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Número de
diagnósticos de 'câncer do 11 de setembro' ultrapassa mortos do atentado;
entenda
Exposição a toxinas no Marco Zero e no
aterro de Staten Island coloca socorristas e sobreviventes em risco crescente
de doenças graves
Por O Globo com agências internacionais —
Nova York
09/09/2025 04h00 Atualizado há um ano
O 11 de setembro de 2001 marcou um dos momentos mais trágicos da história dos Estados Unidos. No entanto, para muitos, as consequências desse dia continuam a se desdobrar silenciosamente. Dados recentes do New York Post, obtidos por meio do Programa de Saúde do World Trade Center (WTC), revelam que o número de pessoas diagnosticadas com cânceres relacionados ao ataque superou o número de vítimas fatais do evento.
Até março de 2025, 48.579 socorristas e sobreviventes foram diagnosticados com diversos tipos de câncer, incluindo pele, próstata, mama, melanoma, linfoma, leucemia, além de cânceres de tireoide, rim, pulmão e bexiga. Esses casos são atribuídos à exposição a toxinas liberadas durante o colapso das torres e no aterro sanitário Fresh Kills, em Staten Island. O aumento de 143% nos diagnósticos nos últimos cinco anos reflete não apenas a exposição contínua, mas também o envelhecimento da população afetada, com muitos agora na faixa dos 50 e 60 anos.
Histórias de coragem e luta
Entre os afetados estão heróis como John DeVito, policial aposentado da NYPD, que trabalhou no Marco Zero e no Fresh Kills sem proteção adequada. Diagnosticado com câncer de esôfago em 2020, ele enfrentou múltiplas sessões de quimioterapia e cirurgia. "Todos disseram que tudo estava seguro", lembra DeVito em reportagem especial do New York Post, que tinha quase 30 anos na época e agora é avô de Charlotte, de 1 ano.
Outro exemplo é o policial aposentado Glenn Taraquinio, que trabalhou na pilha de escombros após os ataques. Diagnosticado com câncer de próstata em 2020, ele destaca a discrepância entre as garantias de segurança e a realidade enfrentada pelos socorristas. "As máscaras ficariam pretas em uma hora", afirma Taraquinio também ao The Post.
Além deles, a paramédica Ivonne Sanchez, diagnosticada com câncer de mama em 2013, e o capitão aposentado Phil Rizzo, diagnosticado com câncer de cabeça e pescoço em 2023, também enfrentam as consequências da exposição tóxica. Ambos planejam ir a Washington, D.C., para pressionar por assistência médica estendida para doenças relacionadas ao 11 de setembro.
O futuro incerto do Programa de Saúde do WTC
Apesar da gravidade da situação, o Programa de Saúde do WTC enfrenta desafios financeiros. Em 2024, o Congresso excluiu o financiamento do programa do orçamento federal, deixando em risco o atendimento a mais de 137 mil pessoas afetadas. Líderes sindicais e políticos, como os senadores Chuck Schumer e Kirsten Gillibrand, condenaram a decisão e pediram ações para garantir a continuidade do programa, como informa o New York Post.
Enquanto isso, a luta dos socorristas continua. Eles não buscam apenas reconhecimento, mas também o compromisso do governo em honrar sua promessa de cuidar daqueles que arriscaram suas vidas para salvar outras. A batalha por justiça e apoio médico persiste, lembrando-nos de que o 11 de setembro ainda exige coragem, não apenas para enfrentar os escombros do passado, mas também para garantir um futuro digno para seus heróis.
Fonte:https://oglobo.globo.com/mundo/epoca/noticia/2025/09/09/numero-de-diagnosticos-de-cancer-do-11-de-setembro-ultrapassa-mortos-do-atentado-entenda.ghtml
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