar para casa da sua adoração diária, Yudhishthira deu a tigela de cobre para Draupadi e contou a ela tudo o que o deus do sol havia dito. Draupadi estava muito agradecida de ouvir da bênção e levou a tigela para a sua cozinha com uma grande reverência. Os Pandavas logo convidaram todos os sábios e santos para dividir alimento com eles.
Um dia Vyasa chegou para pagar sua doação aos Pandavas. Ele profetizou, “Após treze anos, seguindo seu período no exílio, haverá uma temível guerra contra os Kauravas quando vocês retornarem para Hastinapur. Finalmente vocês serão vitoriosos. A guerra irá deixar somente alguns sobreviventes dos descendentes de Bharata. Será sábio se vocês começarem a se preparar para a guerra que está próxima. Portanto comecem a adquirir quantas armas divinas vocês puderem durante o exílio.”
16. A Busca de Arjuna pelas armas 16.1 Encontro com Siva Seguindo o conselho de Vyasa, Arjuna começou a procurar pelas armas, iniciando pelo monte Kaikash, a morada do Senhor Siva. Alcnaçando Indrakell, um local habitado pelos sábios do Monte Kailash, ele escolheu um local para meditar.
Ele logo entrou numa meditação profunda para invocar Shiva. Depois de um longo tempo, Shiva estava satisfeito e decidiu realizar seus desejos. O Senhor Shiva sabia o que Arjuna pediria, mas ele não queria entregar sua arma divina, Pashupat, sem testar a prontidão de Arjuna para recebêla. Então o Senhor Shiva disfarçou-se de
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 16 caçador e saiu a caminho de Indrakil. Parvati também o acompanhou como sua esposa. Os discípulos de Shiva (os Ganas) estavam curiosos e foram adiante disfarçados de mulheres caçadoras.
Quando eles alcançaram o ponto onde
Arjuna estava meditando, eles viram um javali selvagem atacando Arjuna. Arjuna estava alerta e mirou no javali com seu arco-e-flecha. O Senhor Shiva simultaneamente mirou no javali selvagem. Logo as flechas, de Shiva e Arjuna, acertaram o javali e ele instantaneamente morreu.
Arjuna ficou perturbado por ver que sua presa fora acertada por outra pessoa. Ele desafiou o caçador sem saber da sua identidade. Isto resultou numa grande disputa entre o caçador e Arjuna. Finalmente Arjuna ficou exausto. Ele pediu ao caçador um tempo para rezar ao Senhor Shiva para recuperar suas forças. O caçador sorriu e deu-lhe o tempo.
Arjuna fez uma imagem do Senhor Shiva e rezou para ele pra reconstituir suas forças. Quando ele colocou a guirlanda na imagem, para sua surpresa, ele viu a guirlanda no pescoço do caçador. Ele percebeu que o caçador era ninguém menos que o Senhor Shiva. Ele caiu aos pés do Senhor Shiva e ofereceu suas sinceras reverências.
Tendo ficado muito satisfeito com a devoção de Arjuna, o Senhor Shiva disse a ele que ele poderia pedir o que ele quisesse como uma bênção. Arjuna pediu a arma Pashupat de Shiva para ser usada durante a guerra contra os Kauravas. O Senhor Shiva entregou a arma Pashupat para Arjuna com a graça de adquirir a capacidade de usá-la de acordo com sua vontade. Então ele desapareceu com Parvati e seus ganas.
Quando Shiva desapareceu, todos os outros deuses e deusas apareceram para parabenizar Arjuna e oferecer a ele suas armas divinas para lutar pela causa justa contra os Kauravas. Arjuna expressou seus sinceros agradecimentos a todos eles por o terem ajudado.
16.2. A maldição de Urbashi O Senhor Indra convidou Arjuna para visitar Indarlola, a sua morada celeste. Logo uma carruagem chegou e Arjuna partiu para Indralopka.
Arjuna chegou no palácio de Indra em
Amravati num piscar de olhos e estava maravilhado por sua beleza inigualável. Ele foi recebido com a devida honra como se fosse filho de Indra. Enquanto esteve na corte de Indra, Arjuna aprendeu música e dança de Chitrasen, chefe dos Gandharvas.
Quando Arjuna conheceu Urbashi, ele dirigiu-se a ela como “Mãe”. Urbashi era uma ninfa celestial e dançarina da corte de Indra. Ela era perfeitamente linda e eternamente jovem. Urbashi tentou fazer amor com Arjuna, mas Arjuna insistiu que ele continuaria como seu filho. Urbashi estava magoada e amaldiçoou Arjuna para que ele se tornasse estéril no meio de mulheres encantadoras durante seu último ano no exílio. Urbashi estava encantada com o autocontrole de Arjuna e o abençoou dizendo, “Minha maldição se mostrará uma bênção durante o último ano do seu exílio para ocultar sua identidade”.
17. A Humilhação de Duryodhana 17.1. A trama de Duryodhana No final da sua estada em Amravati, Arjuna se preparou para retornar aos seus irmãos. Indra lhe deu a arma de Bajra, e o ensinou como usá-la. Arjuna voltou para sua família na carruagem de Indra e todos os irmãos Pandava estavam felizes ao ver seu retorno.
Através de um mensageiro Duryodhana soube que os Pandavas estavam na floresta de Dwitavana como ascetas. Eles decidiram ir até lá para uma caçada juntamente com Shakuni e Karna. A idéia era de começar uma briga com os Pandavas e então matálos.
Indra ouviu isto e mandou o chefe dos
Gandharvas, Chitrasen, para dar uma lição a Duryodhana, e então, depois disso, ele ficou humilde e deixou de aborrecer os Pandavas. Os Gandharvas eram bons não somente na música, mas também em jogos de luta.
Chitrasen veio para Dwitavana com seu exército e confrontou Duryodhana. No combate que seguiu, Duryodhana e seu grupo foram presos. Duryodhana foi trazido depois de Yudhishthira. Yudhishthira pediu a Chitrasen que libertasse seu primo, mas Chitrasen insistiu que Duryodhana deveria se desculpar por seu plano atroz. Duryo-
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 17 dhana não tinha escolha. Ele se desculpou e os Kauravas voltaram para Hastinapur.
Drhitarashtra e Bhishma ouviram falar do encontro com os Pandavas, e eles também pediram para Duryodhana fazer as pazes com os Pandavas e dividir o reino com eles. Duryodhana recusou.
Como para os Pandavas, eles continuaram o exílio em Dwitavana. Num certo ponto, Yava, o deus da morte, apareceu para testar Yudhishthira por sua leal fé na verdade. Yudhishthira ultrapassou sua avaliação. Yama estava satisfeito e disse a Yudhishthira que lhe pedisse uma bênção. Yudhishthira pediu que Yama protegesse-os no décimo terceiro ano de exílio, porque eles precisavam ficar desconhecidos de acordo com a condição do exílio. Yamaraj abençoou Yudhishthira e pediu a ele que fosse até o rei Virata e que ficasse lá durante o décimo terceiro ano. Os Pandavas começaram a fazer as preparações para ir ao reino de Virata.
18. O décimo terceiro ano de exílio incógnito dos Pandavas 18.1. O Final do Exílio Os Pandavas estavam preocupados pelo final bem sucedido do seu décimo terceiro ano de exílio, o período o qual eles deveriam passar sem serem reconhecidos. Duryodhana foi mandado para que se os Pandavas fossem reconhecidos durante seu exílio, eles ficariam no exílio por mais treze anos.
Seguindo o aviso de Veda Vyasa os Pandavas foram ao reino de Virata disfarçados. Em tempo, Duryodhana mandou seus espiões para descobrir o esconderijo dos Pandavas.
Escondendo suas armas, os Pandavas entraram no reino de Virata. Eles não foram reconhecidos pelo rei Virata e ele os recepcionou. Os irmãos Pandava e a princesa Draupadi pediram ao rei para conseguir alguns empregos para eles. Virata carinhosamente aceitou.
Yudhishthira se disfarçou de Brahmin, tornou-se um dos conselheiros mais confiáveis do rei. Bhima tornou-se chefe se cozinha. Arjuna, que aprendeu a arte da dança e da música de Chirtrasen em Indraloke, estava sob a maldição de Urbashi, uma linda dançarina do paraíso, para ficar estéril por um ano. Então Arjuna achou conveni- ente tornar-se professor de música e dança para a princesa Uttara. Nakula tornou-se tratador real e Sahadeva o vaqueiro real. E Draupadi tornou-se a empregada da rainha Sudeshana.
As coisas estavam indo bem até que o irmão mau da rainha, Kichak, o comandante dos exércitos de Virata, ficou interessado em Draupadi. Kichak pediu a mão de Draupadi em casamento. Draupadi, estando feliz de estar casada com os irmãos Pandava, recusou. Kichak, pensando que ela era somente uma empregada, se sentiu insultado por ter sido rejeitado. Uma noite ele decidiu entrar à força no quarto de Draupadi. Logo que Draupadi ouviu seu plano, ela implorou que Bhima a salvasse. Bhima, disfarçado de Draupadi, deitou na cama. Quando Kichak secretamente entrou no quarto de Draupadi, Bhima pulou da cama e matou-o.
No outro dia o cadáver de Kichak foi descoberto no quarto de Draupadi, sem pista de quem fora o assassino. Para salvar Bhima da raiva da rainha, Draupadi disse a ela que Kichak entrou no seu quarto, sem sua permissão. Quando ela gritou, alguém entrou e matou Kichak e ela não tinha idéia da sua identidade. A rainha se desculpou pelo crime cometido por seu irmão, mas nunca soube da verdade sobre o ato de Bhima.
18.2. A Grande batalha se aproximava
Logo, Duryodhana mandou seus homens a toda parte do mundo para descobrir o esconderijo dos Pandavas. Ele sabia que se ele pudesse localizar os Pandavas, que eram homens de honra, eles nunca contradiriam suas palavras e iriam recomeçar o exílio. Ele estava feliz por saber da morte de Kichak, pois ele era uma grande ameaça para o seu reino. Mas ele sabia que nenhum homem qualquer poderia matar o poderoso Kichak então ele suspeitou que Bhima pudesse ser o assassino. Ele decidiu invadir o reino de Virata. Logo o exército de Duryodhana atacou Virata enquanto Duryodhana planejou atacar pessoalmente o palácio de Virata pelos fundos.
À medida que a guerra se aproximava,
Yudhishthira ofereceu seus serviços e de sua família para Virata. Essa era a manifestação do seu agradecimento diante de Vira-
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 18 ta por ter-lhes concedido abrigo. Todos os seus irmãos, exceto Arjuna, juntaram-se ao exército e num piscar de olhos capturaram Susharma.
Duryodhana, sem saber da captura de
Susharma, atacou o palácio de Virata pelos fundos. O jovem príncipe Uttar era o único homem que havia sido deixado no palácio, sendo que todos os outros já tinham saído para a guerra. Quando as mulheres provocaram Uttar por estar escondido no palácio, ele veio com a alegação que ele não tinha um cocheiro para guiar a carruagem, portanto ele não poderia ir à guerra.
Quando Arjuna ouviu isso, ele prontamente ofereceu seus serviços Ele primeiramente levou a carruagem até a árvore na qual ele tinha escondido suas armas a quase um ano atrás. Uttar estava confuso, mas se manteve quieto, pois ele tinha medo de enfrentar o exército dos Kauravas. Arjuna adivinhou a situação e pediu que Uttar tomasse seu lugar como cocheiro enquanto ele lutava. Uttar aceitou.
Quando Arjuna tocou seu búzio, o exército Kaurava imediatamente reconheceu Arjuna. Duryodhana estava feliz por localizar os Pandavas. Mas para sua total decepção, Duryodhana logo soube que o décimo terceiro ano havia sido completado. Arjuna com as próprias mãos derrotou sozinho o exército e Duryodhana escapou do campo de batalha.
Durante a celebração da vitória Yudhishthira explicou a Virata os detalhes do décimo terceiro ano do exílio dos Pandavas sob sua proteção. Todos os Pandavas expressaram sua gratidão a Virata. Virata estava maravilhosamente feliz e aceitou em deixar sua filha Uttara casar-se com Abimanyu, o filho de Arjuna.
Subhadra e Abhimanyu foram chamados e eles vieram com Krishna e Balarama. A festa do casamento durou muitos dias, unindo os Pandavas com seus amigos e parentes.
19. A Guerra é Declarada 19.1. Intransigência de Duryodhana Quando o casamento de Uttara e Abhimanyu acabou, Krishna pediu que Virata e Drupada fossem até Dhritarashtra com o pedido de retornar ao reino dos Pandavas. Os Pandavas tinham, além de tudo, feito as penalidades impostas a eles por Duryodha- na. Todos aceitaram e Sanjaya, o sacerdote real do rei Drupad, foi mandado como mensageiro para visitar Dhritarashtra. D- hritarashtra chamou Bhishma, Vidur, e os outros anciãos, para um encontro com Duryodhana, e seus defensores.
Duryodhana friamente recusou dar até mesmo um pouco de terra para os Pandavas. Seus amigos mais próximos, como Karna, decisivamente o apoiaram. Eles declararam que eles estariam desejosos de lutar contra os Pandavas em uma guerra em prol de manter o reino. Bhishma, o avô, arrependeu-se por testemunhar tamanho ódio entre os primos, seus netos. Ele podia sentir a aproximação do perigo para os Kauravas. Dhritarashtra não podia ajudar. Ele era cego e seu filho mais velho Duryodhana governava o reino. Duryodhana estava determinado a ser o imperador do Império Kaurava e não queria dividir o reino com os Pandavas.
Sanjay testemunhou os argumentos na corte de Dhritarashtra. Dhritarashtra finalmente entregou-se e arrependido informou Sanjay que seu filho Duryodhana estava recusando dividir o reino com os Pandavas.
Yudhishthira era uma pessoa correta. Ele queria evitar uma guerra, especialmente contra seus próprios parentes. Ele estava desejoso de desistir da parte do reino que originalmente pertencia a ele. Ele pediu para Krishna transpor seus sentimentos aos Kauravas como último caso. Krishna sabia que a guerra era inevitável, mas apesar disso ele foi até Duryodhana para tentar convencê-lo.
19.2. O lamento da Guerra Chegando a Hastinapur, Krishna ficou com Vidur. Kunti, a mãe dos Pandavas, que então estava com Vidur, falou da sua preocupação de que a guerra mataria os Pandavas, Krishna a consolou.
“Mãe Kunti, seus filhos são invencíveis.
Seja qual for a força dos Kauravas, os Pandavas no final serão vitoriosos. Eu estou aqui para fazer de tudo para evitar o derramamento de sangue o qual irá destruir por inteiro a dinastia Kaurava.”
No outro dia Krishna estava dando uma violenta recepção na corte de Dhritarashtra. Todos os anciãos estavam do lado de Krishna e pediram para Duryodhana reconsiderar sua decisão e dividir o reino com os
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 19
Pandavas pacificamente. Duryodhana se recusava a ouvir à lógica. Ele respondeu severamente, “Krishna! Você está desnecessariamente favorável aos Pandavas. Entenda de uma vez por todas que a única maneira dos Pandavas receberem de volta seu reino é através da guerra.”
Então com aversão, Duryodhana deixou a corte juntamente com Karna. As pessoas que estavam presentes na corte estavam muito preocupadas com as conseqüências.
Krishna retornou de Hastinapur desapontado e entregou a mensagem de declaração de guerra a Yudhishthira e a bênção de Kunti aos Pandavas. Todas as esperanças por uma solução pacífica tinham acabado e os Pandavas não tinham outra saída a não ser declarar guerra contra os Kauravas.
Krishna pediu que Yudhishthira ficasse no caminho da justiça, no entanto não abrir mão dos seus direitos, mesmo que isso resultasse numa guerra contra os Kauravas.
Quando Kunti viu que a guerra estava iminente, um dia ela se aproximou de Karna quando ele havia acabado a adoração ao deus do sol, depois de seu banho. Karna era o filho do deus do sol, Surya, que tinha nascido de Kunti, fora do casamento. Isso ocorreu quando Kunti usou o mantra dado por Durbasha antes dela se casar com Pandu. Como Kunti não havia se casado, ela não tinha outra escolha senão colocar Karna no rio. Um cocheiro pegou-o e educou-o até a maioridade. Este era um segredo bem mantido. Karna realmente era um dos Pandavas. Kunti finalmente contou a Karna a verdadeira história da vida dele.
Kunti pediu que Karna não matasse nenhum de seus irmãos. Karna prometeu ter misericórdia de todos, exceto Arjuna. Antes da despedida de Kunti, Karna caiu sobre o braço de sua mãe e chorou tristemente, “Mãe, eu tenho que lutar com Arjuna até a morte. Essa foi minha promessa para me vingar dele por ter me insultado em público quando eu o desafiei para competir arco-eflecha. Você continuará tendo cinco filhos, quem quer que sobreviva.”
Kunti abençoou Karna e foi embora com medo e tristeza.
20. A Guerra Começa 20.1. A batalha do Mahabharata inicia
Os Kauravas e os Pandavas começaram a se preparar para a batalha. Drishtadyumna for escolhido como chefe do exército Pandava. Ninguém podia se igualar ao valor de Bhishma que foi justamente escolhido para ser o comandante do exército Kaurava. Mas para Bhishma, não havia diferença entre os Kauravas e Pandavas. Não era a guerra certa e mesmo assim ele era obrigado pelo dever a servir o rei de Hastinapur.
Enquanto Duryodhana se aproximava do avô Bhishma para tomar conta do comando, Bhishma lhe deu duas condições, “Em primeiro lugar, eu não vou machucar os Pandavas pessoalmente, mas vou matar somente seus soldados. E em segundo lugar, eu não gostaria que Karna viesse ao campo de batalha enquanto eu sou o comandante.” Karna e Bhishma se abraçaram com desprezo.
Então quando Duryodhana e Arjuna se aproximaram de Krishna para ele ficar do lado deles, Krishna os deu a escolha. Ele iria oferecer seu exército para um lado enquanto Ele próprio iria para o outro. Arjuna era mais novo e Krishna deu-lhe a primeira chance de escolher. Arjuna escolheu Krishna enquanto o exército foi para Duryodhana. Duryodhana estava feliz de ter o imenso exército de bravos Yadas de Krishna do seu lado.
Quando Krishna perguntou a Arjuna o porque dele ter escolhido ele e não seu exército, Arjuna explicou, “Seus conselhos são mais valiosos para mim do que um exército inteiro.” Krishna estava agradecido, de modo que ele amava Arjuna com tanto carinho.
Kurukshetra foi escolhido como campo de batalha. Ambos exércitos marcharam em direção a Kurukshetra. Sem dúvida o exército Kaurava era muito maior do que o dos Pandavas.
No dia escolhido, os exércitos dos Kauravas e Pandavas ficaram frente a frente. Karna ficou longe do campo de batalha como mandado por Bhishma. Yudhishthira, o representante do exército Pandava, veio à frente, prestando reverências aos seus antecessores, Bhishma, Drona, Ashwathama e todos os outros grandes guerreiros. As regras para a guerra foram finalizadas e os guerreiros de ambos acampamentos prometeram obedecer ao regulamento.
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 20
Krishna tornou-se o cocheiro e conselheiro de Arjuna. Krishna trouxe a carruagem de Arjuna à frente para uma visão geral. Vendo todos seus parentes, incluindo seu avô, e seu professor Drona no outro lado, Arjuna estava impressionado e triste. Ele não podia matá-los em prol de ganhar a guerra. Ele largou suas armas e se recusou a lutar.
Krishna veio e o ensinou a ele como o caminho certo não era um caminho fácil. Alguém deveria estar desejoso de lutar para o que um acreditava que fosse certo mesmo que isso significaria sacrificar sua própria vida. Esse sermão mais tarde veio a ser chamado como Bhagavad-Gita.
Krishna disse, “Arjuna, será necessário que você saiba que o dever de um homem é cumprir o dever enquanto os resultados deverão ser deixados para Deus. Oprimir os outros é um pecado, mas tolerar a opressão é um pecado muito maior. Qualquer um destes, que você afirme que sejam seus parentes, são nada menos que almas individuais, que não estão relacionadas a você, de forma que o destino deles é de se unir com o Deus supremo, ou Brahman. Pegue sua arma e lute que é o que lhe foi ordenado. Não pense nas conseqüências” (na realidade, Sri Krishna ditou todo Bhagavad-gita para Arjuna neste momento).
Com a motivação de Krishna, Arjuna pegou sua arma e ficou pronto para lutar. No meio do som do búzio, o relincho de cavalos de guerra, o trombetear dos elefantes de guerra, e o grito de guerra dado pelos soldados, Arjuna foi adiante em nome da justiça.
Bhishma moveu com sua tremenda força matando os soldados do exército Pandava aos milhares. Apesar de todos os seus esforços, o dia acabou com grandes perdas dos Pandavas. Esse era o início para os Pandavas. À noite Yudhishthtira convocou um encontro do comandante do exército Dhrishtadyumna junto com seus irmãos. Eles planejaram uma nova estratégia e no dia seguinte Bhishma não pode ter muito progresso. Duryodhana esperava que Bhishma ganhasse a guerra em poucos dias. Ao invés disso o exército Kaurava estava perdendo território, enquanto Bhishma estava totalmente envolvido com Arjuna. Foi assim durante muitos dias e, finalmente,
Duryodhana perdeu sua paciência. Ele zombou de Bhishma dizendo que ele era muito velho para lutar em uma guerra. Bhishma admitiu que os Pandavas eram abençoados com poderes divinos e, diante das circunstâncias, ele estava fazendo seu máximo. Ele prometeu concluir a guerra nos próximos dias ou deixar o campo de batalha. No décimo dia de batalha parecia que eles não tinham o final da guerra à vista.
Os Pandavas estavam preocupados. À medida que eles iam perdendo soldados, eles não conseguiriam agüentar muito tempo contra Bhishma. Bhishma foi abençoado com o poder de escolher a hora de sua morte. Então, ele era praticamente invencível. Quando os Pandavas estavam prestes a desistir, Krishna veio com um plano. Krishna sabia que Bhishma não lutaria com Srikhandi, o eunuco. Para Bhishma, um nobre guerreiro como ele iria considerar uma desgraça lutar com um eunuco. A um ponto ele tinha orgulhosamente prometido largar suas armas se uma situação como essa acontecesse. Krishna sabia do medo de Bhishma e ele queria tirar vantagem disso. Então ele pediu que Arjuna mantesse Shrikhandi, um eunuco, na frente da carruagem enquanto lutava com Bhishma. Isso iria parar Bhishma, e Arjuna poderia usar essa oportunidade para imobilizar ele com um bando de flechas.
O plano funcionou e Bhishma caiu numa cama de flechas. Aquele era o décimo dia de guerra. A luta parou e então todos puderam prestar reverências ao herói de todos os tempos.
Quando caiu no chão, Bhishma pediu para Arjuna acertar sua cabeça. Arjuna lançou uma flecha para apoiar sua cabeça. Quando Bhishma pediu água para beber, Arjuna atirou uma flecha no chão e a água jorrou para cessar a sede de Bhishma. Até mesmo Karna veio para prestar reverências para o herói dos heróis, o avô Bhishma, e pediu sua bênção. Bhishma declarou que a hora da sua morte seria quando o sol retornasse pelo norte ou a chegada do verão no hemisfério norte. Isto acontece na metade de Janeiro.
21. A Guerra recomeça 21.1. A batalha recomeça
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 21
Depois de visitar Bhishma, Duryodhana retornou ao seu campo e estava ansioso para nomear o próximo comandante-chefe. Karna sugeriu o nome de Drona e todos concordaram. Drona tinha um jeito de encurralar os Pandavas. Ele sabia que a guerra era por causa de um mau aviso que Duryodhana havia recebido do seu tio materno Shakuni e seu amigo Karna. Mas ele estava comprometido a servir o Reino. Depois de tomar o comando, Drona mudou a tática de Bhishma e fez uma formação especial de guerra com a intenção de capturar Yudhishthira. Drona subestimava a força e a inteligência de Krishna. Ele falhou ao tentar capturar Yudhishthira. Durante a disputa, de qualquer maneira, ele matou Drupada, o pai de Dhrithadyumna, o comandante-chefe. Dhrithadyumna jurou matar Drona.
No dia seguinte, Drona começou a matar os Pandavas vingativamente e a vitória ainda não estava ao alcance deles. Sob seu retorno no final do dia, Duryodhana declarou que Drona falhou no seu dever de capturar Yudhishthira. Drona estava enfurecido e prometeu matar um dos grandes guerreiros do exército Pandava no outro dia ou então ele desistiria de sua própria vida.
Com o fim do dia, ele convocou um encontro especial chamando seus melhores comandantes para manter Arjuna ocupado, pois ele era o único que sabia como avançar sua ordenada circular, chamada Chakra Beuha. Jaidratha recebeu a ordem de organizar o movimento da Beuha. Drona estava convicto de sua vitória como ninguém sabia como avançar a Chakra Beuha, exceto Arjuna. Então Drona pediu aos seus comandantes para evitar que Arjuna chegasse perto da Beuha. Pareceu um plano perfeito.
O exército Kaurava começou a marchar através do exército Pandava com o avanço da ordenada circular. Era como um muro gigante avançando e derrubando os soldados Pandavas. Yudhishithira finalmente pediu conselho aos seus irmãos e a Abhimanyu. Abhimanyu disse, “Eu somente sei como entrar na Beuha, mas eu não sei como sair.” Yudhishthira pediu que seus irmãos, Bhima, Nakula e Sahadeva seguissem A- bhimanyu e que lutassem caminho afora.
Quando Abhimanyu começou a avançar o
Chakra Beuha, Jaidratha ordenou que rapidamente fechassem o Beuha emboscando
Abhimanyu sozinho no interior. Seus tios não podiam entrar no Beuha. Abhimanyu com suas próprias mãos lutou com todos os guerreiros. Duryodhana, Karna, Drona, Aswathama cruelmente mataram o bravo filho de Arjuna. A morte de Abhimanyu enviou um pouco de alegria ao campo Kaurava.
Quando Yudhishthira soube das novidades, ele se sentiu responsável pela morte de Abhimanyu. Arjuna ainda não tinha ouvido da morte de seu corajoso filho até o final do dia. Ele imediatamente caiu desmaiado no chão. Fora uma luta injusta. O código da guerra pedia por uma luta justa entre dois soldados e não conspirar contra somente um soldado. Arjuna jurou matar Jaidratha, a pessoa que tivera organizado o Chakra Beuha. Ele jurou que iria de qualquer maneira matar Jaidrata no dia seguinte, antes do pôr-do-sol, ou então, ele se mataria.
Quando Jaidratha soube da promessa de
Arjuna, ele quis sair correndo do campo de batalha. Drona lhe assegurou que ele iria fazer a Beuha no dia seguinte, mantendo-o no centro do Beuha que Arjuna não conseguiria pegá-lo. Todos os soldados dos Kauravas foram também alertados que o dia seguinte iria provar ser a batalha decisiva. Se Arjuna não podia matar Jaidratha, ele iria se matar e então os Kauravas poderiam se livrar de um dos mais poderosos guerreiros dos Pandavas.
21.2. Krishna intefere A luta recomeçou no dia seguinte. Arjuna penetrou no Beuha, mas não conseguiria alcançar Jaidratha até que o pôr-do-sol ficasse próximo. Krishna estava alarmado.
“Arjuna, parece que você não conseguirá pegar Jaidratha antes do pôr-do-sol.” Krishna disse, “Deixe-nos trabalhar em conjunto e quando eu lhe dar a pista, você irá ter sua última chance de matar Jaidratha.”
Logo Krishna criou uma ilusão pela qual o sol se punha pelo oeste e o exército Kaurava começou a comemorar, eles relaxaram na tentativa de manter Arjuna longe. Krishna disse para Arjuna não perder sua única oportunidade de matar Jaidratha. Arjuna não perdeu tempo e Jaidratha fora decapitado. Logo Krishna removeu a ilusão e o exército Kaurava se surprindeu ao ver que o sol continuava no céu. Eles perceberam
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 2 que Krishna tinha brincado com eles e o exército Pandava comemorou.
Duryodhana estava furioso e reprindeu
Drona por não conseguir manter sua promessa e, então, ele deveria se demitir. Drona prometeu terminar a guerra no próximo dia matando Arjuna. Krishna estava alertado. Ele conversou com os Pandavas e revelou um segredo que iria permitir que Arjuna vencesse Drona.
“Drona uma vez prometeu a ele mesmo que ele iria parar de lutar se seu único filho Ashwathama fosse morto no campo de batalha. Como Aswathama era praticamente invencível, Krishna teria que enganá-lo para acreditar nisso. Yudhishthira teria que contar uma mentira de que Ashwathama estava morto. Como Yudhishthira nunca tivera contado uma mentira, Drona acreditaria nele. Drona pararia de lutar e Drithadyumna teria a chance de decapitar Drona.”
No dia seguinte, Drona atacou Arjuna, seu ex-aluno. Arjuna aceitou seu ataque e lutou com ele com forças iguais. Quando o tempo agiu no plano de Krishna Yudhishthira estava hesitando em mentir para Drona. Bhima agiu imediatamente. Ele matou um elefante com o mesmo nome de Ashwathama e Yudhishthira informou a Drona que Ashwathama estava morto, sem esclarecer que não era seu filho e sim um elefante. Logo que Drona largou suas armas, Dhrishthadyumna decapitou Drona, e ele estava morto. No outro lado do campo de batalha, Bhima matara Dushashana, cumprindo sua promessa por ter insultado Draupadi.
Ashwathama, sabendo da morte de seu pai no final do dia, estava furioso e prometeu matar Dhrishthadyumna no próximo dia, para vingar a morte de seu pai.
Karna foi escolhido como o próximo comandante chefe do exército Kaurava, e ele tomou o controle com grande zelo. Suas técnicas superiores de luta destruíram completamente o exército Pandava, isso resultou em grandes perdas para os Pandavas. Bhima chamou seu filho Gatotkacha para lutar junto com os Pandavas. Gatotkacha atacou os Kauravas à noite criando uma atmosfera ilusória. Duryodhana pediu ao seu exército que acendessem as luzes e continuassem a lutar durante a noite. O código de guerra, como consentido, fora quebrado. As armas de Gatotkacha esta- vam vindo os céus, mas ninguém podia localizar Gatotkacha. O exército fugiu em pânico e Karna não conseguia trazê-los de volta à luta. Finalmente, Duryodhana usou sua arma mais poderosa, Brahmastra, a qual ele estava guardando para matar Arjuna.
Quando Bhima soube da morte do seu valente filho, ele caiu. Krishna disse, consolando-o, “Bhima, você deve ficar orgulhoso da morte do seu valente filho. Sozinho com as próprias mãos, ele pressionou o exército Kaurava. Ele também sacrificou sua própria vida para salvar Arjuna, de outra maneira, Brahmashtra teria certamente matado-o.”
O exército ficou de luto pela morte de
Gatotkacha e se prepararam para voltar a lutar no próximo dia. Era o dia em que Karna estava no comando do exército Kaurava. Ele decidiu ter a sua batalha final com Arjuna aquele dia. Arjuna também estava pronto para ele. Os exércitos dos Kauravas e Pandavas estavam em dúvida das conseqüências, se ambos eram igualmente poderosos. Quando Karna prosseguiu na direção de Arjuna no campo de batalha, Yudhishthira veio e ficou entre os dois e Karna quebrou suas armas em pedaços. Ele teve misericórdia da vida de Yudhishthira, como ele havia prometido a Kunti. Karna logo ficou cara a cara com Arjuna. Repentinamente o cocheiro de Karna foi morto e uma roda da carruagem quebrara. Karna pediu que Arjuna parasse de lutar enquanto sua roda era consertada. Karna estava desarmado e Arjuna achava imoral atacar Karna naquela situação. Mas de qualquer forma, Krishna falou, “Karna, essa guerra em si já é imoral. Será ridículo da parte de Arjuna se ele não pegar essa chance de matar você.”
Krishna imediatamente encorajou Arjuna a matar Karna. Então Karna foi morto sem misericórdia nas mãos do seu irmão Arjuna. O exército Kaurava começou a escapar do campo de batalha.
Duryodhana estava chocado por saber da morte de Karna. Ele se sentiu inútil. Ele não podia achar ninguém para substituir Karna ou organizar seu exército. Sua vaidade não deixou que ele aceitasse derrota. Então ele escolheu correr do campo de batalha com seu tio materno Shakuni. Sahadeva localizou Shakuni e matou ele, mas
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 23
Duryodhana escapou. Era o décimo sexto dia de guerra. O campo de batalha não era nada além de pilhas de corpos.
No décimo oitavo dia da guerra do Mahabharata, Duryodhana estava perdendo e o exército Kaurava escolheu se render. Duryodhana estava finalmente dentro de um tanque de onde ele foi retirado. Bhima desafiou Duryodhana para uma luta com maças. Duryodhana era famoso por suas lutas com maça. Todos testemunharam a grande luta entre Bhima e Duryodhana, a qual durou muitas horas até Krishna convencer Bhima a acertar a coxa de Duryodhana com o propósito de vencer. Acertar um inimigo abaixo do umbigo não era aceitável numa justa batalha de maça. Mas Bhima aceitou o aviso de Krishna, desse modo ele manteve sua promessa de que iria quebrar a coxa de Duryodhana para puni-lo por ter insultado Draupadi, pedindo que ela sentasse em sua coxa depois que ganhou de má fé o jogo de dados.
Os Pandavas então deixaram Duryodhana no campo de batalha e começaram a voltar para o campo deles. Antes da sua partida, os Pandavas agradeceram Krishna por trazer vitória a eles através de seu valioso conselho.
Embora a guerra tenha terminado no décimo oitavo dia, três guerreiros dos Kauravas continuavam à solta – Aswathama, Kripacharya e Kritaverma. Kripacharya e Kritaverma aceitaram sua derrota e foram para a floresta para tomar seu tempo com orações. No entanto Ashwathama desejou vingança. Ele planejou eliminar a família Pandava. Os Pandavas estavam no seu caminho para casa depois da guerra. Ashwathama secretamente entrou no campo à noite, matou o guarda e então matou todos os filhos de Draupadi, um por um, a sangue frio. Então ele foi até Duryodhana depois do amanhecer, em que estava caído em sofrimento. Ele descreveu o horrendo crime que havia cometido. Duryodhana deu seu último suspiro e Ashwathama fugiu para a floresta.
Quando os Pandavas retornaram ao campo, eles testemunharam o crime causado por Ashwathama. Draupadi estava confusa e com um grande sofrimento e lamentou em voz alta. Consolando-a, os cinco Pandavas saíram em busca de Ashwathama. Ele logo foi encontrado, mas Drau- padi pediu que os Pandavas o deixassem ir, como ele era o filho do seu Guru, Drona.
Assim ao fim da guerra, não havia ninguém para exigir pelo trono de Hastinapur depois dos Pandavas, exceto o filho nãonascido de Uttara, o filho de Abhimanyu.
23. Após a Guerra 23. 1. O retorno para Hastinapura Os Pandavas foram para Hastinapur para ver Dhritarashtra. Dhritarashtra estava totalmente a par dos acontecimentos da guerra através de Sanjay, o sacerdote de Drupada. Sanjay era abençoado com o poder de assistir a guerra de uma certa distância e narrar os acontecimentos para o cego Dhritarashtra, como tivera acontecido. Gandhari e Dhritarashtra estavam muito brabos por Bhima ter matado seus filhos, Duryodhana e Dushashana.
Krishna acompanhou os Pandavas para conhecer Dhritarashtra e Gandhari. Vidur se juntou a eles para ajudar a consolar seu irmão, Dhritarashtra.
Krishna disse, “Rei Dhritarashtra, a guerra era inevitável. A guerra machucou a todos. Os Pandavas foram deixados sem herdeiros. O fogo da guerra forçou ambos os lados, os Kauravas e os Pandavas, a fazerem muitos atos desumanos. Agora é a hora de abrir seu coração e aceitar Yudhishthira como seu filho e abençoar os Pandavas.”
As palavras de Krishna tocaram Dhritarashtra e ele caiu em Vidur. Yudhishthira tocou os pés de Dhritarashtra e Gandhari, eles abençoaram os Pandavas. Yudhishthira foi aceito como rei de Hastinapur.
No entanto, Gandhari não podia perdoar
Krishna o qual ela havia acusado de ter sido a causa da exterminação de seus filhos. Ela amaldiçoou Krishna, “Deixe sua família enfrentar o mesmo que os Kauravas e sejam eliminados da face da Terra.” Krishna sabia que mais cedo ou mais tarde isso aconteceria.
O grupo então chegou ao local onde Bhishma continuava descansando, esperando pela sua partida da Terra. Bhishma abençoou os Pandavas e sua alma foi para o paraíso. Dhritarashtra, Gandhari, Kunti e Vidur foram para a floresta para passar seu tempo em meditação e oração. Sanjay os acompanhou para cuidar das necessidades deles. Desafortunadamente todos eles mor-
Swami Krishnapriyananda Saraswati – O Mahabharata 24 reram num incêndio na floresta e Sanjay voltou para dar as más notícias aos Pandavas.
Yudhishithira declarou que iria executar o
Aswamedha Yajna para estabilizar a supremacia dos Pandavas sobre os outros que mandavam no local. As pessoas estavam honradas de ver a justiça voltando e a paz prevalecendo. Com o desenrolar do tempo, Uttara, esposa de Abhimanyu, o filho de Arjuna e Subhadra, deu a luz a Parikshit. Ele era o único herdeiro que havia restado dos Pandavas e que não fora morto por Ashwathama enquanto ele estivera no útero de sua mãe.
Em poucos anos a maldição de Gandhari sobre Krishna começou a funcionar. O clã dos Yadav começou a lutar entre eles próprios. Krishna e Balaram também morreram sem deixar ninguém para suceder o trono.
23.2. Retirada para o Himalaia Quando os Pandavas ouviram as notícias da destruição dos Yadavas e o legado de Krishna, eles decidiram coroar o jovem príncipe Parikshit e se retiraram para os Himalayas. Eles jogaram suas armas no rio e começaram a sua infinita jornada ao topo dos Himalayas juntamente com Draupadi. Para sua surpresa, um cão os acompanhou.
Enquanto eles escalavam a montanha, quatro irmãos Pandavas e Draupadi morreram. O único que sobreviveu foi Yudhishithira e o cão que estava seguindo o grupo. Quando eles alcançaram o topo da montanha do Himalaya, Indra veio em sua carruagem para levar o piedoso e leal Yudhishthira ao paraíso. Yudhishthira prestou reverências ao Deus Indra e pediu que o seu companheiro cão fosse junto na carruagem. Indra estava chocado, “Um cão ao paraíso?” Quando Yudhishthira recusou ir ao paraíso sem o cão, o Deus da Morte, Dhamaraj Yama emergiu do cão e abençoou Yudhishthira. Yama estava testando a estabilidade de Yudhishthira.
Depois de chegar ao paraíso, Yudhishthira se juntou à sua família, mas estava surpreso ao ver que seus primos irmãos estavam no paraíso. Quando perguntou o que havia acontecido com os crimes que eles haviam cometido durante a vida, Narada respondeu, “No paraíso todos são iguais, os criminosos ou os piedosos. Os aconteci- mentos durante a vida não são nada além de ilusões criadas pelo nosso criador”.
Assim termina a grandiosa história do
Mahabharata, o épico que as futuras gerações de indianos irão apreciar para sempre.

Om Tat Sat

Fonte:http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAR-UAJ/mahabharata-portugues

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