A ILUMINAÇÃO DE BUDA : "A terra seja minha testemunha"



O trecho seguinte sobre a vida de Buda foi extraído do livro de Geshe Kelsang Gyatso, Introdução ao Budismo:
Sidarta dirigiu-se, então, para perto de Bodh Gaya, na Índia, onde encontrou um local adequado para meditar. Ali permaneceu, enfatizando uma meditação denominada “concentração espaçóide no dharmakaya”, que consiste em se concentrar unifocadamente na natureza última de todos os fenômenos.
Depois de treinar nessa meditação durante seis anos, ele percebeu que estava muito próximo de atingir a plena iluminação e andou até Bodh Gaya. Ali, num dia de lua cheia do quarto mês do calendário lunar, sentou-se em postura meditativa sob uma árvore bodhi e jurou que não sairia da meditação antes de atingir a perfeita iluminação. Assim determinado, entrou em concentração espaçóide no dharmakaya.
Ao cair da noite, Mara Devaputra, o chefe de todos os demônios deste mundo, tentou perturbar a concentração de Sidarta provocando aparições aterrorizantes. Manifestou hostes de tenebrosos demônios – alguns arremessavam lanças e flechas contra Sidarta, outros tentavam queimá-lo com fogo ou atiravam blocos de pedras e até montanhas sobre ele. Sidarta permaneceu completamente impassível.
Pela força de sua concentração, projéteis, pedras e montanhas apareciam-lhe como uma chuva de flores perfumadas, e as labaredas incandescentes convertiam-se em luminosas oferendas de arco-íris.
Ao ver que o medo não faria Sidarta abandonar sua meditação, Mara Devaputra tentou distraí-lo emanando um séquito de mulheres sedutoras. Porém, Sidarta reagiu concentrando-se ainda mais profundamente. Assim, ele triunfou sobre todos os demônios deste mundo, motivo pelo qual, mais tarde, tornou-se conhecido como “Buda Conquistador”.
Depois desse episódio, Sidarta prosseguiu com sua meditação até o alvorecer, quando atingiu a última mente de um ser limitado – a concentração vajra. Com essa concentração, ele removeu os derradeiros véus da ignorância e, no instante seguinte, tornou-se um Buda, um ser plenamente iluminado.


FEITOS DE BUDA - ILUMINAÇÃO

85. Assim, quando ele estava se revelando perfeito, veio-lhe o pensamento: “Consegui alcançar este caminho puro, já percorrido em nome da natureza absoluta por linhagens anteriores de grandes sábios, que conheciam os fenômenos elevados e baixos”.
86. Nesse momento da quarta vigília da noite, quando veio o amanhecer e tudo que se move parou, o grande sábio alcançou o estado inalterável, o soberano estado da onisciência.
87. Quando, já como Buda, ele conheceu esta verdade, a terra balançou como uma mulher inebriada de vinho; as quatro direções brilharam com multidões de siddhas, e tambores divinos soaram nos céus.
88. Brisas agradáveis sopraram suaves; do paraíso vieram gotas de chuva de um céu sem nuvens, e das árvores caíram flores e frutos fora de época, em sua homenagem.
89. Nessa hora, como no paraíso, desceram do céu flores mandarava, lótus e lírios d’água de ouro e rubi, adornando o espaço em volta do sábio do clã Shakya.
90. Nesse momento, ninguém deu vazão à raiva, ninguém se sentiu doente ou desconfortável, ninguém usou meios pecaminosos ou intoxicou a mente. O mundo ficou tranquilo, como se tivesse alcançado perfeição.
91. Assembléias de deidades, devotadas à salvação, regozijaram. Mesmo seres de reinos inferiores sentiram alegria. Através da prosperidade daqueles que favorecem à virtude, o dharma se espalha por tudo e o mundo se levanta acima das aflições e das trevas da ignorância.
“Feitos do Buda” (Buddhacarita), cap. XIV
Ashvagosha (Índia, séc. 10)


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